É importante salientar antes de qualquer coisa que nenhum brasileiro torce pelo mal do próprio país. Devemos ter em mente que o patriotismo se faz necessário diante de toda e qualquer situação, mas jamais o nacionalismo.
Muitos não sabem, mas patriotismo e nacionalismo não são sinônimos, no entanto, muitas vezes são usados como tal. A origem histórica dos termos também se diverge. O conceito de Patriotismo possui contexto e história mais antiga, a palavra deriva do grego ‘patris’. Para os gregos antigos, a prática do patriotismo tinha a ver com a devoção da terra natal, à língua, leis e práticas culturais e religiosas.
Pode-se pensar no neologismo Matriotismo, que significa terra mãe, matriarca, mátria. Contudo, este termo não é o equivalente feminino de patriotismo. No século XVIII, a formulação do conceito, na Europa Ocidental, dava-se como consciência cultural. O patriotismo era entendido como a responsabilidade individual para com os cidadãos, uma devoção à humanidade, práticas de caridade perante aos mais desfavorecidos, e uma ética de igualdade.
Nesse quesito, diverge-se profundamente do conceito de nacionalismo, pois de forma alguma o patriotismo está ligado a uma supervalorização de uma etnia, cultura, localização geográfica ou organização política.
O termo Nacionalismo foi introduzido pela primeira vez no século XIX, sendo considerado relativamente recente. Surge como conceito de uma entidade política, com direito a um Estado, tendo as condições de cidadania especificamente para um determinado grupo étnico. O pensamento de uma necessidade de proteção para com a Nação, e por isso a criação de um Estado próprio.
A superioridade que se tem em mente em um Estado-Nação leva a corridas industriais, armamentistas, tecnológicas etc. Nota-se que em certos momentos históricos, até Estados multi-étnicos, como os EUA e o Brasil - no período de ditadura militar – surgem com slogans como ‘Brasil, ame-o ou deixe-o’, alertando os cidadãos que não concordavam com a política nacionalista da época.
Um bom exemplo para descrição de um país com a política de Estado-Nação é a Alemanha Nazista, de Adolf Hitler. O próprio, em um de seus livros, escreve sobre as diferenças entre os termos ‘Patriotismo’ e ‘Nacionalismo’, reconhecendo-se como nacionalista.
Pode-se afirmar então que é de extremo perigo uma sociedade com tal pensamento. Amar a pátria, ver-se como cidadão amante da sua terra não é necessariamente concordar com o pensamento nacionalista. Este pensamento tende a ser preconceituoso e causar grandes danos à sua própria nação, que não enxergando a diversidade que possui, oprime e dilacera uma história.
''Se um dia foi possível vencê-los, sempre será!''
A luta será árdua, companheiros, mas não devemos vacilar. Não deixemos que o medo fale mais alto nesses momentos, nos momentos de provação. A história segue o seu fluxo, e seguimos com ela. Sejamos donos dos nossos próprios destinos, sigamos avançando a história e lutando sempre contra o retrocesso. Seguiremos juntos, ou não seguiremos. Ninguém solta a mão de ninguém!
RESISTÊNCIA DE TODOS OS PAÍSES, UNI-VOS!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
HITLER, Adolf. Minha Luta (Mein Kampf). São Paulo: Centauro, 2016
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Dia 28 de outubro de 2018, uma parte da população brasileira gritou a comemoração pela morte da democracia, a outra parte calou-se por um momento tentando sessar o choro que lhes era o único escape por sentir o luto de forma tão intensa. Jair Bolsonaro, o 38º presidente da República, assume o poder a partir do dia 1 de Janeiro de 2019. Parabéns pela vitória – se é que podemos caracterizar dessa forma.
A comemoração, por parte de seus eleitores, tiveram estrondosas e bizarras consequências até então. A alegria deles já causou morte de alguns, inclusive dos seus próprios eleitores. No interior do Paraná, uma criança foi morta com um tiro na cabeça em suposto ato de comemoração da vitória do então presidente. Já no interior de Teresina, um dos seus eleitores portava uma arma e desafiou um policial militar, que por sua vez disparou dois tiros que atingiu o jovem levando-o a morte. A chacina começou, e “se morrer um ou outro inocente”, não ficará tudo bem. Todos nós somos vítimas.
Peço para que você, leitor, nos desculpe por começar esse texto de forma assustadora. Mas o momento não mais propicia brincadeiras ou sarcasmos. Precisamos falar sério. Precisamos nos preocupar com a atuação situação que se encontra o nosso país (mais específico a sua população). Isso é um desabafo, o que foge um pouco, inclusive, do teor do nosso blog. Contudo, o assunto é preocupante e nos exige um posicionamento mais ríspido. Tudo começou como uma piada, não poderia se levar a sério que alguém tão asqueroso pudesse se propagar e ser adorado por tantos, mas aconteceu. A insatisfação política foi um dos pilares da construção da imagem do Bolsonaro, mas isso sim é reflexo de uma sociedade intolerante e preconceituosa.
Passamos por momentos durante a campanha onde foi dito inúmeras vezes que a disputa não tinha mais um teor político e ideológico. Estávamos falando sobre humanidade, sobre atentar-nos aos discursos de ódio disseminados pelo, na época ainda candidato, Bolsonaro, e as consequências que isso tinha. Depois de uma vez propagado as falas racistas, machistas e homofóbicas, que defendiam uma violência assustadora e homenageava crueldades, uma face assombrosa de uma boa parcela do seu eleitorado se mostrou. Eles tiraram as máscaras e vestiram a de “cidadão de bem”. Transformando-as em seres que persegue, estupra e mata.
Ninguém torce para que um período sombrio se instale. Ninguém torce para que soframos com os atos governamentais do novo presidente. Muito pelo contrário do que se imagina, esperamos que nem metade de todas as barbáries dita por ela sejam, de fato, implantadas. Apenas estamos tentando (e tentamos) conscientizar, como a verdadeira oposição, do quão devastador pode se tornar os quatro anos seguintes com as atitudes e posicionamento do nosso líder (que, individualmente falando, mesmo sabendo que muitos pensam igual, não me representa.). Porém, todos nós nos tornamos vítimas por consequência da falta de sensatez e conhecimento, que deveria ser à base do seu eleitorado qual o elegeu. Todos nós sofreremos as consequências dos males que há de vir e, sem brincadeiras ou ironias, diremos: Eu te avisei.
Muitos utilizam desculpas como: “Gay sempre foi morto e oprimido, e ninguém nunca se importou.”; “mas mulher sempre sofreu opressão do marido e ninguém se preocupou antes”; “O racismo no Brasil é fraco, as pessoas se vitimizam demais, somos um país mestiço”. É muito fácil estar no local oposto da fala quando a vítima talvez não seja você. Mas, só quem sente na pele diariamente as dores da insegurança e do medo, é que sabem os pesos disso. Você não pode menosprezar o que o outro sofre, mas que você não sente.
Antes e depois dos resultados eleitorais, vinda com a vitória do ex-militar, ondas de crime e violência cercaram a sociedade. Sendo todas elas embasadas e confirmadas por motivação política. Isso fez com que o público, que seriam alvo de ataques, se unisse e originalizasse o movimento “Ninguém solta a mão de ninguém”, no intuito de apoiar e unir todas as minorias num só grupo de resistência. Dando origem então a elevação da hashtag “Seremos Resistência”.
Surgiram ataques ao movimento, onde a grande maioria dos agressores foi, e são, os eleitores de Jair Bolsonaro. As ofensas, considerada por eles “mimimi” e “vitimismo” gerou questionamentos e indignações por parte dos que aderiram ao ato. Será que a resistência de nós, nosso povo, nosso grupo, é mesmo vitimismo? Será que arriscar nossas vidas e termos a possibilidade de ser o próximo alvo é “mimimi”? A resposta é simples. Não queremos e não merecemos sermos vítimas da intolerância, é a nossa vida em risco e iremos resistir e lutar contra aqueles que querem nos destruir.
Ninguém, além de nós que sofremos o ato, saberá o medo de andar na rua olhando para todos os lados com medo de ser atacado. Ninguém, além de quem sofre, saberá o receio de estar em um ambiente e se preocupar com os olhares direcionados a você que transbordam reprovação e julgamentos. Ninguém, além de quem sofre, terá consciência do que é se sentir sozinho quando violentado moral ou fisicamente sem poder contar com o apoio de alguém. Então, meus caros e nobres colegas de sociedade. Encarecidamente, quero lhe dizer que nosso movimento é pela vida, amor, respeito e dignidade. É pelo simples fato de não termos medo de ser quem somos.
Já fomos vítimas. Fomos vítimas tão quanto Laysa; somos vítimas tanto quanto Marielle; somos vítimas tanto quanto Mestre Moá; somos tão vítimas quanto a Dandara. Todos eles precisaram ter suas vidas ceifadas por causa do desrespeito e preconceito. Onde, infelizmente, precisaram nos abandonar em terra, de forma cruel, para que alguém conseguisse nos dar visibilidade. Só tenho um aviso para àquele que tenta calar a nossa voz: Nós seremos resistência. Seremos a oposição mais afrontosa que vocês já enfrentaram. Por mais que tentem nos calar, mordaça alguma nos abafa! O sangue está em suas mãos, mas o nosso está nas veias e nos olhos para continuar gritando pelo lugar que é nosso.