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@lurech
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Feliz ano novo solar, you all đ Eis que chega o equinĂłcio de outono e, com a maior intensidade que jĂĄ presenciei, quase que nos obriga a recolher e internalizar. A urgĂȘncia jĂĄ Ă© demasiada grande para que bastem apenas convites. A natureza estĂĄ gritando. A conexĂŁo estĂĄ sendo perdida. A roda do ano nĂŁo Ă© composta apenas por perĂodos quentes e fĂ©rteis e as prĂłximas duas estaçÔes sĂŁo como uma lição da Terra para aqueles que a habitam: hĂĄ um tempo para colher, hĂĄ um tempo para plantar, hĂĄ um tempo para esperar. NĂŁo existe outra forma de mudar, senĂŁo passando por um perĂodo um pouco caĂłtico. Para construir o novo Ă© preciso que o velho se desconstrua. NĂŁo Ă© de hoje que a gente sente que 'tĂĄ tudo meio errado', mas quem Ă© que tem tempo para tentar fazer melhor? NĂŁo Ă© de hoje que jĂĄ nĂŁo somos mais tĂŁo felizes, mas o sistema funciona assim, o que Ă© que se vai fazer? NĂŁo Ă© novidade que nosso modo de vida Ă© predominantemente egoĂsta e extremamente nocivo ao ambiente em que vivemos, mas como fazer diferente? Em perĂodos de recolhimento, de internalização, nos sĂŁo dadas todas as ferramentas necessĂĄrias para que possamos pensar do zero, refletir, repensar, questionar, reinventar. Em perĂodos caĂłticos, aprendemos novamente o que Ă© essencial, o que precisamos proteger e de quem precisamos cuidar. Tirem o melhor de cada momento e estejam conscientes. Tudo isso faz parte do ciclo. Tudo isso tambĂ©m Ă© a vida. Que sejamos fortes o suficiente para resistir. Que estejamos unidos para sobreviver. Que sejamos protegidos e possamos proteger para que ninguĂ©m esteja sĂł. Que tenhamos sabedoria para passar por este perĂodo e chegar ao prĂłximo estĂĄgio muito melhores. E que se faça o que precisa ser feito.
Feel like giving up...
a breve sensualidade das mulheres loucas
VocĂȘ adora mulheres louca, nĂŁo Ă©? Dançando despreocupadamente, na pista de dança, com as mĂŁos no quadril, enquanto riem umas para as outras, gritando: âamiga, eu adoro essa mĂșsica!â. VocĂȘ adora mulheres que gostam de uma cerveja em um boteco, mulheres sem frescura, que topam de tudo. Que tĂȘm assunto para varar a noite naquelas cadeiras de plĂĄstico, com aquela cerveja barata, quando o assunto rende e segue suavemente feito nuvens do cĂ©u e o prĂłprio cĂ©u que se transforma em milhares de tons de azul escuro atĂ© clarear gentilmente e ter sua escuridĂŁo partida pelos raios de Sol da manhĂŁ.
VocĂȘ simplesmente ama essas mulheres. Mulheres de opiniĂŁo, que dizem o que sentem, o que querem, o que odeiam. Que pensam, que querem algo maior da vida alĂ©m da tediosa banalidade e que tĂȘm coragem de enfiar a mĂŁo mais fundo, porque nĂŁo hĂĄ nada mais chato que o superficial. VocĂȘ simplesmente adora falar sobre o mundo, mĂșsica, polĂtica, filmes e cultura, sobre a sociedade e religiĂŁo, sobre arte⊠Falando em arte, vocĂȘ nĂŁo adora as artistas? As mulheres que escrevem, pintam, e desenham, aquelas que tocam e cantam, que declamam suas poesias ou escrevem timidamente em seus quartos. Mulheres livres, vocĂȘ uma vez disse, mulheres loucas que sĂŁo verdadeiras. Que sabem se defender, que nĂŁo respondem a ninguĂ©m. Mulheres que parecem um conceito de um filme, aquele tipo artĂstico, engraçada, complexo, cabelo colorido, tatuagens e personalidade transbordando pra fora. Aquela que vira o rosto para vocĂȘ e num sorriso, te faz ter uma outra percepção de vida, porque elas, sim, seriam alguma coisa como um orĂĄculo, um altar, um templo, uma reza.
Um orgasmo.
Talvez fossem melhores na cama, vocĂȘ pensou. Essa liberdade toda trazia menos timidez, mais desenvoltura. NĂŁo existe medo, nĂ©? De tentar coisas novas, Esse calor da pele, que chega queimar quando toca, e toda a disponibilidade de nĂŁo pensar duas vezes antes de fazer algo porque quer. A liberdade que parece ter sido escrita em um livro, a personagem que sĂł existe para libertar o mocinho. VocĂȘ, um personagem que deveria ser salvo, conhece uma mulher maluca pelas ruas do centro e tĂȘm a vida transformada porque ela sabe dizer a coisa certa. E na cama? Ela tem experiĂȘncia, ela nĂŁo nega nada, e ela quis cuidar de vocĂȘ.
VocĂȘ disse que elas sĂŁo um tesĂŁo. VocĂȘ queria uma mulher de verdade. Uma mulher de verdade do tipo que te olha nos olhos e sorri, fuma um cigarro depois da transa e diz que vocĂȘ Ă© bom demais nisso.
Mas nĂŁo pra sempre.
VocĂȘ quis a salvação, o caldo doce da fruta. VocĂȘ quis dançar com elas nas festas, entrar no meio de seus beijos e talvez, atĂ© ler suas histĂłrias, seus poemas, nĂŁo toda a obra. VocĂȘ quis a noite de bar, as qualidades que emanam dos poros, as primeiras boas impressĂ”es. Primeiras boas impressĂ”es, era isso que vocĂȘ queria, nada tĂŁo importante, mais como um prĂłlogo de um livro bom pra caramba. Um livro denso pra caramba, longo. Se vocĂȘ ao menos puder catar tudo de bom que ela te oferecer nesse primeiro e Ășnico encontroâŠ
Mas vocĂȘ adora mulheres loucas. Essa loucura sexy que te impulsiona a ser um homem melhor, um homem mais culto, mais experiente. VocĂȘ curte essa selvageria que vocĂȘ nunca pĂŽde domar, nĂŁo que vocĂȘ tenha tentado e nĂŁo que seja possĂvel, talvez vocĂȘ nĂŁo durasse duas semanas. Talvez seja muito para lidar, muito para entender. VocĂȘ entendeu do jeito que quis: um tesĂŁo. Do mesmo jeito que vocĂȘ achou aquelas duas mulheres se beijando no meio da festa. A mulher que se senta com vocĂȘ no boteco e que vem para a sua casa, transar no primeiro encontro. Essas coisas modernas. Essas mulheres que parecem sair de um filme, sabe? Existe alguma coisa de força ou complexidade, algo que vocĂȘ nĂŁo pĂŽde tocar completamente e que te atraiu, mas vocĂȘ nĂŁo soube o porquĂȘ.
VocĂȘ disse que gostava de mulheres de verdade, mulheres livresâŠ
Talvez nĂŁo por muito tempo, sĂł uma noite, a cada quinze semanas. Algumas horas, atĂ© a hora do metrĂŽ abrir, atĂ© a loucura continuar, atĂ© a droga continuar fazendo efeito, atĂ© que vocĂȘ goze. AtĂ© que nĂŁo seja real demais, sincero demais, profundo demais.
NĂŁo que vocĂȘ separe mulheres para transar e casar, Ă© sĂł que vocĂȘ acha mais fĂĄcil manter o relacionamento com a sua namorada da adolescĂȘncia, daquela cidadezinha do interior. Ă sĂł mais fĂĄcil de entender. Ă mais tangĂvel. NĂŁo existem tantas camadas e medos de dizer a coisa errada, de agir de forma equivocada. VocĂȘ prefere que a mulher ao seu lado concorde com o que vocĂȘ diz, e como age. VocĂȘ quer que ela te ache tĂŁo inteligente, talvez atĂ© saia com meninas mais novas. NĂŁo Ă© melhor? quando te olham com esse vislumbre de admiração e quando elas pensam: âele Ă© tĂŁo interessante, e curte filmes cults como Clube da Luta e aqueles do Tarantino!â. VocĂȘ nĂŁo quer correr o risco de ser um babaca, Ă© melhor nĂŁo se aproximar demais, nĂŁo conhecer demais, e sĂł lavar os pĂ©s. VocĂȘ ama, mulheres modernas, mas talvez nĂŁo dĂȘ conta. Talvez nĂŁo acompanhe o papo que segue com as transformaçÔes da noite, talvez o seu papo nĂŁo dure tantas noites, nĂŁo sobreviva ao boteco, e seus passos na pista de dança sejam ensaiados demais. Talvez elas notem, talvez olhem para a insegurança escondida embaixo da pele, o ego frĂĄgil que soa pelos poros, o sexo breve e triste. Quem sabe elas nĂŁo estejam rindo de vocĂȘ? Melhor ficar seguro, nas bordas, onde a ĂĄgua toca sĂł os joelhos, nada tĂŁo profundo, vocĂȘ quer ter o controle.
Parecia mais um personagem de um filme, nĂ©? Essas mulheres malucas, cheias de questĂ”es e opiniĂ”es, cuja beleza vocĂȘ nĂŁo soube muito bem explicar, mas estava ali. Um filme cujo mocinha Ă© transformado por essas mulheres. ExcĂȘntricas. ExĂłticas. Livres. DifĂceis. Malucas.
Suas histĂłrias tristes talvez nĂŁo te interessem talvez sejam tristes demais, suas opiniĂ”es muito profundas ou talvez vocĂȘ apenas nĂŁo consiga acompanhar. VocĂȘ queria ser salvo, sem ter que investir muito, sem ter que doar muito, sem absorver demais. Quase uma terapeuta, quase uma messias. VocĂȘ adora mulheres loucas, o conceito, a desenvoltura, a complexidade, mas jura sentir um alĂvio quando elas vĂŁo embora pela manhĂŁ.
Atacama Lagoon
Design graphics Geya Shvecova (SUN_310119)
âThe darkness is your mother; she behooves reverence, since the mother is dangerous ; She has power over you, since she gave birth to you. Honor the darkness as the light, and you will illumine your darkness.â - Carl Jung
âOut of your inner emptiness arises the flowering of your Infinite Being.â  ~Anon I mus (Spiritually Anonymous)
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Hurting somewhere i thought It wouldn't hurt anymore :(