não sabia que realmente precisava daquela aprovação quando ela veio, confirmada e explícita, dos lábios da melhor amiga. era uma brincadeira, um jeito de provocar, mas foi o suficiente para libertar o peito e respirar normalmente. pleno. — eu estava perto da mesa das bebidas. — comeu um pedaço da omelete e prendeu o garfo entre os lábios, os dentes mascando a ponta metálica enquanto travia a memória a tona. afastando decidido a névoa provocada pela bebida. — depois de umas… muitas rodadas de shots com Mary Alice. então… você sabe como eu estava. — quando tinha a boca dormente e as costas moles, muito feliz e animado com a roupa que só tinha trazido inconvenientes o dia todo. — o beija-flor caiu de novo e ela pegou. só deu tempo de travar quando ela começou a falar. elogiou minha roupa, repetiu aquela mesma conversa para reatar e me puxou. porque eu tinha me baixado para ouvir ela, nee? — pousou o garfo para pegar o suco, mas acabou só por ficar segurando, perdido em pensamentos. — na hora não consegui entender porque parecia tão familiar, mas agora… sabe aquela cena da patricinha suprema do filme lá… das quartas usamos rosa? foi assim mesmo. ela me beijou, mas me afastei logo. eu acho que disse não, não quero mais, e me afastei. fui para perto do palco, vi a apresentação de uma menina e me distraí por diante. — repassou, procurando algum detalhe que tinha deixado passar. — é, foi só isso mesmo. e… acho que é oficial. terça, se você não tiver nada, quer me ajudar a esvaziar a gaveta? bee deve tá desocupada nesse dia, se meus cálculos estiverem certos.
A morena soltou um riso curto, sabendo muito bem como Nash ficava quando bebia, aliás, adorava quando ele conseguia se soltar mais. Um pouco menos preocupada com o assunto que tratavam, María continuou a comer sua salada de frutas, terminando enquanto ainda ouvia a história. Não conseguiu evitar um leve revirar de olhos; Diammond era realmente inacreditável. Parecia mesmo a cara dela brincar com os sentimentos de Nash daquela forma, mas escutar a reação dele foi tão boa que lhe rendeu uma risada gostosa ❝—Eu vou até relevar que você esqueceu o nome de Mean Girls, porque eu teria pagado para ver a cara dela depois que saiu ❞ disse de bom humor, se aproximando e pegando um pouco de comida do prato disposto ❝—Mesmo se eu tivesse alguma coisa, eu cancelaria apenas para queimarmos as roupas dela, pode ter certeza ❞ garantiu com um sorriso cínico e levando uma garfada à boca. O amigo não tinha comentado nada sobre queimar as coisas da ex, mas certamente era o que ela merecia, além dele próprio, para um fechamento dramático e simbólico. ❝—Nash, eu estou realmente orgulhosa de você ❞ soltou de repente, o olhar se voltando para ele significativamente, pois apesar da amizade forte que tinham ,as vezes María sentia necessidade de colocar sua lealdade em palavras ❝—Se você precisar de mim, eu estou aqui. Sabe disso, não é? Se bater uma bad, tiver uma recaída ou estiver depressivo. Se quiser gritar e xingar, bater em alguma coisa ou se quiser que eu bata nela por você... ❞ a última foi falada mais baixo, a voz já morrendo, porque sabia que o amigo não aprovaria, embora fosse o que a latina ansiava.