“Eu sei do que você gosta mais.” Lambeu os lábios antes de se aproximar, baixando a voz como se para contar um segredo absurdo. “Você ama quando eu pago a conta.” Os dois tinham dinheiro, era inegável e gritava das roupas que usavam, mas havia algo prazeroso em assumir um ato tão generoso desses. Guillermo sabia bem o que era, mas palavras não descreveriam corretamente o que era. “Só não vamos esperar que esse empurrãozinho vire casamento. Lembra de Genevieve? A herdeira do couro? Os pais a casaram com outro herdeiro e aumentaram a empresa em 60%.” Dos pais, tal proposta nunca chegaria, e por dois motivos. 1) Os pais não acreditam que casamento deve ser usado como moeda de troca em transações. 2) O filho é por demasiado ele próprio para se submeter a decisões assim. Afinal, filho de peixe… “Não vamos forçar a barra ou eu perco a confiança em você. Assim como eu, sei bem que encontraria uma diversão aqui no campus. Nada que chegue aos meus pés, claro, mas total tédio?” Ele fez uma careta engraçada e deu de ombros. “Oh no, você não sugeriu isso. Lapis Lazuli, você não insinuou o que eu estou pensando que você insinuou. Será o que os nomes deles são Cersei e Jaime? Agora… meloso… Um pouquinho demais, mas não tão repreensível assim. Qual é, não queria um pouquinho disso num romance? Nem um tiquinho?” O sotaque espanhol, assim como certas pronúncias, insistia em aparecer em cada poucas palavras. Guillermo se sentia mais à vontade com quem ele gostava e Lazuli o deixava completamente livre para ser o que quisesse. Assentiu com o aviso e moveu o rosto para encostar o nariz na lateral do dele. Tinha seu jeito de ser discreto ao levantar a mão e afastar os cabelos do pescoço da mulher, de arrastar os lábios pela maçã do rosto e discretamente olhar para o casal enquanto deixava um beijo casto na pele macia. “Mi corazón, tão bela e tão esperta.” Guillermo voltou à posição original, recostando-se na cadeira e jogando uma perna para cima. “A semana inteira usando o mesmo tipo de roupa? Ay caramba. É a semana de orgulho ao Rock e eu não estou sabendo? Porque eu tenho as minhas surradas guardadas e esperando essa oportunidade. Você seria minha parceira nessa aventura estilosa? Eles se amam… Dá para notar, talvez estejam vivendo uma fantasia? Namorar como se estivesse no clipe do Youngblood.”
💎 Sabe é? E o quê mais eu gosto? — indagou interessada, inclinando a cabeça suavemente para a direita sem desviar os olhos claros do rosto dele. O corpo feminino arrepiou suavemente quando ele falou em seu ouvido — algo um tanto involuntário, por assim dizer — e ela deu um sorrisinho divertido — É claro que eu amo, afinal, você não negaria algo pra mim. Não é mesmo? — mordeu o lábio inferior levemente, olhando-o como se desafiasse o rapaz negar aquelas palavras. Ela podia muito bem pagar a sua conta e quantas outras quisesse, mas gostava de sentir que o rapaz fazia aquilo para si sempre que pedia, então, porque não aproveitar? Uma expressão de horror tomou conta do belo rosto de Lazuli quando ele falou sobre virar casamento, aquilo era longe do que ela tinha pensado, porque sabia que os pais de ambos jamais teriam um pensamento do século passado. — Dio non voglia*, sabe que isso jamais vai acontecer. E eu me lembro bem dela, aquele casamento foi tão sem graça quanto uma tentativa de festa feita pelos bolsistas. — virou os olhos só de se lembrar e agradecia que seus pais nunca fossem sugerir uma coisa daquelas, porque sabia muito bem que não fariam nada que ela não quisesse e se fizessem, a loira sabia muito bem como fazê-los mudar de ideia. — Perde? Isso é novo para mim. Encontraria uma diversão, não vou mentir, mas creio que não fosse ser tão divertida, entende? — piscou para ele com um sorrisinho travesso nos lábios, ajeitando a postura e jogando os cabelos brilhante para trás com elegância. O sorriso travesso foi substituído por um maldoso logo que Guillermo começou a falar sobre o casalzinho sem graça, piscando inocentemente na direção dele como se não tivesse dito nada tão pesado assim — embora fosse totalmente o contrário — Eu? Jamais insinuaria algo assim — começou a falar como se fosse algo horrível a se pensar sobre ela, levando a mão ao peito de forma teatral, embora o brilho maldoso nos olhos azuis deixasse claro que era tudo uma encenação — que sabia que o rapaz conhecia bem — Não, eu não quero melação em um romance. Isso me enjoa, parece até que não me conhece, amore mio. — apoiou as mãos na mesa, olhando rapidamente por cima do ombro uma última vez para ver aquele casalzinho meloso antes de novamente voltar sua atenção para o maior sentado na sua frente. Gostava de ficar com ele, porque afinal, não precisava fingir ser uma garotinha simpática que falaria com qualquer um e podia simplesmente ser ela mesma… cruel e maldosa na maior parte do tempo, mas sabia que Guillermo não ligava muito para aquilo, o que lhe deixava ainda mais confortável. A Pavanello esperou ele olhar para o casal “padrão ensino médio”, dando um sorrisinho com o beijo em seu rosto antes de levar a mão a boca para esconder o riso diante dos dizeres do amigo. Realmente, ele conseguia ser mais maldoso do que ela, quando queria. — Infelizmente eu vou ter que passar, essas coisas de rock não combinam nem um pouco com meu estilo, sem contar que seria uma tragédia social eu fazer isso… e você também, então nem pense. Ou talvez simplesmente não tenham saído do ensino médio, onde casais assim são até um padrão e conhecidos.