The Life and the Job 1st Chapter
Quem não é visto, não é lembrado!
Essa frase nunca fez tanto sentido pra mim quanto agora... Quando eu olho pra trás, é como se agora eu me visse deitada na cama almejando por coisas que hoje eu já consegui...
Eu fui fascinada pelo glamour que eu achei que a moda me daria... De fato, ela me deu, mas não do jeito que eu imaginava, eu ainda almejo por muito mais, ainda quero muito mais.
A moda é fascinante para aqueles que com ela sabem conviver. Existe uma longa distancia entre gostar de moda e trabalhar com moda.
Trabalhar com moda é como eu sempre disse, não é para os fracos. “Love it or Leave it" para seu próprio bem.
Decidi fazer um tour no tempo e nos setores e tentar mostrar para os interessados, o que esse mundo pode oferecer a nós...
Para os criadores da moda, ou melhor dizendo, para os criadores de produtos: 1- Buscar inspiração em um dia que tudo o que você não está é inspirado em fazer algo (não se esqueça isso é parte do seu trabalho, trate de se inspirar e criar algo bom)
2- Desenhar (na minha cabeça está perfeito porque agora não está dando tão certo?)
3- Tirar o molde, escolher tecido, aviamentos, costurar, costurar, provar, ajustar, desfazer, refazer, começar de novo...Até que uma coleção esteja completa e pronta para ir pra passarela, todos os processos tiram noites de sono de muita gente que é cobrada o tempo todo. Afinal, todo mundo precisa ser pago no final.
Este é o meu ponto de vista, MUITO resumido de algum dos setores e processos de desenvolvimento de uma coleção. Quem faz faculdade de moda escutou por muito tempo dos amigos e da família a seguinte pergunta:
Você vai ser costureiro/estilista?
O mercado da moda tem um leque enorme de cargos e opções, não é só de estilista e costureiros que ela é feita, apesar de essas funções serem essenciais, existem os pesquisadores, fotógrafos, jornalistas, publicitário, designers gráficos, stylists etc...é preciso um pouco da criatividade e sabedoria de todos unidos por um só motivo. A questão é que, de certa forma ao falarmos de moda comercial a ideia é – Do estilista para a passarela, da passarela para a loja e da loja para o seu closet... É assim que deve ser! Isso soa consumista? Eu sei, mas é assim que funciona para as marcas. That is the ugly truth.
Festas, desfiles, revistas, eventos, champagne, solados vermelhos, gente magra, gente rica, celebridades, e muitos flashes! É uma vida atraente, todos devem ser algo, todos devem saber de tudo o tempo todo, quem der mais está na frente, não existem muitas regras, você só precisa ser inteligente e focado o suficiente pra não se perder no primeiro “cheers”... Eu admito, perdi meu foco muitas vezes, mas me serviu como amadurecimento!
Escolhi fazer moda para decepção do meu pai. E por mais vestidos que eu tenha desenhado ou costurado na minha infância, eu não me via desenhando uma coleção... Na faculdade ao longo das aulas, eu era focada nos estudos, nas aulas de história da moda, história da arte. Sempre admirei aqueles que criaram história, sempre admirei aqueles que ditavam e mudavam a cabeça de uma sociedade. Essas pessoas eram os designers de moda, que ditavam a silhueta da mulher que se permanecia até o próximo designer ser bom o suficiente para muda-lo. Logo após vieram os veículos de moda, a Vogue para ajudar quem quer seja o designer da vez, mostrar seu trabalho de uma forma mais “rápida”. Hoje em dia temos os famosos digital influencers, as blogueiras que atingem o público em massa, cada vez mais rápido e no meu ponto de vista. Não do jeito mais justo.
Decidi que eu gostaria de trabalhar com as roupas prontas e com o mercado de luxo, que sempre foi o que mais me atraiu. Impérios que até hoje carregam o nome de seus designers. O mercado de luxo não era parte do meu mundo, mas eu sabia muita coisa sobre ele. Era o tipo de moda que eu gostava.
Na época do boom dos blogs de moda, eu não acessava muito, até rejeitava a certo ponto esse tipo de fonte de informação, sinceramente perdi um pouco p desenvolvimento da mídia, eu era apegada ao vintage.
Eu gostava assim como ainda gosto de ter algo palpável em mãos sem ser meu celular, chic era ter vogues, elles e ler tranquilamente, mais do que isso, entender a revista! Eu assinava revistas de moda para ter meu exemplar do mês sempre em mãos. Por 4 anos guardei Elles. E meu foco de trabalho se tornou fazer parte daquelas páginas que eu lia tão apaixonadamente.
Eu achava os editoriais incríveis e me perguntava, o por que daquilo, mas eu achava tudo incrível, artístico, conheci as marcas, as pessoas influentes, tudo isso eram coisas que na minha cabeça era algo muito distante de mim. A primeira vez que eu ouvi alguém dizer "isso não é só uma bolsa, é uma Prada" eu fui perguntar pra minha mãe, "mãe o que é uma Prada". Ela não me deu muita atenção, na verdade acho que nem tinha entendido a pergunta, fui entender e associar esse momento que sempre ficou na minha cabeça muito tempo depois quando eu li uma matéria sobre a Miuccia Prada. Depois de "the devil wears Prada" o número de meninas querendo trabalhar em revistas de moda triplicou... Hoje eu me vejo abençoada, por muitas oportunidades que eu tive, por tantas pessoas importantes que eu conheci. Mas ainda falta uma estrada para eu caminhar. Hoje não sei mais ao certo o meu ponto final
Mas creio que meu destino não tenha mudado muito. Eu quero ser ouvida, quero expressar a minha opinião, e “conversar” com as pessoas sobre moda. Levar a informação até elas, quero que a minha opinião importe para as pessoas.
Sobre a minha posição hoje, trabalhar em assessoria de imprensa me fez conhecer os bastidores, hoje meu trabalho me permite fazer parte e contribuir minimamente para um editorial acontecer. Hoje eu forneço de certa forma para as revistas, produtos para serem publicados. Eu vejo a vida das pessoas de uma redação, e caramba tenho tanto para falar sobre elas. Eu espero que a minha inspiração fashionista dure, pois ainda tenho tanto pra compartilhar...