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Max a encarava como se fosse uma divindade que aparecera repentinamente em sua casa; era incrível como ainda se sentia bem e confortável na presença dela, mesmo após tantos anos e um final nada feliz para as aventuras que compartilhavam. Não havia nenhum rancor de sua parte, mesmo que houvesse ficado mal por muito tempo com toda a história envolvendo Lux, mas no fundo entendia os motivos dela ainda que o deixassem um tanto magoado. A saudade e o choque do reencontro inesperado estavam camuflando qualquer sentimento negativo por enquanto, e tudo que ele queria era saber como as coisas estavam para ela. “Empresária, legal…” Comentou, observando-a interessado e aguardando ansiosamente para saber mais, qualquer coisa sobre sua nova vida; mas a informação a seguir a respeito do marido fez com que ele endireitasse o corpo automaticamente, franzindo o cenho de maneira sombria e prendendo a respiração enquanto ela explicava melhor sobre o assunto. Desacreditado, baixou o olhar do rosto entristecido da morena para os braços finos cobertos de pequenos hematomas que ela exibia, de repente sentindo o coração acelerar mais uma vez como se o sangue fervesse de raiva mediante tal situação. Mais do que isso, sentia o corpo tremer por dentro apenas de pensar na possibilidade daquele filho da puta tê-la agredido - ele próprio já lhe causara alguns tipos de hematomas no calor do sexo selvagem que costumavam ter, mas aquilo era completamente diferente. Meu Deus, ao que Lux acabara sendo submetida? Sua Lux, sua dominadora, sua mulher forte e destemida que enfrentava presidiários com mais valentia que um homem, sofrendo violência doméstica?! A ideia era inconcebível e não parecia dizer respeito à mesma mulher que conhecera, no entanto lá estava ela mostrando uma realidade e um lado frágil que ele só vira de relance no dia do casamento. Não soube o que comentar de imediato até sentir a mão delicada lhe acariciando a barba, automaticamente colocando a própria mão sobre a dela. Quando finalmente reencontrou a voz para falar, esta saiu baixa e arranhada, num tom misto de raiva e tristeza. “Por que eu não te sequestrei daquela maldita igreja?! Sinto muito, eu…” Murmurou, o olhar azul encontrando o dela com um ar pleno de culpa. Sim, ele poderia ter evitado aquilo e de repente sentiu-se um lixo, o estômago revirava imaginando as cenas terríveis que Lux vivera nas mãos daquele infeliz, coisas que ele poderia ter impedido. “Lux, cadê aquele desgraçado? Eu vou acabar com a vida dele. Só me diz onde ele está.”
O fato de Lux estar extremamente fragilizada com toda a situação com Ryan, só reforçava o quanto ela precisava de Max junto com ela, tinha uma ligação muito forte com ele, o elo do sentimento dos dois apesar de só ter sido demonstrado por inteiro no dia do casamento de Miller, não deixava de ser algo intenso e verdadeiro. Lux precisava de Max. Seus olhos tristes encaravam o rosto do homem com a barba bem maior do que estava no último encontro deles, mostrando todas as suas marcas de agressão, mesmo sabendo que Max poderia tentar de alguma forma defendê-la. “Tivemos muitos problemas, ele é um canalha nojento” Respirou profundamente, fechando seus olhos por um instante. Era bom estar de volta em Wisconsin, parecia que o ar era mais limpo que de Detroit, provavelmente porque estar em Detroit lembrava todos os acontecimentos no casamento fracassado. “Eu perdi um bebê e não consegui exercer minha profissão lá, enfim, foi bem ruim ter saído daqui…eu perdi tudo o que eu tinha de mais importante.” Assentiu algumas vezes. “Perdi você…tem alguém que te assume agora.” Segurou uma das mãos de Max que já demonstrava estar alterado por conta da violência sofrida por Lux, parte de si se sentia culpada por ter não ter ficado e ouvido sua voz do coração, talvez tudo haveria de ser completamente diferente, estaria feliz em um relacionamento estável com Max e não precisaria de mais nada. “Max, não…ele tá bem longe daqui eu vim sozinha com um dinheiro que eu juntei…já to separada a quase um ano, não tive como vir antes.” Passou seu polegar pelo dorso da mão do homem, com um sorriso leve e tristonho em seu rosto. Lux queria muito beija-lo e aproveitar toda tarde com ele, falando besteiras e aproveitando a presença um do outro, mas agora ela era alguém do passado de Max, sua vida andara e Lux não estava nos planos.
Max só podia imaginar o quanto Lux sofrera nas mãos daquele imbecil, e talvez fosse melhor nem saber os detalhes ou seria capaz de dirigir até onde quer que ele estivesse para matá-lo com as próprias mãos - por aquilo sim valeria a pena ser preso pelo tempo que fosse. Imaginava o quão humilhada ela deveria se sentir por ter vivido aquilo, aquela parte tão obscura e triste de sua vida, ver-se perdendo a própria essência de mulher forte e independente nas mãos de um maldito abusador… de repente todo o clima de surpresa e alegria pelo reencontro inesperado sumiram e deram lugar ao peso do assunto. O homem não conseguia parar de pensar no fato de que poderia ter evitado aquilo; a cada nova revelação seu coração se apertava mais no peito, o fato dela não ter conseguido continuar em sua carreira na polícia e especialmente a coisa de ter perdido um bebê - era especialmente doloroso pensar nisso sendo pai. As coisas para ele, por outro lado, haviam seguido relativamente bem depois de passada a tristeza pela partida de Lux; mais algum tempo sendo mulherengo até sossegar com Alyssa, de quem gostava bastante e tinham uma vida tranquila de um casal comum, tinha se saído um bom pai apesar de não aparentar levar nenhum jeito para isso e Benjamin se tornara uma criança feliz e saudável. Tudo corria bem, sim, e isso parecia só acrescentar à culpa que ele sentia por não ter salvado Lux daquele destino horrível; parecia errado que ele tivesse tido uma vida boa apesar de já ter errado tanto, enquanto ela vivera o completo oposto sem merecer. “Por que você não me procurou? Eu teria ido te buscar…” Disse num impulso, mas com toda sinceridade; não teria hesitado nem por um instante em ir correndo resgatar Lux onde quer que ela estivesse, passando o que tinha passado. Encarou a mulher à sua frente por um tempo em silêncio, a analisando com calma, a aparência continuava a mesma mas provavelmente todos aqueles acontecimentos ruins haviam lhe mudado de alguma forma. Num novo impulso, inclinou-se para a frente e a envolveu em um abraço apertado, como o que haviam dado há pouco antes de se sentarem. “Eu vou acabar com a vida daquele imbecil.” Repetiu em um murmúrio, fechando os olhos e imaginando cenas de possíveis momentos horríveis que ela passara com ele. “Mas tá tudo bem agora. Ninguém mais vai te machucar. Eu sinto muito por não ter impedido que você se casasse.” A voz saiu ligeiramente embargada, e ele afastou ligeiramente o rosto a desfazer o abraço, mas manteve as mãos apoiadas nos braços magros da mulher. “ Você precisa de alguma coisa? Tem onde ficar?”
Lux não aparentava a todos que estava frágil com a separação, muito menos sobre a violência doméstica. Mesmo sendo durona e independente, não queria que ninguém soubesse de suas fraquezas e do que havia passado por completo, evitava ao máximo transparecer. Confiava em Max, por isso o procurou para desabafar sobre tudo mas mesmo assim não queria mais transmitir essa imagem. Seus olhos se mantinham fixos aos de Max, com um sorriso leve em seu rosto e gostava de sentir um carinho diferente do homem, tinham brincadeiras sexuais e puxões de cabelo, mordidas, mas carinho era algo sem muita recorrência entre os dois, Lux gostava disso, se sentia especial e valorizada de certa forma. “Eu achei que fosse dar conta sozinha… não quero mais falar sobre isso, Max, preciso dar a volta por cima” Suspiroi pesadamente, relaxando seus ombros, sendo surpreendida por um abraço dessa vez iniciado por Max, o cheiro de seu perfume característico fazia com que Lux ficasse anestesiada, gostava tanto do cheiro de Max e como era característico dele, não tinha defeitos para aquele abraço. Lux fechou seus olhos, deitando sua cabeça brevemente pelo ombro do homem. “Não é culpa sua, Max…a gente não tinha como saber.” Desvencilhou-se do abraço junto com ele, fitando seus belos olhos azuis tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes de si. Ele estava tão preocupado, que Lux não podia parar de se sentir levemente iludida por um relacionamento que não existia entre eles, Max agora estava com outra pessoa e não haveria de largar Alyssa por Lux, estava feliz com ela, podia vê-lo radiante. Lux se sentia um atraso de vida para ele. “Eu estou na casa de uma amiga, a Amy, ela tem sido muito boa comigo mas não sabe de muita coisa do que aconteceu com Ryan.” Molhou seus lábios e permaneceu acarinhando as mãos de Max. “Obrigada por demonstrar preocupação comigo mas estou bem, Max, quero muito que você seja feliz” Ergueu uma de suas mãos tocando o rosto de Max, passando seus dedos por seu rosto e barba. “Tenho tanto orgulho de você, Max, eu me sinto a maior idiota do universo por não ter me casado com você.” Assentiu com seus olhos analisando toda a expressão de Max. “Mas você está bem melhor agora e eu te desejo toda felicidade do mundo… meu celular permanece o mesmo pode me ligar quando quiser.” Afirmou. Com suas emoções a flor da pele, Lux não queria deixar de transparecer o que sentia, mesmo que fosse tarde demais. “Você foi o único homem que eu amei de verdade, te amei todos os dias e acho que ainda amo.” Sorriu sem jeito, soltando o ar pesado por seu peito. “Desculpa por nunca ter te falado antes.”
Conhecendo Lux como conhecia, que nunca demonstrava nenhum tipo de fraqueza ou hesitação diante das pessoas, sabia o quanto era mortificante para ela ter se envolvido numa situação como aquela, e que não deveria ter comentado com quase ninguém a respeito do que havia passado. Ela esboçava um sorriso fraco nos lábios como se quisesse assegurá-lo de que estava tudo bem agora, mas aquele jeito dela de tentar guardar todos os problemas para si obviamente resultava em uma angústia interna tremenda que podia ter péssimas consequências. Mas não cabia a ele opinar sobre a maneira que ela escolhera para lidar com aquilo no momento, já estava feliz por ela ter se aberto consigo sobre o assunto. Limitou-se então a acenar afirmativamente com a cabeça, aproveitando para abraçar Lux de maneira aconchegante como se não houvessem ficado anos separados; quem sabe se tivesse sido mais persuasivo na despedida na igreja, ou mesmo agido como um ciumento maluco e perseguido Ryan enquanto teve tempo a fim de investigá-lo melhor, quem sabe tivesse percebido ou descoberto o lixo de homem que ele era. O importante era que Lux estava a salvo agora, mas Maxwell não deixaria essa história passar batida de jeito nenhum. “Você pode contar comigo para o que precisar, você sabe disso.” Disse em resposta ao agradecimento, observando-a com o olhar entristecido enquanto ela lhe acariciava o rosto; em qualquer fantasia sua de um dia voltar a rever Lux, nunca imaginara que seria sob circunstâncias tão ruins. Ela agora falava como se estivesse se despedindo dele novamente, parecia que os papéis haviam se invertido da última vez que se viram na igreja, mas era igualmente triste; no entanto, nenhuma das revelações trágicas que ela lhe fizera naquela tarde doeu mais em seu peito do que as palavras que ouvia agora, sobre amá-lo. Max baixou a cabeça por um instante, emitindo um suspiro igualmente pesado enquanto o coração tornava a acelerar; mais uma vez, aquela conversa tal qual a da igreja estava acontecendo fora do timing, e ouvir aquilo vindo dela agora parecia tremendamente injusto embora ele pudesse lhe dizer a mesma coisa. De repente todos aqueles sentimentos que mantivera escondido ao longo dos últimos anos, os quais obrigara a enterrar a fim de seguir em frente, pareciam voltar à superfície deixando-no confuso, para dizer o mínimo. “Não me fala isso… não é justo com a gente, Lux…” Murmurou. Queria poder dizer que sentia o mesmo, ceder ao impulso e à vozinha insistente que nesse exato instante lhe atormentava dizendo que largasse tudo e fugisse com ela, mas sabia que hoje em dia precisava ser racional. Não havia mais espaço para o Max porra louca que não media as consequências de seus atos, a situação era completamente diferente agora e o fato era que eles haviam perdido seu momento de ficar juntos; tudo aquilo, todas aquelas declarações de amor deviam ter acontecido muito antes dela se envolver com Ryan. “Acho que perdemos o timing pra isso…de novo.” Disse num tom gentil, tomando ambas as mãos da morena nas suas e as elevando até os lábios, depositando um beijo carinhoso no dorso de ambas. “Mas ainda podemos ser amigos?! Isto é, se você pretende continuar por aqui.”
Lux não queria perder Max por mais que estivesse com outra pessoa, definitivamente não queria deixá-lo para outra e se conformar com a situação, queria correr atrás do tempo perdido e poder mostrar para ele o quanto ela valia a pena apesar de todo seu histórico ruim de ultimamente. Tinha muito carinho e amor por Max, não esperava que as escapadas constantes dos dois fossem refletir em um sentimento genuíno dela para com ele. Mesmo que ele estivesse com Alyssa, sabia que no fundo era Lux que ele realmente amava, o que tiveram no passado pode ter sido considerado um passatempo, contudo cresceu com avidez em ambos. A morena estava se sentindo extremamente segura ao seu lado e não queria ir embora, porém não tinha lugar para ele em tal momento, Max estava em um momento família que Lux não fazia parte, queria poder passar a tarde com ele, jogando conversa fora e o conhecendo melhor, sabendo mais de seus gostos e preferências. Seus olhos estavam tristes e seu polegar corria pela bochecha de Max com delicadeza e mesmo passando por toda violência doméstica e as traições, Lux se sentia pronta para recomeçar. “Max, eu não vou desistir de você.” Negou algumas vezes com sua cabeça e suspirou profundamente, dessa vez segurando as mãos dele com firmeza, com seus olhos fixos aos dele. Lux não queria sair da casa de Max pensando que tudo estava perdido, fazia parte de si trazer Max para perto e não perder o único homem que fazia com que ela se sentisse única. “Não.” Pressionou seus lábios com um sorriso debochado é característico em seu rosto. “Eu sei como eu estou e o que eu tenho passado, mas eu não vou ser mais uma coitada e aceitar o pouco, que não é o que eu mereço.” Indagou, erguendo uma de suas sobrancelhas, meneando sua cabeça, abrindo um sorriso em seu rosto. “Eu não vou desistir de você, Max, você ainda vai me ver muito...todos os dias se possível.” Soltou uma das mãos que estava segura com a do homem, levando a mesma até a lateral do pescoço de Max, com seu polegar fixo na bochecha do homem. Aproximou seu rosto do rosto de Max, fazendo menção em beija-lo, desviando seu rosto até a bochecha livre em um beijo leve. “E eu falo sério” Sussurrou com seus lábios próximos da orelha do homem, afastando-se instantaneamente. “Amanhã a gente se vê de novo.”















