James andava em linhas tênues. Sua vida de mentiras parecia letárgica, o que tornava os anseios mais profundos em atos falhos e sintomas ansiosos. Vivia em contra mão e embora soasse poético demais, era como se tivesse gritos desesperados presos na garganta, mas não pudesse expressar um só som. Era angustiante e por isso quando expressava parecia tudo grande demais. Quanto mais se continha, pior eles vinham. “E primos, acho que não é mais aprovado incesto. Ou é?” a fala confusa era sinal do álcool, mas também reflexo de seu interior. “Não não, eu não sou do tipo que converso” tanto porque nunca o deram muito espaço para fala, ou talvez nunca tivessem ouvido o que ele realmente queria e em dado momento da vida simplesmente deixou de dizer. Era o Potter popular, o famoso jogador… tudo o que não era na verdade. “ME DIGA VOCÊ, sabichona.” apontou para ela, indicando que ela que deveria contar. “Imagina só que… espera” fez sinal com a mão procurando o que pudesse interpretar eles. Pegou um pincel de maquiagem com cerdas escuras e sua escova de dentes. “Você tá com a pessoa que gosta e você-”que sou eu” - fez aspas com a mão largando os pinceis - decide fazer um jantar pra sua família pra dizer que gosta dessa pessoa, se assumir e pedir ela em namoro. Mas ai uma maluca te dá polissuco e você-”eu” arruína tudo com um suposto noivado. AH, e ainda diz que nunca gostou da pessoa-”lysander” só porque ta enfeitiçado. E essa pessoa te odeia. O Lysander bloqueou meu número e certeza que me mandou me foder. Eu fui no aeroporto sabia?” as informações saíram bagunçadas, ruidosas por um certo choro. Era patético sim, mas ainda bem que estava bebado demais para ter juizo. “Mas deve ser exagero meu, porque já passou e qualquer um nesse OJESED me quer. Eu posso superar, eu sou bonito”
secou uma lágrima que escorria, ajeitando os cabelos e depois pegando mais maquiagem. Começou a se maquear para tentar esconder qualquer imperfeição. Poderia estar alto, mas aquilo fazia como ninguém. “Espera, você ainda está com coração partido por um Scamander? Por isso voltou a morar com ele? pra conquistar ele de novo?” as perguntas vieram rapido demais, não conseguiu pensar ou filtrar que aquela “hipótese” podia surgir como acusação.”Poderíamos fazer uma aposta, de dar o golpe de volta. Quem conseguir primeiro ganha a dignidade de volta” estendeu a mão para fechar o trato, mas a verdade é que jamais conseguiria cumprir aquilo. Não só por ser sonserino demais, mas porque sabia que se cruzasse com Lysander não haveria golpe maior do que o que já sentia. “você ainda sente falta dele? Depois do Lysander nenhum gemido meu foi igual, nem aqueles que eu errava o nome e era expulso do quarto do motel” admitiu novamente sem filtrar.
Uma pequena ruga formou-se entre as sobrancelhas de Lucy conforme ouvia o relato de James. Apesar do passar dos anos lembrava-se do dito jantar e do anúncio de noivado que pegara toda a família de surpresa, entretanto, não se recordava que tudo fora causado pela maldita amortentia. Uma careta sutil pontuou suas feições a lembrança que, vez ou outra, surgia um caso parecido na emergência do Mungus. “Você chegou tarde demais no aeroporto? Ou ele simplesmente não quis te ouvir?” questionou enquanto tentava se colocar no lugar de ambos, logo percebendo que como Lysander certamente não desejaria conversar depois de sentir-se humilhada. Entretanto, de maneira geral, James era a maior vítima da situação. “Uh, odeio amortentia. Essa porcaria deveria ser proibida.” especialmente quando as consequências poderiam ser irreparáveis. “Para ser sincera não acho que seja exagero seu. Os anos se passaram, sua vida mudou, mas esse momento continua igual por mais que se esforce para deixá-lo para trás.” enquanto falava a Weasley encolheu os ombros como quem se desculpava pois imaginava que nada daquilo era o que o Potter gostaria de ouvir, especialmente naquele estado de embriaguez. “Hum, certamente você será desejado por muitas pessoas lá fora, mas me parece que o problema é o seu desejo que ainda está concentrado em alguém que, por ora, parece inalcançável.” a lufana liberou um suspiro breve e resignado enquanto pronunciava-se. Lembrou-se de Molly que na adolescência também vivenciara uma paixonite por Lysander que beirava a obsessão. “Hum, não, nada disso. Na verdade precisava de um lugar perto do Mungus para ficar e ele foi solícito, apenas, então, apesar dos pesares, aceitei. Achei que estava bem resolvida com a questão, mas parece que não. Um brinde a nós.” sutilmente moveu sua taça para que encostasse na de James. Assim como o mais velho também não era dada a conversas, especialmente as sentimentais. Acreditava que as confissões do outro, assim como a percepção de que pouco recordaria, era o que a impulsionava. “Não acho que Lorcan tenha qualquer dúvida de que terminar foi a ideia certa, então minhas chances de reconquistá-lo para ganhar uma aposta são nulas.” um breve biquinho formou-se nos seus lábios, mesmo que tentar alguma coisa com o ex-namorado não fizesse parte dos seus planos. Tudo o que Lucy não precisava era se sentir novamente insuficiente. “Uh, nesse aspecto eu e Lorcan nunca deixamos de nos falar, então, houve aquela sensação de que não existia um afastamento real. Sentia falta do contato físico, óbvio, mas o resto ainda existia. Então foi mais fácil, supostamente, superar. Não sei se é carência, ou a convivência mais constante, mas nas últimas semanas tenho ponderado mais sobre o que poderíamos ter sido, e, bem, é completamente frustrante.” sensação que a fazia constantemente se perguntar se aceitar morar com Scamander havia sido uma boa ideia, na maior parte do tempo acreditava que não. “Enfim, não sei se vai trazer sua dignidade novamente, mas me parece que você e Lysander precisam conversar, James. Você precisa, no mínimo, de um encerramento. O que vier depois disso é lucro.” aconselhou mesmo ciente de que provavelmente não seria ouvida. “Agora, uh, estou curiosa, quem te expulsou de quartos de motel depois de errar o nome? Não fazia ideia que Lysander tem um chá tão forte, e olha que vi Molly passar parte da adolescência choramingando por conta dele.”