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Entre o tempo em que fora jogada em meio aos lares temporários e sua estadia junto a gangue, Theodora nunca tivera acesso a comidas que iam além do usual. Se contentava com macarrão com molhos de latinha ou ovos fritos, mas algo verdadeiramente lhe agradava nos doces. Era uma formiguinha e gostava de provar um pouco de açúcar vez ou outra, em especial aos fins de suas aulas práticas de mecânica que costumavam cansá-la. “ —- Caralho garoto, não é porque esse lugar é um buraco que não possa ter um pouco de açúcar por aqui. ” Respondeu olhando o mesmo com a irritação de sempre, continuando a vasculhar a geladeira fechara a mesma sem qualquer delicadeza ao constatar que não havia nada interessante ali. “ —- É chocolate não uma faca de combate, no máximo ia render diabetes a algum detento, e não é como se eles se importassem. ” Argumentou voltando sua atenção ao rapaz, revirando os olhos e cruzando os braços a cada frase. Para sua sorte sua habilidade de ler mentes facilitava seu entendimento de línguas estrangeiras, o que chegava a ser divertido. “ —- Vai me cobrar o quê por uma barra de chocolate? Quer levar mais uma surra? Is that your kink, jackass? ”
Paolo precisou respirar duas vezes, sentindo a placa de titânio se movimentar na região da clavícula, antes de voltar os olhos para a morena. Não tinha paciência suficiente para lidar com gracejos infantis, mesmo que ele próprio não aguentasse receber um não sem questioná-lo até que todos os motivos estivessem à sua frente, potencializando uma compreensão maior do todo ao invés do detalhe. Era questionador por natureza, mas isso não significava que tinha interesse em responder a perguntas irrelevantes. “Be my guest, then. Se conseguir achar um saco de açúcar que seja, eu chamo este cazzo de lugar de Plaza.” Deu de ombros, revirando os olhos ao se lembrar da faca que estava segurando. “Você realmente acha que eles querem deixar os detentos mais confortáveis... Em um reformatório? Are you really that fucking stupid¹?” Negou fracamente, franzindo o cenho ao passar a mão descoberta pela nuca. Imbecilidade o enervava, o que era terrível, levando-se em consideração que não tinha seu calmante natural por perto --- e as panelas quentes de alumínio pareciam ranger sobre as bocas do fogão, ameaçando uma aproximação mais... Brusca. “Well, that depends, but that’s a big if².” Deu de ombros, ignorando o tom de ameaça empregado pela morena. Dei Cattanei não deveria se sentir minimamente ameaçado, ainda que tivesse reprimido a vontade de dar meio passo para trás, levantando o queixo com soberba. “Você não poderia pagar o preço, de qualquer forma.” Escarneceu, ignorando os instintos de sobrevivência ao se aproximar da outra, um passo atrás do outro, ciente de que os guardas estavam observando o desenrolar da cena com os cacetetes firmemente empunhados.











