Quando ouviu ele a chamar de mentirosa, a boca de Skyler abriu, chocada com a acusação. Ela semicerrou os olhos, incrédula. E mais chocada ainda porque ela, de fato, estava mentindo. Os olhos encaram o rapaz mais alto com raiva. Sentia os olhos fumegando de irritação e engolia o seco, claramente incomodada. Ainda mais quando ele avançou em sua direção, deixando a distância entre eles mínima. Que ódio daquele homem. Por que ele tinha de se aproximar tanto, por que ele tinha de tentar a desvendar daquela forma? Ouviu a fala seguinte dele e sentiu um aperto. Skyler gostava de estar com ele, de ficar com ele, pois sabia que não precisava cumprir expectativas. Ela apenas era ela mesma. As risadas que trocavam, mesmo nos momentos mais íntimos, deixavam tudo mais leve, sem pressão, sem nervosismo. De certa forma, ela sabia que ele a acharia sensual mesmo no dia em que o zíper do vestido emperrou enquanto tentava tira-lo, e ficaram vinte minutos rindo e tentando arrancar o vestido fora. Assim como ela ainda o achava sensual mesmo quando ele teve dificuldade de abrir sua lingerie ou vestir um preservativo. Eram as risadas que tornavam tudo mais leve e um clima tranquilo. E a forma que ele a olhava, como se realmente ela fosse a única coisa que importava naquele momento - e como o olhar dela respondia bem àquilo. A Brooksfield não sabia o que responder. Pela primeira vez em muito tempo ela estava se sentindo sem palavras. O que não era comum para alguém tão tagarela quanto ela. Prendeu a respiração enquanto sentia ele enroscar o dedo em sua calça, sentindo a aproximação mais íntima. E mesmo que fosse um acontecimento raro, ela estava se sentindo nervosa ali diante dele. Soltou o ar devagar, e subiu os olhos para os dele quando ouviu o questionamento. Ela se manteve em um longo e incomodo silêncio por algum tempo, enquanto assentia “You’re a fucking shallow asshole.” ela disse baixo, assentindo pra ele “And so do I” disse umedecendo os lábios e levantando o livro “É um dos meus favoritos. Talvez o meu favorito” disse observando a capa de Milk and Honey com atenção antes de voltar os olhos para o rosto do rapaz, observando cada traço atentamente. “Eu não gosto muito de ficções. E nem de coisas muito fora do normal, aventuras, terror, etc. Gosto de coisas mais realistas, mais palpáveis. Gosto de poemas também” ela balançou o livro novamente, indicando que aquela peça em específico fazia parte da última categoria. Ela deu um passo pra trás, ainda um pouco incerta sobre o que fazer naquela situação. Se sentia encurralada em muitos sentidos e de certa forma, odiava deixar as pessoas entrarem. Entrarem em si e a conhecerem de fato. “Não sei se você aguentaria me conhecer. I can be a really
self-centered and narcissistic.” ela repetiu o pensamento que tivera durante toda a semana “And maybe I won’t as funny or nice as before.” ela disse dando um sorriso fraco. A verdade era o contrário, na realidade. Quando a conheciam, Skyler se tornava de fato interessante. E tranquila. E boba, as vezes, mas de um jeito leve e divertido. Exatamente como quando transavam. Mas a todo momento. “Tem certeza que quer isso?”
Seguia atento cada palavra dela. Situação banal para si, porém, o cenário seguinte era lhe novo. «´Milk and Honey´. Ela gosta de poesia» A primeira informação de carácter mais pessoal. Anotou-a na cabeça. Constava pela primeira vez daquela quietude da garota. Falavam de vez enquanto, como no evento beneficiente, mas jamais a tinha visto tão apagada. O afastamento do corpo de Skyler fez com que o dedo de Benjamin ainda ficasse poisado no ar por breves instantes. "I can handle a self-centered and narcissistic. Você não me parece ser muito ruim", encolheu um dos ombros oferecendo-lhe uma linha curvada nos lábios. "Embora tínhamos de falar sobre isso...” acrescentou rápido. “E você. Aguenta um cara que às vezes pode ter um pouquinho", levantou uma mão aproximando o polegar e o indicador, "de impaciência? E se distrai com facilidade?", o seu semblante estava, inclusive, com o olho direito fechado. Mohoro iria ocultar, até quanto desse, a sua condição, não por mal, mas por medo. Na sua cabeça criou uma promessa para si mesmo, em caso de se sentir a enfurecer, respiraria fundo e sairia com uma desculpa qualquer. "Por que se você aceitar, eu aceito continuar isto com a vertente de amigos." A última palavra soo-lhe deslumbrante. Ter uma garota como Skyler no seu círculo de amigos era um conceito novo, conheceu-a através de uma amiga em comum. E numa festa Benjamin sentiu-se atraído por ela, sua mente percorreu todo o corpo feminino pela primeira vez com intenções mais maturas. Desde aí, quando o ambiente aquece com ela, Benjamin descobriu uma verdade embaraçosa. Sexo feito mais do uma vez com a mesma pessoa não era sempre como ele via nos vídeos da internet, na verdade, a situação completa parecia muita vezes um esquete com risadas, acidentes com a roupa íntima e nem sempre acabava com um final escandaloso, a realidade, era que o ´final escandaloso´ estava muitas das vezes para ele depois de chegar ao momento, constar do quente nas suas bochechas corando imenso e a garota levando as suas mãos ao rosto masculino, o beijando com um sorriso. Perguntava-se se aquele cenário era vivido por os seus outros amigos -- já que ambos mantinham aquela, agora, amizade em segredo. Benjamin levantou o seu livro: "Prefiro fições porque acho o mundo real aborrecido e deprimente", partilhou. "É normal você não gostar de aventuras, sua vida real já tem que chegue, né?", disse com os olhos bem abertos, estava se metendo com ela. "O livro que pegou é em segunda mão ou primeira?", questionou. A suavidade instaurou-se no pequeno corredor. Dava para ouvir os carros passando na rua, até mesmo o sino da porta da livraria tocara, alguém novo entrara. "Eu compro em segunda porque é, bem idiota, acho que tem mais vida? Tipo quando têm anotações e tudo mais." Os seus olhos olhavam para o livro gasto. Ele tinha dinheiro para comprar em primeira mão, mas devido ao seu passado, se afeiçoara muito mais a objetos usados; às vezes até os consertava. "Se você quiser, eu tenho por hábito ir ler para um café junto da praia, bem ao lado da Salty", referia-se a sua escola de surfe. Deixou ficar assim a frase, afinal, dava para entender que ele lhe estava fazendo um convite. "Ainda nem acredito que a rainha da fofoca e dona do status ´pegando todo o mundo´ é sentimental. Poesia, sério, Skyler? A imaginava mais revista ´People´." Riu-se, batendo meigo com o seu livro na cabeça da garota. “Vamos pagar? Ou quer comprar mais algum?” Tinha o corpo afastado ainda. Um dia haveria de lhe perguntar se fora longe demais, mas por ora, ficaria agradecido de ter tomado o conhecimento de: Skyler Brooksfield lia poesia.