Sohui se viu perdida depois da batalha, apesar de não ter se machucado, pois @lookvtthecloud a protegera o tempo todo, Lyanna tinha partido sem dar mais explicações, não tinha saído do hospital desde que colocara Dmitry numa maca e o deixou aos cuidados dos médicos.
Quando finalmente foi liberada para ver o namorado, a cena lhe despedaçou ainda mais, ele parecia frágil, o que era algo raro para o homem de mais de 1,90 de altura. A coreana sentiu suas pernas falharem, mas seguiu até a cama onde ele estava deitado, mordendo o lábio inferior. — Pabo… Se não tivesse me protegido tanto não estaria assim agora. — Tentou brigar com ele, mas a voz estava chorosa demais, levou a mão para o rosto dele, fazendo um carinho ali. — Obrigada, por ter cuidado de mim, mas deveria ter se cuidado também, a nossa cama fica grande demais sem você nela. — Tentou brincar com ele, mas estava preocupada demais para poder sorrir.
☁️ Dmitry estava deitado na cama, já tinha acordar e agora estava ocupado em tentar convencer a enfermeira que cuidava de si, lhe deixar sentar um pouco, mas parecia que era uma batalha que não seria vencida tão cedo. E pela expressão de insatisfação que tomou as feições da enfermaria, claramente ela não ficou satisfeita quando Sohui apareceu — Oi princesinha, sabe que eu te protegeria de novo sem pensar duas vezes, não é? — indagou virando o rosto na direção da mais nova, dando um pequeno sorriso para ela, vendo a enfermeira se afastar resmungando pelo canto do olho — Fica é? Mas eu logo volto, fico feliz em saber que você não se machucou, nem bagunçou o cabelo porque aí sim teríamos um problema — brincou com ela, dando um pequeno sorriso em sua direção e acabou fazendo força para poder se sentar na cama.
☁️ Dmitry havia acabado de sair do hospital, estava em casa descansando um pouco — algo que não duraria muito porque ele logo deixaria todo o cuidado de lado para poder voltar a sua rotina normal, mesmo que fosse escutar um sermão de Sohui, que pareceu querer deixar toda a raiva de lado. A batida na porta acabou fazendo um suspiro pesado escapar pelos lábios masculinos, mas sabendo que não iria se levantar, então simplesmente aumentou o tom de voz — Pode entrar, está aberta — diz deixando de lado o livro que tinha nas mãos. Os olhos claros ergueram-se para a porta e franziu o cenho ao ver Lyanna ali — Oi Lyanna... veio brigar comigo também? — a pergunta saiu em um tom divertido, quase uma brincadeira.
Um quarto de segundo é o tempo que o cérebro leva para interpretar uma mensagem e julgar o tom de voz aplicado a ela, categorizando-o em confiante ou inseguro. É preciso menos de meio segundo para que sejamos capazes de determinar- ao menos vagamente- o que nosso interlocutor está sentindo e tentando transmitir em suas palavras. E, embora pareça absurdo, é tempo o bastante para decidirmos involuntariamente se iremos ou não acreditar no que nos está sendo dito. É claro que, ainda que involuntária, essa conclusão é baseada em aspectos que transparecem na voz e na forma como as falas são ordenadas.
Pensando assim, devo dizer que Dmitry concluiu logo de pronto que meu dia não estava sendo dos melhores. Assim que ouvi meu nome ser dito, meus pés estagnaram e tomei uma breve respiração antes de girar o corpo para vê-lo. Eu não podia me ver, mas me conhecia bem o bastante para imaginar que os olhos não estariam tão verdes como sempre e que meu rosto pareceria ainda mais pontiagudo àquela altura.
—Oi Dmi. —Cumprimentei, tentando desfazer a carranca do rosto. O semideus costumava ser gentil como eram poucos e, de alguma forma, eu já havia me afeiçoado a ele. Que Norm me perdoasse, mas era a Dmi que eu recorria quando não queria preocupa-lo. — Eu estou bem. Dia ruim.— Comentei, franzindo o cenho para o céu ensolarado. — Aonde vai?
☁️ O peito de Dmitry ainda doía do ataque que recebera durante o ataque ao acampamento, mas era teimoso o suficiente para querer andar pelo acampamento como se nada tivesse acontecido, ainda que eventualmente sentisse falta de ar, porém, simplesmente fingia que nada estava acontecendo para que ninguém viesse lhe dar sermão. Podia ignorar o que estava sentindo, mas não ia permitir que outros semideuses — principalmente aqueles que ele tinha adotado para si para cuidar — ficassem se sentindo mal sozinhos — Está bem mesmo? Não se machucou, não é mesmo? — os olhos analisaram cuidadosamente a figura do mais novo, tentando ter certeza de que ele estava bem mesmo, deixando claro que não iria acreditar muito que ele fosse lhe dizer — Estava apenas caminhando um pouco, eu não aguento mais ficar dentro do quarto.
You Can Breathe... You Can Blink, You Can Cry || POV
TW: menção de sangue
Dmitry jamais pensou que dias depois de chegar ao acampamento, aquela merda toda iria acontecer. Quer dizer, ele esperava que uma guerra estivesse por vir depois de conversas com Éter, mas jamais pensara que estaria tão próxima e agora tinha certeza que o pai lhe escondera algumas coisas — não que esperasse que ele se abrisse sobre tudo, mas pelo menos avisar o tempo que aquilo levaria para acontecer, seria bom, não é? Teria tempo de se preparar. Mas agora, ele tinha outras coisas com o que se preocupar, outras coisa em que focar… o caos que estava acontecendo, por exemplo e principalmente, as ex namoradas, tinha de protegê-las, ainda que estivessem bravas consigo — com toda a razão do mundo — ainda eram mais do que importantes para si e nunca se perdoaria caso alguma coisa séria acontecesse.
A passos rápidos, ele ia em direção a um grupo de semideuses que pareciam cansados demais para lutar contra uma quimera que se aproximava mais rápido do que ele jamais vira — parecia que a iminência de um ataque a um grupo de semideuses lhe dava energia — e por isso, acabou tendo de correr para que o corpo fosse colocado diante da criatura que já vira outras vezes quando estava no reino do pai, mas que jamais lhe fizeram mal uma vez que o deus estava por perto. O arco de ouro branco estava em sua mão, a flecha prontamente ajeitada para que pudesse lançar contra a criatura, no entanto, acabou errando a mira (d6) e a flecha passou por cima da cabeça do ser mitológico, mas ele tentou novamente, e mais uma vez, passou longe (d2), mas que merda estava acontecendo? Sua mira não era ruim.
O monstro abriu a boca para deixar que um rugido saísse do fundo de sua garganta, fazendo com que um arrepio desagradável percorresse todo o corpo grande de Dmitry, a pata da criatura se ergueu quando ela alçou vôo com as asas de morcego, desferindo um golpe que pegou em cheio no peito do semideus (d15), as garras abrindo um corte tão profundo que ele tinha certeza que se estivesse mais perto, não teria ficado vivo. O líquido escarlate manchou a camisa branca, mas como um bom teimoso que era, Dmitry não caiu de joelhos — embora os mesmos tivessem falhado por um segundo — a destra ergueu-se para apertar o ferimento de ia de ponta a ponta em seu peitoral e a respiração tornou-se descompassada pela dor. Os olhos claros observavam o monstro preparar um novo ataque, mas naquele instante, Dmitry desviou-se e evitou ser acertado em cheio pela cauda, no entanto, o golpe pegou em seu ombro esquerdo (d8), atravessando-o de uma ponta a outra, de modo que ele precisou de toda a força de vontade para não soltar um grito.
Os olhos se fecharam por uns segundos, a respiração continuando descompassada quando escutou quase um sopro em seu ouvido “você tem poderes, filho” e com dificuldade, ignorando a dor excruciante que sentia, o russo virou o corpo em direção a quimera em tempo de ver que ela fora para o chão e virava o corpo em sua direção. Sua arma estava jogada no chão — mas logo voltaria para seu pulso — enquanto se concentrava no poder… invisibilidade, se ela não pudesse vê-lo, poderia atacá-la e ainda que a possibilidade de ser guiada pelo cheiro de sangue fosse grande, ele tinha de tentar. O corpo desapareceu aos poucos, fazendo com que a criatura ficasse confusa e logo não havia como ver para onde Dmitry se movia ou se ele ainda estava ali (d13), precisava usar a vantagem que conseguira para acertar a quimera na cabeça, mas precisava continuar a distração dela.
A destra ergueu-se para então chamar os pássaros perto para lhe ajudarem, era uma distração e ainda que apenas uns dois tivessem aparecido (d8), viria a calhar naquele instante. As aves sobrevoavam a cabeça da quimera que tentava os abocanhar enquanto o homem aproveitava para contornar o monstro até o outro lado e sua mente trabalhava em se concentrar no outro dom que poderia usar, ainda que estivesse enferrujado, era bom para deixar a criatura parada tempo o bastante para atacar… a mão boa novamente se ergueu, torcendo para não desmaiar naquele instante por perda de sangue e gelo formou-se ao redor do que lhe atacava, congelando-a (d12) por tempo o suficiente para que o arco tivesse voltado ao seu pulso como relógio.
O arco novamente ficou preenchido pela flecha de energia, com mais força do que teria imaginado ter em si, Dmitry mirou na cabeça da quimera, rezando aos deuses que acertasse daquele vez e graças a Zeus conseguiu o golpe certeiro que precisava (d15), fazendo com que apenas uma fumaça ficasse no lugar que antes estivera o monstro. Um pequeno sorriso formou-se em seus lábios antes de finalmente deixar que a dor consumisse seu corpo e o corpo grande caiu no chão, a camisa que antes era branca manchara-se totalmente pelo sangue.
As orbes azuladas miravam o céu que não passava um breve borrão, a respiração cada vez mais descompassada e com pausas cada vez mais longas… talvez morresse. Morreria sem se acertar com as mulheres que amava? E foi o sorriso de Lyanna e de Sohui que ele viu, quase como uma lembrança distante antes dos olhos se fecharem e ele apagar.
"É o poder, aceita porque dói menos. De longe falam alto, mas de perto tão pequenos”
Dmitry voltava dos treinos daquela tarde, a jaqueta jogada por cima do ombro e os passos lentos enquanto se perguntava de fora uma boa ideia voltar ao acampamento depois do encontro com a ex, ele não tinha muito o que dizer a ela, mas agora tinha outras coisas para focar e sabia o que estava por vir, seu pai havia comentado consigo que algo aconteceria logo e, embora não tivesse dado muitos detalhes, o semideus sabia que seria alguma coisa um tanto grave. E agora que parava para pensar, talvez tivesse sido uma boa ideia dar aula de luta aos semideuses e não ter parado de treinar quando estivera junto de Éter, porque assim sentia que poderia ajudar um pouco mais ali no acampamento.
Quase como um sopro em seu ouvido, algo lhe disse para olhar mais a frente, a cabeça erguendo-se e os olhos azulados como o céu acima de si acabaram notando a movimentação incomum… estava tudo por ali mais do quieto do que seria esperado para o horário e o mais velho sabia disso. O cenho foi franzido e rapidamente sentiu um arrepio na espinha, alguma coisa estava errada e era sério. O caminhar que segundos antes estivera calmo agora era rápido, apressado e preocupado, os olhos fixos na sua frente enquanto torcia para que não fosse nada tão sério quanto sua mente… no entanto, não poderia estar mais enganado.
O caos se instalara no local e o russo não conseguia imaginar como aquelas criaturas conseguiram entrar… a menos que tivessem ajuda de alguém ali dentro, mas não, ele não gostava de pensar na ideia de uma traição, embora pudesse ser possível e agora tinha de focar em proteger o local, como dissera a Éter que faria, mas o deus primordial parecia não estar ali naquele momento, diferente de outros que ele avistava ao longe, aparentemente, seu pai continuava na calmaria de seu reino e aquilo deixava Dmitry ligeiramente mais calmo. Sem pensar duas vezes, tirara o relógio de ouro que tinha no pulso, a peça rapidamente transformando-se em um arco de ouro branco com nuvens douradas, as flechas preenchendo a arma pela energia do semideus enquanto ele corria para alguém que estava mais perto… Sohui, droga, ele não tinha sorte naquele dia mesmo.
Parando quase derrapando o corpo grande perto da ex e olhou de relance para ela para ver se estava machucada ou algo do tipo — Você está bem? Está machucada? — indagou rapidamente antes que pudesse perceber mais duas pessoas se aproximando… Jasmine e um homem que não se lembrava de conhecer, mas de qualquer forma, toda a ajuda naquela situação seria bem vinda. Dmitry dera apenas um passo para frente antes que pudesse notar a aproximação de uma escuridão que parecia tomar toda aquela parte… é ele sabia bem quem era e assim que ergueu os olhos, conseguiu ter a confirmação — Oi vó — cumprimentou a deusa com um sorrisinho divertido antes de voltar-se para os companheiros ao seu lado. — Vocês tem alguma ideia? Porque eu sinceramente, ainda não planejei nada.
☁️ Dmitry aproveitava a noite para caminhar um pouco pela extensão do acampamento em uma tentativa de talvez se acostumar novamente com o local e com os semideuses que sempre ficavam para lá e para cá. O cigarro entre os dedos era apenas para relaxar um pouco até o sono chegar e ao longe, viu alguém ao longe, uma silhueta feminina, acabando por se aproximar lentamente e de modo que a jovem pudesse lhe escutar — a última coisa que queria era assustar alguém, principalmente com toda a merda que estava acontecendo e que viria a acontecer — Achei que as pessoas já fossem estar dormindo por aqui — disse alto o bastante para ela lhe escutar e esboçou um sorriso mínimo — Aqui é bem mais quieto agora do que antigamente — o comentário saíra antes que eles pudesse conter, mas era uma verdade. Quando estava no acampamento, em qualquer horário poderiam escutar conversas e risadas dos semideuses.
☁️ Não fazia muito tempo que Dmitry voltara ao antigo acampamento, mas não negaria que já se apegara a alguns campistas que falaram consigo desde o primeiro momento em que pisou ali e praticamente os adotara como se fossem filhos. Era o mais velho ali, então para ele, os mais novos eram sua responsabilidade e cabia a ele defender as crianças que chegavam ali todos os dias.
Um dos semideuses que ele adotara como se fosse um filho, era Vincent. O rapaz parecia bastante consigo quando era mais novo, ainda mais por ser um tanto recluso — algo normal dos filhos de Hades e não tão surpreendente assim — mas o russo queria fazer com que ele se soltasse um pouco e mostrasse que tinha potencial para ser um grande semideus — como ele sabia que tinha. Por esse motivo, quando viu o rapaz ao longe no acampamento, apressou um pouco o passo para poder se aproximar dele — Oi Vincent, como está? — perguntou assim que o alcançou, passando a caminhar ao lado mais novo.
☁️ O horário da manhã era quando Dmitry preferia treinar já que não havia ninguém ali para ficar lhe fazendo perguntas sobre onde andara, onde estivera aquele tempo todo e podia simplesmente voltar a forma antiga — ainda que continuasse a treinar para o que estava por vir quando estava junto do pai — e por isso, a visão de alguém se aproximando na entrada da arena o fizera soltar um suspiro baixo e praticamente invisível para quem não estivesse perto demais para vê-lo.
Deixando a espada que pegara para treinar em cima da mesa, o mais velho colocou as mãos nos bolsos da calça jeans esperando a jovem se aproximar o bastante para poder falar alguma coisa e quando foi possível, um pequeno sorriso apareceu nos lábios masculinos — Se quiser treinar sozinha, posso sair. Não achei que mais alguém quisesse vir para cá — comentou calmamente, esboçando um sorriso para a mais nova.
☁️ Depois de tanto tempo longe dos acampamentos, das pessoas e de tudo o mais que pudesse ter ali, por esse motivo, sentia-se um tanto perdido e até mesmo entendia os olhares curiosos que lhe eram lançados. Afinal, ele também estranharia se alguém simplesmente aparecesse do nada, principalmente por ser bem mais velho do que o resto dos semideuses ali.
Os passos calmos eram dados enquanto ele se dirigia até os Campos de Marte, já que se oferecera para treinar os semideuses mais jovens e por mais que fosse cedo, ele queria se acostumar com o lugar para que pudesse dar o melhor de si. No entanto, a visão de uma figura feminina bastante conhecida o fizera engolir em seco, passando a mão preocupado pela barba conforme se aproximava lentamente das arenas — Bom dia, Sohui — cumprimentou-a brevemente, um tanto quanto nervoso porque a última vez que se viram não fora muito agradável. Segundos antes dele simplesmente ir embora de casa e agora estar na frente da ex o deixava um tanto nervoso — e até mesmo entenderia se ela quisesse lhe dar um tapa — Eu posso ir embora, se estiver te atrapalhando… posso ir para outra arena.