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— Joy Harjo, from "Running," Weaving Sundown in a Scarlet Light
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I ran and I ran through the 2 a.m. streets.
It was my way of breaking free. I was anything but history. I was the wind.]
Katherine Larson, from Radial Symmetry; “Gardens in Tunisia”
[Text ID: “There are days that walk through me / and I cannot hold them.”]
Mary Oliver, "To Be Human Is to Sing Your Own Song." Blue Horses
Mary Oliver, "To Be Human Is to Sing Your Own Song." Blue Horses
Rainer Maria Rilke, Letters to a Young Poet
The Hiding Place
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I still love this picture
“Nada como a maturidade pra me dar um pouquinho de juízo pra eu poder perder ele.”
“- É a vida que continua. - Quase sempre por um caminho pior, não é mesmo?”
“Eu nunca gostei de pensar onde as coisas acabam. Você sempre diz que quando percebe que algo esta chegando ao fim, tenta olhar pra ela com muita atenção para lembrar sempre daquilo. Você diz que gosta dos finais porque eles te lembram os começos. Eu sei que você não vai gostar muito, mas agora você vai ter que cumprir um ritual. O último deles. Bom, começa caminhando até o metrô. Um cosmonauta russo uma vez escreveu que, vista de longe, a terra parecia só um enfeite de natal, que cabia na palma da mão. Quanto mais ele se afastava, menos sentido faziam os mapas, porque de longe as fronteiras iam desaparecendo. O que ficava visível era o que nós seres humanos dividimos, não as linhas que nos dividem. Eu sempre quis construir coisas bonitas. E também sempre fui apegada aos mapas. Porque eles nos apontam as coisas bonitas que ja existem. Porque eles nos dão sentido. De alguma forma, eles organizam o caos. Mas na geografia dos nossos dias, a gente se preocupa tanto em procurar qual direção seguir, que nos esquecemos dos mapas que nós mesmos desenhamos. Que, às vezes, não são tão precisos… mas quase sempre são os mais confiáveis. As histórias, por exemplo, são coisas muito bonitas. Assim como os mapas, são também um jeito de organizar as lembranças, os dias, os planos. Organizar o nosso próprio caos. Nos definir. Se a gente olhar bem de perto para as histórias, como se abrisse um mapa, vai descobrir, entre as linhas, os relevos, as fronteiras… uma bolsa caída no chão, um banco de praça, diante de um apartamento pequeno, mas com uma vista tão deslumbrante que até faz esquecer a falta do mar. O primeiro beijo de um casal, cheio de toda a aventura, o perigo… e a delícia de um começo. E também vão estar lá, escondida entre os sons, os corpos e o movimento de tantas ruas, tantas esquinas… as imagens inesquecíveis daquele filme antigo, preto e branco, que só existe junto da sensação de encostar na pele de quem está na poltrona ao lado. Uma sensação tão intensa e tão breve quanto uma gargalhada. Uma gargalhada numa comédia romântica. Ou tão profunda quanto às lágrimas de quem sabe que as melhores comédias são tristíssimas. As histórias, assim como os mapas, que quando abertas também revelam acidentes geográficos. Como descobrir que o melhor polpetone com molho sugo do mundo, de repente é só um terreno onde se estaciona carros. Ou saber que na poeira das paredes inexistentes existem músicas, gestos, olhares de carinho para a pessoa do outro lado da mesa… e notar que um casamento, que um dia iria acontecer ali, de alguma forma pode ter sido demolido junto. Mas por mais que os mapas se rasguem, se desgastem, se separem, as histórias nunca desaparecem de verdade, nunca acabam. Porque sempre alguma coisa está sobrevivendo. Como uma planta se reproduzindo fora de época. Como uma garrafa jogada no mar. Como o afeto, que é transformador, capaz de mudar mesmo aquilo que a gente vê. Como o seu olhar, que até me fez achar São Paulo bonita. Fazendo esse mapa, eu me sinto como o cosmonauta russo. Olhando daqui, eu descobri que eu construí, sim, coisas lindas. Foi o que eu mais fiz nesses últimos 20 anos. Coisas que, diferente de um prédio, nunca serão demolidas. Já que as histórias não desaparecem enquanto seus personagens estiverem vivos. Porque flutuando nas janelas dos apartamentos, no estofado gasto das poltronas, nos sapatos deixados na porta, eles sempre vão reencontrar aquilo que nós, seres humanos, dividimos… que é um ao outro.”
“- Sabe o que eu descobri? Que as histórias infelizes é que são todas iguais. As felizes, não. São felizes, cada uma a sua maneira. - Por que você fez isso comigo? - A gente que fez, juntos. - Então, por que a gente está assim, tão distante? - Porque eu tenho mania de querer novidade. - Eu mudei muito. Mas continuo igual. - Fábio, você pediria em casamento… a pessoa que eu sou hoje?”
“As melhores comédias são as comédias tristes.”
“Eu queria ser rica pra comprar todas essas igrejas e transformar de volta em cinema.”
“Você sabe qual momento da sua vida não dá pra esquecer? Eu diria que é aquele segundo quando você sai do cinema e cai direto na rua — não na praça de alimentação, não no meio do shopping — mas direto na rua, e tudo ainda parece que tem trilha sonora”
de onde eu te vejo, 2015
por ltg
por rafael sica
por ltg