– De todas as coisas, eu acho que só o quadribol mesmo para me tirar da cama - Lily se justificou dando de ombros. Em qualquer situação normal, ela certamente seria a última a levantar e nunca com um bom humor. – Você não precisa desse distintivo, Lu, você tem a mim! Você só tem que dizer quem, e eu te garanto que a pessoa que mexer com você vai se arrepender de ter nascido. – comentou casualmente, como se falasse do clima de um dia de primavera. Lily sempre fora capaz de ver claramente a força de Lucy, apesar disso, ela sempre fora vulnerável em muitas maneiras. A Potter nunca deixaria alguém de sua família em apuros, especialmente Lucy. -- Não deixe toda essa racionalidade tomar conta de você, Luluzinha. Corvinal ou não, você é uma Weasley e nós somos feitos de fogo, emoções, e de decisões estúpidas. A última parte afeta mais alguns do que outros… – acrescentou arqueando levemente as sobrancelhas. Não precisava citar nomes, ambas sabiam que James, Fred e até mesmo ela própria estavam vivos até hoje mais por sorte do que por juízo. – Eu sei que lá no fundo você tem essas coisas. Você só precisa de um americano babaca que acha que é dono do mundo, voando na sua direção pra tentar tirar a goles de você, pra que toda essa fúria-Weasley apareça!
A mais velha virou-se para encarar a outra – Lu, me ajude a ganhar isso. E você terá acesso ilimitado ao meu estoque especial de doces. – Falara extremamente a sério e só uma pessoa que a conhecia bem saberia o quanto aquela proposta era valorosa. A Potter amava doces. E desde que fora para Hogwarts, começara um pequeno estoque que contava não apenas com as guloseimas da Dedosdemel, quanto com doces variados que não eram facilmente encontrados. Claramente um “privilégio Potter”. – Você é pequena e vai fazer um estrago na delegação de Durmstrang e em todas as outras! Você está entre os melhores dos melhores, Lu! Nós não estamos aqui porque temos nomes famosos ou cabelos ruivos! Estamos aqui porque somos boas! E nós vamos lá fora e vamos jogar como nunca jogamos na vida e vamos provar para todas as escolas que ninguém nesse mundinho todo deve nos subestimar – as palavras motivacionais eram para a prima, mas poderiam muito bem servirem para si própria. Sempre fora muito difícil para Lily ver a si mesma fora da brilhante aurea que emanava do sobrenome Potter. Seu valor, nos olhos dos outros, sempre estivera diretamente relacionado com os feitos passados dos pais. Muitas vezes ela própria chegara a acreditar nisso: era boa em defesa contra as artes das trevas? Óbvio! Filha do grande Harry Potter! Era habilidosa no quadribol? Pudera, filha de Ginny Potter! Mas daquela vez parecia diferente, e todas as noites repetia para si mesma o mantra de que não estaria naquela seleção de todas as casas se não fosse por mérito. Era no que precisava acreditar.
“Hm, acredito que isso dê ideia da real significância que o quadribol tem para você, Lils. Eu adoro o esporte, mas, não é algo que vejo fazendo além da escola. Você, por outro lado, me parece que facilmente levaria para toda a vida. Aliás, não preciso dizer que é a melhor apanhadora que já vi jogar, certo?” disse, muito naturalmente, algo que sempre fora muito óbvio a si. Por mais que não tivesse a certeza do que Lily pretendia pós-escola, parecia muito claro o caminho que ela poderia trilhar no quadribol. “Agradeço do fundo do meu coraçãozinho ansioso que esteja disposta a me defender, mas, acredito que preciso fazer isso por mim mesma. De qualquer forma, não há ninguém me perseguindo ou importunando. But, juro juradinho se o dia de precisar de auxílio chegar a primeira pessoa a quem recorrerei será você.” murmurou, um tanto constrangida por possivelmente ter dado a ideia de que a importunavam. Lucy acreditava piamente que era a tipica pessoa que passava invisível por toda a vida acadêmica. Seguia as regras, ficava na sua, a maior parte do tempo não dava motivos para ser lembrada. Porém, tudo se modificara quando passara a jogar quadribol. Antes dos jogos sempre ouvia gracinhas e ameaças pelos corredores, o que sabia que muitos encaravam com normalidade. No entanto, para si era sempre um desafio elevado em muitas potências por causa da ansiedade que a atormentava. Muitas vezes pensara em simplesmente desistir da ideia maluca que era jogar, mas Lily, assim como seus companheiros da Corvinal, sempre a convenciam a continuar. “Hm, você só se esqueceu que sou filha do mais racional entre os Weasley o que me torna menos fogo e emoções, mas não me isenta de decisões estúpidas.” disse, ainda meio distraída. Pensar em seu pai sempre a deixava meio para baixo, a relação com Percy não era ruim, longe disso, mas também não sentia que eram próximos. “Americanos sequer precisam estar montados em uma vassoura para extrair emoções que desconheço. Você percebeu o quanto eles são folgados e arrogantes? Por Rowena ainda bem que não ficarão por muito tempo.” comentou, demonstrando um óbvio alívio. O time norte-americano de quadribol podia não ser o melhor da competição, mas não era como se eles se importassem com tal fato. Andavam por toda Hogwarts como se fossem os malditos donos do mundo. Pensamento que levou a adolescente a revirar os olhos. “Ah, não seja tão dura com a Vic. Ela pensa no nosso bem-estar e preza que nos mantenhamos inteiros. Imagino que ela esteja preocupada com o aumento significativo da jornada de trabalho também. Espero mesmo que nenhum de nós se acidente, seria péssimo de todas as maneiras possíveis.” e para si tornaria um tanto mais real e palpável os perigos do jogo. Lucy ainda não havia sofrido qualquer lesão grave demais, e, embora fosse uma jogadora precavida, era impossível para si não pensar nas piores possibilidades. Um brinde nada bem-vindo de sua ansiedade. Ansiedade que a rondava até mesmo ali, em um ambiente seguro com uma pessoa de sua total confiança. Lucy massageava as mãos, em um gesto comum a si. “Hm, ficarei imensamente feliz com todos os doces que puder me arruma, mas, é claro que estou apenas brincando, Lils. Posso ajudá-la com as mãos amarradas.” a última frase saíra em um tom de falso convencimento que era corroborado pelo erguer falsamente presunçoso de seu queixo. Falácia que caiu por terra quando a gargalhada suave escapara por seus lábios. “Assim que o treino de hoje se encerrar eu preparo os cronogramas. Pode deixar, capitã!” completou, em um gesto divertido de quem batia continência. Divertimento que, conforme ouvia a mais velha, transformava-se em diversos outros tipos de afeto, sobretudo, gratidão. Lily era sempre muito boa em extrair o melhor das pessoas, e para um alguém como Lucy, que duvidava constantemente de si mesma, era um bálsamo tê-la ao redor. “Você sabe que é exatamente por esse motivo que é nossa capitã, certo?” questionou, arqueando uma das sobrancelhas em curiosidade. “Você enxerga o melhor de cada um de nós e nos incentiva mesmo quando não estamos tão certos se podemos fazer determinada coisa.” a adolescente balançou a cabeça por vezes seguidas para corroborar o que dizia. “Falando apenas por mim mesma, eu tenho esse probleminha do qual não gosto de fala muito aka ansiedade. Meu psicólogo sempre diz que não devo ter vergonha do meu problema, mas, na maioria das vezes, eu temo que as pessoas me definam por ele.” tagarelou, no que poderia considerar como raridade, a respeito do seu transtorno. “Eu sou insegura. Não é culpa dos nossos parentes, mas é ainda mais difícil se sentir segura das próprias capacidades quando se cresce numa família como a nossa, em que todo tipo de coisa já foi feito. Existe uma pressão, mesmo que de fato ninguém esteja pressionando.” o que não cabia no seu ambiente familiar, pois Percy cobrava todos os filhos. “Eu sei que soa muito como white girl problems, principalmente quando tem muita coisa pior rolando por aí, mas faz um tempo que aprendi a não desvalorizar o que sinto. Anyway, dei essa volta imensa, me expondo mais que de costume...” e a ideia de que realmente tinha dito mais do que deveria levou um forte rubor as suas bochechas. “... agradeço pela confiança que você tem em mim. Por acreditar no meu potencial como jogadora, e por me incentivar sempre que tem uma chance. Você é a melhor, Lils!” assim que calou-se Lucy curvou-se para frente, para que pudesse depositar um beijo gentil na testa da prima.”Hm, ok, sem mais sentimentalismos, prometo. Gastei todo meu viés emocional Weasley nesse momento.” brincou, até para amenizar as próprias emoções. “Ok, vamos nos mexer, nós temos estratégias para planejar, e provavelmente berradores para enviar já que os garotos seguem atrasados.” finalizou, dando de ombros, sentindo que de certa maneira tirara um peso do peito.