Não tinha nada programado para fazer aquela manhã, ficar no quarto era chato, por mais que a vista lá fora fosse linda, Angel não queria ficar sozinha então pensou em fazer companhia para Richard na cozinha, uma de suas paixões era cozinhar e ela gostava do cozinheiro. Qual não foi sua surpresa quando notou um ser pequenino correndo em sua direção, logo abria os braços para receber Bárbara e um sorriso enorme surgia em seus lábios, ela já amava aquela garotinha. “Oi Lola” Cumprimentou a outra conforme a menina se afastava em direção a loira. Riu da forma como a pequenina falava, sempre a olhando maravilhada, Bárbara a fazia lembrar de seus alunos e das crianças no orfanato, além de sempre aquecer seu coração. “Claro, eu estava procurando algo para fazer e passar o dia com vocês duas seria ótimo”. Sorriu com animação e completamente agradecida pelo convite da outra. “Espera eu trocar de roupa? Prometo que volto em 10 minutos”. Pediu com os olhos brilhando em animação, correndo logo depois em direção ao seu quarto. Combinou de encontrar com elas na varanda. Trocou-se rapidamente, optando pelo biquini vermelho e branco que tinha, colocou um vestido levinho, chinelos e não demorou muito para estar na varanda como o combinado. “Obrigada por me esperarem”. Agradeceu mantendo o enorme sorriso nos lábios, sentindo a animação de Bárbara que logo estava estendendo a mão para si também.
Sorriu largamente ao escutar as palavras de Angeline, acentindo com a cabeça logo em seguida. “Claro que esperamos.” - Viu a morena sair, provavelmente correndo para seu quarto, enquanto pedia algumas comidas como sanduiches, frutas, sucos e água para Richard, colocando tudo numa cesta. Pegou um daqueles cobertores próprios para piquiniques e quando tinha tudo em suas mãos ela pediu que Barbara a seguisse para que pudessem esperar por Angel na varanda. Não demorou muito até que a asiática se juntasse a elas, como sempre ela parecia uma bonequinha, o que fez Lola sorrir ainda mais, achando graça. “Imagina. Vamos?” - Estava animada para aquele dia, por mais que a praia não lhe fosse assim tão convidativa. “Barbie, será que pode segurar na mão da Angel enquanto carrego tudo isso aqui?” - Talvez Lola fosse um pouco super protetora, mas odiava que as coisas fugissem de seu controle e todo cuidado era pouco, principalmente quando se tratava de crianças.
Na noite do karaokê havia presenciado toda a cena dramática que @lolaarnault performou na varanda, observando de perto para que pudesse ajuda-la se precisasse e de preferência a impedir de fazer qualquer loucura. Por alguns instantes ele quase interviu, mas logo percebeu que ela não tinha a intensão de se machucar e isso o deixou mais aliviado. A cena o deixou intrigado em relação a loira e por isso ele pegou a ficha dela para ler antes de dormir, se colocando a par de todas as informações que havia colhido sobre ela. Adrian levava seu trabalho muito a sério e tinha investigado todos da mansão, mantendo uma ficha gorda de todos em seus aposentos.
Ele sabia como era perder alguém tão jovem e por isso considerou que oferecer um ombro amigo para ela pudesse ser uma boa coisa, mesmo que não fizesse exatamente parte de seu trabalho. Alguns dias depois estava ele procurando pela mulher e assim que a avistou se aproximou. “Com licença senhorita Arnault, poderia me acompanhar por alguns instantes?” O tom era educado, mas um pouco seco, algo natural de si.
Desde a noite do karaokê, Lola vinha tentando se encontrar, vinha se dedicando a coisas que gostava de fazer, voltara a desenhar roupas e joias, talvez estivesse na hora de fazer o que o avô sempre quisera que ela fizesse, que tomasse juízo e fosse alguém na vida, para que assim assumisse as empresas algum dia. Desenhava um conjunto composto de uma calça social, camisa e um casaco quando fora interrompida por Adrian Maddox. Levantou a cabeça, pousando o lápis em cima do papel. “Aconteceu alguma coisa?” - aspergi tou num tom alarmado, preocupada. Por algum motivo, a noite em que lhe contara que o avô havia falecido viera a sua mente. Começará com aquele mesmo discurso. Contudo, ela relaxou um pouco, não havia mais ninguém em sua vida a qual ela pudesse perder, todos já haviam partido, ela não tinha mais ninguém. Levantou-se e o acompanhou, mas não antes de questioná-lo. “Por acaso eu fiz algo errado?” - Franziu o cenho enquanto caminhava ao lado dele. Tentou puxar pela memória mas não conseguia se lembrar de nada que pudesse ter feito.
Ergueu as sobrancelhas e e arregalou os olhos. “Minha nossa! Você passou mal assim! Não sabia que tinha alergia à frutos do mar… Talvez eu devesse ter marcado em outro lugar nosso encontro!” - Comentou receoso encarando o cardápio, o qual na maioria tinha frutos do mar, apesar da risada da outra estava bem preocupado com o que poderia vir a seguir. A viu tomando a cardápio e escolhendo a bebida, concordando com ela e levantando a mão para chamar o garçom para trazer-lhes o vinho. “O Pétrus, por favor…” - Requereu ao homem, para então dar uma piscadela a Lola. “Veremos se é realmente bom!” - Brincou, sabia que era. Sentiu o coração disparar com aquelas perguntas, ainda que ela tivesse um sorriso no cenho, se sentia em uma comitiva de imprensa. “Para conversarmos melhor, acho que seria a expressão correta! Quero tentar me fazer mais presente na seleção… Colocar um pouco mais de Hunter nela… Como, por exemplo, colocar batata frita com queijo e bacon em todas as refeições!” - Falou rindo nervoso. “Estou muito feliz que aceitou!” - emendou.
Riu diante da surpresa que ele demonstrava, ele parecia um tanto preocupado, como se tivesse feito a coisa errada, por isso ela alcançou a mão dele sobre a mesa e deu um leve apertão. “Hunter, relaxa. Este lugar está perfeito. E não sei explicar, mas não sou alérgica a frutos do mar, somente a camarão.” - Sorriu e então retirou a mão da dele. Hunter era divertido, meio atrapalhado em sua opinião, mas divertido. Podia notar que ele estava tentando fazer a coisa certa, que ele estava se esforçando e o admirava por isso. “Eu gosto muito.” - Confessou quando ele falou sobre o vinho. “Era o preferido do meu avô. Ele queria comprar a vinícola onde eles fabricam este vinho lá na França, mas ele faleceu antes disso, não sei nem em que pé estavam as negociações.” - Contou e por mais que sorriso de forma carinhosa, lhe doía por dentro. O que logo passou ao ouvir a resposta dele. Concentrou-se nele numa tentativa de diminuir sua dor. “Essa é uma ideia maravilhosa. Realmente estamos precisando ver mais do Hunter.” - Concordou, encorajando-o, só então notando que ela parecia dizer tudo aquilo para conquistá-lo, mas a verdade era que ela estava sendo sincera, pois não estava tentando impressioná-lo de forma alguma. Até agora tudo o que conseguia ver nele era um amigo. Talvez isso viesse mudar com o tempo ou talvez ambos nunca viessem a se gostar. O que quer que fosse, ela não estava preocupada. “O que mais pensa em fazer?” - Perguntou interessada não se importando que o garçom havia voltado com a garrafa de vinho e servido ambos. Pegou sua taça, mas antes de beber esperou que ele experimentasse e opinasse sobre o vinhos. “Então?”
Aquele era seu momento de folga e decidira ir até a praia curtir um pouco o sol, levou uma toalha, um livro e um guarda-sol para passar algumas horas ali. Seus planos não foram completamente efetivos quando algumas nuvens começaram a surgir no céu, algo lhe dizia que vinha chuva por aí e Luca acabou recolhendo suas coisas. Caminhando pela praia para trilhar o caminho de volta para a mansão acabou vendo @lolaarnault ali, lembrava-se de quando a viu desmaiada devido a um episódio desencadeado por uma síncope reflexa. Suspirou abrindo o guarda-sol e se aproximando. “Não deveria caminhar sob o sol” Provocou com um pequeno sorriso ao se posicionar ao lado dela, o guarda-sol sobre os dois. Já não havia mais sol e em poucos minutos começou a chover. Lembrou-se da bronca que recebera por telefone, onde prometera para a mãe que se desculparia adequadamente com Louise. “Gostaria de pedir desculpas por meu comportamento nas últimas vezes…” Começou enquanto caminhavam em direção a mansão.
Voltou a praia contra sua vontade, Bárbara havia perdido seu ursino de pelúcia e agora havia uma comitiva para achar o brinquedo dela. Ela era muito apegada aquele brinquedo e desde quando elas passaram o dia na praia a menina não conseguia achar o urso. Não queria estar ali, odiava a areia grudando em suas pernas e pés, assim como odiava a brisa soprar água salgada que grudava em seu rosto e corpo, mas havia prometido a Barbie que procuraria na praia. Para sua sorte o brinquedo está lá, esquecido num canto e Lola estava feliz por encontrá-lo, agora finalmente podia voltar para a mansão e tomar um bom banho. Fazia seu caminho de volta quando teve sua atenção chamada por ninguém mais ninguém menos que Luca. Ultimamente ela se quer precisava olhar para saber que ele se aproximava, passará a reconhecer a voz dele, o que a irritava. Parou no lugar e o olhou, estreitando os olhos. “O que houve? Você está doente por acaso? Nunca te vi sorrindo.” - Devolveu a provocação, controlando-se para não rir. Ele segurava um guarda-sol sobre a cabeça de ambos, o que a fez revirar os olhos, nem sol estava mais. Contudo, antes que pudesse protestar ela viu as gotas de chuva molhares a areia, começará lentamente mas agora estava grata por ele estar ali, ou estaria ensopada. Segurou o urso mais apertado contra o corpo enquanto a chuva engrossava e o vento forte batia contra ambos, levando seu curto vestido preto de flores para todo os lados. Parou abruptamente diante do pedido de desculpas dele, arregalando os olhos quando o olhou. “Você o que?” - Piscou algumas vezes, finalmente olhando-o nos olhos, o que a fez se arrepender e engolir em seco. “Tem certeza que não está doente?” - Provocou-o novamente, era mais seguro assim. Voltou a andar ao lado dele mas assustou-se quando um relâmpago rasgou o céu acima deles, dando um pequeno salto. “Está tudo bem.” - Disse sem saber se dizia pra ele, para o pedido de desculpas dele ou se para ela mesma, acalmando-se, era só uma tempestade, e ela não tinha tanto medo assim, só lhe dava arrepios. “Não é como se fosse inteiramente sua culpa.”
Havia combinado com @lolaarnault um jantar como pedido de desculpas, queria se entender melhor com a loira ou pelo menos desfazer aquele clima ruim entre eles. Não achava que conseguiria realmente, mas tentaria. Escolheu o Extra Virgin Bistrô para leva-la e no horário marcado ele estava no pátio em frente a mansão esperando por ela em sua moto. “Espero que a moto não seja um problema” Comentou quando a avistou, se fosse ele poderia pegar um dos carros da mansão, mas torcia para que não fosse um problema.
Quando Luca lhe convidara para um jantar como pedido de desculpas Lola ficara completamente surpresa, pensara em recusar mas não o fizera. Por que? Bom, isso ela não sabia. Eles haviam combinado que iriam ao Extra Virgin Bistrô e o pouco que sabia sobre o lugar, não chegava a ser um restaurante fino que exigia um dress code espetacular, o que acarretou nela passando muito mais tempo do que queria em frente ao guarda-roupas aberto, tentando se decidir pelo que usar até que se irritou consigo mesma por estar gastando tanto tempo com aquilo, com ele, por isso acabou optando por um look simples, pelo menos simples em sua mente, uma calça preta, era impossível errar com aquela peça, e um body rendado de alcinha, completou com um scarpin também preto e cinto. Deixou os cachos do cabelo soltos e decidiu por não usar quase nenhuma maquiagem a não ser por um rímel e um batom vermelho. Desceu para encontrá-lo no pátio na frente da mansão, sentando em cima de uma moto. De repente sentia-se completamente nervosa, havia muito ali gritando para ela desistir daquilo, voltar para dente, colocar um pijama e assistir a um filme, mas foi então que sentiu o bater de asas perto de si, uma borboleta azul e preta passou voando perto dela e então pousou sobre a moto, dando-lhe coragem o suficiente para sorrir, dar um passo em direção a ele e mentir. “Hmmm, não. Nenhum problema.” - Mentiu, se aproximando dele.
🌠 o homem estava se preparando para correr na praia quando foi surpreendido pelo chamado de uma das selecionadas. qual era mesmo o nome da loirinha? Leia? Lucy? ele não se lembrava com exatidão. só lembrava que começava com a letra l. — o próprio. em carne e osso. — respondeu. — normalmente as pessoas costumam me chamar de Dick. mas fique a vontade. — avisou. em alguns momentos o advogado até se esquecia que aquele era seu nome. estava tão acostumado com o apelido que nem lembrava que era uma variação de Richard. — sem problemas. não tenho nada importante para fazer. do que a senhorita precisa?
Aproximou-se mais dele dando um sorriso curto quando ele falava. “Certo, Dick.” - O sorriso dela se tornou uma risadinha simpática mas contida. Ela sempre se sentia um tanto quanto estranha conversando com pessoas que nunca havia conversado antes. “Eu sou a Lola, selecionada. Não sei se sabia meu nome, já que nunca nos falamos antes.” - Deu de ombros. “Você é advogado certo? Eu gostaria de saber se poderia me dar alguns conselhos?” - Falou, soando mais como uma pergunta. “Quer se sentar um momento para que eu te explique tudo? Não quero atrapalhá-lo.”
Após um longo dia brincando com Bárbara e Angel na praia, Lola não se sentia bem. Ela julgava saber o motivo, não era nada demais, dizia a si mesma era aquilo ou ter que procurar ajuda e procurar ajuda significava procurar por @luckgiu e tudo o que ela não queria naquele momento era vê-lo. Não queria ver aquele par de olhos azuis ou o sorriso irritante, ou o jeito arrogante dele de achar que sabia tudo sobre todos. Não, definitivamente não queria a ajuda dele. Havia acabado de entregar Bárbara para James, ela só precisaria chegar a seu quarto e estaria bem, havia estrepolado naquele dia, saia disso, havia sido irresponsável com a própria saúde, mas não havia conseguido dizer não a garota, gostava de vê-la sorrir. Caminhava devagar, sentia-se fraca, era como sentir sua pressão cair lentamente, começava a suar frio e sentir a pele queimar ao mesmo tempo. Havia acabado de entrar na sala de estar quando sua visão escureceu, não conseguia enxergar mais nada a sua frente, seu cérebro parecia ter parado, o sangue sumido de suas veias e seus ossos pareciam ter a consistência de uma gelatina, depois disso ela não conseguia se lembrar demais nada.
Bárbara havia acabado de ser deixada em seu quarto por James, ela ficaria com a menina naquele resto se manhã e durante a tarde e ela verdadeiramente não se importava, gostava de ficar com a menina, lhe fazia se sentir amada, lhe distraia a cabeça e menos sozinha. Bárbara queria ir à praia, mas a verdade era que Louise odiava a combinação de sol, água salgada, protetor solar e areia. Até mesmo tentou convercer a pequena a pequena a fazer outra coisa mas uma vez que Bárbara havia decidido, ela não conseguia mudar de opinião, algo que Lola admirava. Reuniu toda sua coragem e força de vontade e então cedeu. Arrumou tudo o que precisariam, trocou de roupa, coloca só um biquíni azul marinho simples e então desceram para a cozinha, foi quando avistou @agxlpxrk. Bárbara correu para a selecionada abraçando-a, o que fez Lola sorrir. “Oi Angel.” - Cumprimentou a morena com um sorriso. Barbie logo veio para perto de Lola, e antes que a menina abrisse a boga, ela sabia que a garotinha lhe pediria algo, seus olhinhos pisão não escondiam. “Lola será que podemos convidar a Angel?” - A francesa abriu um salto sorriso e então olhou para a asiática. “Eu iria adorar. Angel nós estamos indo a praia, pensei em um piquenique, gostaria de se juntar a gente?” - Perguntou simpática, ter mais companhia seria muito bem vindo. “Temos bola, baldinhos, e mais um monte de coisas para brincarmos.”
“Gitchie, gitchie, ya-ya, da-da. Gitchie, gitchie, ya-ya, here . Mocha Chocolata, ya-ya. Creole Lady Marmalade. Voulez-vous coucher avec moi, ce soir? Voulez-vous coucher avec moi? ” - Louise fazia uma careta de nojo enquanto assistia o comercial da Tiffany na TV. “Isso é ridículo. Aghr...” - Ela praguejou algo muito mal educado em francês. Não que não gostasse da música, ela gostava, mas usar a música para um comercial da marca era revoltante. Simplesmente não combinava, chegava a ser vulgar enquanto a Tiffany deveria representar luxo, classe. “É revoltante, eu devia processá-los.” - Pegou o controle e então desligou a tv e então cruzou os braços, praguejando um pouco mais, até que avistou @montgomery-dick. “Hey. Richard, certo?” - Perguntou se levantando e indo até ele. “Você tem um minuto?”
“Não… Tudo bem! Não se desculpe!” - Falou se encolhendo um pouco, a situação era estranha, mas ele havia concordado, e devia ao seu pai, depois de tantos esforços feitos pelo Presidente, tentar se apaixonar por uma das selecionadas. “Digo o mesmo!” - Concordou com Lola, naquele primeiro dia estava tão nervoso tentando dar atenção às selecionadas, aos amigos, aos repórteres… A ponto que naquele instante estava impressionado por ter chego ao restaurante sem a ajuda do GPS. “Eu estava parecendo um maluco naquele dia…” - Comentou encarando o cardápio envergonhado. “Acho que nem conversamos!” - Prosseguiu para então parar os olhos sobre um dos vinhos. “Podemos pedir um vinho para começar… O que acha? Prefere tinto, seco…” - Sorriu para a loira, adoraria que ela escolhesse algo naquela noite, assim não se sentiria impondo nada à ela, já bastava ter prendido a loira à um jantar que ela não poderia recusar.
Riu do comentário dele, divertindo-se. “Sei o que quer dizer, queria que tivéssemos conversado mas a primeira coisa que comi foi um petisco com patê de camarão e bom, sou alérgica a eles mas não sabia que tinha camarão ali. Tive que ir embora na hora e fiquei trancada no meu quarto por uma semana.” - Fez uma careta para logo rir em seguida. Agora divertia-se com o que havia acontecido, mas na época ele estava furiosa e só chorava. “Hmm..” - Começou pegando o cardápio e olha do as opções de vinho. “Que tal Pétrus?” - Sugeriu enquanto levantava os olhos do cardápio para ele e sorriu. Aquele era um vinho francês que ela considerava ser muito bom. “Que eu saiba esse é um dos vinhos mais famosos do mundo.” - Contou a ele. Ela não era uma conhecedora de vinhos como seu avô, mas a apreciava tanto quanto ele. Aquele era um vinho elegante e já que estavam num restaurante daquele nível, talvez combinasse com a noite. “Mas então...” - Começou após o garçom se afastar, para trazer o pedido deles. “Me convidou apenas para conversarmos, para nos conhecermos ou tem mais algum motivo por trás disso?” - Estreitou os olhos para ele num sorriso brincalhão.
Riu do comentário da loira, para então dar a volta no carro engolindo sua vergonha, não podia deixar-se levar por seus sentimentos, não novamente, seu pai contava com ele! Sentou na cadeira do motorista em um movimento rápido deu a partida, tentava manter uma velocidade agradável de forma que aproveitassem a brisa noturna. Tendo que se forçar a manter na pista certa encará-la quando ouviu Louise agradecendo o convite: “Ah! Não! Não agradeça por isso!” - Comentou sorrindo de volta à moça. “Eu deveria ter feito esse convite semanas atrás! Peço desculpas por não ter feito! É que toda essa situação é um tanto quanto… Esquisita.” - Falou sincero entrando na rua do restaurante, quando estacionou o carro um vallet abriu a porta para ele e outro cuidou da porta de Louise, até que ele desse a volta no carro para oferecer-lhe o braço. “Vamos?”.
O sorriso se alargou quando ele disse que ela não precisava agradecer e pensando por aquele lado, ele estava certo, eles deveriam ter tido mais encontros, interagido mais, afinal aquele era o propósito dela estar ali certo? “Está tudo bem, não é sua culpa.” - Assegurou, afinal nem ela sabia por que ela não tinha ido atrás dele, tinha se inscrito para ganhar e no entanto havia se mantido longe. “Eu sei, é realmente esquisita. Tanto você estar procurando por uma noiva dessa forma quando eu ter me inscrito, ou todas as outras meninas terem se inscrito.” - Ela falou rápido demais e acabou rindo, olhando para ele. “Desculpa, mas eu só quis dizer que entendo.” - Sorriu voltando sua atenção para a estrada. Quando o carro parou, ela saiu do veículo com a ajuda de um ballet para então segurar no braço que Hunter oferecia e se encaminhar para dentro do restaurante. Ao chegarem na mesa reservada, eles se sentaram e ela finalmente observou o lugar. “Eu não me lembrava que este lugar era assim tão bonito.” - Disse num sorriso sincero, no coquetel que fora realizado naquele local ela mal ficará 5 minutos ali. Comerá camarão por engano e tivera uma reação alérgica muito forte na qual ficará em seu quarto por uma semana inteira.
Aquele era o problema de não reconhecer rostos, não conseguia ver a expressões faciais das pessoas ou seu olhar, então sempre precisava avaliar o comportamento, a linguagem corporal e o tom de voz para identificar se a pessoa estava bem ou não, se tinha dito algo errado ou não. Infelizmente Angeline não acertava sempre, por mais que tivesse aprimorado sua percepção ao longo dos anos. “Obrigada!” Levou uma das mãos aos lábio soltando uma risadinha sem graça, não estava muito acostumada a receber aquele tipo de elogio. “Eu tenho jeito de professora, né?” Riu leve achando graça do que ela tinha dito, mas não se incomodando de forma alguma. “Eu sei os nomes, mas… não conheço os rostos, então acabo tendo que perguntar”. Explicou, ela tinha decorado os nomes das selecionadas, mas só conseguiria reconhecê-las depois de falar com elas, aí poderia memorizar suas vozes e trejeitos, era bem fácil. “Lola também é bonito, mas porque não gosta muito do seu nome?” Perguntou curiosa. “Se quiser me contar, é claro” Tratou de completar, não queria deixar a mulher desconfortável.
Sorriu para o jeito meigo da morena enquanto molhava o canudo novamente no sabão para depois assoprar mais algumas vezes, observando as bolhas de sabão reluzindo contra os raios de sol. “Um pouco.” - Confessou. “Você me parece meiga e doce, do tipo perfeito com crianças. Parece ter muita paciência também.” - Explicou, sem nenhum julgamento em sua voz. Ela gostava de crianças e sonhava em ter filhos um dia, mas não se considerava a pessoa mais paciente do mundo. “Sério?” - Seu tom era curioso. Achava ter visto ou ouvido algo sobre aquilo mas não entendia. “Desculpa se eu estiver sendo muito curiosa, mas como isso funciona?” - Olhou para a morena por alguns segundos e então colocou o sabão e o canudo sobre o balcão. “Obrigada. Era o nome da minha mãe. Não é nem que eu não gosto do nome, mas acho quase errado ser chamada pelo nome dela. Era dela, deve?” - Confessou e então fez uma careta, rindo para si mesma. “Desculpa, devo estar soando como uma louca.” - Deu de ombros fazendo uma careta sem graça.
Observou a mulher pegar sua filha entre seus braços sem falar nem fazer nada, completamente sem reação. Ele não devia agir assim, não deveria deixar as pessoas pegarem sua filha e decidirem que cuidariam dela. Esse era o papel dele. Sempre foi. Mas eles não estavam em casa, onde poderia cuidar melhor da pequena e estar mais tempo presente. Que mal aconteceria se ele cedesse um pouco no que se referia à sua filha? Sem falar que sabia que seria bom para Bárbara. Não apenas em ter uma companhia, alguém para passar as longas horas do dia enquanto estavam ali, mas uma companhia feminina. Bárbara tinha a presença apenas das duas avós e da professora. - Ok. - Concordou com as duas e viu que tinha tomado a escolha certa ao ver o sorriso no rosto de sua filha. - As duas Barbies podem passar um tempo juntas. - Recitou os olhos ao usar aquele apelido que nunca tinha usado, quando abreviava o nome da menina, a chamava de Barb e não Barbie. Torcia para que nenhum superior chamasse sua atenção por permitir que sua filha passasse mais tempo com uma selecionada por conta de toda a baboseira que o show deve continuar. - Não faça tudo o que ela quiser. Ela costuma me dobrar com esses olhinhos. E nada de doces a noite ou então ela não dorme e consequentemente eu não durmo. Na verdade, nada de muito doce de uma forma em geral para essa pequena formiga que está segurando. Ela tem umas boias se quiser nadar e por favor, se for sair com ela, me avise.
Quando James finalmente concordou com Lola cuidando de Bárbara enquanto ele trabalhava, ambas festejaram num sonoro “Yaaaaaay” - A pequena garotinha enlaçou seus braços no pescoço de Louise num abraço caloroso, fazendo com que a loira se sentisse querida como não sentira em nove meses, desde a morte do avô. Escutou as recomendações de James, balançando a cabeça em concordância como se fizesse anotações mentais. “Pode deixar, nos iremos nos divertir bastante.” - Disse olhando para Barbie. Mas então achou por bem olhar para ele, seria dessa vez. “Eu vou cuidar bem dela, eu já cuidei de crianças antes.” - Confessou, lembrando-se com carinho dos projetos sociais que fazia com sua avó, e mesmo depois que ela falecera ela continuará. “Bom, creio que agora a gente vai lá pra dentro, que tal se pegarmos uma das bolas de praia para brincarmos? Podemos assistir a um filme também.” - E com isso ela é Bárbara de despediram de James e voltaram para a mansão.
Assistira a briga de Luca e Lola de camarote naquele karaokê, apesar de querer se meter o álcool em seu sangue, o medo de decepcionar o pai e todos que assistiam, ao se meter em um assunto que não lhe dizia respeito, não permitiram. Agora, sóbrio, tinha tomado a decisão de conversar com “suas garotas”, e isso incluía a @lolaarnault, sabendo que a loira adorava um luxo fez questão de reservar uma mesa no Ocean 362, aonde tinha tudo se iniciado para recomeçar com a selecionada, às oito em ponto ele estava no Hall em um terno, sem gravata, aguardando-a, as chaves da Ferrari Califórnia tilintavam em seus dedos, dando uma puxadinha para arrumar o paletó quando a viu descendo o pequeno lance de escadas “Está incrível, Louise!” - Falou admirado estendendo a mão a ela e saindo em direção ao conversível abrindo a porta para ela: “Por favor…” - Sorriu.
Quando receberá o convite de Hunter para um jantar no Ocean 362, Lola ficará completamente surpresa. Claro que estava ali para competir por ele, se casar com ele, mas a verdade era que eles mal haviam conversado, mal haviam interagido e ela começava a desistir de competir por ele. Contudo ela decidiu se arrumar, optando por um vestido de seda na cor marrom alaranjado, sandálias de salto nude, um coque bagunçado, brinco de pérolas e uma maquiagem leve. Desceu as escadas para o primeiro andar da casa, encontrando Hunter lhe esperando no hall de entrada, vestindo terno. Ela sorriu ao vejo e então se aproximou ainda mais, segurou na mão dele, dando uma pequena risada. “Obrigada, você também está!” - Andou ao lado dele até o conversível, sentando-se no banco do passageiro. Aquilo era um pouco estranho, por mais que fosse o que eles deveriam estar fazendo desde o começo, mas de certa forma era engraçado e divertido. Não se sentia pressionada a estar ali, por mas que também não se sentisse ansiosa. Parecia estar encarando aquele encontro mais como um jantar entre amigos. “Obrigada por me convidar.” - Ela olhou para ele e sorriu sincera enquanto ele dirigia.
Damn, damn, damn, what I'd do to have you here, here, here
I wish you were here. Damn, damn, damn, what I'd do to have you
Near, near, near. I wish you were here
Os meses haviam se passado, nove meses para ser mais exata, desde que seu avô, o último membro de sua família, havia partido. No começo o luto pela morte dele a arrasara. Não era como quando sua avô, ou pais faleceram, era diferente. Quando os projenitores se foram, a menina tinha cinco anos de idade, ela mau se lembrava se havia sofrido tanto. Sabia que havia chamado pela mamãe e papai várias vezes e que ao invez de ver o rosto deles era sua avó e avô que vinham lhe abraçar. Eles fizeram o papel de pais, eles quem a amaram e a ensinaram tudo o que ela sabia. Mas quando sua avó faleceu, ela tinha quinze anos, e sim, aquela perda a machucara, mas ver o avô tão destruido por perder o amor de sua vida fez com que Louise decidira ser forte pelo homem. Ela decidira que não choraria mais, ou pelo menos não na frente dele. Fora nessa época que o carater dela mudara, transformndo-a na típica menina riquinha e mimada, a rainha de sua escola, a princesinha francesa. Foi nessa fase que ela acabou por se envolver com pessoas de caráter duvidoso, beber e até mesmo experimentar algumas drogas para fazê-la continuar com sua vida. O fato de não demonstrar sentimentos e ser sempre fotografada em festas e se envolver com polêmicas a fez ganhar o apelido de rainha do gelo. Afinal quem em sã conciência não sentia a morte de um importante membro de sua família. Porém, o que ninguém sabia era que ela precisava não se importar, precisava ser forte para seu avô. Sempre animada para animá-lo, para que ele não desistisse. E ela conseguiu, mesmo que lhe doesse por dentro, o senhor Bernard estava rindo novamente.
Quando seu avô viera a falecer, Lola entendera pela primeira vez o que o avô passara ao perder a esposa. Ela se sentia destrossada por dentro, mesmo após nove meses. Sentia-se sozinha no mundo. Mas acima de tudo, Lola sentia-se perdida. Contudo, o mundo não havia parado para ela, para seu luto. Ela se vira sozinha, mesmo que ainda tivesse o apoio de sua ex-babá e agora amiga, sem dinheiro, sem nada, obrigada a trabalhar, algo que nunca havia feito antes. A seleção viera em ótima hora para ela reaver sua herança e mudar sua vida. Não que fosse ingrata por Anna a acolher e dividir sua casa com ela, e mesmo que no começo ela tomara aquela decisão de se inscrever na seleção por causa do dinheiro, agora não era mais aquele o seu motivo, ela só queria sua casa de volta, seus pertences, e tudo o que era seu por direito. Lola não era uma pessoa ruim, era? Ela estava sempre tentando ajudar aos outros e se quer gostava que soubessem disso. Ela fazia pois aprendera com sua avó. Ela era uma boa pessoa certo? Ela já não sabia mais.
Nos últimos dias, o fato de que não conseguir se aproximar de Hunter e nem ter vontade, somado ao fato de não ter nenhum amigo ali além de Nicole, ser constantemente empurrada pelo segurança James, e as brigas que tivera com o médico da mansão, a estava deixando cada vez mais para baixo. Parecia que ela fazia tudo errado, e não importava o quão boa ela tentava ser, o quão simpática, as pessoas sempre a viam como egoísta e mimada. Nem mesmo a noite de karaokê havia ajudado. Após os insultos dele, ela o largara sozinho no palco, pegara uma garrafa de whiskey do bar e saíra da sala de jogos. Havia subido para o andar principal e saído para a varanda, as lágirmas borravam sua visão enquanto o álcool comandava seus movimentos. Abriu a garrafa cheia e levou aos lábios, bebendo um grande gole que descera queimando por sua garganta. A noite estava especialmente úmida devido a brisa vinda do mar, da praia próxima a casa. Apoiou a garrava no parapeito do balção da varanda e prendeu os cabelos em um coque alto e frouxo. Aproximou-se um pouco da garrafa olhando para baixo enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto, aquele era um longo caminho até lá embaixo. A varanda era alta. Tirou as sapatílhas, e puxando uma cadeira ela sentou-se no parapeito. Não tinha intensão de pular, por mais triste e sem esperança que se sentia. Sentiu a brisa bateu em seu rosto como uma carícia, estar ali em cima de certa forma lhe trazia paz. Pegou a garrafa novamente e chorando ela beber mais um grande gole.
Já havia bebida mais da metade do whiskey quando notou que ela soluçava, não por estar bebada, mas por estar chorando. “Por que você me deixou vovô?” - Ela praticamente gritou para a noite. “Eu me sinto tão perdida, tão sozinha!” - Seu tom de voz foi baixando, virando um sussurro. Várias perguntas rondavam sua mente e várias acusações brotavam em sua mente. O que ela estava fazendo ali? Por que ela estava ali? Ela era egoísta? Ela era mimada? Luca e provavelmente o resto do mundo acham aquilo. Ela estava falhando miseravelmente com seu avô. Tudo o que ele queria era que ela fosse uma pessoa melhor, que fosse mais séria e se importasse mais com as coisas importantes da vida. Ele queria que ela encontrasse o amor de sua vida, como ele encontrara o dele. Levou a mão à garrafa novamente, mas essa vez, quando estava para levá-la aos lábios notou uma borboleta azul, a preferia de seu avô, a que sempre aparecia quando o velho estava nos jardins de sua casa. O inseto pousou no gargalo da garrafa, bateu a asa três vezes de forma lenta e então levantou vôo, voando em direção ao horizonte. Não sabia dizer se aquele era de fato um sinal ou não, não sabia dizer se acreditava naquelas coisas de sinais, mas algo dentro dela se aquecera, lhe fizera sentir como se não estivesse sozinha. Respirou fundo, mas o choro veio de forma violenta, sacodindo seus ombros. Ela levou a mão esquerda aos lábios tentando abafar o choro e soluços, mas era mais forte que ela. Ela sabia que precisava ser forte, que precisava cuidar de si, mas acima de tudo, sabia que seu avô ainda olhava por ela. Tentou se acalmar, respirou fundo algumas vezes antes de passar os pés pelo parapeito, voltando em segurança para a varanda, desta vez decidida a deixar o senhor Bernard orgulhoso dela, ainda que ele não estivesse ali para dizer aquilo a ela.
A voz dela quase o fez revirar os olhos, como ela conseguia ser tão irritante? Respirou fundo e viu que ela serviu uma nova dose, bebeu e logo serviu uma terceira dose para ambos, talvez daquela forma conseguiriam se tratar de forma mais amigável. Era até estranho para Luca agir assim, mas havia algo nela que o incomodava e ele nem sabia dizer o que era. Teve vontade de puxar a lista de músicas das mãos dela, mas se conteve, erguendo a sobrancelha quando a ouviu rir. Ótimo, agora ela ia querer escolher uma música que o fizesse fazer papel de ridículo, era só o que faltava. A olhou com certa surpresa quando ela lhe fez aquela pergunta. “Não me parece tão ruim” Respondeu, quase querendo dizer que tanto fazia, só queria acabar logo aquilo. “Escolhe logo a música para acabarmos com isso, sim?”
Ele, por si só, a fazia com que ela se irritasse. Não havia uma coisa se quer nele que fizesse com que ela não sentisse vontade de revirar os olhos e se afastar. Mas o que mais lhe incomodava era que todo aquela inimizade entre eles havia surgido do nada. Era como se ele tivesse visto ela pela primeira vez e decidido que lhe trataria mal, e ela, como sempre, devolvera na mesma moeda. Lhe incomodava o fato de que aparentemente eles não tinham um motivo para se “odiarem” daquela forma. Pelo menos ela não tinha. Mas como tratá-lo bem se tudo o que parecia era que a loira causava repulsa ao médico. “Eu iria mais rápido se você não fosse tão irritante e parasse de me dar ordens.” - Murmurou irritada, mais para si mesma do que para ele. “Stupide.” - Murmurou novamente em francês, dessa vez ainda mais baixo enquanto dizia que ele era estupido. Pelo menos com ela. Programou a música é entregou um dos microfones a ele, segurando o outro. Quando a música começou, ela apenas tentou relaxar. Não era uma cantora, mas tinha uma voz muito decente, graças às aulas de canto que fizera na infância. Lembrava de cantar ao lado de sua avó enquanto o avô tocava piano. “Do you ever feel like breaking down? Do you ever feel out of place? Like somehow you just don't belong and no one understands you.” - Cantou aquelas estrofes como nunca antes, certas vezes até mesmo fechando os olhos. Mais do que nunca ela entendia a letra por trás da melodia. Ela mesma se sentia fora de lugar, como se não pertencesse ali, mas aonde ela pertencia? A quem? A casa estava lotada, mas ela se sentia completamente sozinha.