Sentiu o contato com um cordão, chegou a sorrir com toda a grande expectativa por um presente tão simples, jamais imaginariam que um príncipe poderia ser assim, o tipo de pessoa que se alegra com alto tão singelo. E bem, foi exatamente assim que se sentiu quando abriu os olhos e capturou a imagem do cordão que envolvia o seu longo pescoço, mas com aquele pequeno e delicado detalhe, um pingente que poderia dizer muito sobre Skye, haviam conversado algumas vezes sobre dança, tinha notado o quão apaixonado ele era por isso, mas nada muito aprofundado foi dado para ele. Nada parecido com aquilo. Levou a mão até o pingente e deslizou a ponta dos dedos como se estivesse sentindo um cristal raro no qual qualquer movimento brusco poderia quebra-lo. Ergueu o olhar, com aquele brilho quase infantil quando ouviu aquela frase ‘algo que é parte de mim’, devia ter feito o mesmo, por que não pensou nisso? Algo que é parte dele, foi então que se lembrou do bilhete que deveria ser entregue ao Mister C, decidiu que seria ele o próprio entregador. Pegou o pedaço de papel do bolso e, trêmulo, provavelmente gaguejaria, ele abriu o mesmo e mostrou o desenho que fizera. “ Uma vez, minha mãe me perguntou se eu queria ser algo diferente do que era e o que eu gostaria de ser, então eu falei que queria ser arquiteto, que faria casas e deixaria pessoas abrigadas, todas teriam um lar e seriam felizes. ” Pigarreou, se aproximando um pouco mais, sem conseguir olhar muito para o rapaz na sua frente. “ Eu tentei várias universidades no mundo, até decidir aceitar vir pra cá, eu tava fazendo as minhas malas quando ela perguntou ‘por que deixar tudo isso pra fazer robôs? por que não escolheu fazer as casas?’ ” Mostrou o desenho de seu primeiro projeto, uma casa simples, com garagem e dois andares, com quartos, sala, até mesmo um escritório, mas acima dela estava escrito ‘seguro’. “ Eu havia feito esse desenho pro cara que havia sido pego comigo pelo meu pai, havia marcas, óbvio, ele apanhou assim como eu. E eu falei pra ele que ia protege-lo de todo o mal que tudo poderia ser causado a ele, eu construiria uma casa, com quartos, garagem e escritório. E ele me disse ‘Não importa muito, não é a casa que nos deixa seguros, somos nós, pessoas e afetos.’ ” Dobrou o papel e colocou na mão dele. “ Ele falou que eu deveria dar esse papel a quem eu quisesse me tornar a casa dele, pra dar segurança…. ” Mordeu o lábio inferior, chegou a colocar o pedaço de papel em seu mural, na época que namorava, pois acreditava cegamente que seria com o ex que dividiria isso, mas percebeu que era praticamente impossível. “ Você sabe quem eu sou agora, Skye, não tenho que ter medo. E saber que sou capaz de carregar um pouco de você comigo só me dá certeza de que escolhi bem, não vou me arrepender jamais de ter te entregado isso. ” Mesmo que seja apenas para um amigo, foi o que concluiu em sua mente, porque ainda achava que o rapaz na sua frente era inalcançável pros seus erros e suas fraquezas.
Foi... diferente ver as sapatilhas contra o tecido cor de rosa da camisa alheia. Não um diferente ruim ou estranho, foi bom. Fez o coração de Skye acelerar um pouco mais que o normal por saber que agora, por ter mencionado um possível troféu, Ian, tão inteligente quanto era, poderia facilmente ligar uma coisa a outra e descobrir por si só sobre sua dança. Estava disposto a mostrar-lhe todos os prêmios, até mesmo de contar sobre as histórias engraçadas e emocionantes das competições. Queria fazer isso, na verdade. Mas estava com medo. Das outras três vezes que desejou contar para alguém próximo, simplesmente não deu tempo. Os três amigos se afastaram antes de Skye ter sucesso... e se isso acontecesse com Ian também? De algum modo, torcia para que fosse diferente. Por aquele brilho na expressão alheia quando o olhar dele saiu dos pingentes para si, Skye deixava-se crer que seria diferente dessa vez. Teria a chance de compartilhar tudo. E a confirmação pareceu vir em forma de bilhete. Não, espere, não era um bilhete. Suas íris varreram os detalhes ricos do desenho que a si foi oferecido; Skye pegou o papel com um certo cuidado em mãos, olhando o desenho com admiração. O jovem rapaz fizera isso tudo sem sequer ter estudado na época. Reforçava sua desconfiança do quão brilhante aquele homem era. ' —— É incrível.' sussurrou, os dígitos da destra passando delicadamente por cima das letras escritas no papel. Skye, de todas as pessoas, precisava de uma casa que fosse segura. Precisava de uma fortaleza para proteger-se das investidas do pai... E talvez aquele projeto fosse o que lhe daria isso. Quando ergueu a vista para o menor, não conseguia conter o sorriso imenso e nem esconder os olhos marejados. O entendimento de que aquele à sua frente era um príncipe, nunca lhe desceria pela garganta. Tão humilde, tão simples... céus, precisou engolir em seco e o morder o canto do lábio. Queria beijá-lo. A percepção disso lhe assustava. Skye não podia forçar a si mesmo no garoto então apenas decidiu abraçá-lo. ' —— Eu adorei. Obrigado. Vou fazer seu projeto virar realidade.' murmurou contra o ombro dele, pressionando os lábios no local.