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@metricasemrima
Maçã
Por um lado te vejo como um seio murcho Pelo outro como um ventre de cujo umbigo pende ainda o cordão [placentário
És vermelha como o amor divino
Dentro de ti em pequenas pevides Palpita a vida prodigiosa Infinitamente
E quedas tão simples Ao lado de um talher Num quarto pobre de hotel.
Manuel Bandeira em Estrela da Vida Inteira.
João Cabral de Melo Neto em A Educação Pela Pedra.
Não se mate
Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.
Inútil você resistir ou mesmo suicidar-se. Não se mate, oh não se mate, reserve-se todo para as bodas que ninguém sabe quando virão, se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico, a noite passou em você, e os recalques se sublimando, lá dentro um barulho inefável, rezas, vitrolas, santos que se persignam, anúncios do melhor sabão, barulho que ninguém sabe de quê, praquê.
Entretanto você caminha melancólico e vertical. Você é a palmeira, você é o grito que ninguém ouviu no teatro e as luzes todas se apagam. O amor no escuro, não, no claro, é sempre triste, meu filho, Carlos, mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.
Carlos Drummond de Andrade em Antologia poética (organizada pelo autor).
“A Cristo S. N. crucificado, estando o poeta na última hora de sua vida”,
de Gregorio de Mattos Guerra em Obras poéticas de Gregório de Mattos Guerra (1882).
Vinicius de Moraes, em Antologia Poética.
Necrológio dos desiludidos do amor (fragmento).
De Carlos Drummond de Andrade, em Antologia Poética.
eu não sou o espetáculo de alguns minutos que você assiste e vai embora depois de as cortinas fecharem
eu sou longa temporada que só fica em cartaz pra quem sabe se demorar.
Ryane Leão.
“Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão.”
Guimarães Rosa, “Grandes Sertão: Veredas”.
“El Castillo”, Jorge Mendez Blake.
Tudo é efémero: ontem escutava a tua voz hoje só o vento.
José Tolentino Mendonça.
Infância. João Cabral de Melo Neto em Pedra do Sono.
Cecília Meireles em Cânticos.
Carlos Drummond de Andrade em A Rosa do Povo.