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More from Daemon, my OC :)
talvez o que eu sentia tivesse outro nome
um mais leve menos urgente menos eterno
mas ainda assim real
porque eu te quis na minha vida de um jeito sincero
mesmo que não fosse o jeito que você queria
se eu tivesse mais um momento com você não pra mudar tudo mas só pra ser honesta
eu diria que eu sabia
sabia do teu amor sabia do jeito que você me via sabia que você me oferecia algo raro
e mesmo assim eu não consegui corresponder
por falta de sentimento por falta de intensidade de prontidão de coragem talvez
eu diria que você não estava errado em sentir tudo aquilo
e que o problema nunca foi você
eu só não era o lugar certo pra aquele amor
mas fui alguém que te quis bem de verdade
alguém que ficou mesmo sem conseguir ir até o fim
e eu agradeceria por você nunca ter deixado de ser gentil mesmo quando eu era dúvida
agora que não dá mais pra dizer eu deixo isso no silêncio
esperando que, de algum jeito isso ainda chegue até você
eu fui o quase do teu sempre
fui o gosto antes da boca aprender a chamar de lar
e agora carrego esse título estranho: teu último amor
sem nunca ter sido teu primeiro de verdade
dizem que em 21 dias a gente ensina o corpo a não voltar atrás
então eu comecei no dia um a me escolher mesmo com as mãos tremendo
no dia três eu quase corri de volta pro conforto de ser abrigo pros outros e ruína pra mim
no dia sete o silêncio ficou estranho sem o barulho de todo mundo morando dentro de mim
no dia doze eu lavei o rosto como quem tenta limpar culpas antigas como quem aprende que cuidado também pode ser leve
no dia dezessete eu disse não e não me pedi desculpa depois
e agora quase vinte e um
eu me olho no espelho com a pele calma e o coração ainda aprendendo
porque me colocar em primeiro lugar não virou hábito ainda
mas já deixou de ser uma coisa que me destrói
março sussurra coisas que ninguém tem coragem de dizer
tem verdade escondida nos cantos que evito olhar
eu sinto mesmo sem provas mesmo sem voz
a sacerdotisa não me responde só me observa sangrar em silêncio
porque no fundo eu já sei
só não quero entender Março é mês da Sacerdotisa
eu dobro minha voz minha postura minha verdade até caber no espaço mínimo que você deixa pra mim
e ainda assim não é suficiente
porque amar você é sempre estar um passo atrás de uma versão sua que nunca fica
você me chama quando o silêncio te apavora grita meu nome como se eu fosse abrigo
mas quando eu chego você já está indo embora
isso é um jogo pra você? porque pra mim é carne
é eu me despindo de mim toda vez que você decide que não pode ficar
e mesmo assim mesmo sangrando mesmo sabendo
ninguém nunca vai te amar como eu amei
e talvez seja exatamente por isso que você nunca ficou
Daemon, my OC - HQ Cover test :)
março veio em silêncio como quem sabe demais e ainda assim escolhe não dizer
tem algo se movendo atrás das cortinas eu sinto eu juro que sinto mas toda vez que tento tocar escapa como fumaça entre dedos trêmulos
a sacerdotisa me encara de longe não com crueldade mas com aquela calma insuportável de quem sabe que a dor também é um tipo de resposta
não é mês de agir é mês de engolir seco de revisitar mensagens antigas procurando significados que talvez nunca estiveram lá
é mês de desconfiar do óbvio de olhar nos olhos e ainda assim não acreditar
tem segredos crescendo em lugares onde eu plantei certezas
e o pior não é não saber o pior é saber que alguma parte de mim já entendeu tudo mas se recusa a traduzir
eu me deito com perguntas e acordo com silêncios
e no fundo bem no fundo mesmo eu sei
que a verdade está aqui latejando pedindo pra ser ouvida
mas ouvir dói mais do que continuar fingindo que não sei Março é mês da Sacerdotisa.
Se o que retorna te machuca, talvez não seja o mundo gritando, mas a solidão das palavras que você lançou sem abrigo.
A vida não responde com crueldade, ela apenas devolve o peso exato daquilo que você insiste em dizer quando ninguém está olhando. Isso em um mundo ideal.
Vejo o tempo inteiro em uma nota só: passado que sangra, presente que insiste, futuro que observa em silêncio.
Como um bluesman, afino a dor até virar beleza. Quem escuta de verdade sente minhas feridas abertas e, sem perceber, também colhe minhas flores.
Você diz que eu fujo mas como escapar do que nunca foi dito direito
Como fugir de conversas que você não sabe construir nem sustentar
Se eu espero todos os dias o brilho de uma notificação sua não é ausência é insistência
Talvez a única conversa difícil da qual eu realmente desvio seja aquela em que preciso colocar um ponto final
E admitir que partir também é uma forma de coragem.
Chegar cansada e ainda assim chegar
Deitar na cama que foi conquista no lençol escolhido com esforço sob o teto que se mantém de pé porque você não desistiu
É nesse suspiro breve quase silencioso que o pensamento repousa
Talvez a vida pese mas não quebre
E você entende entre um cansaço e outro que afinal não está tão mal assim.
Se eu fosse mesmo tão errada tão falha assim
por que só nos seus olhos eu me torno ruína?
Enquanto outros me devolvem espelhos limpos e mostram em mim valores que eu ainda estava aprendendo a ver
Talvez eu não seja o erro talvez eu seja apenas a versão que dói quando não cabe na sua narrativa.