ludwig berlioz-richter. xxi. third culture kid.
❝ i remember you was conflicted. misusing your influence... sometimes i did the same: abusing my power, full of resentment, resentment that turned into a deep depression. ❞
Piper semicerrou os olhos e aproximou-se do peito do rapaz para examinar o resultado do ato de rebeldia alheio, rindo levemente pelo nariz e balançando a cabeça. “Essa, era uma cena que eu gostaria de ter presenciado. Mas, não posso dizer que não entendo. Minha família anda me dando tanto nos nervos que me sinto de volta nos meus dezesseis anos, fazendo de tudo para irritá-los. Infelizmente, acho que furar os mamilos não fariam tanto efeito assim.” Ela riu. “Mas admiro sua coragem. Ou meia coragem, já que não conseguiu fazer os dois.”
❝ Também gostaria de ter visto... mas eu estava desmaiado. ❞ — A piada é feita naturalmente, arrancando do franco-alemão uma risada solitária, vez que o trocadilho não tem tanta graça assim. — ❝ Ah, a rebeldia adolescente... você está fazendo tudo errado se ainda não fez uma tatuagem escondida dos seus pais. ❞ — Ergue as sobrancelhas, oferecendo aquilo como uma sugestão à moça. Não somente para se rebelar, mas por cada tatuagem feita deliberadamente trazer a sensação de domínio sobre o próprio corpo. — ❝ Eu ia furar o outro... um dia. Mas acho que vou deixar assim mesmo, ficou charmosinho e é um equilíbrio com as tatuagens do outro braço... ❞ — um dar de ombros despreocupado acompanham suas palavras enquanto ajeita os óculos de grau sobre o nariz.
Bastou que a voz do amigo preenchesse o apartamento para que Oliver sorrisse, pausando a tevê que, como era de se esperar, estava passando Doctor Who. O que levou a apenas entregar uma das falas que acabava usando quase toda as vezes que o amigo lhe vinha com aquela frase do dinossauro: ‘ — And what sort of time do you call this? ‘ River Song era, sem sombra de dúvidas, a melhor personagem daquela maldita série perfeita. Deitado no sofá com uma das pernas pendurada no encosto do estofado, Ollie trajava um pijama e meias coloridas, não sabendo se eram todas duas suas ou uma dele e outra de Lud, realmente nunca importava-se com aquilo. E não deixou de rir com a falta de foco do outro rapaz, revirando os olhos. ‘ — Às vezes acho que está por lá apenas por conta das garotas. ‘ brincou, o sorriso divertido pairando nos lábios. ‘ — Então você demorou e nem atendeu o celular por isso? Cara, você sabe quantos pensamentos paranoicos eu tive? Eu liguei para o Cam e quase o fiz vir aqui, você tem noção disso? Tive que começar a maratonar para ver se relaxava! ‘ a reclamação veio acompanhada de uma careta, batendo brevemente o controle no peito. ‘ — Isso é para você aprender a dormir direito de noite, eu acho é bom. ‘
Ludwig apenas pega a referência porque associa a frase do amigo à imagem congelada na TV. Não tem paciência para companhar séries tão devotamente quanto Oliver, por este motivo, tudo o que sabe sobre Doctor Who é por causa de momento como aqueles. Em que Richter perguntava sobre um personagem qualquer e Ollie explicava pacientemente cada ponto central da trama confusa demais para a compreensão de Lud. Com o cenho franzido, reprova a colocação do amigo. Como se ele só pensasse em mulheres e nada mais. — ❝ Que absurdo! É claro que não. Não sei se você sabe, mas eu mantenho laços fraternos de afetividade com a mulher que me colocou no mundo e tenho que visitar de tempos em tempos... o fato de ela estar cercada por meninas gostosas é só um bônus. ❞ — A mão é automaticamente direcionada à barra do moletom e camisa que veste, vez que Ludwig tem o hábito de usar pouca ou nenhuma roupa roupa dentro de casa. Logo vem a auto-repreensão, sempre se esquece da irmã de Oliver. — ❝ Sua irmã... ❞ — não chega a elaborar e permite-se apenas brincar com a barra do moletom, não se atreve a tirar as peças, entretanto. — ❝ Como se precisasse de algum motivo para maratonar isso aí. ❞ — Olha para a tela mais uma vez antes de começar a vasculhar armários e geladeira em busca de alguma coisa para comer. — ❝ Você sabe que a noite é o único tempo que eu posso tirar para mim. Acha mesmo que vou desperdiçar dormindo? ❞
June sentia as lágrimas caindo pelo rosto, enquanto caminhava apressadamente, pela rua, não conseguia parar de pensar nos acontecimentos dos últimos dias e em como tudo parecia tão difícil. Nunca conseguiria recuperar a vida que havia deixado para trás, havia ferrado tudo tentando proteger as pessoas que amava, era irônico não? June suspirou e nem percebeu a pessoa que vinha caminhando também, acabando por esbarrar com tudo no rapaz e caindo no chão. - Que droga! - Xingou baixo, sentindo o pé doer, enxugou as lágrimas rapidamente, respirando fundo.
Não tem ideia de como faz para manter seu centro de equilíbrio ao mesmo tempo em que se recupera do susto provocado pelo encontrão repentino e agarra a alça da mochila que pendia sobre um dos ombros. Pisca na tentativa de focar o rosto da mulher agora no chão, simultaneamente retira os airpods dos ouvidos e se abaixa para medir os danos causados. — ❝ Posso? ❞ — Somente toma a iniciativa de encostar no pé alheio uma vez que a permissão é concedida. — ❝ Hm… não sou médico, mas parece que foi só uma torção. Você consegue mexer o pé? Se levantar? ❞
Franziu o cenho, a graça de se contar uma piada sem graça era exatamente aquela, mas era meio exagerado dizer que se tratava da pior piada do ano, ainda tinha muito pela frente e a tendência era sempre piorar. “ — Duvido, capaz de aparecer uma pior que a minha, fácil fácil ” Respondeu entre risos, parando aos poucos e respirando fundo para que pudesse se controlar. “ — E eu acho essa piada ótima, você que não tem senso de humor ” Reclamou, bloqueando o celular para poder guarda-lo em seu bolso, e retirou os seus fones. “ — Tenho a impressão de já ter visto o seu rosto em algum lugar. ”
❝ Putz, acho que nenhuma vai ser tão ruim quanto unir química e uma ligação telefônica... ❞ — insiste mais um pouquinho ao enfatizar o quão ruim aquela piada tinha sido. Balança a cabeça, a carga negativa explícita em seu gesto, mas a risada quebra a fachada que mantém sobre não ter gostado da piada alheia. — ❝ é, provavelmente viu meu rosto em um dos telões da Times Square na divulgação do último single. Estou em uma banda... 6th Avenue o nome. E esse skate aí, você anda faz tempo? ❞ — Demonstra interesse no objeto, já que também faz umas gracinhas em cima de um board.
Franziu o cenho com o susto que o rapaz levara e se não estivesse ali não acreditaria que ele estava meso dormindo em pé. Escutou o pedido de desculpas e assentiu com a cabeça, tentando não demonstrar mais da sua impaciência, já que ele não parecia estar demorando de propósito. Soltou um riso fraco com a frase final, balançando a cabeça em negação. “Muito gentil, mas não tem necessidade disso. Estou bem.” Disse, deixando claro que ele não precisava pagar nada. Levantou os olhos para a atendente em seguida a encarando de uma forma que soubesse que apenas deveria cobrar o que de fato o que o rapaz havia pedido. “Eu vou querer um expresso, por favor.” Pediu de maneira polida assim que chegou sua vez no caixa. Inseriu o cartão e esperou que o pagamento fosse efetuado, passando para o lado do balcão para esperar seu café ser feito. Virou-se para o outro e o encarou por alguns segundos o analisando. “Não dormiu bem?” Questionou por fim um tanto curiosa com a situação alheia.
❝ Deixa eu fazer qualquer outra coisa por você então, ou vou me sentir mal pelo restante da semana por ter atrasado uma mulher tão importante quanto... Rebecca Rhodes. ❞ — Não a conhece pessoalmente, claro. Após ouvir comentários (muitos deles nada agradáveis) sobre a editora-chefe da Harper’s Bazaar gastou alguns minutos de uma das suas viagens diárias do Brooklyn para a região central de Manhattan para saber que rosto leva o nome. Ludwig ajeita seu boné e os óculos enquanto espera por seu pedido. Em um gesto inconsciente, ajeita também a camisa social em contraste com seu visual largado, temendo que ela critique sua aparência com algum colega de trabalho posteriormente. — ❝ Duas horas de sono. Acontece com frequência. ❞ — Sacode os ombros em resposta, enfatizando que aquilo não é nada demais. — ❝ É o resultado de tentar abraçar o mundo, sabe. Estou em uma banda de rock e em Juilliard, vivendo no Brooklyn enquanto o dinheiro dos meus pais poderia pagar uma cobertura no Upper East Side. Não posso reclamar, foi a vida que escolhi... ❞ — complementa. Gira os olhos quando vê o marcador preto sobre o branco do copo de isopor em uma caligrafia garranchada: — ❝ Luigi, eles sempre se superam. ❞
All the ways you wish you could be, that's me. I look like you wanna look, I fuck like you wanna fuck, I am smart, capable, and most importantly, I am free in all the ways that you are not. — Tyler Durden
✗ CADASTRO
NOME COMPLETO: Ludwig Frédéric Berlioz-Richter.
DATA DE NASCIMENTO: 21/09/1996.
GÊNERO: Masculino.
IDADE: 21 anos.
CLASSE: Alta.
PRONOMES: Ele/dele.
ORIENTAÇÃO SEXUAL: Heterossexual.
SITUAÇÃO ROMÂNTICA: Solteiro.
SIGNO: Virgem.
✗ FAMÍLIA
PAI: Dominic Richter.
MÃE: Fleur Berlioz Adkins.
IRMÃO/S: N/A.
IRMÃ/S: Isabella Berlioz-Adkins (7 anos).
FILHA/S: N/A.
FILHO/S: N/A .
PARENTES DISTANTES: Em aberto.
✗ ASPECTOS FÍSICOS
COR DOS OLHOS: Castanhos.
COR DOS CABELOS: Castanhos, mas quando dá na telha ele descolore e pinta.
ALTURA: 1,82 m.
PELE: Caucasiano.
MARCAS DE NASCENÇA: N/A.
CICATRIZES: Possui cicatrizes de infância e uma cicatriz no braço esquerdo que foi coberta por suas tatuagens.
TATUAGEM: Ao total, possui 15 tatuagens, sendo o seu braço esquerdo quase todo fechado pelos desenhos.
PIERCINGS: Tem furos em ambas as orelhas e sempre usa uma argola na direita; um piercing no nariz e outro no mamilo direito.
ESTILO DE SE VESTIR: ( x ), ( x ), ( x ), ( x ), ( x ), ( x ), ( x )
MÃO DOMINANTE: Ambidestro.
ALERGIAS: N/A.
✗ PESSOAL
MANIAS: Coçar a nuca, mexer no piercing que tem no nariz e balançar as pernas quando está inquieto ou ansioso; dormir pelado ou quase pelado.
FOBIAS: Aracnofobia, desde as que apresentam perigo real àquelas pequenas e inofensivas que formam teias dentro de casa. E desde o acidente que provocou tem amaxofobia, medo de dirigir.
ASPIRAÇÕES: Ser muito famoso enquanto músico, na 6th Avenue ou como violoncelista.
HOBBYS: Ballet (sim, ele sabe dançar balé de tanto acompanhar a rotina da mãe); andar de skate; tocar bateria; organizar o feed do instagram; comprar artigos colecionáveis referentes à cultura pop.
CRENÇAS: Sincretismo (como cresceu em contato com várias culturas, acredita em alguns elementos religiosos de cada uma delas).
LUGARES ONDE MOROU: Passou por muitos lugares, nem ele mesmo saberia listar todos, então quando fazem essa pergunta ele se limita a responder: Moscou, Lille, Berlim e Nova Iorque.
VIRGINDADE: Perdeu (tardiamente, segundo ele) aos 17 anos.
RELAÇÕES COM O SEXO OPOSTO DA OPÇÃO SEXUAL: Normal.
✗ COSTUMES
FUMA: Maconha e essências de narguilé, mas nunca fez uso de nicotina.
BEBE: Sim.
USA DROGAS: A única droga ingerida por Lud, além dos seus medicamentos, é maconha.
FAZ DIETA: Não.
✗ FAVORITOS
LUGAR: Top of The Rock (observatório no topo do Rockefeller Center).
TIME: Team Jacob Ainda não conseguiu se apegar a nenhum time.
JOGOS: Beer pong, War, Dungeons & Dragons, sinuca e poker.
MÚSICA: Possui gosto muito eclético devido contato com muitas músicas de culturas diferentes e escuta de tudo um pouco.
COMIDA: Tacos e fast-food.
BEBIDA: Caramel Mocha.
COR: Branco.
FILMES: Qualquer um do Tarantino e Clube da Luta.
SÉRIES: Não tem paciência para acompanhar séries. Apenas assiste episódios aleatórios de sitcoms quando está de bobeira.
LIVROS: Scott Pilgrim e Harry Potter.
ATORES: Angelina Jolie a eterna Lara Croft.
AUTORES: Nenhum.
BANDAS: 2Cellos, Panic! At The Disco, Aerosmith, Postmodern Jukebox.
❝ E então que eu passei o Natal com a família do meu pai, eles são alemães ultra-conservadores que abominam minhas tatuagens. Ficaram enchendo a porra do saco falando que não é postura de um aluno da Juilliard, que eu pareço um traficante com o corpo todo desenhado. Eu, puto, fiz a maior cagada e coisa mais dolorosa da minha vida só pra irritar mais ainda... ❞ — Ludwig, a única pessoa excêntrica e louca o suficiente para não estar usando roupas de frio em pleno inverno de Nova Iorque levanta o tecido da camisa para mostrar seu mais novo feito — ❝ ...furei o mamilo. Ia furar os dois, mas desmaiei de dor e o cara não quis furar o outro. ❞
Gira a chave na porta e a maçaneta. Admite que, propositalmente, emprega mais força que o necessário, sua intenção é mesmo fazer barulho ao chegar em casa. — ❝ Querida! Cheguei! ❞ — A frase clássica sempre dita por Earl Sneed Sinclair (Dino da Silva Sauro) ao chegar do trabalho na sitcom dos anos 90 que Ludwig tanto ama, está na sua cabeça desde que sai da estação de metrô no Brooklyn. Ele a repete sempre desde que se mudou para o apartamento simples, porém espaçoso e aconchegante junto com @douzeollie, um de seus melhores amigos e companheiro de banda. — ❝ Hey, nerd, o que você está fazendo? ❞ — Sua curiosidade é exprimida assim que seu olhar cruza com a figura de Oliver. Ajeita os óculos no rosto enquanto joga a mochila em um canto qualquer (Lud é o virginiano menos virginiano que uma pessoa pode conhecer). — ❝ Não vai acreditar no que me aconteceu. Fui ver o ensaio das alunas da minha mãe e, cara, quanta mina gostosa naquele departamento de dança da Juilliard. Espera... não é sobre isso que eu ia falar. Então, depois do ensaio eu peguei o metrô pra voltar pra casa né... dormi de novo, cara. Pensa num cochilo gostoso. Só que como você não ‘tava lá pra me acordar, cheguei na última estação e voltei pra porcaria de Manhattan. Moral da história: tive que passar meu cartão na catraca duas vezes e perdi duas fucking horas do meu dia. ❞
“Você ficou a noite inteira me encarando, então acho que nada mais justo do que eu me apresentar…” Giulietta falou com um ar que pouco usava, beirando a sensualidade, ao que inclinava a cabeça para o lado, apoiando a parte de trás do corpo contra a áspera parede dos fundos do clube em que havia acabado de curtir um show da banda. Não costumava ser do tipo que lança o primeiro flerte, mas a vibe do show ainda corria em suas veias, bem como a leve embriaguez por alguns drinks tomados ainda permitia a ela sentir-se mais relaxada e ousada. E, bem, a certeza que tinha de que Lud a encarara na primeira fileira também fora um grande incentivo. Agora, aproveitava-se da tranquilidade solitária do lugar, ao que sabia que os integrantes da banda deveriam estar acabando de guardar os instrumentos. Andou alguns passos na direção de Ludwig, não o suficiente para encostá-lo, mas sim como um desafio para que ele demonstrasse interesse e se aproximasse para apertar a mão que agora Giu estendia “Sou Giulietta.”
Ludwig desmontava a bateria quando escuta a voz melódica. Ele sabe que a frase é direcionada a ele porque, sim, ele não tem vergonha de admitir que, durante a set-list da 6th Avenue, ficou encarando uma jovem na primeira fileira. Primeiro porque o baterista tem a impressão de conhecer aqueles traços de algum lugar; segundo, não os associando a pessoa, o olhar convidativo do russo (ou francês, ou alemão) não resiste a uma mulher bonita. Ele interrompe sua atividade, colocando-se ereto enquanto acompanha, instigado, sua aproximação. Ludwig não consegue evitar medir Giulietta, um nome tão bonito quanto a pessoa, de cima a baixo com seus olhos predatórios enquanto vira seu boné para trás. Umedece os lábios enquanto encara a mão estendida e, antes de apertar, cumprimentando-a, Ludwig limpa a destra na camisa que fora tirada na penúltima música do show, apesar do frio, apenas para arrancar gritos das fãs mais devotas do baterista ao vê-lo sem camisa. — ❝ Suponho que você já saiba meu nome... ❞ — Segura a mão da garota, aproveitando-se da nova posição para a puxar para mais perto de si. A outra mão é guiada para a cintura de Giulietta para impedir que ela se afaste. Mas, se sua interpretação estiver correta, ela não tem a intenção de se afastar. — ❝ Vai ter um after depois daqui, se você estiver interessada... ou se preferir algo mais intimista... não vai ter ninguém lá em casa... ❞ — diz em volume baixo, para que só ela escute, acreditando ser bem transparente e objetivo com suas intenções. Se ela acompanha a banda, provavelmente já ouviu vários boatos sobre a relação de Ludwig com as fãs.
“Você tem algum talento estranho?” direcionou sua pergunta para o indivíduo mais próximo, não necessariamente se importando se conhecia a pessoa ou não. “Eu não necessariamente me orgulho disso, mas tenho um conhecimento bastante vasto sobre os filmes das Disney. Se quiser perguntar alguma coisa, vá em frente, eu provavelmente sei responder.”
❝ Talento estranho? Não consigo pensar em nada agora... ❞ — espreme os olhos ao iniciar um exercício de memória. Talentos estranhos. — ❝ ...sei o nome de todos os pokémons e suas respectivas evoluções. Mas não é um talento estranho, é um talento útil. Hmmm... quantos anos têm o Dipper e a Mabel de Gravity Falls? ❞
Os fones de ouvido estavam altos, olhava as atualizações de suas redes sociais enquanto dava impulso no skate pra poder seguir até o metrô, sua tia sempre reclamava quando usava o metrô e acabava chegando tarde em casa, então preferiu sair mais cedo da casa de seus amigos. Tirou os olhos do celular e avistou o sinal de trânsito, parando ao lado de uma multidão de pessoas que tiveram a mesma ideia que ele. Gargalhou na hora que leu a piada, cutucou a pessoa na sua frente. “ — Escuta só essa. ” Disse entre gargalhadas. “ — Sabe como um átomo atende o telefone? ” Voltou a rir e nem esperou pela resposta, para então dizer. “ — Próton ” A mão imitava um telefone no momento em que falou, como se estivesse realmente atendendo um telefone.
Desde o acidente que provocou há quatro anos, Ludwig se recusa a ocupar o banco do motorista em um veículo, temendo que o episódio se repita. Até porque, quando assume a posição, tem todos os sintomas de um ataque ansioso. Recusa-se também a deixar que os pais gastem quantia exorbitante contratando um motorista ou pagando táxi toda vez que for sair de casa. Logo, sua preferência são os transportes coletivos públicos. Quando sente o cutucão em seu ombro a caminho da estação, pensa em se tratar de um fã, girou seu corpo já com a intenção de sorrir para uma selfie ou dizer que está sem caneta para dar autógrafos. Mas no lugar do reconhecimento, tudo o que ganha é uma piada que seu tio faria na ceia de natal. — ❝ Cara, ainda temos um longo ano pela frente, mas tenho que te dar os créditos, não importa o que aconteça, o prêmio de pior piada já é seu. ❞
O dia para Rebecca sempre começava cedo. A mulher costumava sair da redação apenas de madrugada, após verificar todas as áreas e gostava de ser uma das primeiras a chegar no dia seguinte. Era costume sair dez minutos mais cedo de seu apartamento para comprar um café e depois seguir para o seu trabalho. Aquele dia no entanto, nada parecia estar a seu favor. Rolava os olhos a cada minuto que a pessoa a sua frente demorava para fazer o pedido. “Com licença.” Murmurou tocando-lhe o ombro. “Será que você pode fazer o seu pedido de uma vez? Algumas pessoas precisam ir trabalhar e sua demora está nos atrapalhando. Além disso, por sua culpa a fila está ficando cada vez maior.” Apontou para trás de si onde a pessoa poderia ver do que ela estava falando.
Considerando os medicamentos fortes que atuam diretamente em seu sistema nervoso e que deve tomar continuadamente para tratar seus transtornos, Ludwig precisa de, no mínimo, oito horas de sono diárias. Ou seu raciocínio fica mais lento, a sonolência o acompanha durante todo o dia e, até mesmo, é capaz de dormir em qualquer lugar e em qualquer posição. Mesmo de pé na fila da Starbucks. O movimento brusco do rapaz é provocado pela sensação súbita de ser tocado no ombro. Demorou algum tempo para que os olhos diagnosticados com alguns graus de miopia e astigmatismo se acostumassem com o ambiente que reconheceu não se tratar do apartamento que divide com Oliver. A logo enorme da rede lhe indica exatamente onde está. Vira-se para a moça atrás de si, não muito contente com a situação. — ❝ Der'mo! Desculpa... ❞ — o xingamento em seu idioma materno é para si mesmo, que já está passando vergonha antes do dia começar. O pedido de desculpas ele grita para que todos da fila pudessem escutar. Volta-se para o atendente mais uma vez a fim de realizar seu pedido. — ❝ ...vou querer um espresso grande, sem açúcar e um queijo grelhado para viagem. ❞ — Para agilizar, já tinha inserido o cartão na máquina quando o funcionário o informa o valor da conta. — ❝ Eu vou pagar pelo pedido da mulher mais linda dessa fila. Caso você fique na dúvida, essa aqui atrás de mim. ❞
❛ —— Eu vi que estavam contratando pessoas para serem sereias no aquário, você acha que eu me daria bem como sereia? ❜ perguntou para a pessoa ao seu lado, sem se importar muito se lhe era conhecida ou não, Luma não tinha muitos problemas com isso na verdade, gostava de conversar com qualquer pessoa, sendo ela conhecida ou não, porque assim poderia fazer uma nova amizade talvez. ❛ —— Vi que o salário é até bom e ficar nadando ainda por cima, seria meu sonho? Mas se eu aceitar eu vou trabalhar de final de semana e vou ter que trancar a faculdade, não que esse último seja um problema, mas tem a opção de eu ser uma péssima sereia. O que acha que eu deveria fazer? ❜
❝ Sei lá, parece desconfortável. Ficar o dia inteiro na água, sem poder movimentar as pernas direito por causa da cauda. Ficar toda enrugada. E pra ir no banheiro? Gross. ❞ — Ludwig faz careta só de imaginar todos os “poréns” que aquele tipo de trabalho poderia trazer. Mas aquela com quem conversava parece gostar e estar considerando aquela ideia. Richter não seria o estraga prazeres a arruinar aquela experiência. — ❝ Ariel, escute aqui: o mundo humano é uma bagunça. A vida submarina é bem melhor que tudo que eles tem lá... acho que isso responde sua pergunta. ❞