18.12
Era uma manhã fria, 05h30min AM do dia dezoito de dezembro de dois mil e quatorze – para ser mais precisa, as contrações haviam começado e nem um banho quente conseguia amenizar a dor. Minha gestação tinha acabado de completar 26 semanas, não havia motivos para o meu bebê resolver vir ao mundo tão cedo, tão pequeno e tão indefeso.
Demos entrada ao hospital e fui direto para a sala do obstetra para ser analisada. Foram poucos segundos que deixaram ouvir o coração do meu bebê, a primeira e última vez até o parto. Fui encaminhada para a sala de pré-parto, na qual, fiquei cinco horas sem a presença do meu esposo e de qualquer enfermeira orientando e supervisionando. As dores só aumentavam, cada vez ficava mais insuportável e tudo o que eu mais queria, era ir para o quarto com o meu filho nos braços. Cinco horas se passaram, mandaram meu esposo voltar para a casa, pois não haveria esperanças do meu filho nascer vivo, e finalmente já estava com dez dedos de dilatação. Fui para a sala de parto e a máquina de sucção já estava pronta para ser usada, o que me traumatizou mais um pouco.
João estava com o cordão umbilical enrolado em seu pescoço, mas não houve outras complicações, porém, não ouvi seu choro e rapidamente foi levado para outra sala. O desespero foi imenso, não sabia o que estava acontecendo com o meu bebê e ninguém me falava nada, apenas pediam para eu ter calma, mas como me acalmar numa situação dessas. Depois de todo o procedimento pós-parto, me colocaram em uma maca no corredor da maternidade. Fiquei lá por horas, nem me lembro quantas foram, pois acabei dormindo e acordei com a enfermeira me chamando para amamentar meu filho.
Ele era tão pequeno, tão magro, não estava totalmente formado. Foram os cinco minutos mais felizes da minha vida, pelo menos, ele não estava morto e novamente, ele voltou para a incubadora. Resumindo, João nasceu com um quilo e oitocentos e vinte e seis semanas.
Depois de muito tempo, me levaram para o quarto e recebi a visita do meu esposo. Desesperado, foi correndo para o berçário e quando voltou, via lágrimas em seus olhos! Sentia-me a pior mulher do mundo, me culpava toda hora por ter feito isso com o meu bebê. João ficou dois dias na incubadora, tomava fórmula e eu nem podia vê-lo, ficava em meu quarto acompanhada de outras duas mães com os seus filhos e a tristeza batia mais forte, queria meu bebê logo nos meus braços e todos me impediam, mas graças a Deus, o João se mostrou apto para estar com a sua mãe e voltou para mim. Não largava ele um minuto se quer, nem dormia de tanta felicidade e já estava tudo certo para voltarmos para a casa.
Mas como dizem “felicidade dura pouco”. João não tinha o peso necessário, a taxa de glicemia estava muito baixa e engordava apenas cinco gramas por dia. O natal estava se aproximando e eu já estava perdendo as esperanças, até que na madrugada do dia 23 para o dia 24, meu pequeno não dormia, ficava mamando sem parar o que gerou 300 gramas a mais para o seu peso e a glicemia lá em cima. Foi um milagre! Ninguém conseguia acreditar quando as enfermeiras chegaram para pesá-lo. Ou seja, na véspera do natal estaríamos voltando para casa.
Foi aquela agitação sem fim, depois de seis dias internada, finalmente, estava arrumando as coisas para voltar. Até recebi visita da minha família que mora em outra cidade, Deus foi muito bom conosco. Nossa família teve um natal feliz e em paz. Agora, com dois meses, João já está muito bem. Pesa quatro quilos e está se desenvolvendo como uma criança de nove meses está super ativo e é a nossa felicidade.
Nossa história teve um final feliz mas o trauma ainda reside.











