My darling, what did you expect? @Wilcy
Pela primeira vez naquela conversa, William parecia estar sendo sincero. O que é claro, Lucy sabia que podia ser muito bem apenas uma encenação para ganhar sua confiança. A garota já era normalmente desconfiada, e depois de todas as coisas que aconteceram nos últimos meses, estava quase paranoica. Balançou ligeiramente a cabeça em concordância, ao ouvi-lo dizer que Hogwarts não era um local seguro no momento. E era ainda mais perigoso para pessoas como ela que pertenciam a uma família que não era tão bem vista assim no momento. Não demorou até que William recuperasse o bom humor, e o deboche habitual, e Lucy se viu revirando os olhos de impaciência. – Como se você precisasse de qualquer outra coisa além da sua cara para as garotas caírem em cima de você. – ao notar que tinha dito aquilo em voz alta sentiu uma súbita vergonha. Quantas vezes podia se envergonhar na frente de Crawford? Por Merlin aquilo já estava ficando ridículo. Pensou que talvez pudesse consertar o que disse, mas no fim optou mesmo por deixar aquilo de lado.
- Era fã? – estreitou os olhos, e colocou a mão na cintura, enquanto fitava William interrogativamente. Aquilo era exatamente o tipo de coisa que aumentava a paranoia da garota. Apesar disso, Lucy gostava de William e o considerava o suficiente para desejar confiar nele. A garota se aproximou alguns passos do mais velho. – Vem comigo. – sussurrou, antes de virar-se em direção ao corredor deserto à sua frente. A maioria das salas naquele corredor não eram utilizadas há anos, Lucy empurrou a primeira que viu, e esperou que William entrasse. Pegou seus livros das mãos do rapaz, e os colocou sobre a mesa, junto de sua mochila. Lucy não tinha muita certeza se deveria ter aquela conversa com William, mas precisava ter a real ideia do quanto ele poderia ser ou não confiável. Novamente se viu caminhando em direção a ele, parou a poucos passos, e o fitou. - William… nós nos conhecemos há anos. Sua família costumava frequentar a minha casa. – tentou organizar seu fluxo de pensamento. – Eu espero que o fato de você trabalhar para o Ministério não atrapalhe o seu julgamento sobre nós, e mais especificamente sobre o James. – engoliu em seco. – Eu gosto das nossas conversas, Will, mas se eu não puder acreditar pelo menos minimamente que nossos encontros recentes não vão servir de base para algum relatório do Ministério, talvez seja melhor que eles não aconteçam mais. – seu tom de voz sério disfarçava o quanto se sentia patética.
Naturalmente, a primeira coisa que Will fez foi rir. Entretanto, assim que se tocou que estava dentro de uma sala abandonada com uma garota de quinze anos, cobriu a boca com a mão para tentar abafar o riso. Sua cara bonita podia livrá-lo, realmente, de várias situações – mas poderia condená-lo igualmente dependendo das circunstâncias. E, apesar do incidente quando saíram do bar no outro dia, Will gostaria muito de deixar “pedofilia” e derivados fora de sua lista de crimes. – Eu ainda sou, na verdade. – Disse, respirando fundo e puxando uma cadeira para si. – Mas, sabe como é, depois dos vinte e poucos anos, é meio vergonhoso sair por aí se declarando fã e confessando que ainda tem pôsteres d’O Menino Que Sobreviveu no quarto. – Fez uma careta ao lembrar-se que tinha também uma foto com Harry e Ron em sua mesa de cabeceira. Voltou a olhar para Lucy quando percebeu que aquela foi, provavelmente, a coisa mais sincera que ele tinha dito para ela – desde que se conheceram.
Foi por isso que sentiu vontade de bater com a cabeça em algum lugar logo depois. Mas, sabendo que não poderia estragar tudo, se limitou a voltar com a expressão de seriedade. – Qual é, Lucy. Olhe pra mim. – Levantou as mãos, como se estivesse se rendendo. – Seus pais me acolheram quando os meus não estavam nem aí. – Suspirou, buscando um lugar mais perto dela para sentar-se. – Eu era um pouco mais novo do que você quando fui pra sua casa, lembra? – Deu um sorriso triste, lembrando-se dos intermináveis meses que passou com os Weasley quando era adolescente. Os pais de Will tinham acabado de se separar em decorrência da preferência da mãe por garrafas de uísque e, do pai, pelo trabalho. Aquela foi a pior época da vida de Crawford, mas ele lembrava-se de ter sido recebido com afeto na casa de Percy. – Não me importo com quem está no governo, quem quer toma-lo ou o que quer que seja. Não me importo com um monte de outras coisas, na verdade. – Tentava deixar seu discurso tão próximo da verdade quanto possível. – Mas tenho uma dívida com seus pais, com a sua família, e eu não poderia traí-los assim. – Olhar nos olhos dela enquanto dizia isso só o fez se sentir horrível, mas precisava da confiança da ruiva. Não tinha sido designado para Lucy à toa, sempre soube, mas agora entendia plenamente. Emoções fazem pessoas abaixarem a guarda e o histórico dos dois era perfeito; Will, com as palavras, as atitudes, os olhares certos, deveria se conectar com ela.












