Você não sabe quem eu acabei de encontrar na Praça das sete famílias. Isso mesmo, SIRIN! Ela é uma SEREIANA que atua como DANÇARINA NA NOCTURNE aqui em Ninivae, sabia? Ouvi dizer que possui OITENTA E SETE anos, embora aparente ter VINTE E NOVE anos. Os ventos sopraram que esse rostinho angelical é PACIENTE, mas são os rumores sobre ser VINGATIVA que ameaçam a nossa paz. Será que teremos problema em lhe estender a mão?
HEADCANONS
Nascida e criada em um coven localizado entre as correntes austeras do Oceano Índico, passou todo o início de sua vida sem ter qualquer contato com outras espécies, principalmente humanos. Ouvia frequentemente as histórias de como eram intrometidos, covardes, imprevisíveis e que deveria se manter longe de quaisquer embarcações que ameaçassem chegar perto de onde moravam até que fosse o momento de sua iniciação.
O clã Mortisen era orgulhoso em ter obtido seu completo isolamento após décadas desenvolvendo as melhores estratégias mortíferas para se livrar daqueles que se atreviam a adentrar os limites de seu território, sendo essa a razão por trás de seu nome. Fosse pela manipulação da água para que criassem grandes ondas ou por seu canto hipnótico, eram a principal causa dos naufrágios na região, algo que não fazia sentido para a mais nova do grupo.
Sirin foi a última criança a nascer no coven, as sereias mais velhas dizendo que sua vinda traria a ascenção ou ruína de todas. Ingênua, optou por não acreditar na superstição que corria de boca em boca, nem mesmo na história de que humanos traziam apenas desgraça por onde passavam. Em sua iniciação, se pegou mais curiosa sobre como viviam do que empenhada em ser a percusora de suas mortes, razão pela qual acabou poupando a vida de um dos tripulantes do navio em segredo.
Dias depois, ouviu que as anciãs fariam uma visita à terra em busca de alguns ingredientes que se tornaram escassos nos últimos anos e eram essenciais para o clã. Era uma oportunidade única! A mais nova sabia que levaria décadas até precisarem disso novamente e, ingênua sobre o perigo que correria, implorou para que participasse da missão. Afinal, merecia aprender sobre o mundo em que viviam, não?
Em terra firme, se viu procurando pelo humano que havia poupado a vida. Queria saber se estava bem! Dentre os vários comerciantes que haviam na ilha, lá estava ele vendendo qualquer coisa que Sirin acabou comprando em troca de uma oportunidade de conversarem. Esse fora seu terceiro erro. Nos poucos dias que ficaram na cidade, se pegou visitando-o em todos e se afeiçoando ao humano que já deveria, há muito, ter sido morto. O sentimento parecia recíproco, de modo que a garota, na euforia de ter encontrado seu primeiro amor, acabou por compartilhar quem e o que era na esperança de que o homem lhe esperaria. Teria de encontrar uma nova brecha para visitá-lo, afinal.
Após o espanto inicial, seu amado passou a questioná-la sobre maiores detalhes de como vivia e Sirin, com o coração partido pela separação eminente, se viu despejando tudo o que desejava saber sem qualquer receio do que poderia acontecer no futuro. Na manhã seguinte, partiu junto às outras sereias, alheia ao fato de que seus segredos eram compartilhados entre todos os comerciantes que, naquele mesmo momento, se preparavam para as caçar.
O ataque ocorreu no crepúsculo do quarto dia após seu retorno, pegando todas desprevenidas. Sirin foi a primeira a ser capturada, tendo de assistir de sua jaula a morte de toda sua família enquanto gritava e cantava no desespero de conseguir influenciar os humanos a lhe soltar. Não havia lhe ocorrido, até então, que compartilhar seus segredos com seu amado era a exata causa da chacina estar acontecendo, muito menos que os homens haviam se preparado para isso, enchendo o ouvido de cera de abelha para que sua manipulação não os atingissem.
A batalha ainda não havia acabado quando ergueram sua jaula para convés do navio, lhe vendaram e levaram para longe de tudo o que conhecia. Quando acordou novamente, alheia ao fato de que haviam lhe drogado, estava em um tanque minúsculo no que parecia um porão de alguma mansão. Passaria suas próximas décadas ali, exibida como um prêmio de empresário qualquer que havia lhe comprado nas mãos de seu primeiro amor. Primeira traição.
O homem sempre tomava o devido cuidado de descer ao local com os ouvidos protegidos, assim como seus visitantes, até que a oportunidade perfeita finalmente surgiu em uma madrugada qualquer. Após ter perdido um acordo muito rentável, seu dono surgira nas escadas com uma garrafa na mão, totalmente embriagado. Com sua mente intoxicada, esquecera da proteção em seus ouvidos, se tornando uma vítima fácil para um coração que clamava por vingança incessantemente nos últimos vinte anos. Ou seria trinta? Era difícil manter uma cronologia quando seus dias eram todos iguais, porém Sirin não teria que se preocupar com isso por muito mais tempo. Após encantá-lo com sua voz e convencê-lo a entrar no tanque, não apenas o afogou, como rasgou a carne de seu peito em busca de seu coração. A partir de então, todas suas vítimas tiveram o órgão devorado em suas mãos, uma espécie de troféu em sua jornada de vinganças.
Mesmo com as lembranças vívidas do que havia ocorrido com o restante de seu clã, Sirin retornou ao local, deixando um rastro de vítimas no caminho. Encontrou-o devidamente destruído, sem nenhuma outra alma viva por quilômetros e quilômetros, o que comprovara seu receio inicial: era a última Mortisen a nadar por aquelas águas e andar pela terra. Consumida pelo ódio que não entendia quando mais nova, jurou que iria caçar todos aqueles que participaram da emboscada, assim como suas esposas, filhos, netos… Acabaria com todas as linhagens, custasse o que custasse. Foi assim que, alguns anos e muito sangue depois, acabou chegando em Ninivae.
HABILIDADE & ARSENAL
CANTO HIPNÓTICO: Um dos traços mais conhecidos das sereias, consegue convencer aqueles com ouvidos desprotegidos a fazer o que desejar. Suas vítimas acabam envolvidas em sua sensação de calmaria e conforto, um relaxamento que se torna viciante, e se vêem compelidas a fazerem de tudo para se manter nesse estado mental. Muitas vezes, é utilizado para convencê-las a se afogar, como nos mitos, mas pode ser usado para outros tipos de manipulação. Seu efeito é mais fraco se a sereia estiver longe da água, além de não funcionar se a vítima possuir deficiência auditiva ou tiver os ouvidos devidamente cobertos para bloquear a passagem do som. Quanto às criaturas mágicas, não funciona em vampiros e seu efeito é muito fraco sobre os féericos.
EXTRAS
Ao contrário de muitas sereias que tendem a disfarçar seus aspectos mais selvagens, Sirin gosta de exaltá-lo. Suas unhas estão sempre compridas, embora muito bem cuidadas, e suas presas são visivelmente mais afiadas. São com elas que assassina suas vítimas, abrindo um buraco no peito para arrancar o coração.
Tudo o que restou de seu clã é um colar com um pingente de frasco onde mantém água salgada para momentos emergenciais.
Possui uma cicatriz enorme nas costas, proveniente do conflito que lhe encarcerou em um tanque.










