ora, SOPHIE THATCHER? ah, não, os passos no mapa do maroto nunca mentem. aquela é MARLENE MCKINNON, que tem DEZOITO anos e é muito famosa na GRIFINÓRIA. segundo sua ficha escolar, ela é MESTIÇA e faz parte do TIME DE QUADRIBOL, ARITMANCIA E TRATO DAS CRIATURAS MÁGICAS. será que é verdade que ela pretende ser ALGUMA COISA, DEFINITIVAMENTE, quando sair de hogwarts? o ano está acabando, é bom se decidir logo! boa sorte em seus NEWTs, você vai precisar.
✜⠀⠀os mckinnon nunca se destacaram muito no mundo bruxo, sem muitas riquezas, pureza do sangue ou membros ilustres, até o nascimento de daniel, irmão mais velho de marlene. ele foi o jogador titular mais novo na história do chudley cannons, e tinha um futuro extremamente promissor pela frente.
✜⠀⠀por muito tempo, marlene viveu numa tentativa enorme de poder trazer o mesmo sentimento de orgulho aos pais que danny trazia, se esforçando para se tornar uma batedora tão boa quanto ele. estava indo num bom caminho – conseguiu entrar no time de quadribol da grifinória na primeira tentativa, no terceiro ano.
✜⠀⠀sempre foi muito tímida e reclusa, frequentemente taxada de esquisita. não sentia que se encaixava em nenhum lugar além do quadribol, e até ele parecia apenas uma forma de seguir os passos do irmão, e não algo realmente dela. fez poucos amigos ao longo dos anos em hogwarts, mantendo-se próxima apenas de um grupo seleto.
✜⠀⠀gosta exclusivamente de garotas e demorou um tempo considerável para aceitar esse aspecto de si mesma – desconfiou pela primeira vez aos treze anos, mas só contou à primeira alma viva aos quinze. até hoje, só seus amigos mais próximos sabem, e é bastante discreta quando está se envolvendo romanticamente com alguém.
✜⠀⠀teve uma mudança drástica de atitude no final do sexto ano, quando um incidente trágico ocasionou na expulsão de danny do chudley cannons. considerando toda a situação extremamente injusta, marlene passou a questionar se valia a pena mesmo se esforçar tanto para fazer parte de um time que lhe chutaria na primeira oportunidade, e a partir daí começou a viver a vida da forma que gostaria, se importando bem menos com o que os outros pensavam dela.
✜⠀⠀ela está tendo muitas experiências da juventude pela primeira vez agora, no sétimo ano, já que antes disso sempre se comportou da forma mais adequada que pôde, e por isso acaba agindo de uma forma meio imprudente e impulsiva de vez em quando, ignorando os próprios instintos.
✜⠀⠀desistiu da carreira no quadribol e agora não faz a menor ideia do que quer seguir no futuro, já que a sua segunda opção, medibruxaria, também era totalmente baseada no que a mãe queria, e não no que gostava. ela tá meio seguindo o fluxo, tentando ver no que vai dar.
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where: salão comunal da grifinória, noite.
Marlene tinha sido uma aluna exemplar a vida inteira, nunca deixando os deveres acumularem e sempre mantendo o assunto em dia, até nas matérias mais entediantes. Manter esse costume no sétimo ano, no entanto, estava sendo um desafio – com todo mundo focando nas matérias relacionadas à carreira que queriam seguir, era difícil encontrar motivação quando não fazia ideia do que gostaria de fazer. Alice era uma das únicas pessoas que conseguia lhe convencer de estudar, ultimamente, principalmente pelo fato de que não sabia negar nada quando ela propunha. Era isso que faziam naquela noite, sentadas no enorme tapete do salão comunal, mas a McKinnon já estava perdendo a paciência, cansada de ler sobre o que pareciam milhares de propriedades da raiz de asfódelo. E ela gostava de poções! Soltou um grunhido impaciente e se deitou no chão, afundando as palmas das mãos nos olhos como se pudesse enfiar o conhecimento dentro da própria cabeça daquela forma. “Eu não aguento mais não, Ali” resmungou, suspirando alto, e se sentou novamente, se virando para ela em seguida, “Não sei como você tá tão plena. Se eu ler mais uma palavra meu cérebro vai explodir!”
era inevitável que os olhos de amos não brilhassem diante de qualquer coisa que envolvesse magizoologia. mesmo que aquela feira o fizesse pensar que era uma boa ideia ter um plano b, ainda tinha bastante certeza da profissão que queria seguir. a voz conhecida o fez erguer o rosto, tirar a atenção do panfleto sobre vagas de estágio e voltá-los para marlene. ❛ precisava me lembrar disso? ❜ perguntou ao fazer careta. não era uma reação séria. já tinha pensado em todos os prós e contras da profissão. ❛ e eu pretendo não perder nenhum membro para a criatura que for. newt scamander não perdeu, posso ter alguma esperança de ser assim comigo também. mas se forem os ossos do ofício e acontecer, vai ser uma ótima história para contar quando eu escrever meu próprio guia de criaturas mágicas, não acha? ❜ apesar do tom sério e comprometido, diggory não falava sério. não tão sério, pelo menos. era ambição demais para quem nem tinha feito o niems ainda, de qualquer maneira. ❛ ou quando assumir o lugar do professor kettleburn, quem sabe? ❜ adicionou em um sussurro pela proximidade com o homem.
Não pôde evitar a risadinha que deu pelo nariz com a reação dele, erguendo os braços em rendição a seguir. “Ei, mas tá literalmente na descrição do trabalho! Tem que pensar em tudo na hora de decidir essas coisas.” tentou defender seu ponto de vista, mas estava evidentemente brincando. “Se tem alguém que conseguiria transformar perder um membro numa história divertida, esse alguém é você, meu caro. Acredito totalmente no seu potencial! As histórias do Kettleburn só me deixam meio nervosa, mas é porque ele conta sem um pingo de carisma. Como que você faz um encontro com dragões parecer entediante, sabe?” abaixava o tom de voz estrategicamente sempre que citava o professor em questão, porque estava exagerando um pouco. As aulas dele não eram tão ruins assim – se fossem, não teria permanecido na turma depois do quinto ano. “Tenho certeza que Hogwarts inteira aprovaria essa mudança. É meio difícil de levar a sério as dicas de segurança de quem claramente não parece tão... seguro.”
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where: dormitório.
Em outras épocas mais conturbadas, Marlene teria fugido correndo de uma programação como aquela – experimentar vinhos trouxas com Mary sozinha? Jamais! Álcool tinha a tendência de lhe fazer querer revelar segredos profundos, e já houve um tempo em que o seu segredo mais profundo era ela. No entanto, gostava de pensar que eram águas passadas e que seu subconsciente não lhe trairia agora. “Eu já experimentei outras bebidas alcoólicas trouxas, amiga, mas vinho realmente não foi uma delas” respondeu à pergunta feita por ela, tentando recordar se já tinha experimentado qualquer vinho que fosse. “Eu acho que nem vinho bruxo eu cheguei a provar, na real. Meus pais não bebem muito, e quando eu compro alguma coisa normalmente é vodka barata” ergueu os ombros num gesto indiferente, já que nunca tinha sido sommelier de álcool algum. Consumia mais pelo efeito. “Mas a gente não vai tomar tudo isso não, né? Não quero morrer amanhã, e eu nunca tomei pra saber se meu corpo vai odiar ou não.”
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where: próximo ao lago, numa manhã vaga.
O sexto e o sétimo ano tinham algumas poucas vantagens em relação aos anteriores. Era inegavelmente mais estressante, claro, mas como podiam escolher as matérias que continuariam cursando após os N.O.M.s, tinham uma considerável quantidade de horários vagos. Segundo os professores, esses horários deveriam ser utilizados para estudar, obviamente, uma vez que a quantidade de assunto só subia exponencialmente, mas Marlene gastava bastante desse tempo desopilando. Tinha coisa demais para pensar! Naquele dia em particular, Emma lhe acompanhava – ela parecia bem ocupada lendo um livro quando a encontrou, mas concordou após um pouco de insistência da McKinnon. O que ela provavelmente não esperava era que não teria um segundo de paz para continuar sua leitura, já que Marlene estava particularmente tagarela. “Cê já se perguntou o que tanto tem na Floresta Proibida pra ela ser proibida, Vee?” ponderou, olhando atentamente para os limites do local para ver se conseguiria visualizar alguma coisa esquisita, “Assim, fora o que tem nos livros, e tal, porque eu não confio muito neles. Acho que tem muita coisa que falam só pra nos assustar. Vai ver tem um grande segredo escondido?” A amiga não parecia prestar muita atenção no que dizia, mas ainda assim continuou falando. “Mesma coisa com o lago. Às vezes eu queria ser animaga e virar um peixe só pra ir lá dar uma espiada. Nossa, imagina que engraçado deve ser virar um peixe! Eu nunca soube de um animago que virava bichos aquáticos. Você conhece? Próxima vez que eu ver a McGonagall por aí vou perguntar. Ô, mulher, cê tá me ouvindo?”
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where: hogsmead, final da tarde.
Tinha parado de processar tudo que Emmeline estava falando há alguns minutos, não porque não se interessava pelo que a amiga estava dizendo, mas porque ouvir sobre medibruxaria naquela semana estava tendo uma péssima reflexão no seu humor. Era a carreira que todo mundo da sua família parecia querer que seguisse, de certa forma aliviados que ela tivesse desistido do quadribol... mas ela não queria interromper, não quando a outra parecia tão empolgada falando. Um sininho conhecido chamou sua atenção, avistando logo em seguida um carrinho de sorvete à distância, e resolveu que era uma ótima desculpa para mudar de assunto. “Sorvete! Eu não sabia que o senhor Fortescue também tinha vindo. Podemos ir tomar um? Por favooooor...” arrastou a última palavra e lançou um olhar apologético na sua direção por ter lhe interrompido. “Quem sabe vender sorvete não é a minha vocação?”
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where: hosgmead, feira de profissões.
Aquele evento deveria existir com o intuito de ajudar alunos a decidir o seu futuro, mas estava fazendo o contrário para Marlene. A quantidade de opções não estava lhe ajudando nem um pouco, e enquanto várias pareciam boas, ao mesmo tempo também pareciam péssimas, já que essencialmente tudo tinha potencial para dar muito certo ou muito errado. Como ela poderia saber do futuro? Era muita pressão! Tentando tirar um pouco a cabeça daquilo tudo, se aproximou de Amos, que parecia completamente absorto num panfleto sobre magizoologia. “Sabe, eu já pensei em ir na sua onda e cogitar a possibilidade de ser magizoologista, Diggory. Trato das Criaturas Mágicas é legal” comentou subitamente, sem sequer se anunciar primeiro, “Mas imagina o tanto de cocô que cê não vai ter que limpar? Não vou nem entrar no mérito de perder um membro ou outro... eu acho que o Professor Kettleburn só é imprudente mesmo.” acrescentou a última parte num tom mais baixo, já que o professor em questão não estava tão distante assim dos dois, respondendo perguntas.
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where: st. mungo's.
Estar no St. Mungo's trazia de volta sentimentos que Marlene definitivamente não gostaria de sentir. Além da óbvia associação com o incidente de Danny e as vezes que tinha lhe visitado no hospital, o local lhe lembrava da carreira que tantos haviam sugerido que seguisse – a medibruxaria. Era a carreira da sua mãe, ela mesma tinha aptidão para poções e feitiços de cura... devia ser uma escolha óbvia! Mas ela não conseguia evitar sentir que, de alguma forma, parecia errado. Ter a vida das pessoas nas suas mãos era uma pressão que ela não gostaria de ter para si.
Foi exatamente por isso que resolveu dar uma escapada da excursão naquele dia. Tinha sido convencida pelas amigas a ao menos visitar o ambiente e dar uma chance, mas sentiu a necessidade de fugir em menos de vinte minutos, e a proximidade com a Londres trouxa lhe deu uma ideia. Saiu de perto do grupo principal e pensou que tinha conseguido despistar todos com sucesso quando se sentiu observada na recepção do local, avistando em seguida um rosto conhecido. Pandora. Ela provavelmente tinha reparado na direção à qual estava indo, então mentir estava fora de questão... e ela possivelmente nem conseguiria mentir para ela, em primeiro lugar. Inspirou fundo e se aproximou com cautela, olhando para os lados antes de sussurrar. “Estou indo na Londres trouxa colocar um piercing. Não comenta nada com ninguém, por favor? Devo estar de volta antes da visita acabar, não vão dar falta.” Refletiu por alguns segundos antes de continuar, hesitante. “Se quiser você poderia... bem. Poderia vir comigo? Sei lá, só uma ideia.”