Não era um chef cinco estrelas, deveria admitir, e, a bem da verdade, nunca tinha feito nada diferente de massa à puttanesca quando na Irlanda — e a larica batia depois de uma noite em claro contabilizando os gastos e pensando em formas de sonegar os impostos provenientes de uma das empresas de fachada do avô —, mas os consumidores de sua comida estavam longe de serem críticos. A maioria sequer tinha provado o presunto de Parma ou vieiras ao molho siciliano. “Cazzo! Quantas vezes eu mandei você socar direito esse alho antes de jogar na panela? Soca esse caralho direito, porra!” Vociferou, certo de que ele devia arrumar uma forma de manter a mente enevoada e, a contrario sensu, mais clara. Ele quase podia sentir o metal bramir em sua direção, engolindo em seco antes de apertar as têmporas — não iria arriscar ter uma faca enfiada nas costas —, para então negar, gesticulando como o típico italiano que era. “Esqueça, deixe que eu faço isso.” Negou, tomando a praça do detento antes que pudesse reagir.