Exausta de sentir muito
preferível não sentir nada.

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Exausta de sentir muito
preferível não sentir nada.
As pessoas não se importam, elas fingem...
tracey emin - my bed
Eu me pergunto quando tudo isso vai acabar, pois eu realmente me sinto exausta e vazia, não sei bem o que tem de tão errado, mas só sinto uma completa tristeza onde nada pode aliviar, como se a qualquer momento eu fosse desabar por não aguentar lidar com isso tudo sozinha.
K.
Não me falta gratidão. Me sobra cansaço.
- Minnie Lima
Há dias em que sinto que não sei ser amada. Como se algo em mim tivesse desaprendido o gesto de receber. Estendo as mãos, mas sempre na direção do outro, nunca em direção a mim. Como se não me sentisse digna… Como se o amor fosse um prêmio reservado aos que nunca se quebraram. Como se evitando o amor, evitasse também a dor.
Eu sou uma pessoa gentil, costumava virar o rosto quando via alguém tropeçar, para que não se sentisse observado ou envergonhado. Eu sou uma pessoa boa, poxa. Carrego essa delicadeza quase como um pedido de desculpas ao mundo.
Mas me pergunto: por que não consigo ser doce comigo?
Por que minha empatia sempre para na fronteira da minha pele?
Às vezes, tudo dói, e eu nem sei exatamente o porquê. É uma dor espalhada, uma saudade de algo que nunca vivi.
Porra, por que tem que doer tanto?
Eu me sinto dilacerada por dentro, tentando costurar com amor o que o tempo insiste em rasgar.
Não me acho bonita.
Não me acho suficiente.
Carrego em mim uma coleção de medos, traumas e culpas — como se cada erro antigo ainda respirasse nas minhas costas.
Tenho medo de ser traída, e talvez isso seja o reflexo mais cruel do que um dia fui.
Talvez seja o karma, ou talvez só o eco daquilo que não soube curar.
Eu só queria ser normal, queria ser leve, transparente, como quem caminha sem precisar justificar a própria existência.
Queria me olhar e não querer ser outra pessoa, queria que o espelho me abraçasse em vez de me julgar.
Queria ser mais bonita, mais segura, mais inteira. Mas, no fundo, o que eu mais queria era me bastar.
Amar sem implorar, existir sem pedir desculpas, respirar sem sentir culpa.
Talvez o amor — o verdadeiro — comece quando a gente para de mendigar carinho e começa a se oferecer colo.
Talvez eu esteja aprendendo, aos poucos, que ser amada não é tarefa, é entrega.
E um dia, eu espero que essa dor só desapareça, que talvez, quem sabe, possa se transformar em ternura...
-ren-di-da
Desabafo da insônia
Os barulhos da cidade começam a se intensificar, que droga já deve ser umas 5, a última vez que olhei no relógio eram três e cinquenta e cinco. Viro para um lado e para o outro, sem chance de achar posição confortável, pensamentos aleatórios passam por mim sem se quer fazerem sentido, alguns permanecem, ecoam no vazio que sinto. Tento focar na respiração, suspiro, inspiro, nada muda. Mais barulhos, já são quase seis e eu não sei mais se insisto em tentar descansar por uns quarenta e cinco minutos, levantar... com que força? Não como desde domingo e acho que hoje já é terça. Confusão mental, atordoamento emocional. Levantar logo para começar de uma vez, não tem saída, penso que eu tenho casa e abrigo, posso me esquentar mas tantos por aí... prefiro nem pensar. Os olhos doem, como se quisessem ficar fechados, pensei na morte, pensei em quão convidativa e resoluta ela é. Pensei nos amigos que já não são mais amigos e os amantes que uma vez já tentaram se satisfazer comigo, me fizeram de abrigo. O despertador toca e é preciso levantar, vou sem força mesmo, até o banheiro e o espelho é meu inimigo, logo já me vejo na imagem digital fingindo ser uma pessoa que não sou, uma mulher normal,estou sorrindo mas meus olhos exaustos me entregam, insônia é minha maquiagem, meus pulsos cortados transparecem a maldade, do meu Cérebro com a minha carne, do meu consciente com as minhas deturpadas vontades, eu sorrio, eu explico, eu rio, eu suplico, em silêncio. Logo já chega a hora de dormir novamente, e ela vai estar comigo, sempre presente. A insônia me enlouquece dia após dia, mas EI!!!!
SORRIA