Os contos mais famosos do Halloween
A Lenda de Jack da Lanterna
Em uma noite escura de Halloween, a vila irlandesa de Knockmore era um lugar sombrio e envolto em neblina, mas as histórias de Jack O’Lantern mantinham os moradores dentro de casa. Jack, ou “Jack da Lanterna”, era um espírito astuto e enganador, que vagava com um rosto iluminado esculpido em um nabo — a primeira versão da tradicional abóbora iluminada.
Conta-se que Jack era um homem que, em vida, gostava de pregar peças em todos, inclusive no próprio Diabo. Diz a lenda que, ao enganar o Diabo várias vezes, ele garantiu que jamais fosse levado ao inferno. Contudo, após a morte, Jack também foi rejeitado pelos portões do céu e ficou condenado a vagar eternamente entre os dois mundos. O Diabo, ressentido, lhe deu apenas uma brasa para iluminar seu caminho, que Jack colocou dentro de um nabo esculpido para fazer sua lanterna.
Naquela noite de Halloween, Finn, um garoto curioso e teimoso, ouviu a história e decidiu ver o famoso Jack da Lanterna com seus próprios olhos. Com uma lanterna nas mãos e o coração acelerado, ele saiu ao pôr do sol, indo em direção ao velho pântano, onde diziam que Jack aparecia para enganar aqueles que se perdiam por lá.
Ao chegar ao pântano, Finn viu uma luz fraca dançando na escuridão. Curioso, ele seguiu a luz, acreditando que era um vaga-lume ou um reflexo, mas, ao se aproximar, notou um rosto esculpido em um nabo, com um brilho fantasmagórico dentro dele. Era Jack da Lanterna. Finn recuou ao perceber a figura: uma sombra esquelética segurando o nabo iluminado, que parecia rir com um sorriso perverso.
Jack, percebendo o medo de Finn, estendeu a lanterna e, com uma voz grave, ofereceu ajuda para guiá-lo de volta para casa. Finn sabia das histórias, mas, enfeitiçado pela promessa de luz, aceitou. Contudo, quanto mais andavam, mais Finn percebia que Jack o levava cada vez mais fundo no pântano.
Desesperado, ele se lembrou de uma dica antiga para espantar Jack: deveria carregar consigo um amuleto em forma de cruz. Finn improvisou uma cruz com galhos próximos e a ergueu. Jack recuou imediatamente, soltando um grito horrível antes de desaparecer na neblina.
Finn conseguiu voltar para a vila e contar sua história, e a partir desse dia, os moradores sempre deixaram uma abóbora iluminada em suas janelas, acreditando que a luz afastaria o espírito de Jack da Lanterna.
A Noite do Cavaleiro Sem Cabeça
Em uma pequena vila irlandesa, contava-se que na noite de Halloween, um espírito vingativo conhecido como Dullahan — o Cavaleiro Sem Cabeça — cavalgava pelas estradas solitárias em busca de quem tivesse a má sorte de cruzar seu caminho. O Dullahan é uma figura do folclore irlandês que cavalga com sua própria cabeça em mãos, e seu toque significa a morte iminente.
Na noite de Halloween, Liam, um jovem corajoso, aceitou um desafio da vila: atravessar a ponte sobre o pântano de Rathmore à meia-noite, conhecido por ser o caminho do Dullahan. Ansioso para impressionar, Liam levou apenas uma lanterna, ignorando os avisos dos mais velhos, que lhe contavam histórias do cavaleiro por décadas.
À meia-noite, Liam caminhava pelo caminho escuro e úmido, com a neblina se acumulando ao redor dele. Tudo estava silencioso, mas então, um som de cascos distantes ecoou pela estrada. Com o coração batendo rápido, ele parou e olhou ao redor, tentando encontrar a origem do som. Em um instante, viu uma figura alta e imponente surgir da névoa, montada em um cavalo negro e segurando uma cabeça pálida com um sorriso macabro em uma das mãos.
Liam congelou, mas lembrou-se de um detalhe do folclore irlandês: os espíritos sombrios temiam o ouro. Rapidamente, tirou uma pequena moeda dourada que carregava em seu bolso e a segurou firme. Quando o Dullahan se aproximou, levantando a cabeça para olhar diretamente para ele com olhos vazios, Liam jogou a moeda no chão entre eles.
Para sua surpresa, o Dullahan recuou imediatamente, a moeda reluzente repelindo-o. Em seguida, ele deu um grito agudo, um som tão horrível que Liam sentiu o chão tremer sob seus pés. O Cavaleiro Sem Cabeça virou-se, galopando de volta para a escuridão, desaparecendo na névoa, enquanto o som dos cascos se dissipava.
Aliviado, mas ainda tremendo, Liam atravessou a ponte e correu de volta para a vila. Ao chegar, ele contou a todos sobre o encontro aterrorizante, e a história de sua coragem logo se espalhou.
Desde então, ninguém jamais tentou cruzar a ponte de Rathmore na noite de Halloween, e os moradores sempre carregam uma pequena moeda dourada no bolso, só para garantir que nunca encontrem o Cavaleiro Sem Cabeça em seu caminho.