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nunca mais senti como se tivesse algo a perder
sei lá, eu tenho urgência de viver, acho que é isso.
ai as vezes eu sinto que tenho que colocar o pé no freio porque as pessoas não são assim.
elas são.... passivas.
vivem a espreita do que acontece ao redor, enquanto eu, quero influenciar como as coisas ao redor acontecem.
e é muito estranho ser assim porque parece que eu sou acelerada, apressada, intensa, ou como dizem hoje..... emocionada!!!!
teve um determinado momento da minha vida em que eu senti que perdi tempo, e desde lá, eu tento não perder mais. no fundo acho que quero recuperar esse tempo, e fazer as coisas finalmente darem certo, mas falho. e volto pra tentar de novo.
e no meio disso vem essa agonia, do agora, de fazer agora, pra ontem. e as pessoas não entendem, ou porque elas tem tempo, ou porque ainda não se sentiram como se tivesse o perdido.
e eu fico me controlando para não parecer isso ou aquilo, mas isso de fingir vai me corroendo por dentro.
por muitas vezes eu achei e me intitulei como sendo impulsiva, porque achava que eu nunca pensava antes de agir. mas depois de tudo, eu entendi QUE
1. tem situações que são repetitivas, então continuar nelas não faz sentido.
2. tem coisas que a gente sabe que não quer para a vida.
3. tem pessoas que a gente sabe que não quer na vida.
4. com 28 anos dá pra saber qual futuro, mais ou menos, você quer ter.
5. em algum momento da vida a gente sabe com o que quer trabalhar.
então não é mais impulso. é uma espécie de inquietação por viver em busca de algo que eu sei que mereço, pronto. ponto.
e aí eu aceito que eu sou isso, que eu sou assim.
as vezes esqueço do porque sou assim, por isso to escrevendo agora, porque por um momento eu quase me julguei adiantada demais.
mas não posso esquecer o que deixou assim.
só tenho essa vida.
tem umas coisas que eu sinto falta as vezes e agora que tô me sentindo sozinha, veio pesado demais
1. nunca mais eu chorei conversando com alguma amiga minha, então tem choro aqui entalado de tantos meses e por tantos motivos que se eu paro pra chorar agora não sei quando paro. e eu sinto saudades disso pq por mais que eu saiba lidar agora um pouco melhor do que antes com as minhas emoções, eu sinto falta do cuidado da amizade, das palavras, do carinho e da tentativa de me fazer rir no meio do caos. aí sinto falta da risada com o nariz entupido dps de tanto chorar. e do alívio que é.
2. tô com saudades de ir a praia. ultimamente não tem feito muito sol e quando faz, eu tenho preguiça. aproveito o tempo pra dormir pq ultimamente dormir tem sido algo muito difícil pra mim também, então quando consigo, não quero mais parar. mas tô com saudade do mar, do barulho, do sol, das pessoas, da perna suja de areia, do maré enchendo e quase levando minha sandália embora. saudade de passar bronzeador e protetor solar e do cheiro que a pele fica quando mistura tudo com a água do mar.
3. tô com saudade de sair sozinha. de ir num cinema, numa praia, numa excursão, numa lanchonete. saudades de sair e escolher qualquer coisa pra fazer comigo. acho que essa é a parte que eu mais sinto falta pq as vezes eu esqueço de mim. por mais que eu esteja sempre comigo, parece que é como se não estivesse. pq eu tô sempre disponível para as outras pessoas, até quando elas não querem ou não precisam. mas tudo bem, é de mim. esse dias eu até pensei em assistir pânico no cinema e desisti logo em seguida. parece que não tá valendo muito a pena conviver cmg. as vezes é difícil viver dentro de mim. mas tô com saudades mesmo assim.
4. tem outras coisas talvez, mas não sei expressar agora.
5. tô com saudades da minha psicóloga.
as mudanças sempre me assustaram até o dia em que eu me dei conta de que o tempo passa e não espera que a gente resolva alguma coisa.
então tudo o que vem na mente, eu faço. claro, sem imprudência, sem irresponsabilidade e sem falta de afeto. mas tudo o que impede minha felicidade, eu descarto. tudo o que me traz felicidades, eu abraço.
abraço forte ou solto de vez.
minha mãe as vezes fala que eu mudo rápido demais, que decido as coisas rápido demais, mas tô sempre com medo de tá sendo devagar demais. de ficar pra trás.
infelizmente ou felizmente, eu quero tudo para ontem. não por pressa nem urgência. acho que é mais pela lógica mesmo.
a vida não espera a gente querer viver. ela só acontece.
cada dia mais deslocada
eu só escrevo quando meu peito
tá muito cheio
e eu preciso transbordar
sem ferir ninguém
Se eu cair que não seja fatal.
Que me reste esperança, vontade de viver e de começar de novo. Dessa vez, se eu cair, que eu não quebre nada... que fique inteira a cabeça e o coração. Se a queda for muito alta, que eu pelo menos tenha algo pra me apoiar quando cair.
Se meu paraquedas não abrir,
que eu sobreviva, mesmo que aos pedaços.
Se não tiver socorro, que eu consigo me reerguer sozinha. Se a queda acontecer, e eu acredito que aconteça, por mais que eu torça que não, eu só quero continuar viva pra voar de novo e mais alto.
Se eu gritar e ninguém ouvir, que eu tenha força pra gritar ainda mais.
Se eu cair, que eu sobreviva.
Não é da queda que eu tenho medo,
é da morte,
do fim,
do nada.
eu costumava ter uma imaginação tão vívida escrever tão ferozmente criar tanto cenários e deixar as palavras tomarem conta de tudo não sei exatamente quando nem como isso se perdeu
não sei se de repente comecei a não ter mais necessidade de criar cenários, esses personagens que as vezes falavam comigo, de mim ou de outras coisas não-pessoal
as vezes me pergunto se isso foi uma escolha consciente ou se algo se desfez de maneira silenciosa? será que a necessidade de criar desapareceu com o tempo? ou simplesmente me acostumei a viver em um mundo mais palpável?
as vezes fico pensando se ainda sou capaz de sentir aquela mesma urgência criativa ou se a eu-mulher-mais-adulta de hoje só respira mais antes de se deixar ser engolida pelas palavras ou se ela se perdeu em algum canto esquecido da minha mente
mas,
sempre que tenho uma nova obsessão ou tô muito empolgada com algum tipo de coisa que eu descobri, sou consumida por ela de novo a minha versão que atropelava as palavras a curiosa a exagerada e intensa, a eu que não pontuava certo porque queria ser lida como escreve e era consumida por um desespero por uma fome por uma pressa
onde é que isso foi parar, ein?
lembrei agora enquanto escrevia isso da lorde que disse em uma música nova dela algo assim
"I become her again visions of a teenage innocence how'd I shift shape like that?"
tô imitando ela agora escrevendo isso
a eu-famita-curiosa-com-pressa-e-fome-de-mundo como eu consegui mudar assim?
porque o amor não é apenas desejar o bem do outro em sua essência, ele nasce dentro e se expande, flui pra fora alguma coisa assim deve fluir, não deve? devemos deixar fluir, não devemos? me diz alguma coisa, qualquer coisa, me fala que também se sente assim, que apesar das circunstâncias óbvias, você pensa com carinho em mim
que nesse movimento o amor não toca só quem recebe, mas também quem se deixa tocar e eu me deixo você sabe que eu deixo. você sabe que sim
eu te desejo uma vida de conforto e delicados silêncios, amores generosos (você vai mesmo sempre pensar em mim?) uma paz absurda, que desmonte suas estruturas, algo mais profundo do que sequer falamos, algo vasto, algo maior
(você vai mesmo sempre lembrar de mim?)
porque eu vou te pensar tanto eu vou sempre lembrar de ti
te convencer que aqui é um bom lugar é ato de loucura.
e eu confesso que escrever sempre me aliviou o peso de tudo como se a escrita fosse o meu processo de cura, de cicatrização. o problema é que ultimamente tudo tem sempre sido tão pesado porque para me curar eu preciso relembrar… relembrar de coisas que eu demorei muito para conseguir esquecer.
céu de júpiter e desonestos em: as vezes para curar é preciso doer.
somos temporais. uns mais que outros.
eu me lembro de você dizendo que eu era sua escritora preferida, isso quando você ainda me amava. agora eu odeio escrever. o único motivo pelo qual eu continuo com essa caneta e um pedaço de papel é porque meu terapeuta diz que é remédio.
mas eu ainda escuto sua voz dizendo que eu escrevo para ferir (como as coisas mudam né?) e eu não debato com ela porque você sempre tem razão.
fico pensando se você ainda escreve. eu acho que sim porque nós temos essa necessidade patológica de escrever. queria que você publicasse um livro para eu poder ler seus pensamentos.
você ainda é meu escritor preferido.
eu leio buk todos os dias.
acho que qualquer pessoa que é grande em amar é pequenininha em se despedir.
John and blues
a gente envelhece muito rápido tentando ser tudo.
is.
as coisas continuam mesmo que a gente fique para trás.
o inferno é o talvez.