“Smart Cities”
O papel do arquiteto hoje em dia está muito mais ligado a qualidade de vida do que a realização de projetos ou sonhos propriamente ditos, é aqui que podemos, como qualquer outra pessoa, fazer a diferença. Podemos fazer a diferença na vida de uma pessoa ou em um grupo de pessoas, de uma coletividade seria fantástico. Aí que surge a ideia de Smart City, leia-se Cidade Inteligente. O seu conceito? Uma cidade mais humana, que tem como base a sustentabilidade e o uso de tecnologias que não apenas propõem, mas que solucionam os maiores problemas urbanos das grandes cidades. A cidade de Santander na Espanha é um exemplo útil de Smart City, com 12 mil sensores, categoricamente espalhados. Qualquer um pode saber desde o horário do próximo ônibus até acompanhar alguma obra pública em tempo real. Qual a diferença que esse modelo de cidade tem do nosso? É impossível mensurar. O planejamento urbano no Brasil é tão precário e tão mal pensado que nos questionamos se ele realmente existe. Nossa solução individual? Enclaves fortificados, muros que não fazem nada além de segregar espaços e criar uma fronteira pra o já grande abismo entre público e privado, seguro e inseguro, casa e rua. Mas o Brasil já tem suas Smart Cities! Ironia? Sim. A última de que fiquei sabendo foi a Laguna Smart City, no Ceará. Tem enormes diferenças pro projeto Santander na Espanha, trata de um projeto com capital privado. Não sou contra isso, sou até a favor do livre mercado. O que me chateia é ver a qualidade de vida se restringir a uma irrisória minoria de pessoas enquanto o grande grupo da população assiste ao sucateamento de suas cidades. Não falo de beleza apenas, mas saúde, educação, segurança, assim como de participação política. Enquanto nossa proposta for criar um ambiente novo para novas($$) pessoas através desses Smarts "Condomínios", construir só mais uma casinha bonita em um bairro saturado de problemas não vai resolver nada.









