Você não tem noção do que uma pessoa é capaz de esconder de você.

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@manualdosuicidio
Você não tem noção do que uma pessoa é capaz de esconder de você.
Eu poderia postar que "cansei de te amar", mas eu estaria mentindo pra você e pra mim, mas talvez esse tipo de mentira fosse a única em que eu pudesse usar para libertar uma verdade oculta, daquela que fica engasgada mas não dita, por entender que não somos mais por nós.
E eu que nunca aceitei passar em vão pela vida de alguém, tenho que me conformar em ver esse vão que ficou entre nós.
Eu tenho aquela sensação todas as vezes que vejo algo romântico na Internet ou na rua, de que era para sermos nós. Logo em seguida minha mente mergulha em uma enxurrada de pensamentos do porquê você escolheu fazer o que fez, será que em algum momento você também pensava que poderíamos ser nós, ou seu "nos" era com outra pessoa na cabeça?. Dado a atitude que você tomou, eu não sei quem estava te ganhando, mas já não era eu, ou nunca foi.
Se eu sequer imaginar que posso estar sendo enganado, eu pegarei minhas coisinhas e vou embora, eu não tenho mais medo de dizer adeus, mesmo com o coração cheio de coisas pra dizer, hoje entendo que se houve espaço mínimo para que alguém me fizesse sentir inseguro, já não há mais espaço para nada.
Não seja misericordioso com quem faz o mal, e gosta disso.
Não importa quantos anos você tenha ou quantas coisas você viveu, poema é poema e ele tem que ser dito.
Coração, o que mais você quer de alguém que já disse, “não”.
As coisas não acontecem como a gente quer, nem como a gente não quer, as coisas nunca pedem nossa opinião.
Tudo que amei, amei sabendo que acabaria. Mas você, eu não queria que acabasse.
E quis ser tudo, menos eu, só porque você não gostava de mim.
Eu sinto do fundo do meu coração que eu não te esquecerei tão cedo, e isso é uma declaração de amor.
E eu, que desconfiava de tudo, acreditei em você, e você mentiu.
Hoje eu ouvi:
“Cara, as pessoas tem filhos, elas se apaixonam, amam, constrói uma vida. Você não pode achar que uma pessoa esteja em qualquer lugar do mundo pensando em você como você pensa nela, porque por mais que machuque, talvez você nem passe mais pela cabeça dela.”
Mesmo nos escombros do que fomos, no resíduo amargo da toxicidade que exalávamos, a sua memória ainda insiste em respirar aqui dentro.
Eu decifrava, por trás da sua fúria e defesa, o choro miúdo de uma criança indefesa. A alma ameaçada se vestia de raiva para sobreviver ao mundo. E eu enxergava o seu desejo cru por paz, por simplesmente ser feliz.
Éramos náufragos da nossa própria imaturidade, presos no labirinto de quem ainda está aprendendo a amar. No silêncio de tudo, sei que você também desejava o porto seguro.
Apesar das cicatrizes que me presenteou, a minha fé na sua essência permanece, teimosa.
Hoje, a distância é a nossa única trégua, a única clareza possível. E é do longe que meu amor, puro e desarmado, te alcança. Juro, pela verdade que me resta, que a sua felicidade é a última prece que ainda faço.
A gente amadurece o olhar sobre a poeira que ficou, e digo, com a serenidade de quem sobreviveu: está tudo bem. A ausência de rancor é a minha rendição final.
Se o amor não soube morar perto, que ele te encontre, silencioso e forte, na imensidão que nos separa agora.
As pessoas se aproximam, oferecem suas vozes, desnudam seus afetos. Mas eu sou um paradoxo imune. Enquanto o mundo se derrama à minha frente, meu olhar permanece fixo em um único ponto da minha vida interior: o canto esquecido de uma sala vazia, o vestígio de uma casa que já foi lar.
É ali, nesse limiar da memória, que me torno estátua. Assisto ao fluxo da vida sem que uma única onda de sentimento me alcance. Mantenho-me lúcido apenas para a execução do ofício, a engrenagem fria do profissional. Mas ao primeiro sussurro de afeto – esse espectro de amor que se recusa a morrer – meu ser estilhaça.
Quebro-me em um milhão de fragmentos onde a realidade perde a crença. A certeza torna-se a desconfiança: a ternura é uma encenação; o outro, um mentiroso convicto, guardando vidas inteiras que não me incluem.
Tantas existências poderiam ter sido as minhas, mas eu ainda estava lá, naquele canto mental, aguardando o resgate que é, invariavelmente, um presságio de morte. Fui salvo, sim, mas o socorro nunca durou mais do que o tédio de quem o oferecia. Chegou a primeira rotina, e logo depois, a inevitável partida.
Para sobreviver a essa reincidência, não restou alternativa senão o exílio emocional. Não é que eu tenha aversão ao amor; é que me tornei incapaz de enxergar qualquer um com a antiga ternura. A ausência não é uma escolha, mas uma falência.
Não anseio por paixão, nem sinto a falta do frio na barriga que denuncia a vida. É mais devastador: eu simplesmente não sinto nada. O absoluto e aterrador nada é o único inquilino que restou em minha sala de estar.
Quando me imagino mentalmente, vejo-me mais jovem dentro de uma sala de dois sofás, sentado no canto dela abraçado com os joelhos ouvindo o barulho do cair de água de uma antiga fonte de água e fora isso um silêncio e um olhar fixo com pensamento acelerado de lembranças que se atropelam na cabeça gerando dor de cabeça falta de foco, insônia e incapacidade de refletir.
Não se preocupe amor, eu sei que te dei algo que você nunca teve, mas entre amores e dores eu entendi porque você nunca teve. Eu enterrei você antes que você fechasse os olhos, mas continuamos a dar amor a quem já não habita nosso mundo, o amor ainda existe nas mais confusas poesias.