Silêncio
Tem dias em que o mundo fala demais.
As pessoas falam demais.
Os sentimentos gritam demais.
E eu… só cansei.
Cansei de explicar o que sinto,
cansei de ouvir promessas que evaporam na primeira curva da vida,
cansei da repetição cansada de tudo aquilo que um dia pensei que faria sentido.
Hoje, a verdade é que o silêncio me abraça melhor do que muita companhia.
Porque existe uma paz estranha em acelerar sem destino enquanto o vento corta meu capacete como se levasse embora tudo aquilo que eu nunca consegui dizer.
Existe algo quase sagrado no som seco das anilhas batendo no chão, como se cada impacto arrancasse um pedaço do peso que carrego no peito.
No fim, acho que encontrei refúgio nas coisas que não me cobram palavras.
A moto não pergunta se eu tô bem.
O ferro não quer explicações.
O silêncio não exige versões minhas.
E talvez esse seja meu sinônimo de paz agora:
o barulho do vento,
o eco do aço,
e a calmaria silenciosa de finalmente não precisar mais falar nada.










