A maior perda da minha vida
Em uma terra antiga, onde os deuses observavam o destino dos mortais com desdém, havia uma jovem chamada Elysia. Nascida filha de um humilde fazendeiro, ela tinha um espírito que ansiava por mais do que os campos dourados e o céu vasto que conhecia desde criança. Seus sonhos a levavam além das colinas distantes, onde ela acreditava que algo grandioso, talvez um amor eterno, a esperava.
Quando a guerra alcançou os portões do reino, trazendo dor e desespero, Elysia conheceu Aelric, um jovem guerreiro com olhos profundos como a noite e uma tristeza velada em cada olhar. Ele era o tipo de homem que tinha visto coisas demais para acreditar em finais felizes. Contudo, havia algo em Elysia, um brilho nos olhos, uma esperança inabalável, que o atraía como uma promessa de dias melhores. A princípio, ele tentou resistir, mas o amor floresceu entre eles como uma rosa vermelha nascida do desespero.
Eles se entregaram um ao outro, prometendo que, independentemente das provações que a guerra trouxesse, o sentimento entre eles jamais morreria. Foram noites de palavras sussurradas e toques que tentavam eternizar o momento, como se soubessem que o tempo lhes escapava.
Então, o inevitável aconteceu: Aelric foi convocado para a batalha mais feroz de todas. Elysia chorou ao segurar a mão dele, suplicando para que não partisse, seu corpo tremendo com a antecipação da perda. Ele, com o coração pesado, prometeu que voltaria para ela, que nenhum aço ou flecha poderia impedir seu retorno. Ela acreditou, segurando a promessa como quem segura uma chama frágil em uma noite tempestuosa.
Meses se passaram, e o silêncio se tornou a companhia mais cruel de Elysia. Cada amanhecer sem notícias era como uma lâmina cravada em seu peito. Então, uma carta chegou até ela, carregando o toque de Aelric, mas suas palavras eram cheias de resignação. Ele estava ferido, mortalmente, e sabia que o tempo se esvaía. Naquele pergaminho, ele dizia que se, de fato, não voltasse, ela deveria saber que ele a amava com a última fagulha de sua alma.
Elysia, movida pela esperança e desespero, partiu sozinha em busca dele. Caminhou por dias em meio à terra devastada, cada passo um grito de seu coração partido, até que encontrou o vale onde o último suspiro da batalha ainda pairava no ar. Ela avistou Aelric deitado na grama tingida de vermelho, os olhos voltados para o céu cinzento, seu corpo imóvel, como se já fosse parte do solo frio.
Ela correu até ele, os joelhos tocando a terra ensanguentada enquanto o puxava para seus braços. "Aelric," ela sussurrou, mas sua voz quebrou como vidro. Uma lágrima solitária escapou de seus olhos, refletindo o brilho triste do campo de batalha. Quando a gota caiu sobre o rosto de Aelric, ele despertou por um momento, seus olhos escurecidos focando em Elysia como se ela fosse uma visão dos céus. Ele tentou falar, mas sua voz era um mero sussurro. "Eu sempre... voltaria para você."
Mas então, enquanto ela o segurava com desespero, sentiu a vida dele escapar. O frio tomou conta do corpo de Aelric, e Elysia gritou para o céu, como se pudesse rasgar o destino e trazê-lo de volta. Ela chorou até que as lágrimas secaram, e tudo o que restou foi o vazio. Ficou ao lado dele, o rosto manchado de dor e a alma despedaçada, sem se importar com o passar do tempo ou com os ventos frios que sussurravam histórias antigas de amores perdidos.
"E eu verei por toda a minha vida, até que eu morra, você é a perda da minha vida."