Ninguém percebe o momento exato em que o amor começa a ir embora. Ele não faz as malas, não bate a porta, não anuncia despedida. Ele só vai ficando mais baixo. As conversas diminuem, o interesse já não tem a mesma urgência. O “me conta como foi seu dia” vira “depois eu respondo”. Os detalhes deixam de importar.
E é aí que mora a parte mais cruel.
Porque o amor raramente acaba de uma vez. Ele vai morrendo de pequenas ausências, de pequenos descuidos, de demonstrações que deixam de existir porque alguém acreditou que o outro já sabia.
Mas amor não sobrevive de suposições.
Amor precisa ser lembrado. Precisa ser escolhido. Precisa ser dito.
Porque até o coração mais apaixonado começa a duvidar quando passa tempo demais tentando adivinhar o que o outro sente.
E não é que o sentimento desapareça. É que ninguém consegue florescer num lugar onde passa tempo demais tentando convencer a si mesmo de que ainda é amado.
O amor não acaba quando alguém deixa de amar. Às vezes, ele acaba quando alguém deixa de demonstrar. E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.
Porque quem ama em silêncio pode até continuar sentindo, mas quem espera carinho em silêncio acaba aprendendo a sentir sozinho.
E ninguém deveria precisar adivinhar que é amado.
O amor mais bonito nunca foi o que existia.
Foi o que fazia questão de existir todos os dias.