“Tenho certeza de que nada vindo de você seria um desperdício, mas vou deixar passar dessa vez. Porém, saiba que vou cobrar outra ocasião para ouvir sobre a história da minha mistery girl.” Andrew esboçou um doce sorriso para a garota, mas esperava que ela notasse um tom de sugestão que sua fala carregava. Mesmo que tivesse passado apenas alguns minutos na companhia da morena, já desejava que pudesse vê-la novamente em breve. Era um sensação estranha, visto que sua única outra interação amorosa no momento havia começado com uma relação de ódio e animosidade. “Sou assim tão transparente? Como você adivinhou que amanhã iríamos jantar no observatório? Não há lugar melhor pra conversar sobre fetiches do que sob as estrelas em um lugar público.” Brincou, em resposta para o comentário sobre o segundo encontro. É claro que não deveria fazer planos daquela natureza, porque o bom senso ordenava que ele primeiro verificasse se a moça era realmente tão amigável quanto aparentava. Porém, mesmo em sua mente Andrew sabia que era absurdo imaginar um cenário onde a menina não fosse adorável, ou no mínimo uma companhia prazerosa. A pequena cena elaborada por Giulietta arrancou uma risada genuína do rapaz, que relutantemente ofereceu sua mão a ela. O momento da expectativa era embaraçoso, e por um milissegundo o Hill se perguntou se havia sido o movimento certo a se fazer. A grande verdade era que ele nunca fora bom com primeiros contatos, e que seu real potencial só era revelado mais adiante, quando começava a se sentir totalmente confortável com tudo. No entanto, seu conflito interno logo foi interrompido com a sensação dos dedos delicados da garota tocando os seus. “Sempre costumava ir ao zoológico com minha mãe quando era pequeno, e particularmente era algo que adorava. Nunca tive a chance de levar uma garota lá comigo, mas devo dizer que também não costumo ir a encontros. Geralmente sou um cara mais casual.” Andrew deu de ombros, esperando que Giulietta não interpretasse aquilo da forma errada. É claro que o que dissera era verdade, mas por vezes as pessoas podiam ter más impressões do rapaz por conta do fato. Não é que não se considerasse como um cara romântico, apenas lhe faltavam oportunidades e por isso um pouco de prática. “Meus animais favoritos são os pandas vermelhos, ou ursos em geral. Na verdade, gosto de qualquer animal que seja peludo e adorável.” Declarou, tendo plena consciência de que o comentário não era o mais embebido de testosterona que ele poderia ter elaborado. Entretanto, se fosse ser sincero, nem ele mesmo era às vezes, prova disso era sua incapacidade de manter uma barba de respeito. “Você veio de carro? O meu está estacionado a algumas quadras daqui, na frente do meu apartamento.” Agora os dois encontravam-se já na calçada, o barulho típico da rua movimentada não mais abafado pelas vitrines da cafeteria. “Odeio ter que falar do clima, mas recebi um SMS com previsão da temperatura de hoje, mínima de 5º. Você se incomoda se passarmos em casa pra pegar um casaco?” Indagou com um sorriso de canto estampado no rosto, na expectativa que a garota não interpretasse o comentário apenas como uma desculpa para levá-la ao seu apartamento.
“Minha?” ela questionou em um tom que deixava transparecer que não tinha achado ruim, como se já não fosse suficientemente notável em seu sorriso. Não fora sua intenção notar aquele detalhe, mas por ser uma boa ouvinte e observadora, não pôde deixar de fazê-lo. E, sinceramente? Gostado. Aquilo lhe remetia às vibes de um relacionamento sério, a sensação de ser de alguém e ter alguém, algo que desde o fim com o último namorado, ela sentia falta. Não conteve uma gargalhada baixa e sincera com a maneira que ele continuou aquela brincadeira, e ela fez o mesmo “Bem, se conseguir imaginar um lugar mais perfeito para isso e para saber da minha história dramática, parecendo mais ainda uma cena tirada diretamente de um filme romântico, me avise e mudamos os planos! Por enquanto, ja estou me programando para estar lá amanhã às oito da noite, em um vestido marsala que você com certeza vai me reconhecer.” se estavam sendo precipitados e até loucos de fazerem planos com tanta antecedência, sem nem ao menos saberem todo o básico sobre o outro? Com certeza. Mas ela pararia por isso? Definitivamente não. Apesar dos riscos iminentes que corriam, Giulietta podia seguramente falar que aquela era a maior diversão que ela tinha em semanas, quiçá meses. Com a relutância dele ao estender a mão, ela notou uma característica que tinham em comum, aparentemente: a timidez, também conhecida como socialy awkwardness. Mas, já que estavam correndo riscos sem medir consequências... Garantiu-o que tinha feito a coisa certa ao não só entrelaçar seus dedos nos dele, como também pousar a outra mão nas costas da que segurava, passando-lhe segurança por uma maneira além do sorriso sincero e divertido que oferecia-lhe. “That’s cute... Eu só fui algumas vezes com meus pais, tantas que posso contar nos dedos de uma mão... Minha família sempre foi bem ocupada.” deu de ombros, explicando brevemente antes de novamente corar, rindo baixo e ampliando seu sorriso “Quer dizer que eu sou, tipo... Exclusiva?” ergueu uma sobrancelha, continuando num tom um pouco mais retido, mas deixando claro que o tom de brincadeira ainda era o que reinava na conversa “Assim vai me deixar sentindo especial... E se partir meu coração, vai me forçar a arrumar homens ciumentos ou cachorros pra te botarem pra correr.” provocou, somente para testá-lo. Estaria mentindo se dissesse que compreendeu o rapaz naquela fala, mas preferiu manter-se quieta e descobrir mais a fundo por conta. “Acho que vou ter que ficar só com os homens ciumentos, então.” ela brincou, referindo-se à fala anteriormente dita, gritando internamente pela fofura que ele mostrara ser naquele momento. O universo só podia estar brincando com ela; ele estava sendo perfeito demais... E isso a preocupava com a tempestade de decepção que poderia vir depois. Bem, na verdade, só deixava um lembrete em sua mente para preocupar-se com isso posteriormente, quando não tivesse a presença inebriando seus pensamentos. “Eu, na verdade, não tenho um carro.” deu de ombros, tendo que falar um pouco mais alto pelos barulhos da cidade grande sobrepondo-se a ela “Deve ser legal ter um, e morar aqui perto... E não ter que tomar todos dias o metrô lotado para vir pra esse lado.” riu baixo, e percebendo que o garoto talvez não tivesse as mais puras intenções, permitiu-se abrir um sorriso com um quê de malícia “Não, problema algum.” E, se dissesse que se importava, estaria mentindo descaradamente.