Olhar para Mellara após tanto tempo ainda doía de uma forma que definitivamente não deveria doer. Ela era apenas uma mundana, uma mundana com a visão e isso não a tornava tão especial assim. E ele se obrigava a dizer todos os dias que ela não era de confiança, ela o abandonara. Abandonara todos do instituto sem nem ao menos deixar a porcaria de um bilhete para trás; ela não tinha consideração com a história que tiveram e nem se importava com todos os caçadores que iam para as ruas proteger Moscou.
Os primeiros dias sem Mel foram terríveis e ele agradecia ao Anjo por ter sua parabatai do lado, ou então não teria ideia de como teria sido; duvidava ter forças para enfrentar aquilo sozinho.
- Você nem faz ideia. - Murmurou baixo o suficiente para que ela não o escutasse. Ela não fazia ideia do que o homem realmente sentia sobre ela, ainda mais quando colocava seus olhos nela após tanto tempo. - Não precisa fingir que se importa, Mellara. - Engoliu uma maldição e se esforçou para não fechar os olhos com cada pontada que sentia ocasionada pelo menor dos movimentos que fazia. - Vá na frente. - Fez um rápido movimento com a cabeça esperando que ela começasse a andar logo para saírem dali. Quanto mais tempo ficassem ali na rua, mais desprotegidos estavam.
Sentia como se seu coração estivesse se destroçando dentro do peito a cada palavra e olhar magoado que o caçador dirigia a ela, era como se tudo estivesse desmoronando dentro de Mellara e nem as cuidadosas paredes que havia tentado erguer ao redor de seu coração podiam evitar que aquilo fosse dolorido, afinal Gael não precisava entrar, não era alguém tentando se aproximar, ele era alguém que a mundana já amava, que provavelmente nunca deixaria de amar. - Eu não estou fingindo. - Suas palavras saíram mais doloridas do que a loira queria e ela respirou fundo, sentindo um nó se formar em sua garganta, mas o engoliu, tentando fingir para si mesma que aquela dor era fácil de ignorar.
Caminhou para seu apartamento, rezando para o anjo e implorando mentalmente que Gael a seguisse, ele não podia acabar mais machucado do que já parecia estar. - Eu me importo e se acha que eu não ligo pra você, ou qualquer um dos outros, você nunca me conheceu. - Sussurrou, enquanto parava em frente a sua casa, abrindo a porta. - Entra, por favor, você está visivelmente com dor. - A aspirante a caçadora falou baixo, os olhos sendo mantidos por um enorme tempo no chão, antes de finalmente se levantarem e encontrarem os dele. - Por favor. - Pediu novamente, praticamente implorando, estava assustada com o quão mal ele parecia e só queria o ajudar.