Jules of Nature
Keni
Misplaced Lens Cap

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"I'm Dorothy Gale from Kansas"
Sweet Seals For You, Always
Sade Olutola
he wasn't even looking at me and he found me
RMH
Three Goblin Art
Show & Tell

Andulka
Lint Roller? I Barely Know Her
TVSTRANGERTHINGS
todays bird
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open

❣ Chile in a Photography ❣
Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ
will byers stan first human second
Alisa U Zemlji Chuda
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@lovesthestrange
Turn a little faster — Xenophilius & Angie
Talvez tivesse tentado controlar a contagem dos minutos quase incontáveis pela espera do entardecer e por sequência à noite. Tudo era muito monótono e sem vida naquele ambiente em que deveria prezar pelo bem estar de quem ficava por lá. Mas, no final de tudo para alguns como Xenophilius demonstrava ser muito depreciativo, não tão bem colaborando com uma mais rápida recuperação. Não importava afinal o quanto de dedicação em que enfermeiras utilizavam os conhecimentos.
O recinto não era propício para ele, e tinha deixado isso claro para a loira que o visitara mais cedo. Aquela que tinha como promessa de tirá-lo de lá, um acréscimo de esperança tinha invadido o peito do ravino, que esquecia os pensamentos difusos enquanto encarava o teto pálido e sem vida.
Sabia que tinha que tentar manter a normalidade, então continuou a agir de forma normal. Dentro dos padrões dele, obviamente. Aceitou a medicação, e ficou deitado boa parte do tempo na maca. Mantinha os olhos cerrados sempre que alguém se aproximava, fingindo o sono profundo. Quando na verdade estava ansioso pela liberdade, na presença da colega de casa. Tinha plena certeza que não seria uma tarefa fácil, muito menos pelo fato de driblar atenção da enfermeira que fazia plantão naquela noite. Lovegood tinha analisado durante os outros dias os momentos e hábitos delas. E tinha avisado Angie sobre a maior facilidade para saírem de lá.
Contudo ele não sabia como a loira chegaria até lá e como driblaria atenção de monitores nos corredores e a entrada da Ala Hospitalar. Sentiu um alívio maior, quando observou minimamente a presença da loira no local. Com um dos olhos semiabertos sentia que o momento se aproximava. — Pensei que tivesse desistido. — Falou quase inaudível, quando a jovem se aproximou da maca dele com todo cuidado, um pouco agachada.
Fale um pouco sobre Amelia Bones. ^^
Amie? She's half of my soul. I don't need more explain about her. She's totally awesome.
Descreva River Song ^^
Até quantos pergaminhos...? Tem dada limite para entregar isso? Acho que passaria a tarde toda dizendo o quanto eu considero a River, uma amiga e tanto. Eu não sou muito bom com as palavras, apenas a considero bastante.
KISS ME BEFORE YOU GO
I don't know...
I think you're crazy, just like me — Angie & Xenophilius
Muitos consideravam Xenophilius Lovegood como estranho.
Talvez excêntrico.
Angie Chesire, no entanto, o achava encantador. Todas as coisas que, normalmente, o classificavam como lunático, roubavam sorrisos da loira parada ao lado da maca dele na Ala Hospitalar. Ela, pela primeira vez, notava os olhos dele, como realmente pareciam o dia. Amanhecendo. Definiu.
As primeiras horas do dia sempre foram suas favoritas. A luz solar recém-beijava a terra, reluzindo pelas gotinhas de orvalho que enfeitavam as flores. E, se você tivesse um pouquinho de imaginação, algo que nunca faltou a Angie, era como se as flores brilhassem como diamantes. E fazia com que elas parecessem preciosas, ainda que, para ela, as flores sempre tenham sido preciosas.
Em especial, aquela que adornava seu cabelo. — Eles realmente lembram o Céu… — Juntou-se ao devaneio do loiro à sua frente, perdendo-se entre sorrisos que vinham a cada vez que imaginava um novo detalhe. — Ao amanhecer, sabe… As flores ficam mais bonitas nos primeiros raios de luz da manhã. — Sem perceber, segurou na mão do amigo. Perdendo-se entre devaneios por instantes, enquanto os lábios curvavam-se, num sorriso que era comumente visto na face da ravina.
— Eu tive uma ideia! — Quase gritou, empolgada. Como se houvesse acabado de descobrir as respostas do teste de Defesa Contra As Artes das Trevas - uma vez em que, defender-se e trevas não eram coisas que a amante de flores fazia bem. — Assim que Madame Pomfrey te liberar daqui… Eu e você vamos descobrir o significado místico por trás desse colar. — Sorriu, apertando ainda mais os dedos contra a mão de Xeno. Dando-se conta só depois de que podia ser incomodo pra ele por conta do acidente, o que a fez lançar um olhar tímido, afastando os dedos devagarzinho, deslizando-os pelo colchão. Logo voltando à empolgação inicial. — O que acha? — Procurou aprovação por parte do loiro com olhos tão encantadores quanto o amanhecer.
Não existia uma resistência com a ravina, afinal. Ela facilmente conseguia conectar-se a ele nos devaneios mais inesperados. Na verdade o loiro sempre era assim, só algumas pessoas conseguiam acompanhar as palavras e os sentidos que pulavam tão rapidamente e certamente Angie parecia ser uma dessas pessoas. De acordo com o que dissera, Xenophilius sentiu a mão da loira segurar a dele. Ele não reagiu contrariamente, levemente segurando a dela enquanto o polegar deslizava sobre as costas da mão da colega de casa. O silêncio seguinte invadiu com um pequeno sobressalto, mas não bastante para fazer com que o ravino ficasse deveras assustado. Afinal, ele estava acostumado com o entusiasmo alheio.
— Qual? — Questionou com um meio sorriso, com as sobrancelhas levemente arqueadas. — Eu só não sei se vou conseguir esperar. Já estou aqui faz dias, e estou realmente melhor. Eu nem sinto mais a sensação de estar flutuando. — Explicou um pouco tristonho no tom de voz, já que não conseguia mais ficar lá. Logo em seguida, a ideia lhe iluminou para encontrar o significado do colar. Uma pequena parcela deixava o loiro desconfiado ao imaginar caso fosse algo ligado às trevas, mas não poderia ser?Poderia? Talvez tivesse, no entanto Lovegood tentava não se ater em tal detalhe e suspeitava de que nada vindo de Chesire poderia ser ruim. Não quando a aura dela iluminava o ambiente e aquecia o coração dele de uma forma diferente.
— Eu quero muito, mas não quero esperar. Eu tenho uma ideia! Porque não volta aqui mais tarde? Podemos ir embora ao turno da noite, sempre trocam as enfermeiras. E a que estará aqui hoje não é muito ligada aos pacientes, digo é mais... distraída. Podemos ir embora e resolver o grande mistério. O que me diz? Vamos, não vamos? — Disse mais entusiasmado, mesmo lembrando-se do grande fracasso que tinha ocorrido antes. Não se importava afinal, pois gostava de se arriscar para aventuras e sentia-se o bastante pronto para uma nova.
"Birds can fly so high or they can shit on your head, they can almost fly into your eye and make you feel so scared, but when you look at them, and you see that they’re beautiful… That’s how i feel about you.”
I think you're crazy, just like me — Angie & Xenophilius
– Na verdade, eu não sei o que significa… – Confessou, torcendo o nariz por alguns segundos, logo deixando que um sorriso tomasse novamente a sua face. – Mas eu sempre gostei de imaginar que fosse algo meio mítico, sabe? – Seu tom denotava que ela não estava inventando qualquer abobrinha. Era algo que ela realmente acreditava.
Angie acreditava em diversas coisas que os outros bruxos desprezavam, grande parte tirada de contos trouxas, com os quais havia sido presenteada pelo pai. Para que não deixasse perder um pedaço de sua essência, considerando ser filha de mãe trouxa. Nos livros, bruxos e magia eram considerados como lendas, coisas para assustar crianças… O que a fazia considerar a possibilidade de existência de absolutamente todas as criaturas citadas em contos infantis.
Essa era uma das coisas que ela tinha em comum com o ravino, que deitado à sua frente, lhe roubava sorrisos e mais sorrisos. Era sempre assim, a empolgação de Xeno a contagiava de todas as formas – o que normalmente deixava quem estava de fora um tanto quanto perdido em seus assuntos.
Rodopiou lentamente ao ter a flor colocada em sua cabeça, percebendo o rosto um tanto quanto quente assim que terminou. Certa de que não era pelo esforço físico, mas sim pelo elogio. Ela devia estar corada. Manteve o sorriso, levando ambas as mãos às bochechas, tapando-as. – Obrigada, Xeno. – Esperou que a voz não estivesse tão claramente tímida quanto todo o resto. – Vou usá-la sempre! – Concluiu, num tom divertido, dando uma risada logo em seguida. Fazendo uma clara referência à reação do rapaz, alguns minutos antes.
Respirou fundo, segundos depois, e o fitou. – Ficou muito bom em você. – Desviou o olhar para o colar, que adornava seu pescoço, combinando com toda a excentricidade de seu amigo. – Se ele não tiver poderes míticos… Pelo menos, combinou com seus olhos. – Abriu um sorriso sincero, logo em seguida.
— Mítico? Certamente. — Concordou com o que dissera, observando um pouco mais o pingente. — Bom, deve ter algum significado sabe? Esse triângulo e círculo que me intrigam na verdade. A linha reta parece ser uma varinha, bem... é o que eu penso sobre inicialmente. — Comentou embargando em maiores pensamentos acerca do significado real do presente, mesmo que não lhe ocorresse muitas possibilidades sobre os outros dois elementos que formam o pingente. Ele sorriu novamente, feliz. Parecia que toda a melancolia que o assolava tinha ido embora, e ele gostaria de pensar que fora pensado em questão do cordão que agora adornava no pescoço.
— Quero dizer, se for realmente um significado bruxo. Realmente não importa se tiver outro. Devo dizer que para mim já existe um muito importante, coisas que não poderiam ficar marcadas por lendas ou palavras. — Desviou o olhar momentaneamente sem graça, pela segunda vez naquele dia. O sorriso não poderia esconder nem se ao menos quisesse, Angie sem dúvidas era uma presença agradável para o ravino. — Estou diretamente ligado à você agora, não me entenda mal. É um presente muito especial, assim como a flor nos seus cabelos. — O modo em que ela interagia com ele era engraçado, controlou o sorriso quando notou as bochechas da colega de casa levemente ruborizadas. A voz controlada se opunha ao pensamento de Lovegood, observando a felicidade controlada pela loira. — Eu tenho que agradecer, na verdade. — Disse sincero, deixando um leve suspiro escapar pelos lábios finos retomando a fala anterior.
— Temo que ela não possa durar pra sempre, mas posso lhe dar uma nova a cada uma que murchar. Pense como se seu cabelo virasse um jardim. — Começou a discursar. — E que nesse poderá florescer todo tipo de flores, as mais bonitas e de perfumes embriagantes. — Ao terminar a frase, contorceu a expressão sorridente levemente, ao não acreditar que realmente tinha levado a tanto aos delírios. Os tão famosos devaneios de Xenophilius, mas saberia que não seria julgado quanto à isso. O modo excêntrico dele jamais espantaria Angie. — Eu sinto que ele tem... meus olhos? Meus olhos são tão comuns, Angie. Digo, uma vez me disseram que parecem o céu. De manhã, a noite me parece muito triste, e meus olhos não refletem tristeza. — Disse pensativo em um meio sorriso.
Madness is just a matter of perspective || Charity and Xenophilius
Quando o final do dia chegava a grande maioria dos alunos ficavam passando o tempo no salão comunal de suas respectivas casas, e lá ficavam até o sono tomar conta de cada um. Alguns poucos alunos resolviam se aventurar pelos corredores mesmo com o toque de recolher, já tinha feito isso algumas vezes e em uma dessas ocasiões tinham lhe rendido uma ou duas detenções. Tais detenções foram um motivo para receber algumas cartas um tanto rigidas por parte de seus pais, porém não muito exageradas. Afinal de contas, levar detenção por estar fora da cama após o horário não podia nem de longe ser comparado com que se acabasse se metendo em uma briga, ou algo muito grave.
Naquele fim de dia estava sentada em uma das confortáveis poltronas do Salão Comunal da Ravenclaw, aquele era um local muito agradável e confortável de se ficar que poderia acabar caindo no sono facilmente. O local possuía lindos vitrais, o azul que tomava conta das paredes não era um azul qualquer, era especial, meio fosco. Era o azul TARDIS. Consequentemente ao ser fascinada pelos trouxas acabava se interessando por seus costumes, objetos… praticamente tudo existente no mundo trouxa, e isso incluía na sua lista de gostos do mundo trouxa a série Doctor Who.
Estava lendo Charlie and the Chocolate Factory escrito em 1964 pelo escritor trouxa e galês Roald Dahl, mesmo sendo considerada uma história infantil não conseguia deixar de se encantar pela ideia de uma Fábrica de Chocolate tão incrível, magnífica e mágica como era descrita no livro. Mesmo não conhecendo nenhuma fábrica de chocolate trouxa tinha uma certeza de que elas não possuíam uma cachoeira de chocolate, não eram comestíveis e não tinham pequenas apresentações musicais realizadas por homenzinhos pequenos chamados Oompa Loopas. E ao mesmo tempo em que estava lendo seu livro, também estava prestando atenção, de um modo geral, nas conversas paralelas dos outros alunos. No início quando fazia aquilo acabava se perdendo na leitura ou na conversa, agora tinha se tornado algo tão comum e costumeiro que fazia ambas as coisas sem nenhum problema.
E no meio das conversas que estava escutando, escutou um comentário de alguém comentando que o Lovegood fazia uso de pó de flu. Xenophilius Lovegood era um ravino, e assim como ela também estava no sétimo ano. Comentários daquele gênero sobre o garoto não eram nenhum tipo de novidade, e eles se davam pelo comportamento excêntrico que o ravino tinha, sem contar que em algumas vezes ele acabava falando sobre assuntos pouco conhecidos pelos outros alunos. Mas de qualquer jeito era uma pessoa legal e com o bom coração, não merecia ficar escutando comentários um tanto maldosos apenas por ter um jeito diferente de agir e enxergar o mundo. Deixou seu livro de lado para se aproximar do garoto, tinha algumas coisas para falar que poderiam ser uma boa ajuda. — Não ligue para esses comentários idiotas, se essas pessoas que dizem isso realmente te conhecessem não iriam abrir a boca para falar bobagens. — disse, para o Lovegood com um sorriso amigável nos lábios.
Lovegood não ligava para aquilo, nem mesmo porque não via a opinião alheia com alvo importante da atenção dele. O que realmente fazia diferença para o ravino era de como as pessoas com quem ele mantinha relacionamentos pensavam e agiam com ele. No entanto, nunca fora um rapaz de guardar rancor ou raiva para qualquer comentário torto sobre o modo de se vestir, do cabelo ou dos ideais que o loiro defendia com tanta firmeza. O jovem era tão puro que não poderia deixar- se corromper com tais pensamentos que faziam com que a alma perdesse a força, e por consequência manchavam a aura dele. Era no que ele acreditava em boa parte do tempo, e com um simples sacolejar mostrou a opinião sobre as vozes no recinto. Balbuciavam algo sobre pó de flu, como se fosse realmente possível sorver o pó mágico utilizado para transporte. Xenophilius começou até desconfiar sobre a procedência das afirmações e se perguntou em silêncio se acaso não seriam eles por tentar antes tal feito.
A atenção fora desviada para uma recém chegada colega de casa. Charity Burbage era uma das pessoas que o rapaz gostava de trocar palavras, e talvez fosse a segunda pessoa que mais tivesse descobertas extasiantes sobre o mundo dos trouxas. Sendo o primeiro lugar de certa grifana, que apesar de estar no sexto ano tinha muito a lhe mostrar de certo. Os assuntos eram mais gerais com a loira, e não somente limitados ao mundo dos contos e letras que faziam a imaginação do loiro aflorar.
— Eu não ligo. — Disse afirmando novamente, que realmente não estava nem um pouco incomodado com o que os outros garotos diziam. — Não vejo como uma ofensa aliás, eu só tenho um modo diferente de ver as coisas como a maioria. Se não perdessem tanto tempo procurando defeitos nos outros, talvez conseguissem enxergar a verdade diante dos olhos deles. — Complementou um tanto enigmático, olhando para um ponto qualquer do Salão, fixamente antes de voltar a falar e olhar para a jovem que lhe sorria. — E se fosse você, também não ligaria para o que pensam tanto de mim, ou qualquer outra pessoa. Prefiro pensar em outras coisas, aliás... o que estava lendo? — Perguntou, visto que tinha notado de relance que ela tinha um livro em mãos antes de levantar-se, e a curiosidade era algo que corroía o jovem de tal forma que não poderia evitar.
A single soul dwelling in two bodies — Amelia & Xenophilius
O jovem Lovegood já estava fadado a ter um pouco de insônia, em muitas suspeitas a terem os simples pensamentos pipocando dentro da mente do loiro, entre outras mais suspeitas em visão dos outros. Grande parte disso era a certa influência dos zonóbulos dentro do rapaz, e sabia que alguns outros colegas de casa tinha problemas com eles. A existência ou a prova que essas criaturas eram mesmo reais ficava um pouco turva ao momento que nem todos entendiam o comportamento destes. Ao que as pesquisas do ravino tinha revelado que outros indivíduos estavam mais fadados a presença destes pequenos seres quando estavam sobe alguma provação ou apenas confusão momentânea. E isso era levado desde dos sentimentos que deixavam uma abertura maior, agindo como um túnel ou janela para invasão destes em cada poro de alguém afetado.
Xenophilius estava descansando o corpo em uma das poltronas do Salão Comunal observando o fraco movimento das chamas que irrompiam pela lareira em uma dança sobre a lenha. A atenção mudou em um leve sobressalto, ao descobrir um pequeno movimento a esquerda em direção a saída do recinto. Estava querendo aventura ou simplesmente ansiava ver o brilho das estrelas um pouco antes do toque de recolher. Certamente não teria maiores dúvidas que os passos lhe direcionariam para a Torre de Astronomia, talvez o segundo lugar favorito do ravino para pensar. Ainda que este fizesse isso com muita em qualquer lugar que estivesse, não importava se existiam outros a volta dele, e pudesse julgar por estar murmurando para si próprio.
Sabia que mesmo que desse o toque, e que seria contra as regras estar fora do dormitório naquela hora, Lovegood não se importou muito. No momento o bem estar dele era mais importante, além de que se não errasse os cálculos estaria para presenciar a troca de fase lunar que aconteceria. Lua crescente era uma das fases favoritas do rapaz, não tão obviamente era a Lua cheia para muitos. O pensamento interviu mudanças quando notou outra presença no local, não precisara de muito para descobrir de quem se tratara. Estava tão certo que nem mesmo anunciara a chegada de modo formal. Caso estaria cometendo um grande engano por deixar um beijo estalar no rosto da morena, perdida em atenção as estrelas. — Preparada para a mudança de fases? Aliás, o que faz aqui tão tarde? — Questionou em um tom levemente curioso.
Shake your booty like a boggart in pain — River & Xenophilius
Se havia alguém em todo aquele castelo que fugia do padrão de normalidade tão exigido pela sociedade na qual estavam inseridos tanto quanto uma certa loira de orbes azuis da Ravenclaw, este só poderia ser Xenophilius Lovegood. Mesmo que não pudesse julgá-lo como um grande amigo, boa parte do seu tempo livre era gasto ao lado do outro ravino. Em sua grande maioria de formas não muito apreciadas pelos outros moradores do local. Talvez fosse por este motivo que se davam tão bem: ambos gostavam do que era peculiar, do que os outros torciam o nariz caso fossem chamados para fazer. E sabendo disso, não precisou pensar duas vezes no nome que deveria chamar para acompanhá-la em sua pequena aventura pela Floresta Proibida. Não havia um real motivo para a visita, apenas queria distrair-se da maneira mais inusitada enquanto nenhuma aula de aproximava.
Rumou aos jardins tão animada quanto no momento inicial no qual aquela ideia surgira em sua mente. De acordo com outros colegas de Casa, o ravino encontrava-se no local conversando consigo mesmo. Pelo tom de voz usado por eles, algo que apenas um louco faria. Sorte sua que nenhum deles havia acompanhado seus monólogos matinais enquanto tentava acordar para suas aulas. Não demorou muito no local até avistar o emaranhado de fios loiros e igualmente bagunçados quanto os seus, fazendo exatamente o que lhe fora dito. Por isso gostava do rapaz: deixava que sua loucura ultrapassasse a barreira do aceitável e sequer ligava para os olhares que eram dados em sua direção.
— Lovegood, temos um assunto muito importante a tratar. — Anunciou sua presença já disparando as palavras de uma só vez, sem sequer se importar se interrompia algum rito do rapaz. Nunca se importava mesmo. Ainda assim, o sorriso que lhe recebera fora tão amigável que ficou impossível não respondê-lo com outro igualmente simpático. — Eu tenho assuntos urgentes a tratar na Floresta e ninguém mais que ir comigo. Sei que você não recusaria essa chance. Ou recusaria? — Completou com um tom um tanto quanto duvidoso, mesmo que soubesse a resposta antes mesmo de encontrar o ravino. Ele não recusaria. E talvez até desconfiasse que não havia assunto urgente algum para ser tratado, apenas o já conhecido ócio dos dias de semana nos quais aulas eram raras.
Lá estava Lovegood, apoiado à um tronco de árvore. Sentado e completamente absorto com os acontecimentos do dia anterior, justamente a presença de um Heliopata nos terrenos de Hogwarts. Claro que boa parte dos outros colegas de casa não deram sequer atenção ao ravino de cabelos muito loiros, pois muitos o tratavam que tivesse tendo mais um delírio em consequência de que não acreditavam que a criatura existisse. Não era um ser que estivesse na pauta dos ensinamentos de Trato de Criaturas Mágicas, mais um novo devaneio do jovem Xenophilius que sabia muito bem que tinha encarado a criatura de perto. O espírito de fogo ainda estava recente na memória do ravino, ao ter a imagem nítida deste galopando para dentro da Floresta Proibida ao entardecer, deixando um rastro de queimado por onde passara.
As memórias foram rapidamente interrompidas, quando ouviu chamar o sobrenome em uma voz feminina. River Song, estava a frente do loiro em um tom de urgência. Franziu o cenho em primeiro instante, logo deixando com que um sorriso se alargasse nos lábios do ravino. Ela respondera da mesma forma, o que fez com que ele levantasse do chão. Os pés descalços agora sentiam mais as vibrações do solo, muitos que olhassem Lovegood achariam estranhos os trejeitos deste. A colega de casa provavelmente já não se importava com isso, já que tinham certa frequência em andar juntos em diversas aventuras. — Ei, Song. Eu realmente estava querendo falar com você. — Revelou no instante seguinte em que uma ideia lhe surgiu na mente, sobre provar o quão certo estava. No momento seguinte teve certeza que não estava errado quanto ao julgamento e que tinha a melhor chance que pudera antes pensar quando teve a proposta de adentrar novamente à Floresta Proibida. — Assuntos urgentes? Na Floresta? Como eu poderia recusar? — Disse animado, ainda que o tom da ravina fosse um tanto duvidoso. Ele realmente não se importava muito com os planos gerais da colega de casa, desde que se divertissem explorando o local. Ele obviamente tinha um hábito maior e vira isso como um fato quando River o chamou para acompanha-la.
— Eu topo. Aliás, eu quero lhe mostrar uma criatura da floresta, uma que todos dizem não existir e não acreditando só porque nunca viram. É a mesma coisa que dizer que o vento não existe, porque não conseguimos enxerga-lo. — Disse estupefato com o a teoria que alguns levavam a frente. — Vamos atrás dos Heliopatas, conhece? — Questionou levemente curioso ao saber se teria uma resposta positiva ou se ela estava minimamente interessada no assunto tanto quanto ele.
[Flashback] I remember when I lost my mind — Autumn & Xenophilius
“He smiled understandingly, much more than understandingly. It was one of those rare smiles with a quality of eternal reassurance in it, that you may come across four or five times in life.” Um sorriso involuntário preencheu o rosto de Autumn quando ela terminou de ler, o trecho escrito por Francis Scott Key Fitzgerald em sua magnífica obra ‘O Grande Gatsby’ remetendo-lhe a exata pessoa a qual ela aguardava. Ele sorria compreensivelmente, era verdade. Xenophilius Lovegood tinha o dom de lhe acalentar com pequenos dizeres, ou apenas uma risada animada, um novo conhecimento, ou simplesmente dando-lhe aquele raro sorriso.
Encontrava-se sentada em um dos bancos largos de um corredor térreo, o pedido do amigo de que lhe apresentasse algumas obras literárias de origem trouxa, prendendo-lhe a atenção por agora mais de meia hora. Sabia que ainda não havia dado a hora marcada, mas Autumn não tinha o costume de enrolar-se quando combinava algo. Naquela manhã, antes mesmo de iniciar sua rotina de monitoria pelos corredores desertos, havia selecionado os exemplares surrados, tão bem escolhidos por ela, deixando-os em cima de sua cabeceira de mogno até que voltasse do turno matutino. Com o primeiro horário livre, pode chegar um pouco mais cedo que Xeno e como se já não estivesse habituada, transpassava os olhos por algumas passagens das obras. A dita acima estava evidenciada entre as outras palavras de Fitzgerald, demonstrando que a grifana tinha apreço pelo trecho. Continuou a folhear o livro, até que um movimento repentino cobriu-lhe a visão.
— Tenho quase certeza que preciso dos meus olhos para continuar a leitura… Então digamos que sim, me atrapalha. — Respondeu pesarosamente, uma risada imediata se soltando dos lábios finos enquanto buscava a claridade perdida entre os dedos do amigo. — Mas acho que podemos ter nossa conversa desse jeito mesmo, contando que você enxergue. — Continuou a dizer em tom divertido, seus olhos finalmente podendo encontrar as feições alegres de Lovegood. — ALIÁS — Iniciou novamente, um sorriso contagiado pelo outro mostrava-se impotente no rosto da sextanista, que agora esperava que o amigo sentasse para ouvi-la. — Acabei de ler um trecho a sua cara! — As orbes esmeraldas analisaram Xenophilius com entusiasmo, estes que contavam que ele também se interessasse pelos dizeres de Fitzgerald.
Riu novamente quando escutou o que a grifana dissera, tomando o lugar vago ao lado da jovem. — Sabe... quando estou lendo um livro, gosto de fechar os olhos por um instante e imaginar a cena que eu li. É quase um exercício para treinar a imaginação e se torna muito divertido quando conseguimos ter maiores detalhes visualmente dos personagens dos livros e as cenas descritas em tantos detalhes que podemos sentir que fôssemos parte da história. — Explicou ao elevar uma das mãos para ajeitar os cabelos loiros desarrumados, o que na verdade só fez com que ficassem mais do que já estavam. — Pode parecer diferente, mas também gosto de imaginar as vozes dos personagens, e o quão diferente elas podem ser em diversas partes das páginas. — Continuou explicando a forma que ele realizava as leituras que fazia, e por vezes isso talvez atrapalhasse outras pessoas pelo comportamento do loiro.
No momento seguinte percebeu o quanto tinha falado e se penalizou um pouco por não conseguir conter com as palavras, acontecia quando estava feliz. Em outras palavras, acontecia de uma forma constante. — Ai, desculpe. Acho que me empolguei com esse assunto todo. E eu começo a falar de forma incessante e falo, falo e falo. — Falhou miseravelmente ao tentar se explicar dando-se conta que falava muito mais, e quanto mais articulava mais se atrapalhava com as palavras. Em partes, tinha desviado a atenção e só depois tivera um pequeno estalo ao lembrar que a morena tinha falado sobre algum trecho que era algo que parecia com ele. — Bem, me diga então. Está me deixando curioso. — Confidenciou a olhar o livro nas mãos delicadas da mais nova. — É desse livro? Do Fitzgerald? Ele é alemão? — Questionou levantando uma das sobrancelhas um pouco confuso com o nome.
— Diga-me qual é o trecho, aliás... quais mais livros temos como apontamentos hoje? Sinto que poderia perder a tarde e a noite toda com você. — Perguntou curioso ainda com a pilha de livros, mas logo viu que palavras que saíram pelos lábios do ravino poderiam não ter soado tão inocentes. — Digo, você me explicando sobre as estórias e tudo mais. Não que eu queira dizer também que você é uma má companhia. Enfim, eu não quis dizer nada sobre isso, quer dizer não nesse sentido eu só... — Xenophilius, respira. Disse uma voz dentro da mente do loiro que falava sem parar. — Eu só... o que você ia me dizer mesmo? — Falou levemente envergonhado com o papel que estava desempenhando.
ai xeno, eu te amo ):
Love is a wonderful thing, do you agree?
maybe we’re crazy… probably. [listen] a young xenophilius lovegood mix.
i. crazy, gnarls barkley. ii. let’s get high, edward sharpe and the magnetic zeros. iii. three little birds, bob marley. iv. high hopes, paolo nutini. v. bathwater [instrumental], no doubt. vi. insects, the xx. vii. time, pink floyd. viii. hurricane drunk, florence + the machine. ix. me gustas tu, manu chao. x. bling (confession of a king), the killers. xi. love is blindness, jack white. xii. ghosts, laura marling. xiii. wires, the neighbourhood. xiv. i must be in a good place now, vetiver. xv. strawberry fields forever, the beatles. xvi. head is not my home, ms mr. xvii. what i got, sublime. xviii. the drugs don’t work, the verve.
É o que dizem. Quer dizer… promete que não vai contar pra ninguém? Talvez eu tenha feito uma.
… Mas se eu te mostrasse teria que te matar.
É possível removê-la com mágica, já houve casos. Porém li em algum lugar que o processo é mais doloroso do que o processo de fazê-la. E deixa cicatrizes que a magia não será capaz de reparar. Afinal, esse tipo de arte nunca deveria ser removida, de lugar algum. Qualquer tipo de arte deveria ser eternizada, permanente como uma tatuagem.
Você? Por Merlin, eu não contarei a ninguém. Mas, doeu muito? Me matar? Você pode me dizer o que é, não precisa me mostrar se não quer. Eu respeito isso.
Assim como as estórias dos livros, e contos eternizados por séculos. A arte sobrevive a tudo, se pensar bem. Nem o encantamento mais poderoso poderia apagar, pensando melhor.
Gostaria? Tenho que repetir, Xeno: é doloroso… bem doloroso. Tive que- hm, acho que precisa-se tomar certa coragem antes de decidir fazer uma dessas, afinal, é pra sempre e não vale se arrepender depois.
Eu? Bem… não sei se meu querido pai aprovaria sua filha caçula com uma tatuagem. Não é uma arte muito bem vista pelos trouxas certinhos demais, entende?
Doloroso? Do jeito que você fala parece que tem uma dessas. Não tem como removê-la com mágica?
Bom a decisão seria sua, afinal vai ficar eternizado na sua pele. Como você mesma disse. Não é bem visto, me parece ser uma arte muito boa.