Os entorpecentes dentro do garoto eram tantos diversos, alterando sua percepção do real, que Caim até mesmo deu uma risada, imperceptível, nasalada e abafada, mas uma risada, quando percebera o revirar dos olhos claros da criatura a sua frente. Algo lhe dizia que, mesmo, agora Romeu sendo um leve desconforto a esquerda de Kane, não era o problema principal. Parecia lhe que os devaneios da menina iam a um lugar mais longe, sujo, talvez. “Não sou uma criança, Kane.” murmurou, agora assumindo sua antiga postura reclusa e séria. Não havia ficado ofendido com a suposição de Anika. Seu humor mudava como o clima. Talvez as drogas apenas afloravam mais a mudança. Os Psicopedin costumavam ter esse jeito de diverti-se no sistema do garoto. Claro, os mesmo não eram de grado a Romeu, que apenas ingeria os comprimidos para não torna-se um junkie viciado em morfina e comprimidos. Esperto, tomando um remédio de abstinência para não ser viciar, os homens carecas ou mulher com o lápis de olho exagerado lhe dizia, assim que passavam o frasco com o remédio. Aquele que havia sido biossintetizado no México, transformado em pilulas enviadas para os Estados Unidos da America, empacotada com uma marca, taxada pelo governo, roubada por um segurança, vendida para o homem careca, revendida para mulher de lápis com olho exagerado, e finalmente, para Romeu. “É uma questão de tempo.” comentou sem ligar ao fato, afinal, era apenas uma questão de tempo para saírem voando de Gotham. “Como é aquele ditado mesmo? Quando os morcegos saem as escorias fazem a festa? Ou seria o contrario?” Emitiu em ironia e critica destiladas, tendo mais uma vez o humor alterado. O Crane pousou o rosto em suas mãos. “Sabe como há problemas de pragas em todos os lugar, Anika. Gotham é apenas um ninho deles.” Completou o pensamento sorrindo levemente a garota. “Você nunca me viu chapado.” e realmente esperava que não. A dormência causada pelo remédio era algo que Romeu não caracterizava como chapar. Afinal, aquilo não era nada comparado a morfina, ópio e outras substâncias ilegais digeridas pelo menino. Nunca gostaria de ter a garota presenciando tal feito pelo fato de se importar com a própria. “Como disse, é um ninho, Kane. Uma população inteira de pestes. Inúmeras gerações.” continuou, pegando uma batata frita do prato da menina. “Agora me diga, pequena Kane, qual a razão desses devaneios?”