Através dos vitrais todos se viam,mas nunca se encontravam,eram anos de uma troca de olhares diárias, nenhuma palavra, só admiração dos dois lados daquelas vidraças com cores magníficas,que se transformavam em pessoas, animais e plantas, todos achavam que era impossível alguém saber quem estaria do outro lado, mesmo os olhos focando um ao outro de lados opostos da grande vidraça central,um tremor, sustos e gritos, poucos segundos de apreensão e terror, pessoas se afastando e os cacos de vidros no chão se espalhando, menos de um minuto e tudo se acalmou,um breve silêncio seguido de suspiros aliviados a cena dominou,a beleza agora espalhada aos seus pés, ninguém mais as olhavam,agora se tocavam, conversam e perguntas repetidas de você está bem,um médico de um lado preocupado com a grávida do outro,poderia aquele susto afetar o neném,o sorveteiro de lá, trazendo sorvete pra cá, acalmar as crianças que com o barulho agora das pessoas começam a chorar,a florista de um lado, casal de namorados do outro,ela levou uma rosa pra ele dar para ela,que se assustou com um pequeno corte no rosto,os filhos procurando o pai,que ajudava outro pai a procurar os seus filhos,o velhinho quase surdo que estava de costas, esperando as pombas voltarem, já que o tremor as assustou,para poder jogar o restinho do milho, muitos agradecendo,outros gritando ,os mais exaltados dizendo tolices,e lá bem no cantinho se via um casal se beijando,com o mundo se acabando, isso tudo aconteceu e eles nem deram conta,pois tinha um tremor bem maior quando uniram seus lábios,era o amor nascendo no coração de Zeca e Nice.
Jonas r Cezar
























