Vou te escrever em texto corrido aqui que fica mais fácil.
Fiquei feliz em saber de tudo que me escreveu. Busquei no ig e vi fotos que me deixaram feliz, porque você parecia genuinamente feliz. A pequena é linda e filhos são fonte de energia e vitalidade.
Você sempre tendeu pra lugares mais frios né? Conheço apenas Curitiba, Morretes e Ilha do Mel no PR. Eu adorei, principalmente a capital. Cidade bonita, organizada, eu lembro que na época pensei que gostaria de morar por lá.
Agora falando sobre carreira, concordo com você sobre a ideia que nos venderam. A verdade é que ninguém te fala como é mesmo o mercado até você encontrar ele, e as pessoas de fora imaginam coisas totalmente alheias à realidade.
Sobre onde eu estou… Acho que até eu, quando me formei, imaginava que 5 anos depois estaria concursada. O tempo passou rápido e a sensação que tenho é que não caminhei quase nada. Mas vamos aos fatos:
Depois que eu me formei em 2019 entrei em um cursinho e comecei a estudar. Em 2020, com a pandemia, o isolamento só acabou de trazer à tona uma depressão que já dava alguns sinais. (Sigo em tratamento) Sempre gostei muito de “sair pra vida”, ter contato com outras pessoas. Eu recebi logo em seguida um convite pra um estágio de pós graduação, no gabinete de um Juiz de Família. A conclusão que todos chegamos (eu, psicóloga, psiquiatra, família) é que seria bom pra mim voltar a ter uma rotina e realmente foi. +- 2 anos depois, quando meu contrato acabou, me foi oferecido um cargo de assistente de juiz, onde eu fiquei por mais 2 anos.
Faz quase um ano que eu saí do cargo, porque muitas das promessas e expectativas não se cumpriram. Logo, eu me vi trabalhando 12h por dia em algo que não levava meu nome adiante, era incompatível com estudos e não tinha perspectiva de crescimento. Tinha absorvido toda a experiência que precisava e comecei a me sentir estagnada.
Esses anos foram suficientes para perceber que eu gosto de trabalhar com pessoas e apesar de sentir que tenho certa vocação para a carreira da magistratura, o caminho pra chegar lá não é pra mim, envolveria abdicar de coisas que não são negociáveis, e eu gosto muito mesmo é de sentir a transformação e o impacto.
Agora fazem 8 meses que estou empreendendo como advogada autônoma. Exige muita resiliência e sei que as ansiedades do trabalho autônomo só estão começando, mas me sinto com mais propósito a maior parte do tempo.
Aliás, atuo com direito civil, foco em família e sucessões. Estou me esforçando pra entrar nas redes como profissional, mas não levo muito jeito e sofro bastante pra produzir conteúdo que não rende kkkkk não é natural pra mim. Se ainda não viu nada, deve encontrar sem esforço se estiver curioso.
Além do profissional, ainda moro com a Camila, mas planejando o meu cantinho e me organizando financeiramente pra isso.
Sigo muito envolvida com esportes e é o que me ajuda com tudo. Vôlei, beach, bike, corrida, natação. Continuo gostando de música, livros e estudar.
Não mudou muita coisa, mas mudei bastante, amadureci. Essa é a sensação que eu tenho. Recomeçar, ou começar numa carreira do zero é desafiador e eu me sinto sempre “atrasada” ou “pra trás”, mas faz parte de uma cobrança pessoal que sempre existiu.
Agora penso em pets, um escritório só meu (sem espaço físico ainda kkkk), uma saúde estável e funcional, e tenho tentado deixar as coisas acontecerem mais naturalmente e aproveitar meu tempo pra viver e aproveitar a vida do lado da minha família.
Ps: conclui que seu tempo é mais raro que o meu nessa fase, afinal
Ps2: espero que você esteja real e genuinamente feliz como está, torço pra isso sempre
Ps3: desculpe a demora em responder, agora que as coisas se acalmaram












