Contendo a onda de ódio que subiu por seu corpo, Maeve respirou profundamente e pegou a mochila, jogando-a sobre o ombro. Ignorando o falatório da tia, ela abriu a porta e saiu, batendo-a as suas costas com força suficiente para fazer a mulher calar a boca. Respirando profundamente o ar surpreendentemente gelado da manhã, Maeve ouviu o estalo da janela, mas desconsiderou, sabia que estaria consertado quando voltasse.
A perspectiva de caminhar até Beacon Hills High School não era lá a das melhores, mas Maeve preferia o andar até o inferno do que ficar trancafiada com Gwen em casa por muito tempo. A simples ideia de olhar para a cara da tia a dava náuseas — e raiva. Por conta dela, Maeve fora obrigada a abandonar sua vida em Nova Orleans para ir para aquele buraco esquecido por Deus chamado Beacon Hills — e nem se dignava a dar uma explicação!
A única vantagem que a caminhada de meia hora teve foi que a raiva se dissipou no meio do caminho. Maeve tinha quase certeza de que aquela escola não aprovaria uma aluna explodindo alguém no seu primeiro dia — e, conhecendo sua sorte, ela poderia, de fato, acabar explodindo alguém. Após pegar seu horário, Maeve se dirigiu para sua primeira aula do dia: química. Ao se aproximar da mesa, fez uma careta ao notar que era uma bancada de dois lugares, o que significava duplas. O que implicava outro ser humano, que vinha com uma certa demanda de conversa e socialização, que era exatamente o que Maeve odiava fazer. Ela não era muito boa nesse negócio de conhecer e encantar pessoas. Sua tia dizia, bem gentilmente, que ela grossa e cáustica demais para os padrões humanos.
Ao se sentar no banco próximo a janela, ela não pode deixar de pensar, por algum motivo, em Crepúsculo. Se algum vampiro entrasse por aquela porta, ela não iria se surpreender muito, considerando sua vida. Puxando o caderno e a caneta da mochila, ela mergulhou, por poucos minutos, nos rabiscos que estava fazendo na ultima folha, perdida em pensamentos. Então, subitamente, uma voz tira Maeve de seu devaneio. Piscando, um tanto atordoada, ela notou a sala já lotada e o professor a frente da mesa. ❛ Sorry, what? ❜ disparou, franzido as sobrancelhas, ao finalmente notar o garoto parado ao lado da mesa.
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