"You always are." Harry rebateu com um sorriso de pura admiração. Ron era uma das pessoas mais brilhantes que conhecia. Devia a ele não só sua vida, em muitas ocasições. Mas praticamente tudo o que sabia sobre quem era e quem deveria ser. Sua vida definitivamente era melhor por tê-lo por perto. Um bom exemplo disso era como conseguiu imediatamente fazer Harry se sentir melhor por não ter capturado o pomo na partida. Qualquer oportunidade de ofender Malfoy era bem-vinda, de todo jeito. Harry soltou uma boa risada e balançou a cabeça em concordância. "Acha que ele continua no time só por causa disso? Ou eles realmente não tem ninguém melhor para colocar no lugar?" Perguntou, repentinamente curioso. Mas não duvidava nada que Malfoy fosse o melhor que tinham.
Agora que tinha tirado aquilo do peito, Harry deu a si mesmo o direito de respirar fundo. Um grande suspiro escapando dos lábios. Também não tinha esperado dizer daquela maneira, mas agora que tinha feito, parecia bom ter puxado o curativo de uma vez em vez de tentar amenizar de alguma forma. Quer dizer, existia uma maneira amena de contar para seu melhor amigo que estava ficando com a irmã dele? Achava que não. Apesar de aliviado, não estava relaxado. Seus olhos estavam fixos no melhor amigo, esperando por alguma reação. Qualquer uma, à altura que os segundos foram passando e nada aconteceu.
Mas então aconteceu e Harry recuou um passo largo para trás, abrindo distância entre os dois por segurança. Os olhos arregalando por trás dos óculos, mesmo que não pudesse dizer que estava surpreso com a ameaça. "É exatamente o que achei que você faria." Confessou, maneando a cabeça. Estava estranhando porque não tinha se preparado para uma reação positiva. Agradecer, com certeza, não algo que imaginou que ouvira. Mas sorriu um pouquinho ao entender a nova ameaça nas entrelinhas. Sequer parecia importante quando era considerado o cara mais legal do mundo. "Não é que você não merece saber antes de todo mundo, não mesmo. É que estávamos aproveitando esse começo para ser algo só nosso, entende? Já falaram muito da gente nas últimas semanas." Fosse sobre Astoria e Draco ou sobre a filha hipotética, não queria colocar mais lenha na fogueira logo de cara. "Mas, não está mesmo bravo?" Perguntou, preocupado, voltando seu olhar para Ron. "Vou entender se estiver! Na verdade, fiquei com tanto medo que fosse estragar nossa amizade por isso que quase estraguei tudo com ela. Mas gosto mesmo da Ginny, Ron. E não quero mais ficar escondendo o que sinto."
"its because of you, harry. thank you... for everything... you know" não era comum pra ron weasley demonstrar tanta sensibilidade mas quando se tratar de harry potter ele conseguia muitas coisas que não conseguiria com outras pessoas, e era verdade. harry tinha uma confiança tão forte em ron que ele mesmo acabava se inspirando nessa confiança pra tentar ser tipo, digno dela, e pensava em tudo isso com um sorriso largo que logo foi substituído por uma careta imediatamente depois. "e não, eu não faço a menor ideia de porque a sonserina continua deixando o malfoy jogar. talvez seja pena. ou talvez ele tenha ameaçado contar pro pai dele" respondeu prontamente antes de balançar a cabeça outra vez. estava exagerando mesmo sua antipatia pelo outro nao o tornava cego diante da clara capacidade dele dentro do time da sonserina, mas ronald weasley comeria vidro antes de admitir isso em voz alta. "de todo modo você é infinitamente melhor, até fugindo de balaço enfeitiçado você foi melhor"
ainda tentando absorver a informação gigantesca que tinha acabado de receber. merlin. harry e ginny. harry e ginny. isso soava estranho e ao mesmo tempo absurdamente certo "e não, eu não tô bravo pela situação as is, talvez se eu fosse mais novo teria seilá algum rompante pra defender a honra da minha irmã e essas coisas todas mas tivemos uma conversa eu e ela, prometi nunca mais fazer isso, até porque, ginny sabe se cuidar" comentou confessando sobre sua mais nova personalidade descoberta - um homem razoavelmente maduro "quer dizer, eu fiquei bravo porque VOCÊS NÃO ME CONTARAM!" apontou acusadoramente pro amigo, porque aquilo continuava sendo um crime gravíssimo "mas eu conheço você" deu de ombros como se aquilo explicasse tudo. e talvez explicasse. "sei que você nunca machucaria ela de propósito... além disso ela gosta de você desde que tinha, sei lá, 11 anos. então sinceramente?" olhou pro amigo por um instante e abriu um sorriso "acho que eu devia estar mais surpreso por vocês terem demorado tanto... eu acho que você é a melhor pessoa do mundo, e acho que você é a melhor pessoa do mundo pra ela harry... então vamos precisar bebemorar isso! vocês já estão oficiais e tudo né! se meus irmãos encherem seu saco me avisa" sorriu largamente antes de erguer o copo lá no alto e beber um gole "agora... sem querer mudar do assunto felicidade pra um nem tanto feliz...." balançou a cabeça uma vez, depois outra, como se pudesse expulsar uma memória específica dela. não conseguiu. ótimo. " porque assim, o zabini sempre foi um completo idiota ou eu tomei balaços demais na cabeça hoje?" porque sinceramente. sinceramente. a situação toda tinha acabado com ele de um jeito que ele ainda não estava pronto pra admitir. "porque eu acabei de ver a hermione beijando ele e, harry, eu juro por merlin, eu fiquei isso aqui de ser mandado pra azkaban" informou com a maior naturalidade do mundo "e antes que você fale qualquer coisa, eu sei que ela pode beijar quem ela quiser. eu sei disso. eu tenho plena consciência disso. mas é o zabini!" repetiu, como se isso resolvesse a questão. porque na cabeça dele resolvia. totalmente. o pior é que eu nem sei por quê o zabini!'"
"Não está louco Ronald... Eu realmente estive beijando Blaise." Confirmou Hermione de tom seco e frio para o amigo. Ela deu ombros, o que ele iria fazer? Bater em Zabini? Não podia, não tinham nada. Podia reclamar mas Hermione era dona da sua própria pessoa. "Eu sei tudo que ele diz e fez e me diz nada cara mesmo." Era demonstrado nos olhos castanhos de Hermione quase um nada, como se cada palavras vindas do Weasley não lhe tocassem mais.
Hermione fechou os olhos por momentos e respirou fundo. Não estava com paciência de ter uma discussão com Ron. Especialmente, quando não podia expressar totalmente o que sentia "Apenas queria me divertir... Harry também se divertiu. Tou seguir o seu exemplo... Tentar ser mais relaxada."
"espera aí, deixa eu ver se entendi. dentre mais de cinquenta garotos nessa festa hoje você resolveu que queria se divertir com um cara que cresceu ouvindo exatamente o mesmo tipo de coisa que o malfoy? com um cara que provavelmelnte lutaria ao lado de voldemort em um guerra contra seu melhor amigo?" sabia que a voz devia estar trovejante se as pessoas ao redor dele que lançavam olhares curiosos pra conversa como um todo significavam alguma coisa era que a situação já tinha virado foco de muita gente "e eu sei que você pode beijar quem você quiser!" acrescentou rápido demais, porque alguma parte dele sabia que precisava dizer aquilo "o ponto não é esse... harry beijou a astoria, uma garota super legal que também é sua amiga, é totalmente diferente, astoria nunca falaria ou pensaria metade das coisas que o zabini fala e pensa" repetiu, como se estivesse tentando convencer a si mesmo disso... porque parecia ser exatamente esse o ponto. toda vez que tentava organizar o que estava sentindo, a imagem voltava "eu não consigo entender" admitiu finalmente, a voz mais baixa, mas não menos dura. talvez mais. porque a raiva pelo menos ele sabia administrar. aquilo? aquilo não. balançou a cabeça devagar, olhando pra ela como se estivesse tentando encontrar alguma coisa familiar ali "e talvez eu seja um idiota. provavelmente sou. mas eu vi você passar sete anos brigando com gente exatamente igual a ele. eu vi você chorar por causa do tipo de coisa que eles falavam. eu vi você..." interrompeu a própria frase e desviou o olhar por um instante. porque agora não estava mais bravo só. estava machucado. e isso era infinitamente mais irritante. "eu não tô te reconhecendo agora, seilá..."
atividades extracurriculares: clube de astronomia avançada, clube de teatro, jornal da escola e armada de dumbledore
existem algumas verdades universalmente aceitas sobre amara anika patil, as primeiras giram em torno do fato dela nunca conseguir entrar em um ambiente sem sair dele com pelo menos três novos amigos, uma fofoca exclusiva, a segunda é que ela chora em filmes. todos os filmes. inclusive aqueles que não deveriam fazer ninguém chorar. especialmente esses! a terceira é que, segundo a própria amara, existe uma diferença fundamental entre ser mimada e simplesmente possuir padrões elevados de existência. ela faz questão de esclarecer isso sempre que alguém menciona o episódio do terceiro ano em que ficou quarenta e oito horas sem falar com uma colega de dormitório porque a garota havia utilizado, sem autorização, sua pena favorita de escrita. há uma quarta verdade, também. mas essa quase ninguém conhece. para entender a quarta verdade, é preciso voltar alguns anos e atravessar um oceano.
antes de ser uma patil de hogwarts, amara foi uma patil de boston. filha única, herdeira emocional de pais ocupados, aluna de ilvermorny, filha de pukwudgie e dona de um closet que ocupava um cômodo inteiro e de uma certeza absoluta de que a sua vida seguiria exatamente conforme o planejado. amara sempre acreditou que as pessoas que amavam você permaneciam. talvez viajassem, talvez se atrasassem, talvez esquecessem aniversários importantes, mas permaneciam… então, aos treze anos, seus pais a enviaram para a inglaterra. amara costuma dizer, quando quer ser engraçada, que foi deportada!!!!
quando quer ser honesta, admite que, por muito tempo, acreditou ter sido abandonada. ela chegou na casa dos tios carregando cinco malas, um sotaque americano muito forte, uma quantidade alarmante de produtos capilares e a firme intenção de odiar tudo. odiou o clima. odiou as escadas. odiou o chá. odiou o fato de que os britânicos pareciam ter desistido coletivamente do conceito de tempero e essa mania irritante de serem pontuais que relógio CHATO esse big bang, né!!!
o problema é que hogwarts, inconvenientemente, recusou-se a ser odiada. a lufa lufa recusou-se a ser odiada, sua casa nova a acolheu de uma forma tão ternamente patil que ela não conseguiu passar nem 1 dia inteiro sem se apaixonar perdidamente pelas primas. ao longo dos anos, amara construiu para si mesma uma certa reputaçãozinha de ser apenas uma garota bonitinha, uma americana que não conseguia calar a boca, dramática, que não conhece o conceito de biblioteca. as reputações são coisas curiosas. por exemplo, é verdade que amara consegue identificar, apenas pelo som dos passos, qual de suas amigas está prestes a entrar no dormitório, também é verdade que ela mantém uma lista mental dos doces favoritos de praticamente todas as pessoas de quem gosta, taaaambémm é verdade que ela já cancelou compromissos importantes para passar uma tarde inteira ao lado de alguém que insistia não precisar de companhia.
é verdade que ela acredita em amor verdadeiro, almas gêmeas e finais felizes com a mesma intensidade com que acredita que marrom e preto podem, sim, ser usados juntos se você souber o que está fazendo e, talvez também seja verdade que amara tenha passado grande parte da sua existência se esforçando fortemente para fazer com que as pessoas ficassem, pra sua surpresa entretanto, entre boston e londres, e ilvermony e hogwarts e lufa-lufa e pukwudgie, patil americanos e patil ingleses, mara percebeu algo interessante… as pessoas em sua nova vida na inglaterra estavam ficando.
entre trancos e barrancos, amara tornou-se uma animaga registrada. sua forma animaga é a de uma lontra. ela mesma passou aproximadamente seis meses ofendida com o resultado, argumentando que havia características suficientes em sua personalidade para justificar algo mais elegante, mais imponente ou, no mínimo, menos propenso a segurar a mão de outros membros da própria espécie durante o sono. infelizmente para seus protestos, a magia acertou em cheio. como lontra, amara continua sendo exatamente quem é como bruxa: curiosa, sociável, absurdamente afetuosa, ferozmente leal e completamente incapaz de abandonar alguém que pareça precisar de companhia. o lado positivo é que ela desenvolveu uma forma excepcional de espionagem emocional. o lado negativo é que as pessoas que ama correm o risco real de encontrar uma pequena lontra sentada ao seu lado durante sua pior crise existencial!!! 🦦
personalidade:
amara é dramática, excessiva, sentimental, fala com as mãos, transforma pequenos inconvenientes em eventos de proporções históricas e acredita sim!!! que uma peça de roupa errada pode sim, arruinar um dia inteiro. gosta de coisas bonitas, de romances com finais felizes, de festas bem organizadas e de pessoas, principalmente de pessoas, sendo uma pessoa altamente perceptiva em relação àquelas que ama, amara percebe quando alguém muda o jeito de rir, quando um silêncio dura mais do que deveria, quando um “estou bem” significa exatamente o contrário. ela ama de forma inconveniente, protege de forma invasiva e permanece mesmo quando mandam que vá embora. talvez porque tenha passado tempo demais acreditando que amor era algo que precisava ser conquistado, amara decidiu fazer da própria existência uma prova do contrário: ela escolhe as pessoas repetidamente, ferozmente e, às vezes, até quando elas já desistiram de si mesmas. o que é uma péssima notícia para qualquer um que tenha a infelicidade de ser amado por ela e acreditar que conseguirá escapar disso.
"legacies are heavy things to carry", foi o que seu avô, arthur weasley, disse uma vez quando albus tinha 11 anos e havia sido recém-sorteado para sonserina. embora ninguém tivesse dito nada diretamente — e embora seu pai tenha lembrado albus da conversa que tiveram segundos antes de ele embarcar no expresso de hogwarts pela primeira vez. era claro como água no rosto dos pais e dos irmãos algo entre surpresa, curiosidade e uma cautela cuidadosa demais para passar despercebida.
"yes... they are. mas o curioso dos legados é que todo mundo acha que precisa carregá-los exatamente como recebeu", arthur continuou na época, os óculos escorregando lentamente pelo nariz enquanto um pequeno sorriso se formava em seu rosto. "mas a verdade, albus, é que cada pessoa acaba descobrindo o próprio jeito de carregar o seu."
talvez não fosse coincidência que arthur sempre tenha sido a companhia favorita de albus. havia algo na curiosidade tranquila do avô, na forma como ele parecia enxergar o mundo como um lugar cheio de coisas fascinantes para entender, em vez de expectativas para cumprir, que fazia albus se sentir compreendido de um jeito silencioso.
até porque, albus severus potter nunca foi uma dessas pessoas que nascem sabendo exatamente o que são, o que querem ser ou onde querem chegar.
desde pequeno, sempre pareceu preferir observar o mundo com uma curiosidade cautelosa, inclinando-se mais para os fatos e para a razão do que para a ação ou a emoção. isso não significava que lhe faltasse coragem, apenas que albus raramente fazia algo sem antes considerar todas as possibilidades. havia uma calma quase estranha na forma como ele analisava as coisas, como se estivesse constantemente montando pequenas peças invisíveis dentro da própria cabeça.
isso significava que decisões raramente eram impulsivas. cada escolha passava por um pequeno labirinto silencioso dentro de sua cabeça antes de finalmente acontecer. consequências, possibilidades, padrões.
o problema era que entender o mundo e saber exatamente o que fazer com ele eram duas coisas bem diferentes.
às vezes, depois de pensar demais, albus acabava agindo no momento errado. outras vezes dizia a coisa certa com meio segundo de atraso. e havia também aquelas ocasiões em que todas as peças faziam perfeito sentido dentro de sua cabeça — até o momento em que ele tentava colocá-las em prática.
era assim que tentava entender o mundo.
e, ocasionalmente, era assim que acabava se perdendo um pouco dentro dele também.
isso também significava que albus percebia coisas que talvez preferisse não perceber. olhares demorados demais. comparações silenciosas demais. o peso invisível de um sobrenome que parecia sempre chegar antes dele em qualquer sala.
não porque lhe faltasse amor — disso albus nunca duvidou.
mas porque histórias muito grandes costumam ocupar espaço muito grandes e enquanto crescia, albus era tomado por uma sensação esquisita de que às vezes, o mundo inteiro sabia exatamente quem harry potter era.
menos ele.
talvez tenha sido por isso que albus sempre encontrou mais conforto nas perguntas do que nas respostas prontas. havia algo profundamente honesto em não saber exatamente onde se encaixar no mundo, por consequência, o silêncio, para albus, nunca foi desconfortável. bibliotecas vazias, corredores tranquilos de hogwarts ou tardes chuvosas na toca sempre lhe pareceram lugares mais confortáveis do que salas cheias demais. o silêncio dava espaço para pensar, e pensar era algo que ele fazia com frequência.
às vezes, talvez até demais.
ser sorteado para sonserina apenas tornou algumas dessas diferenças mais visíveis. para muitos, a surpresa parecia vir antes da compreensão. para albus, no entanto, havia algo estranhamente confortável naquela casa, como se finalmente estivesse em um lugar onde pensar demais não era exatamente um defeito.
ambição, estratégia, curiosidade.
talvez... ser sorteado para a sonserina não fosse tão inesperado assim. e talvez seu avô estivesse certo o tempo todo.
legados podem ser pesados.
mas ninguém disse que precisam ser carregados da mesma forma.
personalidade:
albus sempre pensou demais sobre as coisas. talvez porque perceber demais também significasse sentir demais. expectativas silenciosas, pausas longas demais em conversas, comparações que ninguém dizia em voz alta, mas que ainda assim pareciam ocupar um espaço invivísvel. crescer aprendendo a notar essas pequenas coisas acabou tornando-o alguém cauteloso, analítico e, às vezes, um pouco atrasado nas próprias respostas para o mundo, mas ao mesmo tempo, foi exatamente isso que o tornou profundamente atento às pessoas ao seu redor.
apesar de raramente ser o primeiro a agir, albus tem uma tendência muito forte a tentar consertar coisas que deram errado. não chega a ser heroísmo as is. é algo mais silencioso e complicado do que isso. uma mistura persistente de empatia com aquela sensação incômoda de que talvez, de alguma forma, ele pudesse ter feito algo diferente. pensamentos como e se eu tivesse percebido antes? ou e se eu pudesse voltar e consertar? costumam aparecer com frequência maior do que ele gostaria de admitir.
na maior parte do tempo, albus prefere observar primeiro. entender o que está acontecendo, montar as peças com calma antes de tomar qualquer decisão. o problema é que o mundo raramente espera que alguém termine de pensar. às vezes as coisas acontecem rápido demais, e quando finalmente decide agir, albus já está emocionalmente envolvido demais para voltar atrás.
não é impulsivo por natureza. mas quando acredita que existe uma chance de consertar algo, especialmente quando alguém que ele ama está envolvido, pensar deixa de ser suficiente.
isso não significa, no entanto, que lhe falte ambição. pelo contrário. existe em albus um tipo de ambição mais silenciosa, menos visível do que a maioria espera encontrar em um sonserino. não é a necessidade de provar algo para o mundo, mas a vontade persistente de entender as coisas profundamente, de fazer melhor quando tem a oportunidade e, acima de tudo, de encontrar o próprio caminho sem simplesmente repetir as histórias que vieram antes dele.
poderes mágicos: n/a (mas ela ta tentando virar animaga esse ano)
atividades extracurriculares: clube de duelos, clube de feitiços, quadribol (batedora), clube de música e sociedade de exploração noturna.
bio:
dizem que o erro de icarus foi ter voado muito perto do sol. roxanne weasley sempre disse que o erro de icarus foi não ter voado perto o suficiente. nascida em meio a um tipo de barulho que transforma cozinhas em campos de batalha verbais, corredores em pistas de corrida e silêncios em algo imediatamente suspeito. desde pequena, parecia incapaz de existir discretamente. ria alto, falava alto, sentia tudo alto demais, como se tivesse herdado do pai não apenas o talento para transformar qualquer ambiente em espetáculo, mas também a necessidade quase instintiva de impedir que o mundo ficasse quieto tempo demais. e talvez tivesse mesmo.
ao mesmo tempo em que george e angelina weasley tentassem deixar seus filhos livres pra crescerem donos de si mesmo, roxy sempre cresceu ouvindo que parecia fred weasley. não seu irmão gêmeo, o segundo. e sim o primeiro fred weasley. o irmão gêmeo do seu pai, às vezes vindo de familiares sorrindo com nostalgia, às vezes vindo de adultos que imediatamente ficavam desconfortáveis depois de dizer aquilo em voz alta. durante muito tempo, não entendeu completamente o peso daquele nome dentro da família. só sabia que as pessoas olhavam para ela como se carregasse algo precioso e perigoso ao mesmo tempo. os mesmos olhos vivos, o mesmo sorriso torto de quem claramente estava prestes a causar algum problema e a mesma capacidade irritante de arrastar pessoas para situações questionáveis antes que percebessem que tinham concordado. parte dela adorava isso. outra parte passou anos tentando descobrir onde terminava a memória de fred e começava roxanne.
roxy entende, ela jura que sim. não sabia o que faria se perdesse o seu irmão gêmeo, as pessoas falam de perder familiares e é claro que estão certas de comparar essa perda a algo devastador, a quererem ir junto até, mas perder um gêmeo conseguia ser pior do que isso. porque um gêmeo não parecia exatamente outra pessoa. era mais como perder uma testemunha. alguém que existia ao seu lado desde antes de qualquer memória, antes de personalidade, antes de escolha. alguém que conhecia a versão mais primordial de você apenas por ter existido ao mesmo tempo. às vezes roxanne observava o pai em silêncio durante jantares de família, nos raros momentos em que george esquecia de sorrir rápido o suficiente, e entendia de forma quase sufocante que existiam ausências que nunca realmente fechavam. ela via isso na maneira como ele ainda olhava automaticamente para o lado errado em certas piadas, no segundo extra de silêncio depois de gargalhadas muito altas, no jeito como sua avó molly às vezes observava os filhos como quem estava constantemente contando quantos ainda permaneciam ali. perder um gêmeo parecia diferente porque o luto não levava apenas alguém amado; levava também a única pessoa no mundo que teria dividido exatamente a mesma vida que você. e talvez exatamente por isso tenha desenvolvido quase involuntariamente o hábito de preencher silêncios, aliviar tensões e provocar movimento em qualquer ambiente que começasse a parecer emocionalmente pesado demais. quando discussões ficavam sérias, ela desviava. quando alguém parecia triste demais, ela arrastava a pessoa para algum plano irresponsável. quando o clima afundava, roxanne fazia questão de incendiar alguma coisa, metafórica ou literalmente. porque roxanne odeia silêncio. silêncio lembra ausência.
em hogwarts, tornou-se rapidamente impossível ignorá-la. bonita demais, carismática demais, inteligente demais e impulsiva demais para passar despercebida, roxanne desenvolveu a reputação de ser uma confusão ambulante com um talento perigosamente específico para transformar pequenas situações em eventos históricos dentro do castelo. existia nela uma energia elétrica constante, como se estivesse perpetuamente entediada pela ideia de viver uma vida simples.
o problema é que roxanne transformou a própria personalidade em performance cedo demais. fazia piadas antes que alguém pudesse fazer perguntas, transformava vulnerabilidade em charme e tratava sentimentos reais como algo engraçado o suficiente para deixar de ser perigoso. todo mundo conhece roxanne weasley!! era o que dizia. poucas pessoas realmente conheciam. era o que pensava.
porque existe uma parte dela que teme, silenciosamente, que se parar tempo suficiente para olhar para si mesma sem distrações, descubra que passou tanto tempo tentando manter todo mundo respirando que esqueceu como fazer isso sozinha.
personalidade:
roxanne eris weasley é o tipo de pessoa que transforma qualquer ambiente em alguma coisa viva. barulhenta, impulsiva, emocionalmente intensa e socialmente brilhante, roxanne possui uma necessidade quase instintiva de movimentar tudo ao seu redor, como se silêncio prolongado demais pudesse sufocá-la. faz piadas rápido demais, provoca pessoas por entretenimento próprio, cria situações questionáveis com confiança suficiente para convencer os outros a participarem e parece existir em um estado constante de “of course lets blot this shit up!!!!”. o problema é que por trás do caos existe alguém perigosamente perceptiva. roxanne lê pessoas rápido demais, percebe desconforto antes de qualquer palavra ser dita e possui o hábito irritante de enxergar exatamente aquilo que os outros tentam esconder. embora aparente ser impossível de afetar, existe nela uma tendência quase desesperada de transformar vulnerabilidade em performance, como se conseguisse sobreviver a qualquer coisa desde que a transforme em algo engraçado primeiro. afetuosa de forma agressiva, ferozmente leal e absurdamente difícil de esquecer, roxanne faz as pessoas se sentirem vistas com facilidade.
atividades extracurriculares: clube de astronomia avançada, clube de poções e clube de xadrez bruxo
dizem as línguas que alguns nomes nascem prontos, como vestidos sob medida que nunca apertam, nunca sobram, nunca falham. emma burke foi um desses nomes. filha de maven burke e jocelyn fawley, criada entre porcelanas intactas e palavras medidas, aprendeu cedo que existir, no mundo ao qual pertencia, era uma arte delicada — e que errar, mesmo que discretamente, deixava marcas que nem o tempo ousava apagar. os burke nunca foram do tipo que gritava suas convicções, preferiam sussurrá-las com elegância, moldando a realidade até que ela coubesse perfeitamente dentro de algo aceitável. e emma cresceu ali, entre verdades suavizadas e expectativas que não precisavam ser ditas para serem obedecidas.
em hogwarts, a sonserina não a recebeu como um desafio, mas como um reconhecimento silencioso. havia nela algo que se encaixava, ainda que não completamente. emma não competia como os outros competiam, não brilhava como os outros brilhavam. ela se movia como quem rearranja o ambiente ao invés de dominá-lo. enquanto alguns queriam vencer, ela preferia compreender por que aquilo precisava ser vencido em primeiro lugar. havia uma delicadeza estratégica em tudo que fazia, como se cada escolha fosse pensada não para causar impacto imediato, mas para ecoar depois. gostava de magia que exigia precisão, não força. gostava de respostas que vinham com silêncio, não com aplauso. e, talvez por isso, nunca foi fácil de definir. era admirada, às vezes subestimada, quase sempre observada.
se sua vida antes de hogwarts parecia um salão bem iluminado onde nada jamais saía do lugar, sua vida dentro do castelo assumiu o formato de algo mais sutil, quase invisível. emma não era o centro das histórias, mas estava sempre perto o suficiente para entender como elas se desenrolavam. e gostava disso. havia poder em não ser completamente notada. havia segurança em não precisar se provar o tempo todo. ainda assim, existia nela uma inquietação leve, constante, como um pensamento que nunca termina de se formar. uma sensação de que havia mais — mais do que aquilo que lhe foi ensinado a aceitar, mais do que aquilo que diziam que bastava.
felix rosier foi, por muito tempo, apenas um nome que atravessava conversas e corredores sem realmente tocar nela. mais velho, distante, envolto em expectativas que não lhe pertenciam. não foram próximos. não naquele tempo. mas algumas presenças não precisam ser próximas para serem percebidas. anos depois, foi no tipo de lugar onde histórias costumam se complicar que eles se encontraram de verdade. entre objetos esquecidos e segredos mal guardados, o que começou como acaso ganhou forma com uma facilidade desconcertante. não havia promessas, não havia garantias, não havia nada que pudesse ser sustentado à luz do dia. e, ainda assim, foi real o suficiente para permanecer.
emma nunca fala sobre isso. mas pensa.
quando descobriu que estava grávida, o mundo não desmoronou. ele apenas se reorganizou ao redor dela, rápido demais, decidido demais, como sempre fez. houve silêncio onde deveriam existir perguntas, decisões onde deveria haver escolha. ela seguiu o fluxo como sempre seguiu, como foi ensinada a seguir. a menina nasceu em um intervalo de tempo que parece hoje mais sonho do que memória. élise. um nome suave, quase como um pedido que ninguém ouviu.
emma não sabe o que aconteceu depois.
e talvez seja exatamente isso que nunca a deixa em paz.
hoje, no ministério da magia, como desfazedora de feitiços, emma construiu uma vida que faz sentido na superfície. resolve problemas, corrige erros, desmonta o que foi feito de forma imprudente. há algo reconfortante em lidar com magia que pode ser compreendida, revertida, encerrada.
mas algumas coisas não seguem essa lógica.
algumas histórias não permitem correção. apenas continuidade.
e emma burke aprendeu a existir exatamente nesse espaço.
personalidade:
emma burke tem o hábito curioso de observar antes de existir de fato em uma cena, como se preferisse entender a sala inteira antes de permitir que a sala a entendesse. há nela uma elegância natural, não exatamente doce, tampouco fria, mas controlada o bastante para transformar qualquer desconforto em silêncio bem colocado e qualquer pergunta simples em algo ligeiramente perigoso. emma fala pouco, sorri menos do que poderia e raramente entrega uma reação inteira de primeira; parece sempre guardar a parte mais honesta para si, não por timidez, mas por estratégia. suas palavras não costumam ser altas, nem dramáticas, mas chegam no lugar certo. apesar da postura discreta, emma não é passiva. existe nela uma curiosidade afiada, quase inconveniente, que a leva a notar detalhes pequenos demais para os outros: uma pausa mal colocada, uma mentira ensaiada, uma mudança de tom, um medo disfarçado de arrogância. ela pode ser diplomática quando quer, gentil quando escolhe e provocadora quando acha necessário, mas nunca parece ingênua. há um charme silencioso na forma como conduz conversas, como se pudesse parecer apenas educada enquanto empurra alguém exatamente para onde queria
com quem ama, sua preocupação raramente vem limpa. aparece em ameaças secas, comentários irônicos e cuidados disfarçados de irritação, como se admitir afeto diretamente fosse conceder ao mundo uma vantagem indevida. ainda assim, sua lealdade é profunda, quase feroz, especialmente com aqueles poucos que atravessaram sua reserva. emma não se oferece facilmente, mas, quando se importa, observa, protege e cobra com a mesma precisão silenciosa com que fere. no fundo, ela aprendeu que querer demais pode ser perigoso, então prefere parecer sempre um passo distante; mas há algo nela que denuncia o contrário, uma intensidade bem guardada, escondida sob educação, mistério e uma calma que nunca é tão tranquila quanto parece.
atividades extracurriculares: armada de dumbledore, clube de xadrez bruxo e quadribol.
bio:
ottery st catchpole estava tomada por uma tempestade terrível durante todo o início do dia e começo da tarde do primeiro dia de março. o vento batia contra as janelas tortas da Toca como se quisesse arrancá-las do lugar, e trovões cortavam o céu em intervalos impacientes. “he’s getting stuck in there, dad, i’m telling ya’” comentou um dos filhos weasley, espiando pela escada. “yeah, bet he’s hearing the storm and thinking he’s about to enter into some dragon family or else” completou outro, com um sorriso torto. “shut it.” e esse foi arthur weasley — andando de um lado para o outro da sala, claramente sem conseguir se concentrar nos patinhos de borracha que havia trazido do trabalho para “estudo”, o ranger do assoalho denunciando cada volta ansiosa. menos de uma hora depois, o choro de um bebê atravessou a casa inteira como um feitiço de silêncio invertido, trazendo passos apressados, portas abrindo e vozes se atropelando. molly weasley estava sentada na cama, exausta e radiante, segurando o mais novo membro da família, enquanto ao redor dela uma pequena multidão de cabelos ruivos se formava — curiosos, inquietos, já opinando. “red-head, of course. você também estava torcendo para algo diferente dessa vez, charlie?” pausa. “claro, achei que talvez os cabelos pudessem vir verdes.” os gêmeos, com seus três anos de idade, fizeram pequenos barulhos de concordância, como se aquilo fosse perfeitamente plausível. mas molly e arthur não estavam ouvindo. olhavam apenas para o pacotinho embrulhado em uma manta marrom-tijolo, tricotada com cuidado e pressa, compartilhando dois sorrisos largos, silenciosos, cúmplices. “bill, charlie, percy, fred and george... meet ronald.” e, ao contrário do que charlie havia previsto, tudo o que ronald weasley sentiu em seus primeiros segundos no mundo foi calor — calor e pertencimento. lá fora, curiosamente, a tempestade havia passado.
ronald weasley cresceu como o filho homem mais novo de uma família que parecia sempre um passo à frente dele, aprendendo cedo a falar mais alto para ser ouvido, a correr mais rápido para não ser deixado para trás e a retrucar antes que zombassem — mesmo quando a piada ainda nem tinha sido feita. era cabeça-dura, orgulhoso e teimoso num nível quase admirável, mas havia algo mais ali, uma linha invisível de lealdade que ele nunca cruzava. ron tinha seus ideais bem definidos e não hesitava em defendê-los, mesmo quando a voz falhava no meio do caminho — porque falhava. a verdade é que a coragem de ron raramente vinha sem companhia: ansiedade, comparação, aquela sensação constante de estar chegando depois. quadribol? charlie foi a estrela. monitoria? percy e bill já tinham levado tudo — inclusive os distintivos. popularidade? fred e george transformavam isso em espetáculo diário. e então sobrava aquela pergunta, silenciosa e irritante: o que restava para ronald weasley ser?
não era preciso bola de cristal — nem mesmo sobreviver às aulas de adivinhação — para perceber que as situações que viveu, quase sempre ao lado de dois certos amigos, não eram coincidência. eram ensaio, preparação, um aviso. tic-tac. às vezes o som vinha como um eco dentro da própria cabeça, no ritmo do coração, insistente. a situação atual não era boa — ron sabia disso, sentia nos ossos, nos músculos tensionados do punho, nos olhares atravessados e nas frases que pareciam simples, mas não eram. tic-tac. aquele que nao deve ser nomeado estava de volta. e, com absoluta certeza, não parecia ser algo que ele pudesse resolver com uma resposta atravessada ou uma jogada de xadrez. tic-tac.
mas ronald weasley não estava fugindo. entre treinos de feitiços mal executados e discussões de situações nas quais ele se veria, com certeza, mais perto da morte do que gostaria. ele finalmente entendeu algo que nenhum dos seus irmãos poderia ter conquistado por ele: ele não precisava ser o melhor, não precisava ser o primeiro, não precisava ser ninguém além de quem ficava, quem lutava, quem não soltava. amigos pelos quais valia a pena se colocar entre o perigo e eles, uma família que valia cada briga, cada comparação, cada sombra — isso era suficiente, mais do que suficiente, era motivo. e ronald weasley defenderia isso do único jeito que sabia: com teimosia, com coragem, com unhas e dentes — e, se fosse preciso, com a própria vida.
personalidade:
ronald weasley não é, e nunca foi, o tipo de pessoa que entra em um ambiente e imediatamente chama atenção e, por muito tempo, isso o incomodou mais do que ele gostaria de admitir. existe nele um certo ruído constante, uma comparação automática com tudo e todos ao redor, como se estivesse sempre medindo o próprio valor em relação a alguém que chegou primeiro, fez melhor ou simplesmente pareceu mais seguro. esse pensamento não o paralisa, mas o acompanha, silencioso, influenciando suas reações, suas inseguranças e, principalmente, sua necessidade de provar — para os outros e para si mesmo — que ele é mais do que “o sexto weasley”. ainda assim, reduzir ron a essa insegurança seria um erro. porque, quando se trata de quem ele ama, ronald weasley é absurdamente seguro.
lealdade, no caso dele, não é uma qualidade — é quase um instinto. ron é o tipo de pessoa que defende, que compra briga mesmo quando não deveria, mesmo quando não é a escolha mais inteligente. ele pode até reclamar, pode resmungar, pode fazer comentários atravessados ou agir como se não estivesse tão envolvido assim, mas no momento em que algo ameaça quem ele considera seu, não existe hesitação. não existe cálculo. só ação.
ron sente tudo com intensidade, mas nem sempre sabe traduzir isso em palavras. frustração vira irritação. ciúme vira silêncio ou ironia. medo vira teimosia. ele não é particularmente bom em vulnerabilidade explícita, então tende a mascarar sentimentos mais delicados com humor, sarcasmo ou até pequenas provocações. isso pode fazê-lo parecer insensível em alguns momentos, quando, na verdade, ele só não sabe exatamente como dizer “isso me afetou”.
existe também em ron um senso de justiça muito próprio — menos teórico e mais visceral. ele não precisa de regras escritas para entender quando algo está errado, e dificilmente vai ignorar isso. não é alguém estrategicamente frio mas também não é ingênuo: ele aprende rápido, observa mais do que aparenta e, quando necessário, consegue ser surpreendentemente perspicaz, principalmente em situações de pressão. o xadrez não é coincidência — ron pensa, muito.
socialmente, ron é alguém fácil de se aproximar, ainda que não perceba isso. existe uma naturalidade no jeito dele, um humor quase involuntário que torna as interações leves, mesmo quando ele não está tentando. ele gosta de companhia, gosta de pertencer, gosta de fazer parte de algo maior — e talvez seja justamente isso que mais o define. no fundo, ronald weasley é alguém que ama de forma inteira, protege de forma feroz e sente de forma desorganizada. alguém que pode duvidar de si mesmo em silêncio, mas que nunca duvida das pessoas que escolheu chamar de suas.
o suspiro saiu antes de rose conseguir dizer qualquer coisa. já normal que ele surgisse acompanhado do nome de roxanne, sendo dito por ela ou mencionado por qualquer outra pessoa, porque definitivamente significava problema. "e você caiu na lábia dela? Albus!" como se ela mesma não acabasse fazendo tudo que a prima queria sem precisar de muitos argumentos para convencê-la. "definitivamente, antes que isso aí fique pior do que parece." concordou, os ombros subindo brevemente. "torre de astronomia?" não era estranho que rose acabasse fugindo de qualquer evento que fosse, especialmente ao lado de albus. era quase como um código secreto entre eles. uma olhada de canto de olho, um apertão, o ombro batendo no do outro quase imperceptível, eles simplesmente sabiam a hora de ir embora. "a vic definitivamente sabe de algo que nós não sabemos, e teddy pegou isso por osmose. incrível." não era exatamente uma reclamação, embora a fala viesse junto a um revirar de olhos. "domi dessa vez, não me obrigou exatamente. sabe quando ela começa a conversar e quando você percebe ta em outro lugar com ela? acho que descobri como ela sempre acaba enfiando a gente em alguma corrida nas férias. deve ser algum efeito veela, sei lá." o rosto se contorceu em uma careta assim que o gosto da bebida invadiu seus sentidos, fazendo rose balançar a cabeça em negativo. "see? é por isso que não confiamos na roxy!" a voz saiu rouca, entrecortada pela ardência da bebida. "depois de sobreviver ao colar amaldiçoado eu 'tô pronta pra tudo!" era mais o efeito da bebida falando por cima, sua coragem não chegava a tanto. rose era mais racional. "não faz sentido, porque você também tá soando azul e prata... por que você soaria azul e prata, albus?" os olhos se estreitaram minimamente, agora notando a bandeirinha da corvinal posta na roupa do primo de um jeito quase imperceptível. "wait... qual é a da bandeira? não me coloca no meio disso, eu sei que você não torceria pra gente só por minha causa. ou por causa da toire. ou do lou. ou da domi. merlin, quantos weasley temos na corvinal?"
"eu falhei miseravelmente nessa parte, rosie. é que chega uma hora que eu só me rendo pra ver se eu consigo arrumar uns minutos de paz pra mim" confessou, meio derrotado meio cansado. todas as primas dele eram forças da natureza de formas distintas e chegava um momento que albus apenas se deixava levar por elas, essa parte tinha aprendido com vovô weasley. assentiu positivamente uma única vez, meio que trocando aquelas mensagens que pareciam telepatia quando se tratava dele e rose "torre de astronomia" concordou "quinze minutos. dezoito no máximo. se eu estiver demorando demais você tem autorização formal pra me sequestrar" e sinceramente, ela já tinha feito isso antes. mais de uma vez. soltou uma risada baixa quando rose descreveu dominique. "o louis faz a mesma coisa!!! isso é exatamente um efeito veela. eu me recuso a acreditar em qualquer outra explicação. você começa numa conversa sobre o clima e de repente tá cavalgando um hipogrifo em outro país sem entender como chegou lá" comentou com a segurança de quem já tinha sido vítima da mesma situação. a reação dela à bebida, entretanto, foi infinitamente mais engraçada do que qualquer teoria sobre genética mágica avançada. "eu avisei!" mas então ela falou. sobre ele soar azul e prata. e o sorriso no rosto dele simplesmente congelou por aproximadamente dois segundos. ah. merlin. não. os olhos dela seguiram para a bandeirinha. ah, merlin, piorou. "o que?" perguntou automaticamente, como se não tivesse ouvido. tinha ouvido perfeitamente. "eu..." começou. e então olhou para a própria roupa. porque, aparentemente, tinha realmente colocado uma bandeirinha da corvinal. voluntariamente. de propósito. por uma razão extremamente específica que preferia não analisar naquele momento. "tá, tá, você... tem razão. eu jamais torceria pra corvinal por sua causa. ou da toire. ou do lou. ou da domi. embora eu ame vocês profundamente" até pensou em desconversar, o problema era que rose o conhecia desde antes de ambos aprenderem a amarrar os próprios sapatos. "ai eu definitivamente não consigo guardar segredo de nenhum de vocês, como pode mais da metade do castelos ser formada pela minha família e o scorpius ta incluso nisso?" depois de ventilar e desabafar por alguns segundos "você promete não fazer aquela cara?" perguntou imediatamente desconfiado. porque ela tinha uma cara. uma cara específica. uma cara que significava que ela tinha entendido tudo antes dele começar a falar.
“ Quando você vai aceitar o fato de eu sou o orgulho da família Potter? o resto de vocês apenas existe. “ disse dramaticamente, rindo para deixar claro que era uma brincadeira, mesmo que no fundo, bem lá no fundinho, ela realmente acreditasse em suas palavras, afinal, ela adorava ser a única menina e estrela da família. “ shhh. não conhece a regra? nós não falamos o nome do Teddy quando eu uso vestidos curtos. “ estreitou o olhar para o irmão, dando uma checada rápida a sua volta para ter certeza de que Teddy não estava por perto, porque ele daria um jeito de jogar um casaco sobre os ombros dela e ficaria a escoltando até que Victoire finalmente aparecesse roubando sua atenção. “ wow, bela performance. “ disse batendo duas palmas quando ele ergueu a voz daquele jeito. “ sabe, as vezes eu mas questiono o quão mais fácil a minha vida vai ser quando todos vocês se formarem… sério quem teve a ideia de colocar todos nós juntos num mesmo castelo? “ falou rindo, porque Lily provavelmente teria um colapso nervoso se ficasse longe dos irmãos e primos por muio tempo, e detestava pensar que a cada ano perdia mais dele, até que ficasse quase completamente sozinha em seu último ano, seriam só ela, Hugo e Louis, o castelo pareceria muito vazio sem Weasleys por todo lado. “ eu amo como você me conhece e valoriza os meus talentos, obrigada. “ levou ambas as mãos ao coração com um sorriso tocante e os olhos imediatamente se enchendo de lágrimas, a capacidade de fazer aquilo era uma das maiores habilidades, sempre aumentava a carga dramática de suas performances. Lily ergueu uma sobrancelha no instante em que o irmão pareceu negar, porque ele não ia realmente tentar isso com ela né? por sorte ele se corrigiu a tempo e admitiu, o que a fez sorrir. porém, conforme ele ia falando desenfreadamente a expressão da ruiva ia mudando para algo meio incrédulo, porque ela não acreditava no que estava ouvindo. “ Albus Severus Potter! “ quase gritou o nome dele. “ how dumb can you be? “ levou a mão aos próprios cabelos. “ como que você a chama a garota para um encontro, faz uma poção pra ela, tenta beija-la e depois, no segundo seguinte diz que quer ser só amigo dela? qual a lógica? Me diz! “ a ruiva levou as mãos a cintura, numa caricatura perfeita da própria mãe, sem nem perceber. “ como nós somos parentes? “ jogou a pergunta ao vento. “ estúpido. “ disse dando um tapa de leve na parte de trás da cabeça dele. tudo bem que Lily não tinha moral nenhuma para julgar o irmão, porque ela mesma vivia dizendo aos quatro ventos que ela e Lysander eram apenas bons amigos e nada demais, quando o loiro continuava sendo uma figura presente em seus sonhos e bem, ainda teve o pequeno incidente no sofá da sala comunal, que ela tentava esquecer, mas obviamente ela não contaria nada disso a Albus. “ o Scorpius tá sabendo dessa burrice que você cometeu com a prima dele? “ ergueu uma sobrancelha encarnado o irmão. " finalmente chegou o momento em que terei que te ensinar como tratar uma garota? porque você é péssimo. "
revirou os olhos quase que imediatamente em resposta à implicância "blah blah blah" fez com a mão, mas mantinha um sorriso no rosto anyway, porque no fim, ela tinha razão, sendo a caçula, a única mulher e tudo o mais, ele era um dos principais responsáveis por lily luna ser tãooo lily luna. "do jeito que as pessoas tão desmaiando na nossa frente por causa do seu vestido eu acho que isso vai chegar nos ouvidos do teddy anyway, mas... acredito na sua capacidade de dobrar a fera" tinha de admitir o talento quando este existia. deu de ombros quando ela reclamou da performance dele porque precisava pelo menos fingir que tinha algum tipo de moral como irmão mais velho dela pros outros, mas quando ela falou que a vida seria mais fácil quando se formassem albus não conseguiu evitar uma risada alta "ai, como se a gente nao fosse continuar te pertubando via cartas, nas ferias, berradores existem pra isso... uma vez que a gente consiga sair dessa loucura é claro" e então albus meio que achou que estivesse em solo seguro, mas então ela continuou falando. e continuou. e continuou. e cada nova frase parecia um balaço particularmente certeiro na cabeça dele. o pior? ela estava certa "okay, você escutou a parte que eu disse que estava receoso de ter ido com muita presa?? quer dizer, até então éramos-somos-seilá! amigos, e daí do nada eu chamo ela pra um encontro e do nada eu tento beijá-la?" protestou automaticamente. então parou "quer dizer... depois ela sumiu e acho que meio que entrei em pânico? posso ter sido muito fominha?" a ultima parte saiu meio incerta assim... porque qual tinha sido a lógica exatamente? passar semanas pensando nela. preparar poções pra ela. quase beijá-la. dizer que gostava dela. e então explicar que gostava muito do fato de serem amigos "ai!" reclamou por princípio "e não, o scorpius não sabe! ou... não sabia. até aproximadamente quinze minutos atrás. e pra ser sincero, ele reagiu melhor do que você, o que me preocupa profundamente porque você normalmente é a pessoa emocionalmente instável da família" implicou "mas eu não sei o que fazer, lilu" admitiu, e dessa vez não tinha piada. nem ironia. nem defesa. só ele. "porque eu falei aquilo porque achei que estava protegendo ela. e agora eu olho pra ela e..." a frase morreu por um instante. olhou para algum lugar do salão. não precisava dizer onde. "seilá, na verdade... na verdade não sei se não fiz a coisa certa, mas sinto que não fiz" e então voltou os olhos pra irmã, afiados, dessa vez "ei, se você pensa que vai escapar de me falar o que ta acontecendo com você, tá bem enganada, eu te conheço! tá esquisita e tem a ver com alguém"
James seguiu automaticamente a direção do olhar de Albus. Foi um reflexo. Anos de convivência tinham ensinado que quando o irmão ficava encarando alguma coisa daquele jeito, normalmente existia um motivo muito específico por trás. A sobrancelha arqueou lentamente. “Porque você tentou parecer misterioso e só conseguiu parecer um cara pego em flagrante... e contando a própria respiração, qual é! Se for isso mesmo que você tá fazendo, eu vou ser obrigado a intervir e isso pode ser pior do que simplesmente dizer a verdade...”, a risada escapou enquanto ele cruzava os braços. James estava prestes a continuar implicando quando ouviu o comentário sobre Olivia e imediatamente fechou os olhos por um segundo. Aquilo estava virando uma epidemia, não conseguiu andar por vinte centímetros naquele salão sem alguém tocar no assunto sobre a Wood. “Primeiro de tudo, eu sou bonito e ponto, sempre. Então isso aqui sou eu sem esforço. E em segundo que se eu quisesse impressionar a Olivia a roupa seria a última das minhas preocupações", admitiu e aquela frase tinha um sentido duplo. James apoiou um ombro na parede ao lado dele e observou a movimentação do salão por alguns segundos. “E outra coisa, você não tem o direito de me interrogar sobre absolutamente ninguém enquanto tá aí encarando alguém do outro lado do salão como um personagem de romance trágico. Eu conheço você, Al. Você faz essa cara quando tá processando alguma coisa complicada e tentando convencer a si mesmo que não é.”
"mas a minha moral ta muito ruim mesmo... tô com saudades de quando conseguia me fechar no meu próprio casulo e virar meio que um mistério ambulante pra todos vocês" reclamou com uma bufada no fim, de fato, suas capacidades de esconder seus próprios pensamentos pra dentro de si permanecia intacta em.... 99% dos casos, aparentemente, o 1% ele tava descobrindo ao vivo que se parecia muito com uma apanhadora loira linda da corvinal. fez uma careta de nojo com frase que o irmão soltou de duplo sentido "ai que nojo! eu lá quero ouvir piadinha de duplo sentido sobre coisas que você faria pra impressionar a liv, por acaso to com cara de lysander?" e não conseguiu dar uma empurradinha nele sem aplicar muita força, mas então james soltou o cartão irmão mais velho que te conhece mais do que você imagina que conhece e albus não conseguiu evitar desmontar suas defesas, que pra início de conversa, já estavam bem desmontadas quando james começou a falar "você vai ser a..." contou nos dedos por 4 segundos "...quinta pessoa só essa noite pra quem confesso certas coisas, a minha moral definitivamente ta muito baixa, mas... vamos começar com um, você já se viu criando sentimentos por alguém que sempre esteve na sua vida mas que, por algum motivo completamente absurdo, você nunca tinha realmente... visto?" a pergunta saiu mais baixa do que pretendia "e pior. achar que estava lidando muito bem com isso, maduramente, digo... o suficiente pra explicar que gostava do fato de sermos amigos e que não queria que ela se sentisse pressionada a..." fez uma pausa "...bem. a existir algo que não existe" merlin. dito em voz alta continuava soando terrível. "enfim..." a frase morreu. de novo "o que eu quero dizer é... o que você seila, faria no meu lugar?" suspirou "mas, ei também quero saber de você e da liv!"
A atitude suspeita de Albus fez com que o semblante de Scorpius se fechasse momentaneamente. Era como se ele estivesse encurralando o outro e nem sequer sabia porquê. Então, a menção de que havia caroço naquele angu rapidamente permeou sua mente, instigando pensamentos que naturalmente não tinha. "Ela não disse nada pra mim, mas o jeito suspeitíssimo com que você 'tá se portando agora me diz que eu deveria saber de algum detalhe a mais sobre isso." Após a descritiva sensação que o melhor amigo parecia ter com a beleza subversiva de Lyra, o próprio curioso estreitou os olhos na direção do outro, passeando agora a língua no lábio inferior enquanto ponderava. Reunir aquelas informações era mais do que útil na sua situação, principalmente após uma certa palavra ter sido citada me meio aos comentários de Albus. 'Nós', seus lábios se franziram, uma sobrancelha se ergueu e rapidamente o semblante de Scorpius se moldava em pura confusão mesclada ao fato de enxergar o outro ali com desconfiança. Foi rápido em dar um tapa no rosto do melhor amigo, não muito forte, mas não tão fraco para que não pudesse acordá-lo de qualquer que fosse o feitiço no qual estava preso. E esperou alguns segundos para que o outro comportasse sua ação como algo útil, para que se referisse à este, então: "Qual o seu problema?" O tom baixo, ameno e muito sutil escondia algo mais dentro de si. Algo que Albus certamente saberia, que é sua inconformidade com o assunto, e mais ainda por não saber porquê. Portanto, continuou com mais exatidão: "De repente 'tá falando sobre minha prima como se conhecesse ela tanto quanto eu. E pioooor," Ergueu um dedo e o balançou no ar, indicando a falta de contentamento gerado pela desconexão entre eles. Era possível também enxergar várias exclamações invisíveis, para pessoas de fora, ao redor de sua cabeça. "conhecesse ela de uma forma cuja qual eu nunca nem cogitei que conheceria." Então, rapidamente relaxou a postura. "E não 'tô falando como algo ruim, só... curioso, entende? Você nunca me comentou nada disso. É óbvio que não seria ruim você ser próximo da Lyra, mas será que essa proximidade entre vocês te leva a agir assim por um comentário meu? Nem eu me preocupei tanto..." Deu de ombros, momentaneamente arregalando os olhos. "Quer dizer, se ela tivesse realmente mal, não se isolaria assim. Não de mim, pelo menos." E pelo visto não de você, pensou, e ao que parecia pelo que o amigo dizia, deveria ser por ele mesmo... "Me explica direitinho esse 'nós' aí que ficou muito desconexo nessa frase sem um contexto. Existe um 'nós' entre vocês? E quando esse 'nós' começou a ser cogitado a existência?"
"well thats on me actually, aparentemente eu faço um trabalho horrível tentando fingir que não tem nada acontecendo logo pra quem, né?" balançou a cabeça incrédulo quando o ooooohh óbvio aconteceu e scorpius percebeu em praticamente 30 segundos (talvez até menos) que ele estava escondendo algo, isso é, se tivesse de fato algo pra esconder considerando o quão péssimo ele era escondendo coisas, sim no plural, mas será que quando uma coisa não existe ela de fato está sendo escondida? afinal, o quão possível era esconder algo que nem existe pra ser escondido? e o quant... pah! sentiu o tapa do melhor amigo retirar ele do que seria mais uma grande "qual é???" reclamou mais por princípio porque não tinha doído nada, na verdade ajudou muito "thanks for this" esse foi 100% sincero, deixe pra scorpius malfoy saber exatamente quando tirar albus potter do espiral mental no qual se enfiava mais vezes do que gostaria. então scorpius continuou falando. sobre a lyra. sobre conhecê-la. sobre um nós. ah. merlin. o olhar vagou pelo salão por alguns segundos enquanto tentava desesperadamente encontrar alguma resposta razoável para aquilo. infelizmente, todas as respostas razoáveis pareciam ter abandonado seu cérebro há algumas semanas. "eu não..." começou automaticamente. então lembrou que era scorpius damn it, não precisava fingir nada com ele - e convenhamos, não conseguiria. "olha somos dois, eu também nunca pensei que... quer dizer, ela sempre esteve ali e eu sempre estive aqui... e nós sempre estivemos assim" o dedo direito representando lyra e o esquerdo representando ele próprio, afastou-os um do outro, pra ilustrar o quão longe da órbita um do outro estiveram até então "e agora estamos mais próximos e eu não sei te dizer quando isso aconteceu, sinceramente" admitiu "quer dizer, eu sei. objetivamente. eu consigo traçar uma linha cronológica relativamente precisa dos acontecimentos, mas subjetivamente...." concluiu, dessa vez mais baixo. porque uma hora ela era a prima do scorpius. depois era a lyra. depois era alguém com quem conseguia passar horas conversando sem perceber. depois era alguém cuja opinião sobre ele passou a importar mais do que deveria. depois era alguém que desapareceu por alguns dias e o fez considerar seriamente a hipótese de que tinha destruído a própria vida por ser um completo idiota. "eu nunca comentei nada porque, subjetivamente eu ainda tava com dificuldades de compreender de fato aonde estava querendo ir, ou indo... pelo menos, não o suficiente pra te confessar certas coisas tipo, o fato de que eu acho que gosto da sua prima, tipo, muito" admitiu, e merlin o ajudasse, aquilo soou absurdamente mais real em voz alta do que dentro da própria cabeça. soltou uma risada curta, desacreditada.
"quer dizer, eu achei que estava indo bem. estatisticamente falando. sabe? eu identifiquei um problema, analisei o problema, conversei com a pessoa envolvida e tomei uma decisão racional sobre o problema" fez uma pausa breve "eu achei que estava fazendo a coisa certa. ela parecia confusa, eu estava confuso, então eu só quis deixar claro que gostava do fato de sermos amigos e que ela não precisava sentir nada sobre mim, ou sobre nós..." repetiu a palavra mais baixo dessa vez, como se ainda estivesse tentando entender quando exatamente tinha começado a usar aquele pronome. "porque eu não queria pressionar ela, eu só, quero continuar sendo amigo dela." soltou o ar devagar. "o problema é que eu não considerei que continuar sendo amigo dela também pudesse ser tão..." terrível? insuficiente? desesperador? "complicado" concluiu e então ergueu os olhos de volta para scorpius e, pela primeira vez desde o início da conversa, a preocupação venceu completamente o constrangimento. "mas eu não consigo imaginar que seja isso. quer dizer, eu literalmente disse que gostava dela. do fato de sermos amigos. isso não deveria deixar ninguém triste, certo?" franziu a testa.
Agora era uma questão de ignorar todos os pensamentos que surgiam, porque quando se abriu para o primeiro deles vindo daquele grupo em específico, todos os outros que seguiram a atingiram em cheio. ‘ she really thinks she has a chance? ‘ a loira conseguia sentir os olhares voltados em sua direção, os comentários ficavam cada vez mais altos diante de seus olhos. ‘ oh look at her, she actually belives he likes her it's to sad and pathetic ‘ Lyra engoliu seco, desviando o olhar e tentando focar em Albus novamente, a mente dele era tranquila, e fazia com que ela se sentisse melhor. ainda sim, uma insegurança se instalou dentro dela, porque talvez elas tivessem razão, Albus já tinha deixado claro que não havia nada entre eles além de algum tipo de amizade, na verdade, tinha reforçado isso mais de uma vez, estava na hora de Lyra aceitar aquela realidade, fora que, seria bom ter um amigo como ele. “ você se comunica muito bem para alguém que diz ser tão confuso, já disse, seus pensamentos apesar de um pouco acizentados são mais tranquilos do que pensa. “ sorriu de uma forma mais sincera dessa vez, conseguindo ignorar melhor os pensamentos alheios, porque quanto mais focava nele, todo o resto ia desaparecendo. e então, veio o elogio, fazendo com que suas bochechas corassem, e dessa vez, ela sustentou o olhar dele. “ thanks Albus, you look really beautiful tonight too. “ seu sorriso aumentou e ela conseguiu manter o olhar preso ao dele, se perdendo ali por alguns segundos, porque eram os mesmos olhos que ela vinha desenhando a semana inteira. a Nott piscou algumas vezes, como se forçasse seu cérebro a voltar a ouvir o que ele dizia e não só encara-lo como se fosse a coisa mais fascinante que ela virá em dias. “ ouvindo cores? “ perguntou inclinando cabeça. “ acho que isso nos faria uma dupla bem interessante, está ouvindo alguma coisa no momento? “ perguntou curiosa, seria bom ter a percepção de outra pessoa sobre como a mente dela funcionava, mesmo que fossem efeitos causados por uma bebida mágica. seus olhos clarearam quando ele admitiu que estava torcendo por ela, um sorriso se formou no canto de seus lábios. “ do jeito que você fala parece que vou precisar ter você torcendo por mim em todos os jogos, só pra dar sorte… “ não tinha certeza de onde veio aquilo, mas gostou da ideia de que o teria nas arquibancadas torcendo por ela, seria uma boa motivação. Lyra riu com a bandeira, e então veio o convite e, ela permitiu que seu coração se enchesse um pouco, tinha ouvido muitas histórias sobre a Toca vindas de Scorpius, e agora existia uma possibilidade dela conhecer por si mesma e ao lado de Albus ainda, algo brilhou em seus olhos. “ não acho que eu seja tudo isso, mas… se não for um problema, eu adoraria entrar para o seu time. “ disse com um sorriso se permitindo perder-se no olhar dele mais uma vez. “ Scorpius sempre me contou histórias sobre os jogos e verões com a sua família, parece… divertido. “ completou rapidamente como se precisasse justificar sua animação, não queria acabar o assustando.
A música pareceu preencher o ambiente, e o sorriso que Albus abriu naquele momento, só fez com que tudo se tornasse ainda mais brilhante, e Lyra não acreditava que isso fosse possível. “ eu adoro essa música. “ disse quase ao mesmo tempo que ele. seu olhar encontrou o dele, depois baixou para a mão estendida a sua frente. “ no. “ respondeu rápido demais. “ I mean YES! “ se enrolou por um momento, segurando a mão dele para evitar que ele se afastasse. “ eu adoraria dançar com você. “ disse mais firme dessa vez, olhando pra ele, e percebendo que no pequeno desespero se aproximara ainda mais dele, tanto quanto daquela vez na torre. “ mas não aqui, vamos acabar chamando mais ainda a atenção se ficarmos aqui.. eu não me importaria em ir até lá. “ indicou a pista com a cabeça, porque ela queria ter um momento normal, dançar com ele na frente de todos. “ tive mais aulas de dança do que alguém provavelmente deveria, prometo não deixar que pise nos meus pés. “ disse com certo humor, dando uma risada e olhando para ele com expectativa.
"i remember" comentou com um sorrisinho quando ela comentou sobre uma das primeiras coisas que tinha dito pra ele quando ficaram - porque o universo queria, ou algo assim - pela primeira vez em anos sozinhos de verdade o suficiente pra começarem a perceber um ao outro, sozinhos o suficiente pra que o universo talvez fizesse ambos lembrarem que o outro existia, mesmo que ambos já soubesse da existencia um do outro... coinciencia engraçada. albus talvez tivesse pensado naquela conversa mais vezes do que gostaria de admitir. mais vezes do que seria razoável. "eu acho que você foi a primeira pessoa que me disse isso assim, de uma forma tão espontânea..." admitiu depois de alguns segundos, o sorriso diminuindo um pouco, não de tristeza, mas de alguma coisa mais sincera. "que meus pensamentos não pareciam... demais" porque essa sempre tinha sido a sensação. demais. demais pra ele. demais pros outros. demais pro mundo. "mas ainda acho que é uma habilidade sua sabe? conseguir enxergar nos outros, qualidades indiscutivelmente positivas que parecem estar escondidas pras próprias pessoas" seu pai tinha comentado que sua avô tinha as mesmas habilidades, e albus não pôde evitar pensar que talvez tenha sido um dos principais motivos pelos quais ele se apaixonou. o elogio seguinte o pegou desprevenido de novo, mas conseguiu sorrir largo pra ela "thank you, mas eu definitivamente não estou competindo com você nessa categoria hoje, ou em qualquer outro dia pro resto da minha vida" observou, porque aquilo era simplesmente um fato objetivo. científico, até. e se ela estava olhando pra ele daquele jeito enquanto dizia aquilo, bem, ele definitivamente não reclamaria. a pergunta sobre as cores fez com que inclinasse a cabeça, pensando nisso de verdade pela primeira vez desde que tinha dito. "acho que..." começou devagar, aproximando-se um pouco mais sem perceber. "acho que é dourado. mas não um dourado muito forte. tipo quando a luz bate nas janelas da torre no fim da tarde" explicou, franzindo levemente a testa "e tem um pouco de azul e verde também. eu não sei o que isso significa... mas é bom" especialmente quando ele se aproximava ainda mais dela, parecia que o dourado se intensificava, ele não sabia bem porque sabia que era dourado, mas parecia que os sentidos tinham meio que se misturado e ele só soubesse. a ideia dela querer que ele torcesse em todos os jogos seguintes foi perigosa pra ele porque, sendo sincero estava em uma situação muito o que essa mulher não pede que eu não faço?? não achou a resposta pra essa pergunta "bom, nesse caso acho que vou ser obrigado a comparecer" respondeu com um sorriso que claramente tinha desistido de se comportar "sabe que seria irresponsável comprometer a performance da melhor apanhadora que eu já vi" e então ela falou sobre a toca. sobre os verões. sobre querer estar lá. e alguma coisa dentro dele simplesmente ficou perigosamente feliz, o tom de dourado aumentando os oitavos nos ouvidos dele, que loucura. "acho que você ia gostar" respondeu mais baixo dessa vez "é barulhento. e caótico. e às vezes alguma coisa explode. mas é... bom. muito bom" e, merlin o ajudasse, a ideia dela naquele cenário pareceu tão natural que quase o assustou.
quase. porque então veio o não. e ele morreu. definitivamente morreu. talvez por um segundo. talvez por cem anos. mas então ela segurou a mão dele. e disse sim. e merlin, talvez estivesse vivo outra vez. "you know what?? eu vou fingir por 1 segundo que não fiquei afetado com seu não porque sabia que o sim viria" e então ela disse que queria ir até a pista. a pista. com pessoas. e olhos. e tudo. piscou algumas vezes antes de sorrir de novo, daquele jeito meio desacreditado, meio feliz. "okay" concordou, apertando a mão dela um pouco mais antes de começar a caminhar na direção do centro do salão, descobrindo no caminho que, estranhamente, se importava menos com as pessoas olhando do que imaginou que se importaria. talvez porque ela continuasse ali. quando finalmente pararam, deixou a mão livre encontrar a cintura dela, puxando-a um pouco mais para perto do que tinha planejado. ou do que deveria. ou do que era seguro para sua estabilidade emocional "agora eu to pensando se não devia ter aceitado ter aulas de dança com tia astoria" comentou em voz mais baixa, sorrindo enquanto a outra mão ainda segurava a dela. "mas sinceramente não acho que ficaria encabulado de descobrir que você é boa nisso também" deixou uma risada sair pelos labios, não ficaria encabulado de descobrir que ela era boa em tudo que resolvesse fazer. por um instante, ficou apenas olhando para ela, enquanto começavam a acompanhar a música devagar. porque mesmo que não podia beijá-la agora? ah é porque precisava se lembrar de não assustá-la, o problema era que todo novo passo dado parecia levá-la pra mais perto dele, ou talvez fosse sua mão que alcançava quase metade das costas dela que parecia puxá-la pra mais e mais e mais em direção ao próprio peito. fosse o que fosse, cada novo movimento entre eles parecia chutar pra mais e mais longe esse pensamento de amizade, quem criou esse conceito ríduculo??? e pior, porque esse conceito se aplicava a eles mesmo? amigos não deviam pensar essas coisas de amigos, e albus percebeu pela primeira vez naquela noite que estava pouco se lixando pro que tinha ou não falado as long as she'd continue to look at him that way. he would pretend that she would want him to kiss her just as much as he wanted to kiss her.
‘ what is Albus Potter doing with someone like her? ‘ o pensamento da garota brilhou a sua frente, era impressionante como alguns pensamentos a encontravam mais facilmente do que outros, talvez porque fossem intensos demais ou direcionados demais. ‘ and what exactly is she wearing? all of this just to get his attention, pathetic. ‘ Lyra fechou os olhos por um momento para abafar as vozes, ela tinha se acostumado com tais instruções, esbarrões e críticas, não era nenhuma novidade, mas ter isso acontecendo na frente de Albus, fez com que ela se sentisse ainda menor. abriu os olhos no instante em que ouviu a voz dele sendo direcionada a garota. “ albus você não precisa.. “ as palavras morreram em sua garganta, porque ele já estava lá falando com ela, pedindo que ela se desculpasse, e tudo o que Lyra fez foi encarar as próprias mãos a frente ao corpo, ela não precisava de desculpas, ainda mais vazias como aquela e não queria um confronto, não queria dar um motivo para que seu tormento começasse outra vez. seu olhar encontrou o dele somente quando teve a certeza de que a garota tinha se afastado e levado seus pensamentos com ela. “ está tudo bem, não se preocupe. “ forçou um sorriso que não se estendia até seus olhos, a resposta automática, não queria que ele se preocupasse ou soubesse tudo o que tinha se passado, não precisava que ele a olhasse diferente ou se afastasse ainda mais por conta disso. confusa, por um momento, ela acompanhou o quase movimento da mão dele. “ você se faz entender muito melhor do que pensa. “ assentiu para ele. “ um favor? “ perguntou inclinando a cabeça, provavelmente ninguém além de Olívia, dos pais e talvez Balthazar e Scorpius se importaria com o fato de que ela não aparecesse. “ o vestido foi obra da minha mãe, ela fez o maior drama do mundo para que eu o usasse. “ uma risada baixa escapou, porque Daphne sabia exatamente com convencer a filha a fazer exatamente o que ela queria. “ é bom que saber que eles estão se entendendo, nem que um pouquinho pelo menos. “ sorriu mas o comentário a respeito das bebidas a deixou um tanto curiosa. “ e quais seriam esses efeitos curiosos? “ perguntou inclinando a cabeça para o lado e indicando para que eles saíssem dali, quando viu mais um grupo de alunos se aproximando que provavelmente colidiria com eles novamente. alguns passos depois, agora mais afastados do tumulto, ela baixou os olhos para a bandeira. " você torceu contra o Scorpius? só um pouquinho? " estreitou o olhar com um sorriso divertido nos lábios. " não deixe que ele fique sabendo disso. " aconselhou mas sem deixar de sorrir. " suas primas fizeram um ótimo trabalho, eu só tive que pegar o pomo... "
ele não gostou daquele sorriso, não porque não fosse lindo. lyra seria incapaz de ficar feia mesmo se tentasse. mas porque tinha aprendido a reconhecê-lo nas últimas semanas. era um sorriso típico dela quando estava tentando convencê-lo de que tava tudo bem. e o problema era que ele tinha passado tempo demais prestando atenção nela para acreditar. por um instante considerou insistir. perguntar quem era a garota. perguntar o que tinha acontecido.... mas então se lembrou da última vez que tentou empurrar alguma coisa. e de como tinha passado a semana seguinte inteira convencido de que tinha destruído a amizade deles. então apenas assentiu devagar. "okay..." respondeu, embora não estivesse nem um pouco convencido. e salazar o ajudasse, se aquela garota encostasse nela de novo, verdade seja dia, se qualquer pessoa ousasse encostar em lyra nott... ele provavelmente acabaria iniciando um incidente de verdade. a resposta seguinte arrancou uma risadinha dele, mais porque precisava desesperadamente sair daquele buraco emocional em que estava entrando do que por qualquer outra coisa. "nah, nop! é tudo você, acredite se quiser. e você superestima minhas habilidades de comunicação e subestima a quantidade de pensamentos aleatórios que existem aqui dentro" comentou, dando duas batidinhas na própria têmpora. "é um ecossistema muito complexo" o sorriso aumentou um pouco quando ela mencionou a mãe. claro que tinha sido daphne. aquilo fazia um sentido assustadoramente grande. "bom, então eu gostaria de deixar bem claro aqui entre nós que tia daphne estava certa" e talvez ele estivesse em perigo por admitir aquilo em voz alta. "you're very beautiful" ai albus potter pra que você foi olhar de novo? "quer dizer! eu já disse isso, mas só pra, you know, reforçar" concluiu com toda a eloquência de alguém que tinha abandonado a esperança de formular frases completas há pelo menos dez minutos. felizmente, as bebidas existiam. infelizmente, elas também existiam. "os efeitos curiosos?" repetiu, o sorriso se tornando um pouco mais torto enquanto a acompanhava para longe da multidão. "quando eu encontrei rose eu estava ouvindo cores, você acredita nisso? você vendo e eu ouvindo... we're matching" sorriu enquanto parava por um instante enquanto a observava estreitar os olhos para a bandeirinha da corvinal. gostou de vê-la perceber que sim, ele seria capaz de torcer contra a própria casa por ela. nossa que sappy, quando finalmente saíram de perto da passagem e das pessoas, ele acabou gravitando um pouco mais pra proximo dela sem perceber "eu não me arrependo" e pior que era verdade, scorpius que o perdoasse "embora eu prefira pensar que não estava torcendo contra o scorpius" acrescentou, inclinando levemente a cabeça. "eu estava... especificamente torcendo por você" e lá estava. de novo. aquela sensação de que alguma frase tinha escapado do controle antes de passar pelo departamento responsável por impedir esse tipo de coisa. merlin. definitivamente eram as bebidas. tinha que ser. "e funcionou!" acrescentou rápido demais, erguendo a bandeirinha uma segunda vez. "você foi extraordinária, como eu não tinha percebido ainda que era tão boa voando, nem eu sei, agora vou ter que te levar pra toca comigo, não costumo jogar muito quadribol, mas com você no time nunca mais a gente perde nos jogos dos primos por lá" porque aquilo parecia muito mais seguro do que admitir que teria torcido por ela mesmo se ela estivesse jogando contra o resto do mundo inteiro.
ia comentar alguma coisa nova, mas a frase morreu quando uma música começou a tocar começou a tocar. ah. merlin. abriu um sorriso pequeno antes mesmo de perceber. "eu amo essa música" admitiu, mais para si mesmo do que para ela. os olhos passearam pelo salão por um instante, observando algumas pessoas começarem a se aproximar do centro. depois voltaram para lyra. talvez fosse culpa da bebida. talvez não. honestamente, naquele ponto, já não importava muito. deu meio passo na direção dela, erguendo uma das mãos entre os dois. "wanna dance?" perguntou com um sorriso torto. rapidamente acrescentando: "a gente nem precisa ir pra lá" apontou vagamente para a pista. "podemos ficar exatamente aqui. uma dança estrategicamente posicionada. longe o suficiente das pessoas pra preservar nossa dignidade" e sorriu.