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existem dois polos muito claros e diametralmente opostos, enquanto um representa a mulher forte e potente que eu me esforço tanto pra construir o outro é só uma criança desesperadamente com medo, sentada e encolhida no canto de uma sala gigante e vazia. elas coexistem em mim, transitam entre uma e outra… ou sou em quem as habita? os anseios de cada uma estão marcados na minha pele em forma de profundas feridas. existem momentos em que sinto apenas as feridas dessa mulher enorme nesse meu corpo pequeno, há outros em que as que se sobresaiem são as daquela criança tão pequena nesse corpo tão grande, e, como se já não fosse o suficiente, existem aqueles momentos em que tudo se torna uno e tudo dói sem qualquer limite existencial.
o que ninguém conta é que esses polos, apesar de distantes, são muito semelhantes. se olhar de perto e com atenção tanto a mulher quanto a criança querem colo. de quem? não sabemos. quando unidas, o pedido de socorro se torna um grito e me faz querer não levantar da cama. e eu não ouso levantar, eu às respeito pelo menos nesse momento em que elas precisam de folêgo. ser forte cansa, estar no canto dói. a mulher potente precisa dar conta de tudo, a criança precisa lidar com os monstros do ármario. não há como conciliar ambas sem pesar os ombros e nenhuma das duas são descartáveis.
vitória













