Felipe Teixeira
2020

tannertan36
Today's Document

Origami Around
tumblr dot com
𓃗
KIROKAZE
🩵 avery cochrane 🩵
d e v o n
sheepfilms

Discoholic 🪩

izzy's playlists!

Game Changer & Make Some Noise
almost home

Jar Jar Binks Fan Club

Kiana Khansmith
Noah Kahan

Andulka
Interview Vampire Daily
Cosmic Funnies
No title available
seen from China

seen from United States

seen from Canada
seen from Thailand
seen from Bangladesh

seen from Italy

seen from United States

seen from France
seen from United Kingdom
seen from United States
seen from South Africa
seen from United Kingdom
seen from United States
seen from United States

seen from United States

seen from Italy
seen from United States
seen from United States
seen from Nicaragua
seen from Finland
@marianamolinos
Felipe Teixeira
2020
Felipe Teixeira
2020
Felipe Teixeira
2020
Felipe Teixeira
2020
Felipe Teixeira 2020
Felipe Teixeira
2020
Convite àapresentação
Pois bem, quem sou?
Está é uma pergunta que segue a meu lado desde sempre.
Chamo-me Mariana, mas não estranhamente, possuo muitos outros nomes pelos quais atendo. Ao longo de toda vida, toda gente desvelou (e descobriu) quais outras tantas versões minhas existiam, simultaneamente, naquela mesma pessoa. Posto que sim, sou pessoa, mas também delírio, palavra, imagem e movimento. Alguns aspectos me saltam à mente agora que preciso me apresentar. Aliás, sobre a apresentação, o recorte de vir me apresentar artisticamente. Sou formada em psicologia, dança contemporânea e direção de fotografia para cinema. Sigo profundamente atravessada pela prática de Tai-Chi, que há 10 anos modifica significativamente minha perspectiva do mundo. Mas mesmo com todas essas informações, diria que algo relevante da apresentação escapa. E com isso convido há uma pequena viagem na minha história.
Eu fui uma criança muito solitária.
Cresci sumamente entre dunas, mar e morros. Muitos adultos, um irmão menor (que habilitou o amor voraz do cuidado) e animais. Meu pai, lindamente, apresentou-me um olhar meticuloso sobre as paisagens e tudo que é vivo, mostrou-me que o corpo é instrumento e não fim. Minha mãe vestiu o mundo de afeto. Encheu-me de palavras (com histórias e livros), música, filmes, mas antes de tudo de um encantamento profundo pelas pessoas. Penso que aqui, encontro as pistas de quem sou. Da Mariana artista. Bailarina, escritora e fotógrafa. Me demoro nas paisagens buscando o que é vivo, o que é humano, para alí, me sentir acompanhada. No corpo, na palavra, na imagem, procuro trazer à tona algo que apresente afeto, que estimule sensorialmente, que reporte ao mundo pessoal (não só o meu). Me interessam os segredos, as histórias, o olhar específico de alguém sobre algo. O modo como a luz banha uma superfície e nos conta algo novo. Há uns meses mirava um limoeiro, buscava encontrar um bom ângulo para foto. Horas sem sorte. Uma amiga se aproxima, conta-me de um dia de verão em que elaborando a perda de um amor cuidava do limoeiro e aí, ainda dançando em suas palavras, no tecido macio do afeto, o novo limoeiro se revela e a foto se apresenta. Caminho ainda timidamente sobre as fotos, mas cada a dia a feitura das imagens se mostra mais enrolada numa versão minha profunda, que talvez tenha sempre me acompanhado.
Tirar uma foto, produzir, um gesto, encontrar uma palavra é meu modo, silencioso, de pedir companhia, de dividir afeto.
TUDO CONTA AO MENOS UMA HISTÓRIA
EU
ÀS VEZES
SOU UM TÉDIO
(PROS OUTROS)
E A FORÇA QUE ALGUNS GASTAM PARA MANTEREM-SE INALTERADOS,
ACENDERIA QUANTAS CIDADES?
A TEXTURA DO PISO NO APARTAMENTO É QUASE MACIA.
É UM PISO MENTIROSO, DIZ-SE SOMA DE MUITOS QUADRADOS, MAS ERA LÍQUIDO, COISA SÓ,
LISO.
FORJARAM OS QUADRADOS.
CONTOU-ME O AP QUE FOI AZUL CLARO. (CLARAMENTE SE SENTIA RIDÍCULO).
PERGUNTAVA-ME:“QUEM PINTA AS PAREDES DESSA COR?” CONCORDEI.
MAS NÃO É MAIS ASSIM AGORA.
NEM AGORA.
NEM AGORA.
NEM AGORA.
QUÊ MAIS ME CONTAM ESSAS PAREDES?
COMO ENCONTRO OUTROS OLHOS?
COMO VOLTO A ME INTERESSAR PELAS COISAS QUE NUNCA ME DEBRUCEI E DEI POR CONHECIDAS?
HÁ POEIRA.
SEMPRE HÁ POEIRA.
O FIM SEMPRE HÁ, NEM SEMPRE SEI.
ESCAVAR A SI. PENETRAR OS POROS EM DIREÇÃO AO QUE HÁ PROFUNDO E MÍNIMO.
A MENOR PARTE DISSO QUE NÃO É NADA, QUE É MINÚSCULO.
SE ESCAVASSEM A VIA LÁCTEA
CHEGARIAM A QUAIS PROFUNDEZAS,
QUAIS MÍNIMOS?
PÓ, ELÉTRON,ÍON ,
ESSA COISA QUE AINDA NÃO DESCONFIAMOS?
A GENTE OLHA TÃO POUCO EM VOLTA.
APONTAMOS O ALVO DO OLHO SEMPRE ALÉM.
O FOGUETE,
PROTÓTIPO DO QUE NOS LEVARIA À MARTE EXPLODIU ESSES DIAS.
TENHO VIVIDO O TEMPO TORTO DO DESEJO
NELE TUDO ME ESCAPA
FICO EU.
PEGOU NA MINHA MÃO ENQUANTO FAZIA UMA COISA QUALQUER
NESSE PEQUENO GESTO,
SENTI-ME ESCOLHIDA .
A VIDA TEM ROUBADO OS SONHOS
COM ISSO
TENHO GRADATIVA E CONTINUADAMENTE DESAPRENDIDO A CAMINHAR NO MUNDO.
OU SERÁ O CONTRÁRIO?
NO MEU MUNDO,
QUANDO É SÓ MEU,
O DIA NASCE E MORRE DA MESMA COR.
ATRAVESSAVA.
RASURAVA O DISCURSO, DESCUMPRIA A FORMA.
UM TIMBRE.
AQUELA NOITE AZUL EM CLARO
TUDO PERDIDO.
ESCAPOU DE
MIM UM TORNADO
INCONTROLÁVEL.
VORAZ.