Lavínia Miller era alguém admirada, fosse por sua beleza ou ousadia, já que muitas de suas polêmicas eram por causa da ousadia e falta de papas na língua. Algo que não era completamente ela, a questão é que ter a admiração de Hunter era algo importante para ela. Não por ele ser Hunter King, mas por ver sinceridade nele e principalmente por ele admirar quem ela era de verdade, mesmo que eles não conhecessem completamente ainda, haviam dado um grande passo ali. Retribuiu o sorriso, sentindo-se grata pelo momento, mas sem conseguir encontrar palavras, talvez não fossem necessárias afinal. Acabou rindo junto com ele, era bom saber que dividiam aquele tipo de coisa, mesmo que fossem pressões diferentes, era o tipo de coisa que os aproximava e os tornavam mais similares. Sorriu quando ele pousou a cabeça na sua, sentindo-se acolhida quase que pela primeira vez na vida. Nunca estivera daquele jeito com um rapaz antes, já que na adolescência não tinha tempo para relacionamentos e durante sua vida adulta a maioria dos homens que se aproximavam de si eram por interesse ou porque tinham sido contratados. “Conte comigo também” Apertou levemente a mão dele, de fato ela e Hunter seriam bons amigos, mesmo que ele não a escolhesse no final, sempre torceria por ele. O homem se mostrava cada vez mais alguém incrível e ter alguém próximo e íntimo daquela forma já era algo pelo qual se sentiria grata, estava gostando de fazer amizades ali como Mandy, Mahina e Maeve, sabia que poderia contar com elas mesmo depois do programa. Claro que ela tinha dito aquilo para fazer graça, não que Lavínia não falasse sério, mas quando o assunto eram seus pais as coisas eram delicadas e intensas demais, então um alívio cômico acabava se fazendo necessário, ou talvez fosse o álcool, ou ainda um lado de si que estava descobrindo. A modelo estava cada vez mais gostando quem era naquele reality, descobrindo coisas sobre si e se sentindo mais humana do que uma marionete dos pais.
Riu do comentário dele, de algum jeito Hunter sempre a fazia rir e cada vez mais apreciava isso. “Qual é, eu tenho quase 30 anos, já passou da hora de mudar e de viver por mim” O tom ainda era leve e divertido, como se o provocasse, já que ele não era tão mais velho assim do que ela. “Eu apenas cansei… e não tenho mais quinze anos, sou uma mulher crescida. Já estava na hora de tomar as rédeas da minha vida, mesmo que eu não saiba exatamente o que farei”. Completou com um encolher de ombros, pegando a garrafa e tomando um longo gole. Já se sentia mais leve, flutuando levemente e o sorriso bobo não saía de seus lábios. Sim, por mais que estivesse ali por ele, tudo ali era por ela, ou ao menos mais por ela do que por ele. “Sabe, eu tô começando a me arrepender de nunca ter tentado falar com você, tenho quase certeza de que já estivemos em pelo menos um evento juntos. Ainda que eu não lembre de tê-lo visto em algum evento”. Comentou olhando para o céu, talvez se o tivesse conhecido antes não se sentiria tão carente de amor e algumas outras coisas, claro que não era o amor romântico, mas afeto em si sempre lhe fizera falta. “Pizza com toda a certeza, eu simplesmente amo e não consigo não comer. Adoro massas e cozinha italiana de modo geral” E daí que ela era uma modelo? Claro que ela mantinha uma dieta quando era necessário, mas isso não a impediria de adorar comida italiana. “Aposto que você consegue, conte com meu apoio, podemos fazer campanhas de doações para manter a clínica”. Sugeriu com um largo sorriso, sempre gostou de cães, queria ter um e nunca tivera a oportunidade de ter um. “Eu acho que não tenho um sonho”. Ponderou olhando para o horizonte. “A única coisa que sempre quis é afeto, amar e ser amada… Tirando a minha falecida avó, não tive bons exemplos de amor”. Respondeu de forma brutalmente sincera, ainda que seu tom de voz fosse pensativo, aquele era um dos motivos de ter se inscrito, ela queria tentar se apaixonar por ele, saber como era. Por um lado ela estava conseguindo algumas coisas, já que fizera amizades e começava a entender como era ser querida de verdade pelas pessoas, assim como retribuir o afeto, carinho e amizade. “Acho que não, apesar de gostar bastante de preto e amarelo” Respondeu rindo da forma como ele tinha gargalhado, era tão bom vê-lo relaxado daquela forma. “Oh, eu também gosto dos seus lábios carnudos” Provocou em meio ao riso, tomando mais um gole e deixando um pouco para ele, antes de se levantar. “Meu cabelo, eu adoro a versatilidade dele e como me faz sentir poderosa” Moveu os braços fazendo o movimento de força, só para fazer graça. “As perguntas acabaram e a bebida também, o que acha de um mergulho rápido antes de voltarmos?’ Sentia leve, feliz e um pouco cambaleante, um mergulho não faria mal e não havia qualquer traço de segundas intenções nela, apenas um largo sorriso feliz e bobo, e uma mão estendida para ele.
Sorriu enquanto maneava com a cabeça diante das palavras dela, ele podia contar com ela, e ele sabia que sim. Não sabia que rumo a seleção tomaria, mas gostava do que estava sentindo. Das amizades que estava fazendo, do carinho que vinha sentindo pelas pessoas ali dentro. Ouviu o riso dela e o comentário sobre ela já ter quase trinta anos, o que era mais engraçado era que ele era mais velho que ela, o que tornava a brincadeira anterior dele mais divertida. Pelo menos em sua mente. “Me alegra te ver assim e eu concordo. Você deve mesmo viver para você.” - Afirmou, por mais difícil que fosse. Ele mesmo não vivia interiamente por si, por mais que seu pai tentasse deixar os filhos livres, eles era figuras públicas, não podiam fazer o que bem entendiam. Mesmo antes quando o pai ainda não era presidente dos Estados Unidos. “Estou orgulhoso de você, de verdade.” - Disse sincero, sério, para que ela entendesse o peso daquelas palavras. Ele realmente estava, e sabia que Lavínia iria longe. Ela tinha o poder de ter o mundo em suas mãos se tentasse. “Confesso que também não me lembro, muitos dos eventos que participei foi por pura obrigação. Mas não me arrependo.” - Confessou balançando a cabeça e então completou. “Mas acho que se nós tivessemos nos conhecido antes, as coisas não seriam como são agora. Você não seria a Lavínia que está diante de mim, você seria quem seus pais queriam que você fosse.” - Sorriu para ela, pegando a garrafa da mão dela, bebendo um gole. “Com certeza a comida italiana é maravilhosa.” - Mas em sua opinião, todas eram. “Eu agradeço o seu apoio e por acreditar que consigo. Significa muito.” - Olhou-a com ternura dando um sorriso da mesma forma, lhe emocionava saber que mais pessoas apoiavam causas como aquela, ele tinha outros sonhos também, ele e sua família ajudavam a vários orfanatos do país, mas ele queria fazer mais. Ele pensou sobre o que ela havia dito, sobre querer ser amada e ele quis dizer que ele a amava, mas não disse, não sabia que tipo de amor ele tinha para oferecê-la. Ele se importava com ela, com todas elas, mas não podia dizer aquelas palavras e lhe passar a impressão errada, afinal, em sua mente existiam varios tipos de amores, e ele não sabia qual ele tinha destinado a ela. Por isso apenas maneou com a cabeça para logo rir do comentário dela sobre seus lábios, piscou na direção dela e então notou quando ela se levantou e a imitou. PEgou a garrafa das mãos dela e finalizou o conteúdo. Sorriu ao vê-la tão leve. “Você tem um cabelo maravilhoso.” - E ela realmente tinha. Quando ela sugeriu um mergulho, ele olhou para o mar e então de volta para ela. “Acho que um mergulho nos faria bem. Com certeza.” - Puxou a camiseta pela cabeça, deixando-a no chão pensando no quão feliz estava com o fato do shorts que usava ser um bom shorts para um mergulho e então estendeu a mão para ela.