Te vi entrar no banho. Foi a última vez que te vi. Entrando no banheiro seu corpo totalmente molhado reluzia todo nosso suor. Não posso lavar o cabelo, como vou explicar meu cabelo molhado as 15h da tarde? Você me diz, ainda ofegante. Te respondo com um sorriso estasiado de prazer, como você não vai lavar o cabelo? Ele já tá totalmente molhado! Rimos por alguns segundos. Minhas pernas ainda bambas, meu corpo ainda pulsando a fricção dos seus movimentos sobre mim. Te peço pra tomar banho com a cortina aberta, só pra eu poder por mais alguns minutos te admirar totalmente nua. Enquanto a água quente batia em seu corpo, seus movimentos me lembravam aqueles que tinham acabado de acontecer. Você ria sozinha enquanto se ensaboava. Será que tava lembrando de tudo que fiz com seu corpo? Será que se divertia com os espasmos que ainda não tinham findado de vez? Não tive coragem de perguntar, não queria de jeito nenhum te tirar daquele transe. Seus cabelos terminavam antes do ombro começar, seu pescoço estava toalmente modelado pelas madeixas escorridas pela agua que caia. Entre um movimento e outro você me olhava de canto, parecia que queria ter certeza que eu ainda te olhava. E como não poderia? Não cabia mais nada em minha mente, nada poderia tirar meus olhos de você. Os pensamentos oscilavam entre gravar cada parte do seu corpo e relembrar seus gestos no auge do prazer. Não demorei tanto pra me juntar a você, pra sentir a mesma água banhando nós duas. A espuma do sabonete fazia minha mão deslizar sobre suas curvas numa voracidade que antes que eu pudesse me conter já estava te apertando contra meu corpo novamente. Quando finalmente te toquei, você ainda estava totalmente molhada e não era de água. A textura visosa me puxou pra dentro, parecia que eu não terminava e você não começava. Te tocava como se seu corpo estivesse fundido no meu. Suas costas pressionavam meus peitos e cada movimento circular que eu fazia com minha mão, masturbava meu corpo inteiro com o seu. Conforme a intensidade aumentava, não tive outra escolha a não ser agarrar seus peitos com a mão que me sobrava. Esse segurar firme me possibilitou te manejar de acordo com o meu prazer, que a essa hora já estava totalmente sincronizado com o seu. Te sinto latejar e escorrer pelos meus dedos. A agua que antes nos banhava, agora parecia que evaporava ao tocar nossos corpos quentes. Nada mais existia, só sua respiração totalmente ritmada com o desespero. Eu morri por alguns segundo te sentindo gozar, meu corpo todo se endurecia e se contorcia te trazendo cada vez mais forte sobre mim. Até que nossas pernas não aquentaram e caimos num delicioso mergulho ao fundo do box. Totalmente incrédula de tão rapidamente deitar ao chão você me pergunta o que aconteceu. Só consigo responder você, você aconteceu. No momento em que você saiu pela porta eu soube que nunca mais estaria sozinha. Nunca mais te vi mas você ficou eternamente em mim. Aquelas horas em que revezávamos entre deitar na cama ou em nossos corpos mudaram alguma coisa pra sempre. Seus esquichos quentes e sua timidez safada ao sentir seu próprio prazer escorrer plataram uma semente de esperança me transformando em terreno fértil. A partir desse dia, todo gozo meu é seu. Te busco em todos os prazeres e te encontro sempre em meus pensamentos. Quando me distraio não é seu rosto que vejo, são suas mãos desesperadas pra me sentir. São as dobras das suas costas que se esmagam com a vividez dos seus movimentos. Minhas mãos nunca mais estiveram vazias, seus peitos as preencheram e isso foi suficiente para nunca mais estarem sós. Nunca mais te vi depois daquele dia, daquele banho, daquele chão do box. A última cena sempre será você andando pela rua, virando o rosto pra conferir se eu ainda te olhava. Onde você estiver, saiba que a primeira imagem que eu vejo quando acordo e a última em que penso antes de dormir ainda é você, me olhando de canto, buscando mais um encontro, nem que fosse apenas dos nossos olhares.