pelos deuses! aquele ali passeando na praia é medusa? ah, não, é só june isabeau delacroix, uma fotografa renomada nos agraciando com sua beleza nos halls do aletheia hotel. as moiras avisaram: mesmo com os 32 anos nesse novo corpo, segue tão hipnotizante e irredutível quanto na antiguidade. repararam também que ele lembra muito jenna-louise coleman? a maldição levou tudo, menos sua beleza. que prazer tê-la como hóspede do nosso hotel!
a rosa enclausurada, ou medusa, como era seu destino, nasceu na frança, numa pequena cidade perto de paris, teve uma infância quase tranquila ao lado de sua mãe (o pai as abandonou quando soube da gravidez); contudo, desde tenra idade tinha uma repulsa para com a própria imagem, não conseguindo fitar-se no espelho por longos períodos. algo em seu âmago lhe alertava que a beleza era algo perigoso, que a beleza era terror.
no presente, ela é uma artista visual, uma fotografa, um talento único! a estética de seu trabalho é algo marcante, combinando beleza com decadência, utilizando luz e sombra de de uma maneira singular. algo curioso é que june nunca aparece nas próprias fotos, toda as vezes que em tenta se registrar, a imagem da foto simplesmente fica distorcida, fica borrada e por vezes ela simplesmente desaparece, tornando-se uma mácula na imagem. ela parece incapaz de se ver, tanto fisicamente quanto emocionalmente. essa maldição acabou afetando a maneira como ela percebe sua própria imagem e identidade.
o que ela foi fazer na grécia? bem, fugir. june dizia a si mesma que estava ali para um projeto fotográfico: "retratar a decadência de antigos templos helênicos, lugares onde o tempo desmorona em silêncio.” porém, a verdade era bem mais complicada. na verdade, a grécia a chamava nos sonhos. nomes que não sabia pronunciar ecoavam em sua mente, pedaços de mitos que pareciam memoriais perdidos.
mesmo sendo gentil e doce com os hóspedes, as pessoas sentem medo ou desconfiança dela sem saber o porquê. a maldição carrega o eco do mito, onde todos temem june sem jamais terem olhado para ela de verdade. isso a deixa isolada, mesmo em meio à multidão do hotel.
june acorda às vezes com o gosto de sal e sangue na boca, gritando em grego arcaico. tem medo de espelhos, evita cobras, e mesmo sem entender o porquê, nunca usa o cabelo solto. pois bem, até que ponto é esquecimento, e até que ponto é repressão, ninguém sabe. talvez nem ela.