thisisbwright Need a time machine
wallacepolsom
No title available
noise dept.
todays bird

tannertan36
hello vonnie
Xuebing Du
h
TVSTRANGERTHINGS
ojovivo
KIROKAZE
Stranger Things
Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ

blake kathryn

Andulka

❣ Chile in a Photography ❣
sheepfilms

#extradirty
Sweet Seals For You, Always
tumblr dot com
seen from Türkiye
seen from United States
seen from China

seen from United States

seen from United States

seen from United States

seen from United States

seen from Malaysia

seen from Malaysia

seen from Malaysia

seen from Malaysia
seen from Singapore

seen from Singapore

seen from Malaysia
seen from Türkiye

seen from Malaysia

seen from Spain
seen from Italy
seen from United States

seen from Malaysia
@lucyweassley
thisisbwright Need a time machine
I'm gonna give all my secrets away @Theasley
O ar fresco fora do castelo era convidativo e Cassie não hesitou em aceitar. Respirou fundo ao olhar o jardim encantador que se encontrava cheio de estudantes, portanto, lotado de aurores. Revirou os olhos, mas fez o máximo para não encará-los por mais tempo do que era considerado normal, o que não foi tão difícil, já que eles a davam arrepios. Cassie desviou o olhar para o jardim novamente, procurando algum lugar para repousar. É claro que poderia ler em qualquer lugar do castelo, mas o dia estava bonito demais para ser ignorado. Escolheu, então, um lugar à sombra de uma árvore.
Andou até lá com os olhos abaixados, ignorando os olhares indiscretos dos aurores. Segurou o livro com mais força, esperando – numa atitude paranoica – não ser interceptada por eles. Virara uma espécie de jogo doentio criar cenários desastrosos onde tudo saia e rrado. Onde a escola era atacada novamente ou onde Summer era levada presa, alguns até ela mesmo era levada junto. E outros eram os piores… tão ruins que nem queria pensar.
Sentou-se encostada na grande árvore e logo sentiu a diferença do clima à sombra. Abriu o seu livro e pôs-se a ler. Era magnífica a simbologia e metáforas que Antoine de Saint-Exupéry usava. Se tu queres um amigo, cativa-me, disse e ela concordava; como a rosa e o príncipe, era preciso paciência e dedicação para construir uma amizade. Ela suspirou de modo triste, e ironicamente – ou não – um pigarreio chamou-lhe atenção. Olhou para a garota perto de si. Ruiva, com sardas. Podia muito bem ter deduzido de que família era antes de se apresentar e também podia apostar quem a tinha enviado.
Ela assentiu com a cabeça, sorrindo gentilmente. – Lucy Weasley… – ela repetiu, abismada. A garota não teve nenhuma participação épica importante até o momento, mas mesmo assim, era engraçado o quão perto Cassie estava da história mundial – Claro que sim. – respondeu, afastando-se um pouco mais como um convite. Ela observou Lucy sentar-se e só então perguntou, divertida: – Então minha irmã te mandou me vigiar, ein? – ela ergueu as sobrancelhas num gesto empático – Sinto muito por isso.
Estava ligeiramente desconfortável com a situação. Lucy não era mesmo boa em começar amizade, e Cassie astutamente já sabia os reais motivos que levaram a Weasley até ali. A garota sentou-se ao lado da outra, e em seguida deu um sorriso sem graça. – Droga, você não deveria perceber que minha aproximação havia sido incentivada pela sua irmã. – suspirou, e estava um pouco frustrada. Aparentemente Lucy Weasley não conseguia fazer absolutamente nada direito. – Para ser honesta, ela não me pediu para te vigiar, só para ajudar você com o período de adaptação. – deu de ombros, enquanto puxava distraidamente a grama ao seu lado. – Não se preocupe, não é nenhum sacrifício. – Lucy sorriu da forma mais sincera possível.
Apesar da forma educada que Cassie a havia tratado, Lucy não podia deixar de sentir-se ligeiramente intimidada. Assim como sua irmã mais velha, Cassie era incrivelmente bonita, e possuía olhos claros que chamariam a atenção de qualquer pessoa. Mas mais que os olhos de Cassie, o que realmente chamou a atenção de Lucy foi o livro que ela tinha nas mãos. Aquele era um dos poucos exemplares da literatura trouxa em que Lucy já havia colocado as mãos, e sem dúvidas era um de seus livros favoritos. Talvez começar uma amizade com a irmã caçula de Summer Thorne não fosse tão complicado quanto imaginou a princípio. - Esse é um dos meus livros favoritos. Eu estive na França por uns meses no semestre passado e ganhei de presente do meu... de alguém. – incrível o quanto sua mente conseguia traí-la quando pensava em qualquer coisa que fosse relacionada ao seu ex. – Enfim, é um excelente livro. - disse de forma distraída, desejando mudar de assunto o mais depressa possível.
– Então, Cassie, você já fez amigos? Ou está que nem eu e meus primos e completamente paranoica sobre quem é confiável e quem não é?! – sussurrou, enquanto observava alguns aurors rodeando o jardim, notou a presença de William Crawford em meio a um grupo, e revirou os olhos exasperadamente. – Imagino que nem Azkaban tenha tantos aurors no momento. – sussurrou, e estava obvia a sua frustração.
I'm gonna give all my secrets away @Theasley
Era de se esperar que depois de tantos anos em Hogwarts, Lucy já teria estabelecido para si uma rotina aos finais de semana. No último ano havia gasto cada precioso minuto de seus dias livres para treinar quadribol, mas agora, uma vez que James não estava ali para lhe cobrar dedicação, a garota não possuía força de vontade o suficiente para caminhar até o campo de quadribol. O que era um erro já que agora era capitã da Grifinória e estava sob sua responsabilidade manter o time em um patamar alto. Apesar de ter completa noção de sua responsabilidade, Lucy não tinha vontade de assumi-la, e dava a si mesmo a desculpa de que aquele era somente o primeiro final de semana na escola e os treinos não começariam até outubro, ela podia dar a si mesma aquela folga. Enquanto estava perdida em seus pensamentos mal se deu conta do caminho que seus pés traçavam, e logo estava as portas de entrada indo em direção ao jardim cheio de estudantes. Encostou-se ao portal e visualizou o ambiente à sua frente, apesar de todos os problemas do último ano, Hogwarts continuava sendo incrivelmente linda, mas, mesmo assim Lucy não conseguia enxergar à escola da mesma forma que antes. Se anteriormente estar em Hogwarts era um alivio em sua rotina familiar, agora à escola parecia mais uma espécie de prisão de luxo onde deveria passar a maior parte do seu ano sendo vigiada de perto.
Em uma olhada mais atenta pôde notar os aurors espalhados pelos jardins e zelando pela segurança dos alunos, pelo menos era isso que a diretora queria que acreditassem. Lucy suspirou pesadamente e em seguida desviou o olhar em direção aos alunos, começava a cogitar que era melhor ficar trancada em seu dormitório quando encontrou alguém que lhe era ligeiramente interessante. Ainda lembrava-se da conversa que havia tido com Summer Thorne há semanas atrás, e da foto que ela carregava consigo. Summer considerava de vital importância que Lucy pudesse reconhecer sua irmã mais nova entre os outros alunos. Ela havia dito que a garota precisaria de alguma ajuda para encontrar os amigos certos em Hogwarts. Infelizmente, Summer havia dado a Lucy uma missão em algo que a garota não era muito boa: fazer amizade. Ainda assim, Lucy criou coragem o suficiente para descer as escadas e caminhar em direção a Cassie Thorne, a garota estava confortavelmente sentada próximo a uma das grandes árvores do jardim. Cassie parecia concentrada demais em seu livro para notar a aproximação repentina da Weasley, que pigarreou suavemente para anunciar sua presença. – Hey... Você é Cassie Thorne, certo? – perguntou, mesmo que já soubesse a resposta. – Hmm... eu sou... ahn... Lucy Weasley. – Lucy sorriu de forma gentil. – Você se importa se eu sentar aqui? – sussurrou, enquanto apontava para o lugar ao lado de Cassie. Talvez aquele não fosse o jeito ideal de começar uma conversa, mas era o único que lhe vinha à mente no momento.
Fala Baixinho que Ninguém Pode Saber que a Gente tá Aqui @Lucent
– Eu nunca pensei em ser Auror, porque meu pai já havia decidido isso por mim e Adrian. – Respondeu à pergunta de Lucy, enquanto analisava a varinha da garota. – Ele decidiu que seríamos Aurores desde que mostramos proeza em magia, Lucy, mas eu senti imediatamente que não era algo que eu queria para a minha vida. – Aquela tinha sido a primeira vez em que não tinha realizado um desejo de seu pai, ficando, desta vez, ao lado de Adrian em sua escolha. Mas ao contrário do irmão, não se opôs abertamente, e sim pedindo algum tempo como professor em Hogwarts, para conhecer outros caminhos. – Talvez eu deveria ter aceito a vontade dele, pelo menos meu pai teria falecido vendo um de seus filhos trabalhando naquilo que ele queria.
Vincent percebeu a tempo que estava incomodando sua aluna com um assunto que ela não poderia fazer nada sobre, e decidiu amenizar o clima mórbido que se instaurou na tenda, voltando a analisar as características da varinha que estava em suas mãos. – Eu acho que ela será suficiente, afinal de contas, ela te escolheu, não é mesmo? – Transpareceu um sorriso em seus lábios, devolvendo o objeto para sua dona. – Não se preocupe com a aparência de sua varinha, coisas acontecem. Mesmo com seus arranhões, ela ainda é capaz de produzir magia, o que importa é a habilidade do condutor, no caso, você.
Tentou fazer com que Lucy se sentisse mais confiante, mas não podia dizer se havia funcionado. Decidiu, então, perguntar se ela havia interesse por uma área específica de Defesa Contra as Artes das Trevas, talvez assim, aprendendo algo pelo qual ela já tivesse interesse, se sentisse mais dona de suas capacidades, e consequentemente, mais confiante em si mesma. – Tem algum feitiço que já te chama a atenção, Lucy? Algo que você deseja aprender além dos feitiços de defesa que irei te ensinar?
- Você estava fazendo o que queria, e aparentemente é feliz com isso, então aposto que seu pai tinha orgulho de você, e do Adrian, é claro. – deu de ombros. Aquele não era exatamente o tipo de assunto em que se sentia confortável. Não por se tratar de algo mórbido, mas por se irritar com o fato de que, sempre dava um jeito de ressaltar algo bom em Vincent. O que considerava uma tremenda idiotice uma vez que ele havia sido um escroto consigo. Talvez escroto não fosse a palavra certa, ainda assim haviam motivos o suficiente para a garota sentir raiva do Knight. Novamente percebeu que estava indo por uma linha de pensamento que deveria ser ignorada. Bufou, irritada consigo mesma.
Pegou a varinha que Vincent lhe oferecia de volta e a guardou em um dos inúmeros bolsos de sua veste. - Hmmm... eu não tenho grandes habilidades. Acho bom você saber disso antes de começarmos. – havia um quê de auto piedade na sua voz que era sem dúvidas lamentável. Realmente não era a melhor bruxa da década, mas acreditava que era capaz de se defender quando necessário. A pergunta dele lhe fez recordar algo que havia acontecido alguns dias atrás. O fato de que havia ficado apavorada com a possibilidade de Crawford, ou qualquer outro auror se utilizar de legilimência para tirar lhe tirar informações. Lucy mordeu o lábio com certa força. Sua ideia inicial era pedir ajuda a Summer Thorne, afinal se sentiria mais à vontade com a professora de História da Magia. Mas já que teria mesmo que passar um tempo extra na companhia de Vincent, ele bem poderia lhe ajudar a proteger a mente.
– Então... ahhh.... Eu tenho pesquisado sobre feitiços que envolvam a mente. Obliviate pode ser útil quando se quer esquecer algumas coisas. – olhou para o mais velho, e um pequeno sorriso debochado surgiu no canto dos seus lábios. – Legilimência é muito útil quando se quer tirar informações de alguém que não colabora o suficiente. Mas o que realmente me interessa é a Oclumência. O castelo está cheio de aurors, e eu não sei em quem confiar, então acho que seria sensato aprender a proteger a minha mente de invasões externas. – pigarreou para clarear a voz. – Sei que não sou exatamente alguém importante nisso tudo que está acontecendo. Mas sei de algumas coisas que comprometem você, a senhorita Thorne e principalmente a minha família. Então, você poderia me ajudar com isso?
você ainda turna, poxa que saudades
enquanto for virgem aqui permanecerei.
"Well, it’s magic! It’s different from stories set in normal life."
My darling, what did you expect? @Wilcy
Naturalmente, a primeira coisa que Will fez foi rir. Entretanto, assim que se tocou que estava dentro de uma sala abandonada com uma garota de quinze anos, cobriu a boca com a mão para tentar abafar o riso. Sua cara bonita podia livrá-lo, realmente, de várias situações – mas poderia condená-lo igualmente dependendo das circunstâncias. E, apesar do incidente quando saíram do bar no outro dia, Will gostaria muito de deixar “pedofilia” e derivados fora de sua lista de crimes. – Eu ainda sou, na verdade. – Disse, respirando fundo e puxando uma cadeira para si. – Mas, sabe como é, depois dos vinte e poucos anos, é meio vergonhoso sair por aí se declarando fã e confessando que ainda tem pôsteres d’O Menino Que Sobreviveu no quarto. – Fez uma careta ao lembrar-se que tinha também uma foto com Harry e Ron em sua mesa de cabeceira. Voltou a olhar para Lucy quando percebeu que aquela foi, provavelmente, a coisa mais sincera que ele tinha dito para ela – desde que se conheceram.
Foi por isso que sentiu vontade de bater com a cabeça em algum lugar logo depois. Mas, sabendo que não poderia estragar tudo, se limitou a voltar com a expressão de seriedade. – Qual é, Lucy. Olhe pra mim. – Levantou as mãos, como se estivesse se rendendo. – Seus pais me acolheram quando os meus não estavam nem aí. – Suspirou, buscando um lugar mais perto dela para sentar-se. – Eu era um pouco mais novo do que você quando fui pra sua casa, lembra? – Deu um sorriso triste, lembrando-se dos intermináveis meses que passou com os Weasley quando era adolescente. Os pais de Will tinham acabado de se separar em decorrência da preferência da mãe por garrafas de uísque e, do pai, pelo trabalho. Aquela foi a pior época da vida de Crawford, mas ele lembrava-se de ter sido recebido com afeto na casa de Percy. – Não me importo com quem está no governo, quem quer toma-lo ou o que quer que seja. Não me importo com um monte de outras coisas, na verdade. – Tentava deixar seu discurso tão próximo da verdade quanto possível. – Mas tenho uma dívida com seus pais, com a sua família, e eu não poderia traí-los assim. – Olhar nos olhos dela enquanto dizia isso só o fez se sentir horrível, mas precisava da confiança da ruiva. Não tinha sido designado para Lucy à toa, sempre soube, mas agora entendia plenamente. Emoções fazem pessoas abaixarem a guarda e o histórico dos dois era perfeito; Will, com as palavras, as atitudes, os olhares certos, deveria se conectar com ela.
Ainda não estava completamente segura de que a ideia de ter aquela conversa com William era realmente boa. Lucy olhou ao seu redor, e pela primeira vez teve a noção de que havia entrado em uma sala abandonada a sós com Crawford. A garota engoliu em seco ao perceber a sua imprudência. Crawford podia muito bem usar de legilimência para tirar dela a informação que desejava, depois era só usar obliviate, e ela nem mesmo lembraria que tinha tido aquela conversa. Entretanto, arrependeu-se de seu pensamento paranoico ao ouvir o que Crawford dizia. – Eu pagaria para ver a reação dos seus colegas do Ministério aos pôsteres dos meus tios na sua parede. Que embaraçoso Will. – era reconfortante que pelo menos uma vez ela não seria a pessoa constrangida na conversa.
Caminhou até a cadeira mais próxima, e seguindo o exemplo de Crawford também sentou-se. Olhou para o mais velho atentamente a procura de qualquer sinal de mentira. Lembrou-se da época em que ele fora morar com sua família. A garota não tinha mais que nove anos, e William era um adolescente, eles não eram exatamente próximos, mas William era educado com a garota, e sempre a defendia quando Molly começava a importuna-la. A garota riu da lembrança, àquela época mantinha uma paixonite por Crawford, ou seja, desde a infância tinha um certo distúrbio que a fazia se interessar por homens mais velhos. – Eu sei Will, e acredito que você seja grato a minha família pelo que fizemos por você. Mas você sumiu por anos, eu sequer tive notícias suas até aquela noite no caldeirão furado. – havia uma mal disfarçada pontada de magoa em suas palavras. Suspirou ruidosamente. Talvez estivesse sendo dura e desconfiada demais com Crawford. Eles se conheciam há anos e de uma forma ou de outra William era uma parte de sua família, por mais que negasse até a morte, Lucy gostava demais do rapaz para veta-lo completamente de sua vida.
A prudência a mandaria se afastar dele, mas havia aquela parte de si que insistia em querer dar um voto de confiança a William. Lucy colocou sua mão gentilmente sobre a dele. – Desculpe fazer você lembrar dessa época da sua vida, e desculpe por ter bancado a louca, paranoica e desconfiada. – novamente se viu suspirando. – O meu bom senso diz que eu não deveria de forma alguma confiar em alguém que trabalha no Ministério, e deveria manter você o mais longe possível de mim e da minha família. – pressionou os lábios. – Mas você é como da família Will, e acho que não posso simplesmente dar as costas a você, afinal quem mais aturaria suas piadas sem graça? – bateu suavemente com a mão no ombro de Crawford. – Só espero não me arrepender de confiar em você. – e realmente temia estar cometendo um erro.
Fala Baixinho que Ninguém Pode Saber que a Gente tá Aqui @Lucent
Mesmo que não tivesse nada a se temer, Vincent estava ciente de que qualquer palavra mal cruzada poderia piorar ainda mais a situação entre os dois. Mas ao mesmo tempo, se refletisse demais sobre a pergunta de Lucy, poderia parecer que estava orquestrando uma mentira. Repetiu a verdade em sua mente, analisando se poderia desencadear algum sentimento em Lucy, sua ex-namorada que estava à sua frente, com uma expressão que não deixava dúvidas sobre o que pensava sobre ele e Diana possivelmente juntos. – Então… Nunca aconteceu nada entre eu e a Diana nesta barraca… Digo, nunca aconteceu nada em lugar nenhum. – Corrigiu a sua declaração o mais rápido possível, garantindo que não ficassem dúvidas na mente de Lucy. – Ela sempre se interessou mais pelo Adrian. Acho que por ele ser o mais velho, ela sempre teve olhos mais atentos para o meu irmão. – Percebendo que o terreno ainda era muito perigoso, decidiu rumar à conversa para a pergunta anterior de Lucy, sobre o tipo de treinamento que fariam enquanto tivessem ali, naquela tenda.
– Respondendo à sua pergunta anterior, precisamos treinar primeiro os seus feitiços de proteção contra criaturas mágicas, mas principalmente contra outros bruxos. Aí sim podemos partir para algo do arsenal ofensivo, mas preciso ver o seu progresso primeiro. – Aproximou-se alguns passos em direção a garota, analisando se Lucy se portava como uma duelista. – Para quem nunca saiu da teoria, até que você possuiu uma boa postura. Sempre deixe o pé direito um pouco para frente. – Disse para a garota enquanto a mostrava a melhor posição para combate. Experiente em perceber as possíveis capacidades de outros bruxos, Vincent tentava absorver cada aspecto positivo e negativo que poderia trabalhar em Lucy.
Cortando toda a distância que havia entre os dois, Vincent contornou Lucy, ficando atrás da garota. Tocou levemente o seu cotovelo, demonstrando a altura certa para quando ela estivesse empunhando a sua varinha. – Não fique como um soldado de chumbo, deixe espaço entre o seu tronco para que seus movimentos tenham espaço. – Lembrou-se que ainda não havia visto a varinha de sua futura aprendiz, uma das coisas mais importantes para qualquer duelista. – Lucy, eu poderia ver sua varinha? Preciso analisá-la, se me permite.
Mais uma vez se viu usando de toda sua força de vontade para não revirar os olhos, em vez disso, se limitou a respirar profundamente, deixando claro o seu descontentamento. – Você sempre acha que as pessoas preferem o Adrian, e nem sempre é assim. – as palavras escaparam por seus lábios, antes que pudesse sequer pensar em contê-las. Colocou as mãos sobre o rosto, odiando um pouco mais a si mesma por sempre falar sem pensar. Não tinha certeza se acreditava em Vincent, ele não era mesmo muito digno de sua confiança, mas por outro lado, aquele assunto não era mais de sua conta. Talvez fosse melhor ignorar o fato de que, ele estava focado demais em mudar de assunto. Deu de ombros, e em seguida olhou novamente para o mais velho. – Se é o que você diz, quem sou eu pra contestar. Mas teria parecido mais confiável se você não tivesse mudado de assunto tão rápido. – sorriu gentilmente. Havia uma grande parte de si aliviada com a ideia de que, poderia transitar pela tenda sem esbarrar em qualquer lembrança de Diana.
Decidiu que era mesmo melhor se focar no que deveriam fazer, e esquecer qualquer coisa referente ao passado de ambos. - Você consegue perceber todas essas coisas, só pela forma que me posiciono?! Interessante. - Prestou o máximo possível de atenção ao que ele dizia, e tentou corrigir sua postura desleixada quando lhe foi indicado. – Você nunca pensou em ser auror? - sua curiosidade era genuína, uma vez que já que ele era tão bom em duelos, talvez estivesse desperdiçando seu tempo em Hogwarts. – Imagino que seu talento com duelos seria melhor aproveitado no curso de aurors.
Colocou a mão por dentro de suas vestes, enquanto procurava por sua varinha. Ao localiza-la, percebeu que tinha pouquíssimo cuidado com a mesma. Havia marcas de dedos por toda a extensão do objeto, fora os arranhões causados pelas inúmeras quedas, e pelas vezes que batucava com a mesma sobre as mesas. Lucy esfregou-a em suas vestes, em uma tentativa falha de deixa-la um pouco mais apresentável. Acabou desistindo, e suspirou de forma frustrada, esticou a mão para Vincent e depositou a varinha nas mãos dele. – Como você pode ver, não é grande coisa. Como diria meu pai uma varinha espelha seu dono, ou alguma coisa assim.
My darling, what did you expect? @Wilcy
Descobrir que a garota bebia com frequência fez com que uma ruga de preocupação se formasse na testa de Will, mas ele não teve tempo de fazer nenhum comentário a respeito. Quando viu, Lucy já havia mudado de assunto e exigia - com uma expressão não muito amigável - que o rapaz carregasse os livros dela. Por já ter abusado muito da própria sorte, achou melhor não lembrar a garota de que, apesar de tudo, Will estava em horário de trabalho e não deveria se afastar muito de sua posição e, muito menos, recordá-la de que era uma bruxa e poderia simplesmente levitar os próprios livros.
Limitou-se a arquear as sobrancelhas para ela ao pegar os livros, acompanhando a ruiva de volta ao castelo. – Não me tornei auror para perseguir pessoas que não fizeram nada, Lucy. – O tom de voz de Will soou sério, pelo que deve ter sido a primeira vez. Uma pena é que essa foi, provavelmente, a coisa mais hipócrita que disse em toda a sua vida, também. O que não significava que era uma mentira. Ele realmente não se tornara auror para, no fim, ter que conseguir informações de uma adolescente de quinze anos. Engraçado como a vida acabava desviando as pessoas de seus planos. E em como o pai de Will parecia ter sido o responsável por cada desvio que ele se lembrava de ter enfrentado. – Queria proteger as pessoas. – Percebendo que olhava para a garota mais intensamente do que deveria, deu de ombros e olhou para os lados, conferindo se não havia outros aurores por ali. Era impossível, naqueles dias, saber quem era amigo ou inimigo. – E Hogwarts é um dos lugares mais vulneráveis em nosso mundo agora, você tem que concordar comigo nessa. – Falava sobre seus princípios com tanta convicção que não sabia direito se tentava convencer Lucy ou a si mesmo. Soltou um suspiro e fez com o que o sorrisinho típico voltasse ao seu rosto. – Mas é claro que eu não pensava em nada disso aos dezessete anos. Só fui para a Academia porque me disseram que as garotas caíam em cima dos aurores. – Piscou para ela. – E porque eu sou- eu era bem fã dos seus tios. – Admitiu, tentando voltar ao trabalho.
Pela primeira vez naquela conversa, William parecia estar sendo sincero. O que é claro, Lucy sabia que podia ser muito bem apenas uma encenação para ganhar sua confiança. A garota já era normalmente desconfiada, e depois de todas as coisas que aconteceram nos últimos meses, estava quase paranoica. Balançou ligeiramente a cabeça em concordância, ao ouvi-lo dizer que Hogwarts não era um local seguro no momento. E era ainda mais perigoso para pessoas como ela que pertenciam a uma família que não era tão bem vista assim no momento. Não demorou até que William recuperasse o bom humor, e o deboche habitual, e Lucy se viu revirando os olhos de impaciência. – Como se você precisasse de qualquer outra coisa além da sua cara para as garotas caírem em cima de você. – ao notar que tinha dito aquilo em voz alta sentiu uma súbita vergonha. Quantas vezes podia se envergonhar na frente de Crawford? Por Merlin aquilo já estava ficando ridículo. Pensou que talvez pudesse consertar o que disse, mas no fim optou mesmo por deixar aquilo de lado.
- Era fã? – estreitou os olhos, e colocou a mão na cintura, enquanto fitava William interrogativamente. Aquilo era exatamente o tipo de coisa que aumentava a paranoia da garota. Apesar disso, Lucy gostava de William e o considerava o suficiente para desejar confiar nele. A garota se aproximou alguns passos do mais velho. – Vem comigo. – sussurrou, antes de virar-se em direção ao corredor deserto à sua frente. A maioria das salas naquele corredor não eram utilizadas há anos, Lucy empurrou a primeira que viu, e esperou que William entrasse. Pegou seus livros das mãos do rapaz, e os colocou sobre a mesa, junto de sua mochila. Lucy não tinha muita certeza se deveria ter aquela conversa com William, mas precisava ter a real ideia do quanto ele poderia ser ou não confiável. Novamente se viu caminhando em direção a ele, parou a poucos passos, e o fitou. - William... nós nos conhecemos há anos. Sua família costumava frequentar a minha casa. – tentou organizar seu fluxo de pensamento. – Eu espero que o fato de você trabalhar para o Ministério não atrapalhe o seu julgamento sobre nós, e mais especificamente sobre o James. – engoliu em seco. – Eu gosto das nossas conversas, Will, mas se eu não puder acreditar pelo menos minimamente que nossos encontros recentes não vão servir de base para algum relatório do Ministério, talvez seja melhor que eles não aconteçam mais. – seu tom de voz sério disfarçava o quanto se sentia patética.
Fala Baixinho que Ninguém Pode Saber que a Gente tá Aqui @Lucent
– No começo, sim… – Respondeu ao questionamento de Lucy referente a quem mais iria treinar junto deles, relutante. A garota à sua frente tinha inúmeros motivos para não querer estar próxima a ele, mas, neste caso, era um mal necessário para a sua própria segurança. – Eu sou o único professor atualmente que é membro da Ordem e parte do Corpo Docente de Hogwarts que pode te treinar nesta área. Se tivesse outra forma, tenha certeza de que eu lhe mostraria, mas nas atuais circunstâncias, você precisa de treino, e rápido. – Vincent se levantou abruptamente, movendo-se até o fim de sua sala, aparentando procurar algo. Quando abriu o grande balcão de mogno, um embrulho num formato de tubo chamava a atenção entre os demais itens presentes. Retirando a capa e as fitas cobertas por uma grossa camada de poeira, as hastes e o pano de cor esverdeada se revelaram, o que aparentava ser todo o equipamento necessário para uma tenda de camping comum. – No final do meu sexto ano, Diana me presenteou com isto. É enfeitiçada para que o seu interior seja imensamente maior do que aparenta por fora. Acho que por enquanto será o suficiente para nós dois… E quem mais for surgindo quando eu recrutar.
– Após montar a tenda, adentrou a abertura frontal, gesticulando para que Lucy fizesse o mesmo. O interior parecia o mesmo de que se lembrava quando sua antiga amiga o mostrara pela primeira vez. O espaço remetia ao de um quadrado cercado de quatro triângulos por cada lado, mais do que suficiente para o treino que tinham em mente. – Por favor, só não vá usar algum feitiço incendiário, é muito raro encontrar objetos com o Feitiço Indetectável de Extensão hoje em dia. – Disse em um tom brincalhão, tentando deixar Lucy mais confortável com a ideia. – Não se sinta obrigada a participar disto, Lucy, mas além de ter sido uma recomendação da Ordem, uma hora ou outra você precisará se defender de algo.
Observou atentamente os movimentos do professor, enquanto tentava entender como ele pretendia dar aulas de duelos sem ser notado. Arqueou suavemente a sobrancelha ao notar a tenda onde pretendia ensiná-la. Relutantemente levantou de sua cadeira e caminhou em direção a tenda, ao adentra-la, notou que era ligeiramente parecida com uma que seu avô guardava na toca. – Hmm… não dá para confiar em todo mundo, então talvez você deva restringir as aulas a minha família. – O espaço disponível dentro da tenda era provavelmente o dobro da sala de Vincent. O interior se assemelhava a de um apartamento de solteiro, havia uma pequena cozinha em um canto e uma cama mais ao fundo. Provavelmente aquele era mesmo o local ideal para treinarem, mas a garota mal conseguia disfarçar o seu desconforto. Não havia modo de sentir-se à vontade em um lugar onde provavelmente Vincent e Diana passaram mais tempo do que seria recomendado. Aproveitou o fato de que estava de costa para o mais velho, e revirou os olhos repetidas vezes ao ouvi-lo citar Diana. – Essa tenda é ótima, Diana deveria mesmo ser uma grande amiga. – sussurrou, e a irritação em sua voz era perceptível.
Deu a volta na tenda, e caminhou em direção ao mais velho. Lucy parou à frente de Vincent, mantendo uma pequena distância dele, a garota cruzou os braços e o encarou com a expressão mais neutra possível. – Não precisa se preocupar com isso, não costumo mexer com fogo. E só para constar, não estou me sentindo obrigada a nada, só é uma situação um pouco estranha. – deu de ombros. – Okay, que feitiços você pretende me ensinar? E quantas vezes por semana eu terei que vir até aqui? – Provavelmente deveria ter parado ali com as perguntas. Mas havia algo que definitivamente a estava incomodando. Por mais que detestasse bancar a irracional, parecia que Vincent tinha o poder de fazê-la agir daquela forma. A percepção de que ainda sentia ciúmes dele a deixou decepcionada consigo mesma. – Provavelmente vou me arrepender dessa pergunta, mas, o que você e Diana costumavam fazer aqui dentro? – pigarreou para clarear a voz. – Só pra eu ter uma ideia de onde devo ou não sentar enquanto estiver aqui. – se esforçou para parecer casual, mas o incomodo era perceptível em sua voz e atitude.
99 Pictures > Bonnie Wright (7/11)
Fala Baixinho que Ninguém Pode Saber que a Gente tá Aqui @Lucent
– Eu me surpreendi tanto quanto você quando ele me pediu, mas foi para o bem da Ordem. – Respondeu para Lucy, sentando-se em seguida. Aguardou pacientemente que a garota encerrasse a leitura das cartas que acabara de receber do seu primo, James Potter. Tentou por alguns momentos captar algo em seu rosto, mas a tentativa se mostrou infrutífera. Será que James havia falado algo contra a ele num dos pergaminhos? Ou talvez afavor? Só saberia se Lucy comentasse sobre, não tinha coragem de incitar ainda mais a imagem de ciumento que ela já deveria ter dele. Esticou o braço e depositou o pergaminho escrito por Lucy em uma das gavetas, trataria daquilo em outrora.
– Detenção? – Vincent demorou alguns instantes para perceber do quê Lucy se tratava, constrangendo-se de não ter contado para Lucy que era apenas um teatro. – Então… Você não estárealmente de detenção, aquilo foi apenas para que os alunos não começassem a questionar a sua frequência em meu escritório. James que sugeriu, inclusive, eu estava pensando em te chamar para ser minha assistente novamente, mas… – Relutou em dizer o real motivo, ainda não havia digerido bem o encontro entre os dois na loja da família Weasley. – Só peço para que fique alguns instantes por aqui… Temos de ser cuidadosos, Lucy, o seu contato com James já é perigoso, e com o meu envolvimento ainda… Isso poderia causar dores de cabeça para nós três. – Entregou um sorriso amarelo para Lucy após encerrar suas palavras, não queria preocupá-la demais, a garota à sua frente já possuía problemas demais para adicionar mais à sua lista. – Ah, quase que me esqueço, o seu treinamento particular para duelos começa amanhã.
Sentiu certo alívio ao descobrir que a detenção era apenas uma encenação, tudo o que não precisava no atual momento era manchar sua ficha escolar com detenções desnecessárias. Apesar da aparente boa intenção de Vincent, Lucy não sabia se estava confortável o suficiente com aquela situação. Para alguém que desejava superar o fim do relacionamento, passar algumas horas por dia na presença do ex-namorado era exatamente o contrário do que deveria fazer. Porém não tinha muitas opções, e não queria parecer mais rude que o normal. – Você não acha que vai ser.. um pouco... desconfortável para nós dois? Eu sei que nós não temos mais nada e estamos bem com isso, mas ainda assim seria um pouco estranho, acho. – Mordeu o lábio suavemente, tinha completa noção de que suas bochechas deveriam estar em um berrante tom de vermelho.
Aparentemente aquilo seria bem mais constrangedor para si do que para ele. – Nós teremos aula de duelo? Eu e você? Só nós dois? - A garota apertou as mãos de uma forma obsessiva deixando ainda mais aparente seu desconforto. Olhou em direção a Vincent e lhe deu um sorriso constrangido, sabia é claro, que ele apenas estava tentando ajuda-la, enquanto ela não parava de se comportar com uma mal agradecida. Ainda assim não podia controlar seu instinto de autopreservação que insistia em mandar alertas de que deveria se manter o mais distante possível do professor. – Como exatamente nós teremos essas aulas, se o castelo está cheio de aurors? – Mais uma vez estava arrumando algum tipo de dificuldade que a desse a desculpa ideal para fugir de tais encontros.
Fala Baixinho que Ninguém Pode Saber que a Gente tá Aqui @Lucent
Lucy Weasley! – Exclamou Vincent abruptamente, interrompendo o discurso que dava sobre as aplicações de Lumus Maxima contra Inferi. – Percebo que você não se importa o suficiente com a aula para ter esquecido o seu livro de Defesa Contra a Arte das Trevas no seu dormitório. Cinco pontos a menos para Grifinória, e espere para falar comigo após o final da aula. – Encerrou a bronca na mesma velocidade que a começara, seguindo com a aula como se nada tivesse acontecido. Mas desde que voltara ao seu cargo antigo no corpo docente de Hogwarts, Vincent já havia percebido as sutis mudanças que começaram a ocorrer no que era oferecido aos alunos como material didático. Tentou por certo tempo resistir às mudanças, mas acabou cedendo à pressão que viera da nova diretoria. Este tinha sido um dos motivos que entrara para a nova Ordem da Fênix: Tentar impedir que mudassem a forma como Hogwarts ensinava os novos bruxos – apesar de Lucy ter exercido um grande peso na balança.
Após ter encerrado a aula, se dirigiu ao pequeno escritório que ficava nos fundos de sua sala, esperando que Lucy entrasse para que pudesse conversar em privado. A Garota ruiva adentrou em seguida, aparantendo descontentamento. – Feche a porta atrás de você, por favor. – Pediu Vincent, num tom baixo. Quando estavam finalmente sozinhos, o professor sacou sua varinha, invocando o feitiço Abaffliato. – Nunca se sabe quem pode estar ouvindo, não é mesmo? Enfim… Olá, Lucy. James pediu para que eu lhe entregasse estas cartas da Ordem – Depositou os dois pergaminhos na mão da garota, recuando em seguida.
Caminhou em direção ao escritório de Vincent com uma animação semelhante a de um prisioneiro no corredor da morte. A expressão em seu rosto era provavelmente furiosa, afinal a bronca que havia levado em sala de aula havia lhe deixado muito irritada. Ainda assim Lucy adentrou a sala do mais velho, torcendo para que não tivesse nenhuma reação inadequada a provável detenção que receberia. Entretanto, as palavras proferidas por ele foram um tanto quanto surpreendentes, o suficiente para que a expressão em seu rosto fosse de irritação para confusão. Lucy suspirou ruidosamente. – Hmmm... James pediu um favor a você? – arqueou a sobrancelha. – Ele deve estar muito desesperado. – A garota recebeu os pergaminhos de Vincent, evitando a todo custo olhar na direção do mais velho. Por motivos óbvios, não se sentia muito à vontade em ler as cartas de James com Vincent a observando, mas não possuía outra opção.
As cartas não eram muito extensas, em uma delas James lhe esclarecia como seria aquela troca de mensagens, e o papel que Vincent exerceria nela. Na outra, James contava um pouco do que acontecia em Invercauld Castle, e de como sua família vinha lidando com as perdas recentes. Caminhou até a mesa de Vincent, em seguida retirou de sua mochila um pedaço de pergaminho e uma pena. Sua resposta à carta de James não era longa, contou sobre as mudanças sutis que a nova diretora vinha estabelecendo, fora isso não havia muito o que comentar, sua vida era completamente entediante. Selou a carta com um aceno de sua varinha, e a entregou a Vincent. Com certa relutância olhou na direção do mais velho. – Ahn....Obrigada por trazer as cartas dele, eu sei que não é sua obrigação nos ajudar a manter contato. – sussurrou em um tom muito baixo. Feito aquilo, não sabia exatamente como deveria agir. – Mais alguma coisa, Senhor? A propósito, o senhor pretende me deixar em detenção ou já ficou satisfeito em me tirar pontos? – era muito mais fácil para si manter uma postura hostil.
My darling, what did you expect? @Wilcy
Vê-la corar e derrubar os livros por causa do nervosismo quando ele a chamou praticamente fez o dia de Will. Riu mais alto do que deveria, e só então percebeu o quanto aquilo era arrogante de sua parte. Tentou ficar sério, mas o sorriso debochado em sua expressão não desapareceu enquanto ele a olhava. – Ah, por favor. Eu já tive quinze anos, Lucy. Os pensamentos banais vêm contra a nossa vontade. – Piscou para ela, encostando-se à parede e permitindo-se relaxar, ainda que estivesse em horário de trabalho.
– Outras coisas? É assim que você chama aquele gesto de amor verdadeiro? – Afinal, por mais que tivesse a intenção de ser ao menos simpático com a Weasley, não conseguiu conter a segunda onda de risos que o atingiu com a menção ao fatídico beijo. Por sorte, já estava apoiado. Reparando na expressão dela, entretanto, respirou profundamente e a encarou. – Não se incomode com isso. Pelo menos você se lembra do que fez. – Tentou ser mais legal; a última coisa que queria é que Lucy ficasse irritada de verdade com ele. – Relaxa, já vi gente bêbada fazer coisa muito mais estúpida… E pelo que eu experienciei, você precisa mesmo, sabe, treinar. – Deu de ombros, voltando ao tom de brincadeira. Era mais forte do que Will, descobriu. As possibilidades de piadas eram infinitas e ele se sentia absurdamente grato. Ajeitou a postura, preguiçosamente voltando ao seu posto. – Você não fica bêbada daquela forma com frequência, fica? – Perguntou, curioso ao mesmo tempo em que guiava-os ao tópico que o auror precisava. – Quero dizer, sua família notaria. - Franziu a testa.
Em pouco mais de cinco minutos de conversa com William, Lucy já tinha desejado morrer cerca de quinze vezes. Certamente morrer seria mais confortável do que passar por aquele constrangimento. Talvez estivesse sendo um pouco dramática, mas para uma adolescente de dezesseis anos com excesso de timidez nada poderia ser mais cruel do que um homem bonito tirando sarro sobre seu desempenho em beijos. Possuía a consciência de que não ajudava em nada o fato de que estava mais vermelha do que um tomate. – Você tem certeza de que já saiu da adolescência? Seu comportamento se assemelha bastante ao dos garotos dessa escola. – revirou os olhos em um gesto exasperado. Lucy deixou que o ar escapasse por entre seus lábios, enquanto tentava recobrar o mínimo de calma possível. Era bizarro o quanto William conseguia deixa-la nervosa.
Considerou que talvez precisasse de algum tipo de terapia, afinal não era mesmo normal a mania que tinha de beijar os outros quando estava bêbada, e menos normal ainda era o fato de que todos eram homens mais velhos. Custava muito beijar alguém da sua idade para variar?! Se tivesse uma lista de coisas a fazer, a primeira seria com certeza “não se envolver com homens mais velhos, eles são estúpidos”. Aos poucos foi recobrando o seu mau humor habitual, e o fato de que William estava tirando sarro de seu beijo descaradamente, começava a irritá-la – Então preciso treinar meu beijo? Bom, isso explica bastante o porquê do meu último relacionamento não ter dado certo. Obrigada William, o que seria de mim sem essa sua dica?! Realmente, muito obrigada. – sabia que seu mau humor provavelmente o divertiria ainda mais, mas não era como se pudesse controla-lo.
Respirou ruidosamente ao ouvir sua pergunta. Não era nada demais, mas mesmo assim estava inquietando-a – São muitas pessoas na minha família, como você sabe. – bufou, mau humorada. – Não é como se eles tivessem muito tempo para reparar no que faço ou deixo de fazer. – o peso dos livros que carregava começava a incomodá-la. – De qualquer forma, passo a maior parte do ano na escola, então eles realmente não têm como saber se bebo ou não. E sim, eu bebo com frequência William, e isso não é da sua conta. – a garota empurrou os livros que carregava no peito do mais velho. – Já que você resolveu me fazer companhia, faça pelo menos a gentileza de carregar esses livros. – riu debochadamente. – Aliás, o que diabos você está fazendo aqui? Pensei que um Crawford teria prestigio o suficiente no Ministério para escapar do cargo de babá em Hogwarts.