Scorpius teve que desviar os olhos pelo tempo que Lilian ficou o olhando. Ele era uma pessoa confiante e até as vezes narcisista, mas de alguma maneira, Lily o deixava um tanto desconfortável o olhando daquela maneira que ele nem conseguia definir como era. -Céus, Lilian! Você é dramática até demais, não combina com você. Desta vez fora a vez dele de revirar os olhos, a cabeça pendendo por alguns segundos em direção ao chão.
Ele estava ali de boa vontade, mas teve que admitir que quando ela usou o seu plano de profissão contra si, sua armadura caiu. O loiro fitou-a sem expressão no rosto, chateado. Mesmo sem ela pedir, ele se levantou e se virou de costas, passando a mão no cabelo, jogando as mexas longas todas para trás. Em cinco minutos de conversa, Scorpius já queria gritar com ela. Como Lilian conseguia parecer um anjo e o irritar tão rápido? Ele suspirou fundo, e virou-se para ela. -Eu disse que vai ficar tudo bem para a gente, não tudo bem para eles. Comentou, sem sorrir. Scorpius estava tentando arranjar um jeito de contar a alguém sobre o ocorrido, e punir de algum jeito o time adversário, mesmo que isso não beneficie nada o time de Hogwarts, agora que a copa já havia terminado. Mas ele não contaria isso a Lily. Espirito de vingança não ajudaria em nada na raiva da menina, e o loiro não queroa ajudar a disseminar esse tipo de sensação.
-Você nem sabe o porque eu estou aqui, Lilian. Como pode dizer que eu não me importo? Você nem me conhece direito. Balançou a cabeça negativamente. Ela não sabia o quanto estava errada. Chegava a ser absurdo. Scorpius queria balançá-la e gritar que estava lá por ela e não pelo jogo. Não importava se tivessem perdido, se Lilian estivesse sozinha, ele sabia que acabaria indo falar com ela. Ela que parecia não se importar, no fim das contas, e perceber isso o fez umedecer os lábios, para desfarçar o desapontamento, apesar de não querer admitir o quanto gostaria da aprovação de Lilian Potter. Seus olhos se voltaram para ela quando voltou a falar, com uma voz menos firme. Sua esperanças voltaram quando achou que ela amoleceria, mas a fala se difundiu no ar, e ele viu os olhos dela marejarem -ou fora só o reflexo da luz fraca do vestiário?
Ele queria gritar com ela. Arrumar uma briga. Sentir alguma outra coisa que não fosse empatia pela garota, mas não conseguia. Tentou forçar a raiva dentro de si também, mas tudo o que tinha dentro de si passava longe de ser raiva. Ele franziu o cenho, lutando internamente entre as opções de ir embora como ela pediu, ou ficar. Por fim, acabou balançando a cabeça negativamente. -Não. Não quero ir. Não quero te deixar sozinha. Ele soltou, antes que pudese perceber o que a frase significava. Depois que já haviam sido ditas, ele só esperava que ela não tivesse entendido o peso das palavras para ele. Scorp andou até Lilian e voltou a sentar-se do seu lado, mas desta vez não não sentou-se delicadamente e quieto, não. Desta vez ele se sentou e puxou-a contra si em um abraço apertado, como se pudesse tirar a frustração dela. Por um lado, ele entendia. Também havia sido criado sob a sombra do pai, e passou boa parte de sua infância sendo chamado de 'Filho de Voldemort', ouvindo coisas absurdas sobre sua família, e a pior parte, sabendo que a maioria eram verdade. A vida inteira era ele tentando se provar, tentando mostrar para as pessoas que ele não era Draco Malfoy, e várias vezes falhava miseravelmente. Não queria que Lilian se sentisse assim, quebrava o seu coração vê-la daquela maneira, mesmo que não falasse isso em voz alta, ou tentasse não admitir nem para si mesmo, que na verdade se importava, em um grau maior até do que devia.