A conversa ficou estranha naquele ponto e ela não achou sentido em nenhuma das palavras que ele começava a falar para complementar a frase. Talvez ele não se lembrasse mesmo de mais da metade das coisas que havia dito à ela, mas isso até seria comum, as informações acabam se perdendo na memória, acontecia com todo mundo. Mas a parte de “acho que eu me importo com você” e “e ajudar a lembrar” não fazia sentido. Talvez, fosse apenas Daniel tentando um modo de começar uma conversa sem que ela brigasse com ele por ter sumido sem falar nada e não ter dado notícias. Ela olhou para ele, e demorou um tempo para processar a visão. As muletas, o braço engessado. O cenho da garota se franziu e ela endireitou a postura com uma expressão confusa. — O que aconteceu com você ? — ela perguntou num tom notável de confusão e uma raiva crescente. Porque ninguém havia avisado a ela que Daniel havia sofrido algum tipo de acidente? Não era como se ela fosse surtar ou coisa do tipo. Bem, talvez fosse, mas ainda sim, deveriam ter contado a ela.
Daniel ajeitou um pouco a perna, seu pé também estava imobilizado - mas com uma bota ao invés de gesso -. O garoto estava com alguns ferimentos quase cicatrizados pelo rosto, como alguns cortes. A cabeça ele já havia desenfaixado.-- Eu também queria saber -- sorriu fraco para amenina -- Queria poder te responder como se eu soubesse o que aconteceu. Mas talvez eu possa dizer o que os médicos me disseram. -- engoliu em seco parando de olhar um pouco nos olhos da menina e fitando a grama pensando um pouco -- Aparentemente eu não tenho mais pai. O que é um pouco ironico, pois eu nem mesmo me lembro de como era seu rosto. -- olhou para o chão negando com a cabeça -- Pelo que mais me disseram eu e minha mãe nunca nos demos bem, e que ela me abandonou. Não me lembro do rosto dela também. -- comprimiu os lábios -- Eu havia saído da minha casa que eu também não me lembro como é com uma moto que eu ainda não sei como é. E então, eu estava nervoso, a moto de alguma forma bateu, ou algo assim. Eu acordei em um hospital, fiquei em coma por um tempo. E.. Agora eu não me lembro de mais nada. Todas as informações que eu tenho é que eu me chamo Daniel Parker. Estudo nesse lugar, do qual me parece completamente novo. E não me lembro de ninguém. Inclusive você. -- tentou falar tudo da forma mais seca o possível. Mas era inevitável que Daniel por dentro sentia a maior vontade do mundo de chorar. Estava vivo, mas sequer sabia quem era. Como uma pessoa poderia ter vivido por dezoito anos e simplesmente não se lembrar de absolutamente nada do passado de um dia para o outro? Era um menino completamente sem identidade. -- É... Isso aí.












