Ana e mia, suas melhores amigas.
Para sempre.
Elas sempre te dizem: Passar fome dói, mas funciona.
E então, você responde: "Se eu morrer, morrerei magra."
Pés juntos, coxas afastadas. Estômago vazio, um coração pesado. Estômago roncando.
Comeu? hora de vomitar. Purga, mia, toma um laxante, dá um jeito. Comer, não é mais uma vontade. Comida não faz mais parte de você.
Aquela menina saudável e feliz, que nunca dava trabalho, agora está doente e frágil. Seu coração está fadado a falhar.
Ela só queria um pouco de atenção e cuidado, ela só queria ser desejada, ela só queria que alguém a enxergasse.
Mas as únicas que lhe enxergaram, foram Ana e Mia.
A única paz que ela encontrou foi em um estômago vazio.
Garota faminta, tua fome não tem fim, não importa o quanto você coma. Você sempre vai querer mais.
Maldita fome insaciável,
Ana e Mia a destroem lindamente. Quando você entra, é tarde demais para voltar atrás.
A gula é teu pecado, e teu castigo é a gordura que hábita em teu corpo.
Café preto em um estômago vazio, quem você está querendo enganar? Não há fome suficiente para enganar a culpa. Não há água suficiente para lavar a alma.
O corpo é uma promessa que te devora, uma carne que nunca é o suficiente. Você corre atrás de tudo e afunda no nada.
A balança é um altar vazio onde você se sacrifica todas as manhãs, como se os teus ossos fossem a única maneira de se existir confortávelmente.
E nesse momento, você se encontra desejando ser apenas ossos, uma menina magra, uma figura impossível, perfeita.
Ou morta.
















