-Sobre as dores?
existem várias, da alma, do corpo, do coração, dor moral, dor pelo outro...a vida em si é dor, eu? Sinto a dor da saudade, que também é uma forma de cor convencida, aquela dor que precisa se sentida pra passar, não tem remédio que cure, milagre que faça, é só aquilo ali mesmo faca na carne quente, tecido rompido, vermelho escarlate. A dor que faz morada em mim se apresenta sempre quando ninguém ajeita os travesseiros, as risadas altas que fazem tanta falta, o perfume, que saudade daquele cheiro, daquele sabor, daqueles olhos, me afogo em lembradas armagas que antes eram doces. Romper com o passado é quase como ter que nascer de novo, ouvir o próprio grito de choro confuso, vindo de pulmões novos que experimentam o ar pela primeira vez. Com sorte, antes do fim dessa vida alguém me inventa uma máquina do tempo, caso não, cabe a mim o ardoroso processo de me perdoar.
Feliz aniversário dor, lhe desejo pouquinhos anos de vida e que logo se vá



















