eu queria te dizer que nunca estive com a faca entre os dentes e com o sangue nos olhos. não sei se por ausência de oportunidade ou necessidade.
minha raiva nunca foi usada como gatilho para ataque.
ser pacífico nunca foi sinônimo de vulnerabilidade.
quando algo me faz mal, eu me afasto, mas não o faço com a agressividade de quem arranca band-aid preso em pelos.
calmamente, eu vou olhar no fundo dos seus olhos e dizer
“estou indo. é apenas por isso…”
e sigo.
eu queria te dizer que o fato de ser só me dói, mas é algo meu.
entenda que não é sobre o peso ou culpa que se sente ao ver os danos causados por uma ruptura.
talvez seja sobre algumas confusões que me engolem quando paro para pensar sobre a lealdade que não precisei te jurar.
pode ser sobre a forma como projeto em você um término de algo que durou oito anos e que deixaram marcas que ainda hoje são lembradas todas as vezes em que você se vai.
marcas essas que carrego até hoje, quando lembro dele falando “você vai ser para sempre um fudido sozinho”.
talvez o problema seja como sempre eu volto a me sentir esse “fudido sozinho”.
eu queria te dizer que eu sempre soube que nós não éramos para sempre. o elo que me unia a você era algo extremamente único, mas de alguma forma eu sabia que não era um espaço que você gostaria de ocupar por muito tempo.
eu sabia que por mais que eu te amasse muito, se não fosse confortável para você, ali você não ficaria.
e você simplesmente foi.
e você simplesmente quis ir.
meu erro. minha culpa.
meu erro. minha culpa.
meu erro. minha culpa.
perda de confiança.
ser desleal.
ser faca.
e o vão que se formou entre nós foi a consequência.
eu queria te dizer tanta coisa.
mas agora, talvez seja tarde demais.
só resta seguir com o silêncio.