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@maredestrelas
os cafés da manhã com você aprendi a importância de determinadas refeições começar o dia bem alimentado, você dizia sem pretensão lembro da manhã que caminhamos até aquela loja de produtos naturais (vulgo superfaturados) você fitou aquela chipa gigantesca e eu só conseguia pensar no quanto éramos felizes quão tão pouco pode parecer clichê (e que pareça!), mas do seu lado, o pouco me bastava o pouco era suficiente sair todas as quintas para a feira e voltar com centanas de sacolas de coisas que eu tinha certeza que você não comeria porque no fim você escolheria comprar um espetinho na esquina de casa e, mesmo tendo certeza das suas escolhas, eu continuei te escolhendo todos os dias você foi para mim aquilo que eu nem sabia que precisava, como um guarda chuva escondido no fundo da bolsa em dias imprevisivéis mas, assim como os dias de chuva, tudo passa e não sabíamos como lidar com os raios solares que nos encontravam naquele quarto com cheiro de desodorante eu não sabia lidar com tamanha luminosidade me questionei diversas vezes se eu não sabia como carregar a felicidade, já que por tantos anos apenas carreguei um balde de tristeza a resposta? não encontrei até algumas semanas atrás lendo um texto seu, como quem tem saudades, percebi o que você já havia notado: não permaneço em água morna fico aonde faz o meu coração pulsar, porque o mundo é muito pequeno para tudo aquilo que eu carrego aqui e, independente para onde eu seguirei, te carregarei comigo até que todos os meus amores vividos se tornem muito maior do que eu
Larissa sem L.
pensando aqui, como quem não descansa e prefere descascar todas as camadas da cebola, a expectativa frustrada é um grande buraco que come a gente como miíase em ferida aberta de dentro para fora eu controlo cada olhar, cada expressão, cada palavra fecho os olhos e respiro fundo: quem sou para me intrometer? exato, sou aquela que não poderia proporcionar essas sensações que tanto você rega sou aquela que poda e eu só quero te ver florescer porque, no fim, amor é isso. é não entender, é não ouvir nada além do desejo de ser o objeto do seu carinho e das suas palhaçadas por mais que existiram nossos momentos, eles não eram mais nossos e talvez é isso que doa perceber que essas mudanças me distancia da sua singularidade no fundo, existiu uma parte de mim que acreditava em resgatar o seu olhar aquele, o olhar de quem se interessa por cada letra verbalizada, por cada detalhe não verbalizado o que eu sinto é que não me encaixo nesse novo quebra cabeça que você está montando e, para ser honesta, sei que mesmo se encaixasse gostaria de ser a peça perdida, porque não estou pronta para viver essa mediocridade do cotidiano e, para ser ainda mais honesta, percebo que a razão acompanhou cada palavra sua dita anteriormente: "você sente falta de ser o centro, o meu centro" sim, eu sinto falta, porque, em alguns momentos como esse, é avaçalador sustentar o meu próprio centro observo a maneira como você divide o cheiro do sabonete líquido e até nesse mero ato há amor um amor que não posso receber e nem dar, mas, por uma fração de segundo, acreditei que poderia naquele instante, naquele exato momento que te vi respirando com desprezo aquele trago do passado, eu ainda acreditei que poderia ser diferente, mas eu sabia que algo havia mudado e mudou ainda que tenha demorado para ser, está sendo, mesmo que não da maneira como sempre foi me acostumei com você voltando para a nossa incerteza, porque essa era a única certeza que existia entre nós
Larissa sem L.
te escrever é fácil atualizar como estou, por onde caminhei e quais tropeços aconteceram sinto que preciso que você saiba para que talvez, lá no fundo, ainda exista uma parte de alguém que olhe meu desamparo você me (re)orientava, (re)calculava a minha rota com o passar do tempo isso foi se perdendo inclusive, várias coisas se perderam ao longo desses anos meus cabelos não são mais coloridos não mais devoro livros de romances no fim, sentando a mesa e observando o que tenho hoje, percebo que também me perdi perdi uma parte importante de quem sou como nunca tinha acontecido antes, nem quando você partiu acredito que seja diferente se perder de si mesma porque ainda estou aqui, mas algo de dentro mudou e a gente compreende que é definitivo aquilo que se perdeu não encaixa mais então, o que resta, é olhar para esse vazio, apesar do medo, apesar do susto, apesar dos apesares porque assusta, causa rebuliços internos que a gente não gostaria de lidar quanto tempo eu passei correndo da verdade a ponto dela adormecer? Não quis escutar, escutar doía como uma esfinge sendo arrancada do nosso peito porém, a ironia é que, sem perceber, a esfinge foi colocada por mim mesma.
Larissa sem L.
estar com você nunca deixou de ser infinito te ver aquele dia saindo do carro, depois de tanto tempo, pareceu tão natural sentar na cadeira da sua cozinha enquanto conversávamos foi como estar diante do desconhecido e, ao mesmo tempo, conhecido ás vezes me questiono: o que é tudo isso que eu carrego? é um sentimento avassalador que em certos momentos dói novamente ser impotente diante a realidade, diante a vida te vejo lentamente caminhando por outra direção sem minha companhia mas não posso dizer que não imaginei que isso poderia acontecer algumas vezes esse pensamento passou ligeiramente, como quem tem pressa e não quer ficar talvez, porque eu não queria que ficasse confesso que me ceguei nesses últimos meses, reguei expectativas e desejei com todas as minhas forças te ter, agora com um pouco mais de maturidade então, quando você solicitou brevemente a revisão de tudo aquilo que estava acontecendo entre nós, eu entendi que estava sendo atravessada por uma série de coisas que não estavam sob nosso controle e que não posso a todo momento me deixar ser levada pela correnteza e não vou mentir e dizer que não te sinto escorregando entre meus dedos de novo, porque eu sinto e, como sempre, não sei o que fazer, o que falar e o que tentar no fim, permaneço em estações que não sei andar exatamente por ter me permitido apaixonar outra vez por aquilo que você se tornou e isso não é uma acusação, é um mero fato que alegro ter acontecido e olho ciente das consequências que independente de quais forem, as sentirei sem censura.
Larissa sem L.
há caos no que você acha ser calmo em mim.
vejo as fotos do primeiro show que fui com você são as únicas memórias que me restaram: uma complexidade de luzes que só quem estava presente consegue identificar, lembrar e sentir confesso que na época só conhecia duas músicas do Teatro Mágico, e uma delas me fazia lembrar de outra pessoa lembro de estar ali, do seu lado, explorando o meu "sim" enquanto percebia o passado se dissolver, assim, em uma música após isso foram incontáveis os momentos em que estivemos juntas, e o quão assustada eu estive na maioria deles no quanto muitas vezes eu só conseguia pensar nas pessoas a nossa volta o que eles estariam pensando? o que eles estariam planejando? o que e a quem eles estariam contando? eu confesso, tive medo, como tenho até hoje, de ser além daquilo que construí e eu admirava tanto a forma como você enfrentava o mundo fora do seu quarto, como você simplesmente pegaria na minha mão e percorreria a andaló inteirinha sem se preocupar com tudo aquilo que eu me preocupei ao invés de aproveitar cada segundo ao seu lado
Larissa sem L.
eu te amei como quem não tem dúvida, como quem não tem medo, como quem se joga de um penhasco sem paraquedas. nunca imaginei que doeria tanto não te ver correndo torto pelas ruas, não sentir o seu cheiro ruim e bom ao mesmo tempo, não tocar no seu pelo embolado, não reclamar do espaço da cama que você ocupa. hoje eu vejo que faria de tudo para ter pelo menos mais um almoço com você no meu colo, de te carregar pelo menos mais uma vez enquanto você finge ser um bebê que não cresceu e, no fim, perceber o quanto você está pesada. vejo os seus vídeos e sinto que são as únicas coisas que me restam de você, e eu sinto uma vontade imensa de entrar ali, de estar perto mais uma vez. revivo os últimos dias que te vi e me arrependo de não ter ido mais vezes te ver, te relar, te cheirar. se eu soubesse que eram os últimos minutos ao seu lado, eu teria largado tudo, porque é exatamente isso que você merece. exatamente isso, sem por nem tirar, porque foi isso que ganhei vivendo esses dozes anos ao seu lado.
Larissa sem L.
hoje me questionei: por que não escrevo? a escrita que tanto já me fez canalizar emoções que estavam fora do meu entendimento. a escrita que tanto me acolheu nos momentos que precisei e não precisei. a escrita que já olhou docemente com o seu silêncio desenfreado para o meu emaranhado de fios que não se conectam por alguma razão. não sei. talvez esse espaço em branco me assuste: seria loucura minha fugir da verdade? mas, afinal, que verdade? exato. não sei, porque não a encontro, não a escuto, não a vejo. sei que está lá, me procurando entre os fenos de um celeiro abandonado. eu corri porque dói, e é uma dor insuportável que me transporta para um vácuo que suga tudo de mim, tudo de nós. a gente é forte até não ser mais: eu me perdi, entende? e não sei onde. olho para todas as minhas curvas e só encontro um espaço em branco como este que está sendo preenchido por frases sem sentido, sem conexão, sem coragem de se enxergar.
Larissa sem L.
Por ternura, ajoelhei-me e abracei-a também. Estávamos todos por semelhante tristeza. Não havia uma palavra para o explicar. Era real e não se pronunciava. O meu pai anuiu. Algumas coisas, como deus, existiam sem nome. Talvez nós próprios fôssemos outra coisa que não aquilo que nos habituáramos a pensar ser”
A desumanização, Vater Hugo Mãe.
sonhei com você
a noite inteira
vários fragmentos de sonho
não lembro muita coisa com clareza
mas não preciso de muito
basta pensar
em cada parte do seu corpo nu
que vi e toquei de todos os pontos de vista
do seu calor contra o meu
dos nossos corpos juntos
em vários lugares
como um sonho
divididos em pequenos pedaços
de caco de vidro
10 minutos. Se eu o tivesse, Quanta coisa teria a dizer? Quanta coisa teria a não dizer? O silêncio também é uma resposta. Uma resposta que eu interpreto com afeto, pois a gente se compreendia até nos vãos. Ensaio como seria te olhar pela última vez e uma lágrima escorre. Talvez essa seria a minha maneira de te dizer tudo o que não me coube falar: Adeus porque eu também te amo.
Larissa sem L.
“Odeio despedidas. Odeio dar tchau. Odeio chorar. Mas também odeio sofrer. Quero te dizer que esse mundo é injusto demais. Nele vivem pessoas cretinas demais. Já que estou falando no que é demais: fui honesta demais. Talvez esse tenha sido meu maior erro. Mas não sei ser de outra forma.”
— Clarissa Corrêa
a gente nunca sai inteiro de nada
sempre fica uns pedaços da gente espalhados pelo caminho.
quando as palavras não são suficientes, quando o silêncio não é mais suficiente, quando tudo o que está entre nós somos apenas aquilo que nos tornamos. existe algum ponto em que algo faça sentido? eu sou, assim, tão estúpida por fugir da verdade. a verdade que sabemos, mas adiamos. e por que raios adiar o inadiável? acredito que a resposta é óbvia: o amor nos prende. aquele amor que nos gruda ao telefone até as cinco da manhã. o meu apego é imenso aos amores que florescem de madrugada. talvez isso tenha algo que possa ser solucionado. mas, não por mim, não por você. a gente não se encaixa, assim como perdemos tantas peças que hoje o quadro não se completa. quero o leve suor dos pés ensaboados na cozinha de um fim de semana qualquer. e, olhe para mim, diga a verdade, não temos mais, não é? não temos.
Larissa sem L.